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DE PETIT CALIBRE

Section 1. L’adoption de règles incitatives nouvelles

A. L’adoption d’un programme d’action global inventif

2. Un consensus porteur de mesures innovantes

Apesar de vários autores proporem o impulso público de criação de PME especializadas como estratégia de desenvolvimento e reestruturação regional (Audretsch, 1994), não é fácil traduzir as inter-relações sócio-economicas em acções eficazes de política económica53

. Em geral, as políticas públicas servem como instrumento de consolidação do dinamismo económico e não como factor de criação de tais fenómenos. É de salientar que as características-chave dos fenómenos de desenvolvimento endógeno são específicas da singularidade histórico-social do local em que ocorrem54. É difícil implementar fenómenos destes, em que interactuam factores desde histórico-sociais a económicos e institucionais, e em áreas locais com características muito diferenciadas entre si. A capacidade de uma região gerar PME inovadoras está cada vez mais condicionada pelas características empreendedoras e sócio-culturais da envolvente. Um dos modelos que relaciona as políticas empreendedoras locais com a propensão de uma região para criar empresas é o de Mokry (Simmie, 1997):

Figura 4.1.1.1 – Políticas Locais e a Criação de Novas Empresas Fonte: Simmie (1997)

53

Segundo Amin, autor referido em Simmie (1997).

A relação no tempo entre as duas variáveis consideradas não é linear, pois a propensão para criar novas empresas, a certa altura, tende a evoluir a uma taxa decrescente (figura 4.1.1.1). Isto verifica-se quando tende a diminuir a intensidade do número de empreendedores locais existentes. Um regime empreendedor é mais favorável a entradas inovadoras do que à actividade inovadora contínua ou à actividade de empresas já estabelecidas55. Os empreendedores tendem a expandir a escala das suas empresas quando verificam que a sua capacidade inovadora suplanta as expectativas de negócio nesse sector56

. Em síntese, o modelo matemático de suporte ao gráfico anterior é o seguinte:

Em que:

j -> cada região

Nj -> taxa de criação de novas empresas na região j (variável dependente)

Mokry destaca um conjunto de variáveis independentes, com as quais a taxa de criação de novas empresas Nj tem uma relação positiva:

1) Nível de “Diferenciação da população” D, que está relacionado com o fenómeno das economias de aglomeração e envolve dados sobre a concentração da população por unidade de superfície, o nível de diferenciação industrial e de criação de infraestruturas de suporte:

55

Como defende Winter, autor mencionado em Audretsch (1994).

56 Segundo Jovanovic, autor mencionado em Audretsch (1994).

) exp( 4 1 Uj ij ai A Nj i

  

        n i n i i i D 1 1 2 | | 1

Quanto maior fôr o grau de diferenciação da população D, mais empresas tendem a emergir em resultado da existência de novas indústrias e de novos empreendedores;

2) Nível de “Recursos humanos”, que envolve dados sobre o número de empregos públicos/privados, o nível de formação e de proximidade de centros de I&D e universidades; 3) Nível de “Recursos de capital”, que envolve dados sobre o número de instituições financeiras a operar na região e a disponibilidade de capital para investir em novas empresas; 4) Nível de “Iniciativas empreendedoras locais”, que está relacionado com o índice de políticas locais de criação de novas empresas na região e envolve dados sobre o número de técnicos locais envolvidos nas iniciativas de criação de empresas, o nível de despesas afectas à criação de empresas, a existência de parques industriais/tecnopólos e a percentagem de território “zonado”;

5) “Índice de aglomeração”, que relaciona o grau de inovação com os critérios de localização anteriores. Quanto maior fôr o índice de aglomeração, mais as grandes empresas tendem a reduzir o seu grau de inovação, devido a uma desaceleração crescente do processo de difusão tecnológica. Nas PME, pelo contrário, o seu grau de inovação tende a ser maior quanto maior fôr o índice de aglomeração, devido ao maior empreendedorismo dos seus gestores aliado a uma maior propensão para cooperar dinamicamente.

A relação entre as iniciativas empreendedoras locais e a criação de novas empresas torna-se mais intensa em locais onde predominam PME (Maillat, 1988). Existem outros estudos sobre esta temática57

, que analisam o impacte das características e decisões dos proprietários empreendedores na performance de PME inovadoras. Estes estudos concluem que é na capacidade empreendedora dos gestores que reside o motor do potencial de inovação das PME. A teoria do entrepreneurship (empreendedorismo), aliada à estrutura flexível e

informal das PME, favorece-lhes uma gestão dinâmica e propícia a processos de inovação “à medida”, vocacionada para nichos específicos. Autores recentes (Littunen, 1998) relacionam a capacidade empreendedora dos gestores, não só com as características e estrutura de produção das empresas, como também com as condições do meio local envolvente: know- how dos gestores, nível de qualificação dos recursos humanos, estrutura institucional, ritmo da actividade económica e nível de industrialização. Este sistema de influências mútuas locais contribui para aumentar a flexibilidade e diminuir a dimensão óptima das unidades produtivas, elegendo as PME como organizações cada vez mais competitivas58. Littunen (1998) identificou diversos “clusters” de áreas regionais, consoante o grau de empreendedorismo das suas empresas, dividindo-os em: área capital, áreas centrais de serviços, áreas industrializadas e áreas rurais/periféricas. No seu estudo, as PME tendem a surgir em áreas centrais de serviços cujas condições e recursos lhes oferecem melhores oportunidades de inovação e diferenciação. Isso leva a que os gestores com menor capacidade empreendedora criem mais frequentamente as suas empresas nessas áreas. Quando as condições do meio são adversas, sobretudo nas áreas rurais/periféricas, as PME tendem a especializar-se e a procurar aliados. Podem beneficiar do meio local, nomeadamente das outras empresas aí existentes, para cooperação e aprendizagem colectiva.

II PARTE – Sistemas Territoriais de Inovação