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Un contexte de recherch e appliquée, de recherche action

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2. La cartographie des terroirs à travers deux exemples dans les vignobles du Sud-

2.1 Un concept que nous avons approché par des biais environnementaux

2.1.2 Dans un premier temps, une approche se voulant objective, guidée par des valeurs

2.1.2.1 Un contexte de recherch e appliquée, de recherche action

Ratificamos que o nosso corpus de referência é formado por piadas, mas, que se necessário, para esclarecer as nossas proposições ou exemplificar as nossas reflexões,

faremos uso de outros gêneros, considerados como humorísticos ou mesmo como piadas por quem os divulga, ainda que não tenham a forma tipificada entendida nesta pesquisa, a exemplo das Piadas de Adivinhas (Exemplos 05 e 06) ou das Frases de para-choques de caminhões (Exemplo 07). Assim procedemos, porque entendemos que não definimos uma piada (ou outro gênero qualquer) pura e simplesmente pela sua forma, mas pela sua circulação social, pelo seu funcionamento sócio pragmático. Os exemplos a seguir nos parecem ilustrativos para o que acabamos de afirmar:

Ö Exemplo 05 – Piadas de Adivinhas – Acesso em 20.08.2009 Disponível em

http://www.piadasnet.com/piadas-de-adivinhas.htm

Este site, como tantos outros, não parece fazer nenhuma distinção entre piadas e adivinhas. No título – Piadas de Adivinhas – podemos observar que “de Adivinhas” está exercendo a função de locução adjetiva, isto é, valor e função de adjetivo para o substantivo “piadas”. A exemplo do que ocorre com “piadas de louco”, “piadas de sogra”, “piadas de papagaio” etc. Louco, sogra e papagaio são os temas das piadas. Todavia, não podemos dizer o mesmo em “piadas de adivinhas”. Estas (as adivinhas), na proposta de Dionisio (1999, p. 608), são conceituadas como a “modalidade do gênero comunicativo descrição formado pelo par pergunta-resposta, em que se propõe um enigma”. Possivelmente, o fato deste gênero constar em sites divulgadores de piadas deva-se à sua

natureza essencialmente dialógica e a resposta dada para solucionar o enigma ser, geralmente, surpreendente, a exemplo da piada, provocando o riso de muitos. Senão vejamos o Exemplo 6, a seguir:

Ö Exemplo 6 – <piadas> Adivinhas – Acesso em 20.08.2009 Disponíveis em

http://www.mail-archive.com/[email protected]/msg03533.html

Das trinta e quatro adivinhas listadas no site acima registrado, selecionamos cinco para exemplificar os nossos comentários. Observemos o Quadro 1.

Formas Enunciativas14

ADIVINHAS

Algumas das variações estruturais da forma canônica Qual X ...? Qual a semelhança entre as mulheres e a geladeira?

− Nas duas você coloca a carne pra dentro e deixa os ovos na porta.

O que é X ...? O que é mole, mas na mão de uma mulher fica duro? − Esmalte.

Por que X ...? Por que os homens têm dois ovos e não três? − Porque o terceiro foi chocado e virou pinto.

Quando X ...? Quando as mulheres poderão ter seu cantinho ao sol? − Quando inventarem um cozinha com teto solar. Você sabe ...? Você sabe a diferença entre a loira burra e a inteligente?

− A loira burra se acha inteligente e a loira inteligente sabe que é burra.

14 Expressão usada por Wagner Rodrigues Silva em seu artigo – Adivinhas: aspectos estruturais e temáticos.

Trabalho apresentado em sessão coordenada na X Semana de Letras da Universidade Estadual da Paraíba, no período de 16 a 20 de agosto de 1999.

Ö Quadro 1 – Advinhas

As adivinhas, a exemplo das piadas, dependendo da pergunta, podem manifestar discursos irônico, crítico, preconceituoso, obsceno etc. Algo semelhante parece ocorrer com as Frases de pára-choques de caminhões. Vejamos:

Ö Exemplo 07 – Piada: Frases de para - choque de caminhão Disponível em

http://piadasepiadas.com.br/frases-de-para--choque-de-caminhao

Assim como as piadas, as frases de para-choques de caminhões são, também, enunciados que apresentam aspectos sócio-culturais e ideológicos, resgatando valores sociais. A título de exemplificação, selecionamos quinze das trinta e quatro frases listadas no site acima registrado. Vejamos o Quadro 2.

Frases de para-choques de Caminhões

A moça casa com o pão pensando no salame.

A mulher foi feita da costela, imagine se fosse do filé. Adoro as rosas, mas prefiro as trepadeiras.

Amor de mulher é REAL.

As mulheres perdidas são as mais procuradas.

Bom é ser mulher. Chora sem ter razão, mija sem por a mão e trepa sem ter tesão. Cachaça e mulher, no começo é bom, depois só dá dor de cabeça.

Calça jeans sem bolsos e mulher sem seios: a gente não sabe onde põe as mãos. Casamento é igual a avenida Paulista: começa no Paraíso e termina na Consolação. Duas coisas que eu gosto: cerveja gelada e mulher quente.

Esposa e trator: bom pra trabalhar, mas horrível pra passear. Eu sou tão macho que meu lado feminino é sapatão.

Ir a Europa com a mulher é gastar o dobro e se divertir a metade. Para que levar a vida a sério, se nós nascemos de uma gozada? Ö Quadro 2 – Frases de pára-choque de caminhões.

Sem nos propormos a fazer, nesta ocasião, uma análise, porém, apenas opinar, arriscamos a dizer que as Adivinhas, as Frases de para-choques de caminhões e as Piadas apresentam alguns aspectos de convergência, que justificariam as presenças dos três gêneros em sites humorísticos, muitas vezes sendo identificados todos como piadas. Portanto, o caráter dialógico, somado aos aspectos discursivos ironia, ambiguidade, preconceito, estereótipo, humor... que permeiam estes três gêneros, acrescidos de uma autoria em geral desconhecida, apontam para uma realidade cotidiana comum. Vale lembrar que os três gêneros costumam ser produzidos, a partir de alguns temas, dos quais o tema mulher é um dos preferidos, talvez, arriscaríamos dizer, até mesmo o mais preferido.

Acreditamos que os Exemplos (06 e 07), observáveis nos quadros (01 e 02), ainda que não sejam similares às piadas, visto que não apresentam os elementos formais característicos destas, podem ser identificados como tal, uma vez que, nos casos registrados, se propõem a realizar a função primeira deste gênero: provocar o riso humorístico, festivo e universal, ainda que necessariamente isto não ocorra.

Confirmamos a opinião de Bazerman (2006a, p. 40), quando este afirma que “todo exemplar de um gênero pode variar em particularidades de conteúdo, situação e intenção do escritor, que podem levar a diferenças na forma”. É importante acrescentar, concordando com este estudioso, que, ainda que não reconheçamos um gênero, isto não nos impede de compreendê-lo, uma vez que em geral um gênero é a extensão de outro já preexistente.

Entendemos também, retomando a piada, que a oralidade ainda que seja a mais antiga forma de divulgação deste gênero, não é a única possível. Esta também é propagada, por meio da imprensa, do rádio, do telefone fixo ou móvel (o celular), da televisão e da Internet. Optamos pela Internet, como campo da coleta de dados, não somente por esta ser, na atualidade, o meio mais abrangente de divulgação, como também por ela conter todos

os instrumentos de propagação dos demais meios de comunicação. Em outras palavras, a Internet na difusão do texto humorístico (e de outros textos, naturalmente) dispõe da escrita e da imagem, tal como as revistas, jornais, livros etc.; do som, assim como o rádio e o telefone; como também do som, da escrita e da imagem simultaneamente, a exemplo da televisão. E, principalmente, porque entendemos que os textos humorísticos que circulam na Internet trazem não somente as marcas da contemporaneidade, como também as marcas de uma história milenar.

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