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Onde se educa? Qual é o espaço físico territorial onde transcorrem os atos e os processos educativos?” GHON (2006) responde essas perguntas ao definir espaços de educação formal. De acordo com a autora,

[...] na educação formal estes espaços são os do território das escolas, são instituições regulamentadas por lei, certificadoras, organizadas segundo diretrizes nacionais. Na educação não-formal, os espaços educativos localizam-se em territórios que acompanham as trajetórias de vida dos grupos e indivíduos, fora das escolas, em locais informais, locais onde há processos interativos intencionais (a questão da intencionalidade é um elemento importante de diferenciação). Já a educação informal tem seus espaços educativos demarcados por referências de nacionalidade, localidade, idade, sexo, religião, etnia etc. A casa onde se mora, a rua, o bairro, o condomínio, o clube que se frequenta, a igreja ou o local de culto a que se vincula sua crença religiosa, o local onde se nasceu etc. (GHON, 2006: 29)

Hoje, quando se fala em educação, espera-se que ela seja fundamental na preparação do aluno para enfrentar os novos desafios e conflitos provocados pela globalização, pela revolução técnica e científica, pelos avanços tecnológicos que tem gerado a transformação do uso da informática nessa era digital, da sociedade do conhecimento e da informação. Diante deste cenário, o conceito de educação é ampliado, levando-o além dos muros da escola e que não se restringe apenas aos espaços formais, devendo ocorrer também em espaços de casa, do trabalho, do lazer, das associações comunitárias, favorecendo a interação do indivíduo com toda a sociedade.

A avaliação de tais propostas e os fatores que moveram seu crescimento é aventada por vários autores, entre eles GHANEM e TRILLA (2008) que elucidam que a partir do século XIX, quando se amplia o ingresso à escola, o discurso pedagógico cada vez mais se restringe a distinguir educação como sinônimo de escolarização, quando, na verdade

[...] a escola é uma instituição histórica. Não existe desde sempre nem nada garante sua perenidade. Foi e é funcional a certas sociedades, mas o que é realmente essencial a qualquer sociedade é a educação. A escola constitui apenas uma de suas formas, e nunca de maneira exclusiva. (GHANEM e TRILLA, 2008: 17).

A divulgação desses novos espaços de educação no Brasil se deu também a partir dos movimentos sociais. Na década de sessenta, os trabalhos de Paulo Freire, criaram o termo educação popular, para indicar esta nova modalidade educativa.

É uma pena que o caráter socializante da escola, o que há de informal nas experiências que se vive nela, de formação ou deformação, seja negligenciado. Fala-se quase que exclusivamente do ensino dos conteúdos, ensino lamentavelmente quase sempre entendido como transferência do saber. Creio que uma das razões que explicam este descaso em torno do espaço-tempo da escola, que não seja a atividade ensinante, vem sendo uma compreensão estreita do que é educação e do que é aprender. No fundo, passa despercebido a nós que foi aprendendo socialmente que mulheres e homens, historicamente, descobriram que é possível ensinar. Se estivesse claro para nós que foi aprendendo que percebemos ser possível ensinar, teríamos entendido com facilidade a importância das experiências informais nas ruas, nas praças, no trabalho, nas salas de aula das escolas, nos pátios dos recreios, em que variados gestos de alunos, de pessoal administrativo, de pessoal docente se cruzam cheios de significação (FREIRE, 2013: 44).

GOHN (2010) enfatiza ainda que a Educação não formal “foi um campo de menor importância no Brasil, até os anos de 1980, tanto nas políticas públicas, quanto entre os educadores” e afirma ainda que o caminho institucional aos processos educativos em espaços não formais começa a ser discutido 1996 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), quando define educação como aquela que compreende “[...] processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (LDBEN, art.1º, 1996).

A educação não-formal designa um processo com várias dimensões tais como: a aprendizagem política dos direitos dos indivíduos enquanto cidadãos; a capacitação dos indivíduos para o trabalho, por meio da aprendizagem de habilidades e/ou desenvolvimento de potencialidades; a aprendizagem e exercício de práticas que capacitam os indivíduos a se organizarem com objetivos comunitários, voltadas para a solução de problemas coletivos cotidianos; a aprendizagem de conteúdos que possibilitem aos indivíduos fazerem uma leitura do mundo do ponto de vista de compreensão do que se passa ao seu redor; a educação desenvolvida na mídia e pela mídia, em especial a eletrônica etc. (GOHN, 2006: 28).

LIBÂNEO (2004: 86-87) afirma também que a intencionalidade é o que distingue a Educação como uma prática educativa. A educação informal, chamada também de não intencional, difere da educação intencional que se divide em educação formal e educação não formal. Quando se refere às influências do meio

natural e social sobre o homem, interferindo em sua relação no meio social, como costumes e religião, tem-se a prática não intencional, informal. Já a prática educativa que ocorre com objetivos educacionais claros, sistematizados e organizados é tida como formal e intencional e pode acontecer ou não em instâncias da educação escolar.

Quando tratamos da educação não formal, a comparação com a educação formal é quase que automática. O termo não-formal também é usado por alguns investigadores como sinônimo de informal. Consideramos que é necessário distinguir e demarcar as diferenças entre estes conceitos. A princípio podemos demarcar seus campos de desenvolvimento: a educação formal é aquela desenvolvida nas escolas, com conteúdos previamente demarcados; a informal como aquela que os indivíduos aprendem durante seu processo de socialização – na família, bairro, clube, amigos etc., carregada de valores e culturas próprias, de pertencimento e sentimentos herdados: e a educação não-formal é aquela que se aprende “no mundo da vida”, via os processos de compartilhamento de experiências, principalmente em espaços e ações coletivos cotidianas (GOHN, 2006: 28). As definições estão em aberto. Da mesma forma que a discussão sobre a conceituação de Educação formal, Educação informal e Educação não formal está em aberto, a definição para Espaço não formal também está. Para JACOBUCCI (2008), Espaço não formal pode ser definido como aquele espaço onde pode ocorrer uma prática educativa. De acordo com a autora, os espaços não formais, podem se dividir em dois tipos (Figura 8): os espaços institucionalizados, que dispõe de planejamento, estrutura física e monitores qualificados para a prática educativa dentro deste espaço; e os espaços não institucionalizados que não dispõe de uma estrutura preparada para este fim, mas sendo, bem planejados e utilizados, poderão se tornar um espaço educativo de construção científica.

Há uma grande preocupação por parte de alguns autores (como GOUVÊA et

al., 1993; MARANDINO, 2002, 2003; QUEIROZ et al., 2002; VIEIRA, 2005; PIVELLI,

2006) em se escolarizar esses Espaços não formais, uma vez que a educação não formal que corre nesses espaços institucionalizados apresenta características próprias e bem distintas, quando comparada à Educação que ocorre nas escolas.

[...] É preciso ter cuidado para não se escolarizar as instituições. Acredita-se que o objetivo maior destes locais que expõem biodiversidade é o de despertar curiosidades, paixões, possibilitar situações investigadoras, gerar perguntas que proporcionem a sua evolução e não somente dar respostas às questões que são colocadas pelo ensino formal (PIVELLI e KAWASAKI, 2005: 9).

Figura 8: Sugestões de definições para Espaço formal e Espaço não formal de Educação, segundo JACOBUCCI (2008).

Fonte: Adaptado pela Autora.

Porém não se pode negar a importância da escola nesse processo. ROCHA e FACHÍN-TERÁN (2010) enfatizam a grande valor da escola nesse processo e pontuam a impossibilidade de alcançar uma educação científica, sem a parceria da escola com estes espaços, ao discutirem a importância dos espaços não formais para o ensino de Ciências. De acordo com GADOTTI (2005: 3), “[...] não se trata, portanto, aqui, de opor a educação formal à educação não-formal. Trata-se de conhecer melhor suas potencialidades e harmonizá-las em benefício de todos e, particularmente, das crianças”.

Vários autores como ACHUTTI (2003), JACOBUCCI (2008), ALCÂNTARA e FACHÍN-TERÁN (2010), ROCHA e FACHÍN-TERÁN (2010), CAZELLI et al. (1997), KRASILCHIK (2000), PIVELLI (2006), YUNES (2011), CHASSOT (2010), entre outras obras, são de grande relevância na área, que denunciam a importância da necessidade de se conhecer antecipadamente as peculiares dos espaços não formais de ensino para reunir melhor seus recursos aos conteúdos trabalhados em sala de aula, a fim de construir significativamente uma educação científica.

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