GDP TPES
2.4. Ukupna potrošnja energije Total Primary Energy Supply
Recuperando as relações estabelecidas entre os episódios, a análise do discurso e algumas afirmações a respeito das relações que a criança pode estabelecer com o meio televisão e sua linguagem, pode-se afirmar que, de fato, o desenho animado “Bob Esponja” apresenta traços de um discurso pedagógico. Isso porque seus conteúdos são envolvidos por uma estrutura significante que lhes conferem sentido e orientam suas leituras, normalmente oferecendo modelos de conduta positivos que podem ser apropriados e utilizados no cotidiano da criança. E isto acontece a despeito de intencionalidade por parte de sua produtora/emissora, que não tem preocupações educacionais, pretendendo apenas entreter seu público.
Quando este trabalho aborda o “discurso pedagógico”, refere-se a mensagens transmitidas pelo desenho animado que além de entreter seu público ou seduzi-los, deixa uma carga de significados, de modelos comportamentais que podem influenciar seu público e se constituem como parte do leque de experiências com as quais a criança reconhece seu lugar no mundo e constrói suas imagens de mundo e de si. Os valores e conceitos trabalhados nos episódios podem ser apropriados e reelaborados pelo público infantil sem dificuldades principalmente devido à linguagem do desenho. Enredos simples, objetivos e construídos dentro de uma perspectiva de enunciados inseridos em um contexto sócio-histórico mais amplo permitem que sejam recuperados, nas falas dos desenhos, elementos interdiscursivos. O “modo de mostrar” do desenho também demonstrou ser decisivo na construção de sua verossimilhança, assim, embora “Bob Esponja” esteja em um contexto situacional muito diferente do público que o assiste, suas características e suas estórias são de compreensão simples e fazem sentido tanto internamente quando no momento de recepção.
Como se esperava, a compreensão absoluta do audiovisual se dá no confronto entre as linguagens, especialmente entre os diálogos estabelecidos e as imagens. Os diálogos desvelam características dos personagens e junto com as expressões corporais e faciais compõem o universo significativo dos personagens, que apresentam características bem marcadas com as quais o público pode se identificar, ao aprovar a conduta ou repudiar, quando não houver nenhum tipo de identificação. O objetivo do trabalho foi alcançado quando consegue demonstrar o modo de dizer do desenho, formado por imagens expressivas que respeitam os elementos da linguagem audiovisual
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por diálogos que envolvem conseguindo ser, ao mesmo tempo, simples, interessantes e essencialmente argumentativos.Talvez “Bob Esponja” faça sucesso entre os pais e as crianças porque atende às três funções básicas do espetáculo que, segundo Ferrés, determinam o fascínio exercido pela televisão (1996, p. 35). A primeira é a “gratificação sensorial, proveniente de um bombardeio de estímulos visuais e sonoros. As luzes, as formas e as cores tornam-se gratificações em si mesmas, como as músicas e os sons”. A segunda seria a “gratificação mental, derivada das fábulas e das fantasias, que satisfazem uma necessidade básica [...] a pessoa precisa dos mitos como precisa do ar para respirar” e a terceira (op. cit., p. 36) seria a “gratificação psíquica, advinda da liberação catártica provocada pelos processos de identificação e projeção, os quais permitem ao telespectador elaborar seus conflitos internos”. Estes últimos são mecanismos psicológicos através dos quais o espectador se envolve emocionalmente com o espetáculo, assumindo o ponto de vista de determinado personagem.
Acredita-se que, de fato, “Bob Esponja” seja uma boa escolha para a audiência infantil, embora tenha se sentido falta de um personagem que não apresentasse problemas de conduta, um personagem cujas atitudes pudessem efetivamente servir na construção de um modelo no imaginário infantil, sem que ela tivesse que filtrar o comportamento de todos os personagens ou se apropriar apenas das características positivas que cada um deles pode ter. Essa questão é levantada porque se entende que alguns aspectos do comportamento do Bob Esponja, que é o protagonista, como os fatos de não freqüentar a escola, a obsessão que apresenta pelo trabalho, sua ingenuidade excessiva que o faz acreditar em tudo e todos ou ainda a não existência de uma relação familiar constante nos episódios não são elementos que deveriam ser entendidos pelo público como habituais. Contudo há alguns modelos positivos, como seu otimismo, a amizade sincera que tem com Patrick, a responsabilidade no trabalho, a postura equilibrada mediante as provocações do Lula Molusco, o cuidado com seu animal de estimação, o prazer de brincar.
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Anexo 1
Transcrição dos diálogos do episódio “Beijos da vovó” B – Bob Esponja
V – Vovó
L – Lula Molusco
C – Cliente do restaurante Siri Cascudo P – Patrick
B – Lá está ela, a casa da vovó, que maravilhas me aguardam hoje? Biscoitos fresquinhos, a hora da história, um suéter com amor em cada ponto, óóó, pelo quê estou esperando? Vovó, vovó, vovó!!!
V – Bob Esponja! B – Oi vovó!
V – Entre e sente-se um pouco. V – Coma um biscoito, Bob Esponja.
B – Vovozinha, você faz os melhores biscoitos do mar azul profundo. Hum...é... Biscoitos da vovó!
V – Bom, e quem quer lamber a colher? B – Eu, eu, eu, eu!
V – E aí, nós voltamos para casa de carro com a janela aberta no frio congelante... B – Me conte outra história de quando eu era um bebezinho, vovó?
B – Oh! Três horas, eu vou me atrasar pro trabalho! V – Entra no carro e eu te dou uma carona.
B – Obrigado, vovó!
V – Bob Esponja, esqueceu do meu beijinho! B – Ah! É verdade!
B – Tchau, vovó, obrigado pela carona! B – Obrigado Lula Molusco!
B – Não é ótimo? Todo mundo está de bom humor hoje!
L – Eu adoro “cortar o seu barato”, Bob Esponja! Eles estão rindo de você e não com você! B – Eu fiz alguma coisa engraçada?
L – A sua testa!
B – Minha testa é engraçada?
C – Ei, menininho da vovóó, beijinho, beijinho, beijinho...
B – Nããão! Parem com isso! Não tem nada de errado em ganhar um beijo da vovó da gente! C – Ó não, principalmente se você é um bebezão que usa fraldas...e chupa o dedão e deixa eu ver, e brinca com bonecas e usa pijama do tipo macacão e carrega o cobertor por aí e também...
Todos – Agora já chega!
L – Não esquenta, Bob esponja, conheço alguém que ainda gosta de você... B – É mesmo? Conhece Lula Molusco?
L – É, é a sua avó! Todos – riem B – Já cheeega!!!
Eu fui humilhado em público pela última vez!
P – Eu lamento o que aconteceu com você, Bob Esponja. B – Eu também...
B – Obrigado, Patrick.
P – Sabe como são as avós, elas adoram bebês, você não pode bancar o bebê perto dela. B – Você tem razão, Patrick!
P – E alguma vez eu não tive razão, é?
Você é um homem agora, Bob Esponja! E já é hora de agir como o Patrick! B – Éééé!!! Ô...Mas eu não sei como fazer isso...
P – Permita que eu te mostre. Primeiro, encha o peito. Agora diga: isento de imposto! B – Isento de imposto!
P – É, agora você tem que adquirir um gosto pelo jazz livre! Bob esponja, você tá pronto!
P – É isso aí, o que que você vai dizer para sua avó agora? B – Eu sou adulto!
P – E nada de se ou mas a respeito disso!
B – Um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer! P – E aí você vai atrás dela e eu empurro!
B – Não precisa exagerar! P – Ah...é mesmo...
B – Só precisamos pôr cobertura no bolo da maturidade! Eu deixei estas belezinhas crescendo há anos!
B e P – Costeletas!!!
V – Óh, olá, Bob Esponja! Mas que surpresa mais agradável, venha cá e dá um beijinho na sua vovózinha, anda!
B – Eu lamento vovó, mas esta beijação tem que parar.
P – É isso aí, Bob Esponja! Conta pra ela como é que é. Chega desse negócio de bebê... B – É, ele tem razão, vovó. Beijos são para bebês, e eu não sou mais, eu já cresci, é a regra da natureza.
V – Você está absolutamente com toda a razão. B – Estou? Quer dizer, é claro que eu estou...
V – Definitivamente, você não vai mais ser tratado como um bebê aqui. Nunca mais. B – Ainda bem que percebe meu propósito, vovó!
V – Ainda bem que está resolvido! Mas o que eu vou fazer com todos estes biscoitos fresquinhos?
B – Há há há, lamento vovó, nós os adultos não tomamos parte do consumo de doces, não é mesmo, Pa...trick...
P – Pode continuar trazendo, vovó!
B – E aquele papo furado de deixar de ser bebê?
V – Ah, e não se esqueça do chapéu para acompanhar os biscoitos... V e P – Riem...
B – Ei! É o meu chapéu de comer biscoitos! Ah, quer dizer, era, quando eu era criança. V – Ei, olha quem está aqui, é o meu querido neto já adulto!
B – Ouça vovó, eu preciso ter uma conversinha bem madura com o senhor Patrick!
O que está fazendo? Biscoitos? Leite quente? O babador de “eu amo a vovó” e uma marca de beijo na sua testa! Nós temos que ser adultos!
V – Ah...não é pra ficar discutindo com a barriga cheia! P – Ri...
V – Quem é bebê?
P – Eu sou bebê, eu sou bebê... B – Ar, ar...
B – Ô...Pobre Patrick...Eu sinto tanta pena de você. Preso na desajeitada fase dos dias de fraldas, para nunca conhecer as ricas recompensas de ser um adulto maduro.
V – Aqui está, mais uma fornada de biscoitos... P – Beleza!
Recompensas, não é?
B – Vejamos: uma das coisas é o jazz... P – Ô vovó, eu tô legal!
V – Mais biscoito!
B – Acho que está na hora do meu lanche. E os adultos têm que comer também, acho que isso deve servir...
V – Sinto muito, Bob Esponja. Você não vai querer comida de bebê, que tal um belo pedaço de coral cozido?
B – Bom...é...ótimo...nutritivo... V – Hora da história!
P – Que legal! Hora da história, hora da história, hora da história! B - Hora da história...
V – Você vai adorar, Patrick. É uma história maravilhosa sobre um duende mágico do mar. Bob Esponja, você não está interessado neste livro de historinhas. Aqui está o manual técnico de manutenção rotineira.
B – É... ótimo...fascinante...sem gravuras, do jeitinho que eu gosto. P – Au, au, meu pobre dedinho...
V – Calma, calma...melhorou?
P – Melhorou, mas esse outro dedinho tá doendo também... V – E que tal eu dar um presente pra você?
P – Que legal! Tomara que seja biscoito! Legal! É um chapéu.
B – Ahh??
V – Não Patrick, é um suéter. E com muito amor em cada ponto! B – Nãããão!
E eu? Não ganho presente vovó?
V – Ô...eu quase me esqueci! Aqui tem material de escritório. Eu nem embrulhei, você não se importa não é?
Óó. Três horas. Hora dos adultos irem trabalhar. Até logo, Bob Esponja! E aposto que você está pronto para uma soneca, não é, Patrick?
Você ainda está aí, Bob Esponja?
B – É...eu não preciso ir ainda, eu posso chegar atrasado.
V – Não não não. Não seria o comportamento certo de um adulto.
B – Tudo bem, eu acho que eu já vou agora, eu tenho um monte de negócios de adulto para cuidar...eu já vou indo.
V – Certo, e obrigado por passar aqui, Bob Esponja. B – É, é isso aí, lá vou eu...
V– Volte outra vez, se tiver tempo.
B – Agora para o mundo frio dos adultos. Sozinho, sem suéter... V – Nana nenê...
B – Eu não sei quando eu vou voltar, hein? V – Eu sei como você é ocupado.
B – Então é isso aí... V – Xxx...ele já dormiu... B – Tchauuu....
Eu não quero ser adulto! Eu quero biscoitos! E leite! Eu quero usar um suéter com amor em cada ponto! Eu quero usar fraldas! Eu quero andar no meu carinho! Eu quero poder abraçar meu ursinho de pelúcia! E eu quero balançar no meu cavalo marinho! Eu quero chamado de chuchu...
V – Fica calmo aí, Bob Esponja! Bob Esponja, Bob Esponja...
Você não precisa ser um bebê para ganhar o amor da velha vovozinha... B – Não preciso?
V – Claro que não! Não importa o quanto você fique adulto, você vai ser sempre o bebezinho da vovó. E lembre-se, você pode ganhar um beijo da sua avó e continuar um adulto.
B – Ah, obrigado, vovó...
Vovó, pode não dizer nada disso pro pessoal lá do Siri Cascudo? V – Sem problema.
Todos olhando pela janela riem.
Anexo 2
Transcrição dos diálogos do episódio “Chocolate com nozes” B – Bob Esponja
P – Patrick L – Lula Molusco C – Clientes
B – Oi, carteiro! Falou, até amanhãã!!!
P – Ó, o correio chegou! O que que veio, hein?
B – Vejamos...Gary, Gary, Gary, Gary, Gary, Gary, Gary, ei, uma revista! Engraçado, eu não me lembro de fazer assinatura da revista “Boa vida”.
P e B – Uau!!!!
B – Olha só estas descrições incríveis de gente de vida melhor, olha esse cara tão rico que tem uma piscina dentro da piscina!
P – Olha, esse cara tem sapato!
L – Me dá isto aqui! Roubando meu correio, hein? Sorte de vocês não denunciá-los para as autoridades!
B – Lula Molusco, como as pessoas dessa revista ganham todo esse dinheiro? L – São empreendedores, vendem coisas para as pessoas!
B – Que tipo de coisa?
L – Eu sei lá! Coisas que as pessoas têm que comprar! E tirem as patas do meu correio! B – É isso aí, Patrick! Nós temos que virar empreendedores!
P – E isso aí vai doer?
B – Vamos, Patrick, pensa rápido: Se você pudesse ter o que quisesse agora mesmo, o que