4. EL COMPORTAMIENTO DE LA ADMINISTRACIÓN PÚBLICA
4.3. Una aproximación al Precedente Administrativo
São chamados colapsíveis os solos que, quando submetidos a um determinado tipo de carregamento (peso de uma construção, por exemplo) e umedecidos por infiltração de água de chuva, vazamentos em rede de água e de esgoto ou ascensão do lençol freático sofrem uma espécie de “colapso da sua estrutura”, gerando recalques repentinos e de grandes proporções. Este tipo de recalque é chamado de “colapso” e o solo é classificado como “colapsível” (Cintra, 1995). Os colapsos de solo podem ocasionar apreciáveis trincas e fissuras nas alvenarias das construções (Figura 6.1), podendo causar inclusive sérios danos e comprometimento estrutural nas edificações e sua posterior interdição.
As regiões tropicais apresentam condições ideais para o desenvolvimento de solos colapsíveis, principalmente em locais onde se alternam estações de relativa seca e de precipitações intensas ou em regiões áridas e semi-áridas (Vilar et al., 1981). Os solos colapsíveis ocorrem em algumas regiões do território brasileiro (particularmente na região centro-sul do país) e em grande parte do Estado de São Paulo, conforme apresentado na Figura 6.2.
Solos Colapsíveis
São chamados colapsíveis os solos que, quando submetidos a um determinado tipo de carregamento e umedecidos por infiltração de água de chuva, vazamentos em rede de água e de esgoto ou ascensão do lençol freático sofrem uma espécie de “colapso da sua estrutura”, gerando recalques repentinos e de grandes proporções.
No Estado de São Paulo destacam-se como solos comprovadamente colapsíveis a argila porosa vermelha da cidade de São Paulo e os sedimentos cenozoicos distribuídos em vasta área do interior paulista (Cintra, 1998). Em algumas cidades importantes do interior paulista já foram comprovadas cientificamente as ocorrências de solos colapsíveis (Rodrigues, 2007; Giacheti et al., 2000; Mendes, 2001; Mendes e Lorandi, 2004a e
Figura 6.1 - Ocorrências de trincas e fissuras nas edificações causadas por colapsos de solo (Fontes: Rodrigues,
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2004b; Rodrigues e Lollo, 2004), que estão associadas com as características geotécnicas peculiares dos solos arenosos das formações geológicas de superfície do Grupo Bauru, conforme apresentado na Figura 6.3.
Figura 6.2 - Ocorrência de solos colapsíveis no Brasil (Fonte: Milititsky et al., 2008).
Alguns indicativos da presença de solos colapsíveis são: baixos valores do índice de resistência à penetração2 (geralmente NSPT <4 golpes), granulometria aberta (ausência
da fração silte), baixo grau de saturação (<60%) e grande porosidade, geralmente maior que 40% (Ferreira et al., 1989).
No caso particular dos solos do interior paulista originários das formações geológicas do Grupo Bauru, observa-se que tais solos são predominantemente constituídos por areia fina argilosa, vermelha ou marrom escura, com uma estrutura bastante porosa nos horizontes superficiais. Alguns resultados de ensaios de sondagens de simples reconhecimento (SPT) indicam que nos primeiros metros (<6,0 metros) o índice 2 O N
SPT ou índice de resistência à penetração é obtido a partir da cravação de um amostrador de padronização
internacional, onde, a cada metro, o mesmo é cravado no terreno através do impacto de uma massa metálica de 65 kg caindo em queda livre de 75 cm de altura. Desta forma, o valor do NSPT será a quantidade de golpes ne- cessários para fazer penetrar os últimos 30 cm do amostrador padrão no fundo do furo. Despreza-se, no entanto, o número de golpes correspondentes à cravação dos 15 cm iniciais do amostrador. As diretrizes para a execução de sondagens SPT são regidas pela NBR 6484, a qual recomenda que, em cada metro do ensaio SPT, deve ser feita a penetração total dos 45 cm do amostrador ou até que a penetração seja inferior a 5 cm para cada 10 golpes sucessivos. A cada ensaio SPT prossegue-se a perfuração até a profundidade do novo ensaio.
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Figura 6.3 - Cidades do interior paulista com ocorrências de solos colapsíveis (pontos vermelhos) e distribuição
das formações geológicas do Grupo Bauru (Fonte: Modificado de Paula e Silva et al., 2003).
Figura 6.4 - Sondagens SPT realizadas em solos colapsíveis no interior do Estado de São Paulo, onde N.A. é o
nível d’água e NSPT é o índice de resistência à penetração do ensaio SPT . (Fonte: Rodrigues 2007, Giacheti et
al. 2000, Mendes 2001, Rodrigues e Lollo 2004).
de resistência à penetração é muito baixo, (geralmente NSPT < 4 golpes), ocorrendo um ligeiro crescimento com o aumento da profundidade. Além disso, o nível de água é normalmente profundo, sendo raramente encontrado nos furos de sondagem, resultando em um solo não saturado. Alguns resultados típicos de sondagem SPT podem ser observados na Figura 6.4, onde são apresentadas as principais características geotécnicas de solos colapsíveis de algumas regiões do interior do Estado de São Paulo.
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6.2.2. Solos argilosos moles/solos compressíveis
Solos argilosos moles ou simplesmente denominados de “solos compressíveis” são solos que não apresentam resistência satisfatória ou suficiente para suportar as cargas ou solicitações provenientes do sistema estrutural das edificações (lajes, vigas e pilares) e que são transmitidas ao terreno por meio dos elementos estruturais de fundação (sapatas, radiers, brocas, estacas, tubulões, etc.).
As fundações diretas ou rasas (sapatas e radiers) são elementos que não apresentam comportamento satisfatório, em termos de segurança principalmente, quando construídos sobre solos argilosos moles devido à possibilidade de ocorrência de recalques diferenciais excessivos e, consequentemente, o comprometimento estrutural da edificação. Além disso, ressalta-se que também não é recomendável construir fundações rasas em terrenos mais resistentes que se encontram, porém, apoiados em camadas subjacentes de solos argilosos moles. Nestes casos, recomenda-se adotar fundações profundas que atravessem a camada de solo argiloso mole e fiquem “cravadas” em solos mais resistentes.
Alguns casos típicos de fundações rasas construídas em terrenos constituídos por solos argilosos moles são as edificações situadas ao longo da orla de Santos-SP, construídas na década de 70, quando ainda não havia a prática das fundações profundas (Figura 6.5). As fundações rasas foram construídas sobre uma camada de areia compacta com profundidade de aproximadamente 10 metros, mas que estava apoiada sobre uma camada espessa de argila mole altamente compressível.
Deste modo, na presença de terrenos formados por solos argilosos moles não é prudente a adoção de fundações rasas ou diretas para a construção de edificações, principalmente quando existirem cargas elevadas como as de grandes edifícios, por exemplo. Nestes casos recomenda-se a utilização de fundações profundas, visando atingir profundidades adequadas com as solicitações, onde camadas de solos suficientemente resistentes permitam garantir um bom desempenho dos elementos de fundações.
Figura 6.5 - Recalques diferenciais em edificações construídas sobre sedimentos de argilas moles na orla de
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6.2.3. Recalque diferencial
O recalque é definido pelo deslocamento vertical descendente de um elemento de fundação. A diferença entre os recalques de dois elementos de fundação denomina-se
recalque diferencial. O recalque diferencial impõe distorções aos elementos estruturais das
edificações de tal forma que, dependo de sua magnitude, poderão gerar fissuras e trincas nas mesmas (Figura 6.6).
Figura 6.6 - Modelo esquemático de fissura em elemento estrutural de edificação ocasionada por recalque
diferencial em elemento de fundação.