C.3 Pourquoi les Protocoles Serverless ?
C.7.3 Un guide sur la conception des protocoles Serverless
Uma de nossas variáveis de investigação está nas interações discursivas como via para apropriação de habilidades intelectuais, especificamente, o sistema de escrita; daí ser relevante considerar ainda o conceito de ZDP na teoria de Vygotsky, pois, como vimos, nos ajuda a compreender o contexto social no desenvolvimento das funções psicológicas superiores. A ZDP é um conceito que favorece a compreensão do percurso que a criança faz no desenvolvimento dessas funções, quando anuncia que o potencial de aprendizagem da criança precisa do auxílio de pessoas e instrumentos que lhe são exteriores e distintos para que ele se torne real. Trata-se, pois, do mecanismo de “transição do outro à autorregulação9.” (WERTSCH, 2008, p. 78).
Para Vygotsky, os processos de significação resultam das interações sociais, mediante as quais o auxílio de outra pessoa surge como mediador para favorecer o desenvolvimento de processos psíquicos potenciais de aprendizagem. Essa ideia contribui para a concepção de que o ensino deve ser orientado em direção àquilo que a criança tem potencial para realizar, mas ainda não o faz de forma efetiva. “Com o auxílio da imitação na atividade coletiva guiada pelos adultos, a criança pode fazer muito mais do que com a sua capacidade de compreensão de modo independente.” (VYGOTSKY, 2006, p. 112).
De acordo, entretanto, com Valsiner &Van der Veer (2001; 1993), o conceito vygotskyano de ZDP vai além da distância entre o que o sujeito já realiza sozinho e suas potencialidades, as quais poderiam ser efetivadas com auxílio de outra pessoa; ou mesmo a diferença entre as capacidades das crianças em contextos individuais e em contextos socialmente assistidos10. Isso porque, em certo momento, Vygotsky (2009) aborda mais detidamente a ideia de mediação, especialmente, ao expor suas investigações sobre o desenvolvimento das funções psicológicas superiores e no
9 “[...] transition from other-to self-regulation”.
tocante à formação dos conceitos científicos na criança em idade escolar. Então, podemos pensar esse desenvolvimento relacionado ao conceito de zona de desenvolvimento proximal, considerando que este último não é algo puro, natural, e só existe em relação, por mediação da linguagem. Sob essa óptica, só faz sentido pensarmos na ZDP se a consideramos um processo que ocorre como resultado da mediação, como, por exemplo, por via da atividade lúdica, do jogo, da imitação11. “Com o auxílio da imitação na atividade coletiva guiada pelos adultos, a criança pode fazer muito mais do que com a sua capacidade de compreensão de modo independente.” (VYGOTSKY, 2006, p. 112).
Ainda consoante ensinam Valsiner & Van der Veer (1993), a importância do conceito de ZDP está atrelada ao aspecto social do desenvolvimento das funções psicológicas superiores, ressaltando que esse desenvolvimento salta do presente para o futuro em decorrência da inserção da criança em um universo socialmente organizado. Isto significa dizer que a evolução do desenvolvimento está vinculada aos sistemas de aprendizagem favorecidos pelo ambiente social. Mediante a aprendizagem, a criança adquire ou desenvolve novas competências, que antes existiam apenas potencialmente.
Em A formação social da mente (1998a), Vygotsky nos oferece um conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, relacionando-o ao desenvolvimento mental das crianças e seus processos de aprendizagem, afirmando que o estado das funções mentais só seria passível de determinação se revelado seu desenvolvimento em dois níveis, quais sejam: o que ela já é capaz de realizar sozinha e o que ela pode vir a realizar, mas com a ajuda dos outros. Aqui Vygotsky nos aponta um aspecto da sua tese sobre a importância para a formação da vida mental do contexto social no qual a criança esteja inserida. E, a partir do conceito de ZDP, ele nos mostra que a relação entre desenvolvimento e aprendizado reside no fato de que este último “adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento [das funções psicológicas superiores] que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer.” (VYGOTSKY, 1998a, p. 118). A ZDP situa-se justamente nessa função da aprendizagem como promotora do desenvolvimento. (VYGOTSKY, 2006). Entretanto,
11 “[…] Vygotsky turned to the idea of imitation and emphasized that this is the mechanism that
underlies development […]. Vygotsky agued that only human children are capable of imitation of others (in contrast to the apes studied by Wolfgang Köhler), and that capability for imitation made it possible ZBR [ZDP] to exist.” (VALSINER & VAN DER VEER, 1993, p. 45).
Existe uma dependência recíproca, extremamente complexa e dinâmica, entre o processo de desenvolvimento e o da aprendizagem, dependência que não pode ser explicada por uma única fórmula especulativa apriorística. (VYGOTSKY, 2006, p. 117).
Para este estudo, interessa, ainda, especificamente, a ideia de que o conceito de ZDP em Vygotsky aufere outro contorno quando da entrada da relevância do papel da mediação simbólica nas investigações sobre o desenvolvimento do pensamento. A representação ou pensamento como uma função psicológica superior só é possível mediada pela linguagem, sendo, pois, este o instrumento que atua no âmbito da evolução do pensamento.
[...] todas as funções psíquicas superiores têm como traço comum o fato de serem processos mediatos, melhor dizendo, de incorporarem à sua estrutura, como parte central de todo o processo, o emprego de signos como meio fundamental de orientação e domínio nos processos psíquicos. (VYGOTSKY, 2009, p. 161).
A utilização do conceito de ZDP na obra de Vygotsky também conduz a um distanciamento maior e a uma oposição ao pensamento piagetiano, em que o desenvolvimento cognitivo, sua maturação, antecede a aprendizagem, de acordo com a interpretação de Vygotsky (2009; 2006). Ainda que brevemente – pois não é escopo desta pesquisa fazer essa comparação – vale esclarecer que, para Piaget (2011), a maturação orgânica é importante, porém, não suficiente para a aprendizagem, para o desenvolvimento mental. Mais importantes são os processos de equilibração, que surgem quando do encontro com o objeto exterior, da necessidade de manipulá-lo, de assimilá-lo ou de acomodar-se a ele. Nesse sentido, podemos dizer que também para Piaget o desenvolvimento ocorre mediante interações com o objeto a ser conhecido, não se distanciando tanto dos processos de aprendizagem. Assim, no que se refere à relação entre desenvolvimento e aprendizagem, entendo que a hipótese de Piaget se aproxima mais da suposição provável de Vygotsky do que este mesmo pensava. O foco do meu interesse, entretanto, permanece sendo como a ideia de ZDP pode contribuir para a hipótese que sustento nesse trabalho, bem como para o alcance dos objetivos descritos em passagem anterior nesta tese.
A teoria da ZDP aponta que o desenvolvimento decorre de situações de aprendizagem provocadas, por exemplo, por atividades escolares, pela atividade de
linguagem e diálogos entre o aprendiz e aqueles que o cercam. Até porque, para Vygotsky, a escrita e a leitura são aprendizagens que decorrem do ensino formal, são produções culturais e só são possíveis de aquisição quando da existência de uma instrução, por exemplo, através da escola. Minha hipótese nesse estudo é permeada por essa reflexão, daí surgindo a escolha por investigar as interações verbais (uma dentre tantas formas de linguagem possíveis) entre as crianças na sala de aula. Significa exprimir a ideia de por compreender que a formação ou construção das representações que as crianças têm sobre o mundo, a respeito dos conceitos à sua volta, está ligada às trocas linguísticas organizadas em determinado contexto sociocultural é que defino meu objeto de investigação como sendo tal como o defini mais atrás, ao descrever o objetivo geral do ensaio ora relatado.
Como as interações discursivas nessa perspectiva possuem caráter de favorecedoras dos processos de aprendizagem e são unidades de análise desta tese, da internalização de conceitos e do desenvolvimento intelectual, optei por tomar, ainda, Bakhtin como autor complementar para a base teórica e as análises realizadas nesta pesquisa, tendo em vista também sua obra, no que se refere aos estudos realizados sobre o signo linguístico e sua relação com o desenvolvimento do sistema da consciência.