• Aucun résultat trouvé

Uncertainty propagation: studying wheat supply areas of French regions

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 95-102)

Uncertainties of domestic road freight statistics: insights for

4.4 Case studies

4.4.3 Uncertainty propagation: studying wheat supply areas of French regions

São as demências adquiridas que consistem no comprometimento cognitivo resultante de afecções cerebrais. Dentre elas encontram-se a demência vascular e as demências potencialmente reversíveis que são brevemente descritas a seguir.

3.3.4.1 Demência Vascular (DV)

Com prevalência entre 10 a 20%, a demência vascular é uma síndrome neurológica heterogênea, decorrente, na maior parte das vezes, de doença vascular cerebral de origem isquêmica. Assim, sua instalação é de origem abrupta com evolução “em degraus” (STELLA, 2004; VALE, 2006). As alterações cognitivas mais comuns são o declínio em funções executivas, distúrbios da atenção concentrada,

desorientação visuoespacial, comprometimento da memória associada à fala e à nomeação, afasia motora ou de expressão e afasia semântica. Perda de força muscular nos membros superiores ou inferiores e hemiplegia acompanham as perdas cognitivas.

A prevalência de DV varia de 1,2% a 4,2% em pessoas idosas e aumenta com a idade, dobrando a cada cinco anos a partir de 65 anos. É mais frequente no sexo masculino e apresenta como principais fatores de risco a hipertensão arterial, o

Diabetes mellitus, a cardiopatia e arritmia cardíaca, a obesidade, os distúrbios

lipídicos, o tabagismo, a vida sedentária e o alcoolismo. Desse modo, ao se detectar qualquer uma dessas patologias em um idoso, deve-se fazer o monitoramento sistemático de suas habilidades cognitivas.

Frequentemente, a demência vascular vem acompanhada de depressão grave com melancolia e risco de suicídio. Por isso, o tratamento da depressão está indicado nos casos de demência vascular (STELLA, 2004).

As demências mistas são as resultantes da ocorrência simultânea de eventos característicos de Demência de Alzheimer (DA) e Demência Vascular (DV). Dados de estudos patológicos apontam que mais de um terço dos pacientes com DA também apresentam DV.

3.3.4.2 Demências potencialmente reversíveis (DPR)

São caracterizadas pela reversibilidade parcial ou completa do déficit cognitivo com o tratamento específico. Dentre as causas para o quadro de demência potencialmente reversível citam-se as disfunções hormonais, as deficiências vitamínicas, as demências induzidas por drogas e o hematoma subdural (LEITE; CAIXETA, 2006). Além disso, processos depressivos, hidrocefalia de pressão normal, tumor cerebral, AIDS e outras infecções do sistema nervoso central também podem causar as DPR.

Estudos que investigam demências potencialmente reversíveis apontam uma prevalência de 23% na população geral. Porém, estes estudos geralmente não relatam o acompanhamento clínico nem a comprovação neuropsicológica da reversibilidade do déficit cognitivo. É preciso salientar, no entanto, que de modo

geral, os pacientes portadores de DPR que melhoram com a intervenção apresentam déficits leves e de início recente. Por outro lado, mesmo que o tratamento das alterações não reverta por completo o déficit cognitivo, os ajustes terapêuticos são bastante benéficos no que se refere à estabilização do declínio cognitivo (LEITE; CAIXETA, 2006).

Além das demências, é comum observar nos idosos o declínio cognitivo associado à outra patologia de alta prevalência, a depressão. Caracterizada por ampla alteração do humor e da atividade motora e por mudanças vegetativas, cognitivas e de comportamento, a depressão está entre os principais distúrbios mentais nos idosos sendo, frequentemente, associada à queda na qualidade de vida (ZORZETTO FILHO, 2009).

Os transtornos depressivos iniciados em fase tardia têm sido considerados como fator de risco para o desenvolvimento de processos demenciais (STOPPE JR.; LOUZÃ-NETO, 1999). No entanto, a relação dos déficits cognitivos com a idade é complexa, não sendo possível concluir que tais declínios são mais abrangentes com o passar dos anos.

Queixas cognitivas são bastante comuns em pacientes idosos deprimidos, o que acarretou o aparecimento do termo pseudodemência depressiva. Nestes quadros, os sintomas de depressão vêm acompanhados de dificuldades de atenção, e concentração, além de falhas de memória (STELLA, 2004).

O mecanismo pelo qual a depressão causa a disfunção cognitiva não é bastante claro, mas duas hipóteses têm sido propostas. Uma delas afirma que os déficits neuropsicológicos encontrados em pacientes deprimidos provêm de um comprometimento orgânico intrínseco aos efeitos neurobiológicos da depressão. A segunda hipótese identifica os prejuízos cognitivos como efeitos secundários à depressão, tais como a incapacidade de manter a atenção e a motivação (ZORZETTO FILHO, 2009).

Quanto à relação entre depressão e memória, os estudos apontam uma considerável variedade de déficits, os quais persistiriam mesmo quando a depressão já está na fase de remissão. Estudos na área apontaram para o declínio na memória imediata ou de curto prazo (BRAND; JOLLES; GISPEN-De-WIED, 1992; DANION et al., 1991; GAINOTTI; MARRA, 1994; ILSLEY; MOFFOOT; O’CARROL, 1995). O prejuízo na memória tardia e de reconhecimento foi identificado por Austin e outros (1992), Deijen, Orlebeke e Rijsdijik (1993) e Elliott e outros (1996) em pacientes

deprimidos. Importantes déficits na memória visuoespacial foram descritos por Richards e Ruff (1989) e Coello, Ardila e Rosselli (1990). Também na memória de longo prazo foram apontados mais declínios em pacientes deprimidos, se confrontados com pacientes não deprimidos (AUSTIN et al., 1992; ELLIOTT et al., 1996).

No que se refere à atenção, inúmeros trabalhos apontam, em pacientes deprimidos, o declínio da atividade de alternar e sustentar o foco de atenção. Neste caso, o comprometimento é proporcional à gravidade do quadro depressivo (ALBUS et al., 1996; NELSON; SAX; STRAKOWISKI, 1998; O’BRIEN; SAHAKIAN; CHECKLEY, 1993).

As funções executivas em pacientes deprimidos, particularmente as que envolvem planejamento e mudanças de sequência, encontram-se rebaixadas como apontaram Elliott e outros (1997), Austin e outros (1999) e Rozenthal, Laks e Engelhardt (2004). Segundo Elliott e outros (1997), o fator motivacional de hipersensibilidade à percepção de uma falha pode afetar negativamente o desempenho de pacientes com depressão.

O perfil neuropsicológico da depressão, no entanto, é complexo e muitas questões permanecem sem solução o que aponta para a necessidade de mais trabalhos para o avanço do conhecimento na área. Dessa forma, verifica-se a importância de se proceder à avaliação neuropsicológica em pacientes deprimidos com o objetivo de predizer o curso da depressão, reduzir a heterogeneidade diagnóstica entre esses transtornos, melhorar as classificações diagnósticas e de também operacionalizar critérios efetivos para se distinguir as diferentes trajetórias do envelhecimento cognitivo.

A Neuropsicologia tem assumido papel de destaque no diagnóstico dos comprometimentos cognitivos e de demências, fazendo atualmente, parte integrante de todos os critérios diagnósticos (MANFRIM; SCHMIDT, 2006). A busca pelo aperfeiçoamento dos critérios de validade dos testes disponíveis para a avaliação neuropsicológica de idosos é medida de fundamental importância. Conhecer as possibilidades e limitações da avaliação neuropsicológica, em geral, e do idoso, em particular, é o que refletiremos na próxima seção.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 95-102)