Atentos à crescente demanda pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação em sala de aula, o Governo Federal vem construindo, com a ajuda da comunidade acadêmica, espaços virtuais na internet que objetivam auxiliar a prática pedagógica no país, bem como servir de ponto de pesquisa para os alunos. Entre os projetos podemos destacar o Portal Domínio Público, o site Objetos Educacionais, a Rede Interativa Virtual de Educação e o Portal do Professor. O Portal Domínio Público <http://www.dominiopublico. gov.br>, criado pelo Governo Federal, é uma biblioteca digital gratuita onde professores, alunos, pesquisado- res e a população em geral poderão pesquisar e baixar obras literárias, artísticas e científicas, na forma de tex- tos, sons, imagens e vídeos. As obras do portal fazem parte do patrimônio cultural brasileiro e universal, sendo de domínio público ou com divulgação devida- mente autorizada. Além desse acervo cultural, todos os programas da TV Escola que abordam questões do
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Brasil, incluindo história, geografia, literatura, etc., es- tão também disponíveis no portal. Este ambiente vir- tual, ao disponibilizar conhecimento de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários, ao mesmo tempo em que também preten- de induzir uma ampla discussão sobre as legislações relacionadas aos direitos autorais de modo que a pre- servação de certos direitos incentive outros usos. Um importante mecanismo do portal é possibilitar que os usuários possam colaborar, seja na forma de Voluntá-
rio (digitalizando obras que já se encontram em do-
mínio público), como Autor (cedendo obras de sua autoria), como Parceiro (cedendo os direitos autoriais de obras das quais os detenha) ou como Tradutor (tra- duzindo obras que já estejam em domínio público). O site Objetos Educacionais <http://objetoseducacio- nais2.mec.gov.br/>, promovido pelo Ministério de Edu- cação (MEC), é uma base de dados internacional para compartilhamento de recursos educacionais em diversas mídias, tais como áudio, vídeo, animação, jogos, simulação, imagem, hipertexto, software edu- cacional etc. Além do Brasil, os objetos de aprendiza- gem disponíveis no site são produzidos por diversos outros países (Alemanha, Argentina, Canadá, China, Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Portugal e
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Reino Unido) e, por isso, estão em diversos idiomas. Todos os recursos disponíveis são de acesso público, gratuito e livre, e visam atender diversas áreas do co- nhecimento em vários níveis, da educação infantil ao ensino superior.
A RIVED, ou Rede Interativa Virtual de Educação <http://www.rived.mec.gov.br/>, é um programa da Secre- taria de Educação a Distância (SEED), que tem por objetivo a produção e difusão gratuita de conteúdos pedagógicos digitais, na forma de objetos de apren- dizagem. Um objeto de aprendizagem pode ser entendido como qualquer material eletrônico que provém informações para a construção de conheci- mento, seja em forma de uma imagem, uma anima- ção, um site ou um programa de simulação. Os ob- jetos de aprendizagem disponibilizados pelo RIVED dão a possibilidade de se testar diferentes caminhos, de acompanhar a evolução temporal das relações causa e efeito, de visualizar conceitos de diferentes pontos de vista, de comprovar hipóteses etc. Por isso, são instrumentos poderosos para estimular o raciocí- nio, o pensamento crítico e criativo dos estudantes. Além de promover a produção e publicar na web os
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conteúdos digitais, o RIVED realiza também capacita- ções sobre a metodologia para produzir e utilizar os objetos de aprendizagem nas instituições de ensino superior e na rede pública de ensino.
O Portal do Professor <http://portaldoprofessor. mec.gov.br> é um espaço virtual que objetiva subsi- diar as práticas educativas no país, criando uma rede de comunicação entre profissionais da área. Chats, blogs e seminários on-line fazem partes dos meca- nismos digitais do site que pretendem estimular essa comunicação e interação entre os professores. O con- teúdo do portal inclui um banco de dados com uma série de links para bibliotecas digitais, museus, víde- os, fotos, mapas, áudios, textos e diversos outros re- cursos pedagógicos. Além disso, o portal conta com um crescente arquivo de planos de aula, postados e comentados pelos próprios professores utilizadores do portal. No site, além de ter subsídios para prepa- rar aulas, o professor poderá se informar sobre cur- sos de capacitação oferecidos em todo o país, bem como sobre a legislação específica da área.
Além de fomentar a criação de ambientes virtuais, o Governo Federal vem pesquisando tecnologias para equipar as escolas com computadores. Uma das ações se concretiza com o projeto Um Computador por Aluno (UCA), uma parceria entre o Ministério da Educação e a Casa Civil. O projeto nasce da idéia de democratização das novas tecnologias de informa- ção e comunicação fazendo-as chegar à rede pública
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de ensino, através da distribuição gratuita de com- putadores portáteis para os professores e alunos da educação básica. O projeto piloto, que se iniciou em 2007, foi realizado em cinco escolas de cinco estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Tocan- tins e Distrito Federal. Em 2008 houve a compra de 150 mil laptops para ampliar o projeto para 300 es- colas públicas em todos os estados. Cada escola teve um número médio de 500 beneficiados, entre pro- fessores e alunos. Além dos computadores portáteis, serão adquiridos uma série de outros equipamentos que permitam o acesso à internet.
Com a implantação do UCA nas escolas o Governo pretende incentivar a mudança do processo ensino- aprendizagem, possibilitando um maior acesso à in- formação para os estudantes e suas famílias, já que os equipamentos são dos alunos e podem ser levados para casa e compartilhados com os outros membros da família, reforçando assim a integração entre es- cola e comunidade. Com o projeto, os professores também se beneficiam, pois com o uso das máquinas podem se atualizar em suas práticas pedagógicas. Ar- ticulando esses três atores, aluno, professor e família, o projeto ajuda no atendimento da política nacio- nal de inclusão digital, ao mesmo tempo que apóia o desenvolvimento da indústria brasileira, já que os equipamentos foram desenvolvidos em território na- cional, e compete às industrias locais a distribuição, o suporte, a manutenção e o desenvolvimento de softwares e conteúdos educacionais.
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CONCEPÇÕES
CONTEMPORÂNEAS
DO ENSINO DA ARTE:
INCORPORANDO AS
NOVAS TECNOLOGIAS
Os PCNs fazem parte da Lei 9394 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação - publicada no dia 20 de de- zembro de 1996. Essa lei, seguindo uma tendência mundial, corrige as distorções pelas quais passava o ensino de Arte na educação brasileira. Essa correção é feita equiparando a disciplina Arte às das demais disciplinas em grau de importância para o pleno de- senvolvimento das capacidades cognitivas.
Ao fazer isso a LDB não só reconhece a importância da cultura na formação do educando como, também, permite que os currículos escolares possam ser revis- tos e elaborados de forma inclusiva com todas as áre- as sendo contempladas.
Vamos fazer um exercício de imaginação? Como você ima- gina que será a escola e a educação no futuro? Qual seria o papel do conteúdo nesta escola, uma vez que a informação circula de forma acelerada e que o mundo do trabalho exige competência e não exatamente conteúdos ou informações?
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A metodologia proposta pelos PCN’s para o ensino de Arte propõe uma análise do objeto ou do ato ar- tístico dentro de uma visão triangular que aborda não apenas o objeto ou ato em si, mas que necessa- riamente exige a compreensão do contexto histórico em que o referido objeto ou ato foi produzido. Isto significa analisar os objetos ou atos artísticos a partir do contexto de quem os produziu. A terceira pon-
ta desse triângulo é o fazer artístico. Esta Proposta
Triangular, proposta pela pesquisadora em arte-edu- cação Ana Mae Barbosa, veio confrontar um modelo de ensino da arte vigente no país desde a década de 70, que privilegiava o fazer artístico em detrimento da apreciação de obras e do conhecimento da his- tória da arte. Nesse período o trabalho dos arte- educadores estava centrado nas propostas de expe- rimentação expressiva como a mola propulsora para o processo criador. Valorizava-se o desenvolvimento da auto-expressão e da auto-descoberta. Não se re- fletia sobre o fazer artístico, nem sobre os aspectos históricos e teóricos da arte, nem eram apresentadas imagens de obras de arte para que estas não influen- ciassem ou tirassem a “pureza” intuitiva das crianças, que deveriam se expressar livremente. Porém, sem reflexão nem contato e apreciação de objetos artísti- cos, as crianças tinham seu processo criativo bastante limitado, tendendo sempre a reproduzir velhos este- reótipos em seus trabalhos. Aos poucos, este modelo de ensino da arte centrado no fazer e desconectado da apreciação e do estudo teórico e analítico da arte foi cedendo espaço para a pedagogia da Proposta Triangular. Para Ana Mae Barbosa:
A produção de arte faz a criança pensar inteligente- mente acerca da criação de imagens visuais, mas so- mente a produção não é suficiente para a leitura e o julgamento de qualidade das imagens produzidas por artistas ou do mundo cotidiano que nos cerca. (...) Temos que alfabetizar para a leitura da imagem. Através da leitura das obras de artes plásticas, esta- remos preparando a criança para a decodificação da gramática visual, da imagem fixa e, através da lei- tura do cinema e da televisão, a prepararemos para aprender a gramática da imagem em movimento. (...) Essa decodificação precisa ser associada ao jul- gamento da qualidade do que está sendo visto aqui e agora e em relação ao passado (1991, p. 34-35).
A Proposta Triangular propõe um currículo que privi- legie de forma integrada o fazer artístico, a história
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da arte e a análise de obras, visando o desenvolvi- mento integrado dos educandos. Apontam, assim, para a democratização do conhecimento da arte, para a construção do conhecimento e, sobretudo, para o rompimento da prática tecnicista que per- meia, ainda, o ensino da arte. A partir da Proposta
Triangular, as atividades de arte na escola passam a
ter um significado mais complexo, deixando de ser uma atividade incompreendida ou mero passatem-
po. Em síntese, ela se articula nos seguintes vértices:
Conhecer arte
t Através do estudo da história da arte o educan- do compreende que a arte se dá em um contex- to de tempo e espaço.
Apreciar arte
t Estando em contato com objetos artísticos é possível analisá-las desenvolvendo assim as ha- bilidades de ver e sentir. A partir da apreciação, educa-se o senso estético e analítico do aluno, que terá maior habilidade de julgar o universo imagético em que vive.
Fazer arte
t O fazer artístico objetiva o desenvolvimento das habilidades para a criação de objetos/imagens expressivas. Fazendo os alunos conscientizam- se das suas capacidades de elaborar imagens, experimentando os recursos da linguagem, as técnicas existentes e a invenção de outras for- mas de trabalhar a sua expressão criadora. Na arte educação, em que se pretende trabalhar com a Proposta Triangular, deve-se investir esforços para in- terligar as vertentes do triângulo, unindo o conhecer, o apreciar e o fazer de forma dissociada, procurando, assim, atingir o equilíbrio entre razão, emoção e intui- ção. Nesta unidade, iremos estudar alguns mecanismos de como explorar as novas tecnologias de informação e comunicação na arte educação de maneira triangular. Hoje, com a difusão de informação na internet, é fácil para o aluno-pesquisador ter contato com boas repro- duções de obras de arte, bem como com um vasto uni- verso informacional que o ajude a contextualizar essas obras historicamente. Um dos meios de se atingir tais resultados é através de um tour virtual pelos museus do mundo através da internet.
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Para melhor conhecer e apreciar arte poderemos trabalhar com o
método comparativo e o método multipropósito, propostos pelos
pesquisadores Edmund Feldman (1970) e Robert Saunders (1984), respectivamente. Esses dois métodos dialogam intimamente com a proposta triangular, como afirma o professor Raimundo Matos de leão:
O método comparativo é o trabalho que envolve o conhecer, o apreciar e o fazer através da comparação entre várias obras de arte de diversos períodos para que o aluno perceba as diferenças e as similaridades. Esse estudo centra-se nos ele- mentos da obra de arte e o desenvolvimento crítico é o cerne da metodologia. No entanto, ao centrar seu trabalho no de- senvolvimento crítico, Feldman não nega o desenvolvimento da técnica e da criação. Ao entrar em contato com a obra de arte, ao ver a imagem, o aluno desenvolve sua capacidade crítica, estabelecendo uma relação de aprendizagem com o objeto em questão. Para Feldman, esse desenvolvimento se dá através dos seguintes processos: ao ver atentamente, o aluno descreve; ao observar o que vê, ele analisa; ao signifi- car, interpreta; e ao decidir acerca do valor, julga.
O segundo método é o de Robert Saunders (1984), denomi- nado de método multipropósito. Saunders define a sua me- todologia como um programa de ensino de arte onde o fazer se dá em função da leitura da obra de arte, articulada com outras áreas do conhecimento de maneira interdisciplinar. Enfatizando seu trabalho no olhar, ele propõe uma mudança da cultura verbalmente orientada para uma cultura visual- mente orientada, e apresenta o uso da reprodução como um meio para o ensino da arte. Em seu trabalho, Robert Saun- ders faz a defesa do uso de boas reproduções de obras de arte, em papel, na atividade com os alunos, descartando o uso do slide que, para ele, interfere na relação educador/ educando, já que o slide, para ser mostrado, necessita de um ambiente escuro. Além disso, ele defende o uso de uma mes- ma reprodução ao longo de várias séries, partindo do prin- cípio de que o educando amadurece e, conseqüentemente, fará uma leitura diferente da obra revisitada. O método de
multipropósito deve ser posto em prática a partir do momen- to que o educador de arte estabelece um objetivo a ser atin- gido pelo educando. Ao escolher uma determinada obra de arte para ser estudada, ele deve ter claro quais foram os pro- pósitos que orientaram a escolha e quais são os objetivos a serem alcançados. O passo seguinte seria a elaboração de um roteiro contendo os itens: informações sobre o artista, des- crição, interpretação e exercício de aprendizagem. Para cada um dos itens, o educador deve propor questões para que os
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