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A Ilha de Maré é a segunda maior ilha da BTS, com área aproximada de 13,79 km2 situada na parte nordeste da baía (vide figura 20). Administrativamente

pertence ao município de Salvador.

A margem leste da ilha fica a uns 2 km em paralelo do continente, de frente para o CIA, Tequimar e Porto de Aratu, e a margem norte, próxima a RLAM e porto de Madre de Deus. O relevo é acidentado com variação altimétrica da faixa de 0 a 105m. A costa é recortada com manguezais, principalmente ao norte e nordeste da ilha, praias arenosas e falésias.

Figura 20: Ilha de Maré, e localização de Bananeiras, onde foram feitas as

amostragens

Fonte: Google Earth

A população atual da ilha é estimada em cerca de 8 mil pessoas. É o maior percentual (92,99%) de etnia negra na cidade do Salvador. Parte da população, constituída de cerca de 404 famílias, ocupando uma área de 6,55 km2 e

60 englobando as comunidades de Bananeiras, Ponta Grossa, Porto dos Cavalos, Martelo e Praia Grande, é de quilombolas. Há pouca migração de residentes. Moreira et al (2016) estudou o albinismo oculocutâneo de comunidades negras em bairros e localidades de Salvador. Na ilha de Maré estudou a população de Bananeiras, registrou a tradição de consanguinidade, e encontrou uma proporção de albinismo 10 vezes maior nessa população (1:1000) do que em outras localidades de Salvador de população predominantemente afrodescendente (1:10000).

Não existem veículos motorizados terrestres na Ilha de Maré. Toda a mobilidade entre as diferentes localidades e o continente é feito com barquinhos a motor.

Os dados utilizados neste estudo são resultado de coleta de ar feita em Bananeiras, uma vila de pescadores e mariscagem na parte nordeste da ilha, onde moram cerca de 600 pessoas que se alimentam, essencialmente, de frutos do mar.

Entre os meses de setembro e outubro de 2005, na vila de Bananeiras, Rocha e colaboradores (2009) coletaram 14 amostras de material particulado atmosférico com diâmetro de partícula igual ou menor do que 10 m, sendo cada tomada de amostra de 24 h com amostrador Hi-Vol. As análises foram feitas em cada amostra tomada para HPAs individuais com controle de qualidade adequado. Os valores dos oito HPAs cancerígenos considerados neste estudo foram utilizados para calcular o risco probabilístico de câncer na população de Bananeiras. Como apenas os valores médios do período completo de todas as amostras foram registrados no trabalho, não houve condições de calcular-se o desvio padrão da somatória do oito HPAs durante o período.

Os dados de moluscos comestíveis foram obtidos por Oliveira (2003) e foram coletados na costa leste da ilha. Na época da coleta na Ilha de Maré, só havia ocorrência de uma espécie de molusco comestível, Anomalocárdia brasiliana (papa fumo). Cerca de 20 indivíduos foram coletados, e as partes

61 moles comestíveis foram juntadas constituindo uma amostra composta. Dessa forma o desvio padrão dos indivíduos não é conhecida.

4.3.7. Caípe

Caípe é o vilarejo mais próximo da RLAM, com cerca de 1,1 mil habitantes, de baixa renda, com extensa área de manguezal e substrato lodoso, onde a atividade de mariscagem é intensa. A figura 21 apresenta uma foto aérea onde a proximidade de Caípe da RLAM é evidenciada. A figura 22 apresenta uma foto da atividade de mariscagem no período de uma baixa mar.

Figura 21: Foto aérea de Caípe à margem da BTS, situada ao lado da RLAM

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Figura 22: Foto de mariscagem em Caípe durante maré baixa

Foto: Sonilda Silva

Os dados de HPAs no material particulado atmosférico de Caípe usado neste trabalho, de modo semelhante aos dados de São Francisco do Conde foram obtidos no projeto Determinação de poluentes petrogênicos atmosféricos e avaliação de impacto à saúde de populações expostas no município de São Francisco do Conde. (FAPESB, pedido 7750/2009) As coletas foram feitas apenas na estação seca, de 5 a 10 de março de 2012, utilizando-se um impactador Berner com fracionamento das partículas em cinco faixas de tamanho, na laje de uma casa próxima a Escola Horomar Silva Nogueira. Para assegurar valores acima dos limites de detecção do método de análise, os filtros de cada fração de tamanho de todos os dias foram juntados para extração e análise. Com isso a informação de variação diária foi perdida.

Duas espécies de moluscos comestíveis ocorriam em Caípe na época da coleta (SANT’ANNA JR, 2007) e estavam sendo mariscados: Anomalocárdia brasiliana (papa fumo) e Macoma constricta (pé de galinha). Cerca de 20

63 indivíduos de cada espécie foram coletados. As partes moles comestíveis foram juntadas por espécie e constituíram duas amostras compostas, uma de cada espécie, das quais alíquotas foram analisadas. Dessa forma o desvio padrão dos indivíduos não é conhecida.

Os dados da água de beber provêm do estudo procedido por Tavares (2008). A amostragem foi feita da água de torneira fornecida pela empresa de abastecimento de água e o protocolo de análise foi semelhante ao utilizado para análise do material particulado atmosférico. (SILVA, 2009)

4.3.8. Jabequara

Jabequara é um bairro na zona do extremo norte de longe da margem da BTS (vide Figura 23). O tráfego é baixo e existem poucas informações específicas da área.

Figura 23: Vista aérea de Candeias, onde Jabequara foi marcada

64 Jabequara foi selecionada para este estudo por ter pouco tráfego e estar a jusante dos ventos predominantes de sudeste do CIA, e particularmente próxima da planta de produção de negro de fumo da Companhia de Carbono Coloidais - CCC, conhecida emissora de HPAs, e que posteriormente foi incorporada à empresa UCAR Produtos de Carbono S/A, hoje desativada (vide Figura 24). Jabequara está a aproximadamente 9 km das margens da BTS, portanto sem área de mariscagem, e com consumo de pescados irregular. Por essa razão só existem dados de material particulado atmosférico.

Figura 24: Jabequara e sua posição na área de influência da antiga

Companhia de Carbonos Coloidais

Fonte: Google Earth

Os dados de HPAs no material particulado atmosférico de Jabequara, usados neste trabalho, de modo semelhante aos dados de São Francisco do Conde e de Caípe, foram obtidos no relatório do projeto Determinação de poluentes petrogênicos atmosféricos e avaliação de impacto à saúde de populações expostas no município de São Francisco do Conde”. (FAPESB, pedido 7750/2009) Foram feitas duas coletas, uma na estação seca (13- 18/2/2012) e outra na estação chuvosa (9-12/06/2012) utilizando-se um

65 impactador em cascada Berner com fracionamento das partículas em cinco faixas de tamanho, na escola Bento Gonçalves Álvaro Rodrigues. Para assegurar valores acima dos limites de detecção do método de análise, os filtros de cada fração de tamanho de todos os dias foram juntados para extração e análise. Com isso a informação de variação diária foi perdida.

4.3.9. Saubara

Saubara é a sede do município do mesmo nome, e fica localizada na margem ocidental da BTS, ao norte do município, aproximadamente na mesma latitude de Madre de Deus e de Bananeira, e distando em linha reta de primeira 31 km, e da segunda 50 km (vide Figura 25).

Figura 25: Foto aérea da cidade de Saubara em relação ao antigo campo petróleo de D.João, e alinhada de W-E com a cidade de Madre de Deus, com a vila de Bananeiras, na Ilha de Maré, e com o CIA, na margem oriental da BTS.

Fonte: Google Earth

A vila tem uma altitude máxima de 10m, e o município apresenta uma costa extensa, fazendo inclusive parte dela uma pequena parte da margem da

66 foz do Rio Paraguaçu, o maior rio desaguando na BTS. Apresenta áreas de praia e de manguezal, com intensa atividade de mariscagem. As principais atividades econômicas do município são produção de manga e abacaxi, e da vila são comércio, turismo e serviços.

A sede do município está a jusante das correntezas marinhas provenientes do norte, onde deságua o Rio Subaé, principalmente na maré vazante, sendo que nessa região houve exploração de petróleo durante muito tempo (Campo de D. João), além de derramamento de petróleo e vazamento de bacias de contenção da Petrobrás em Mataripe. Por essa razão, houve interesse em avaliar o risco probabilístico da exposição da população dessa localidade, que conta com cerca de 11 mil habitantes.

Em Saubara só existem disponíveis dados de HPAs em moluscos obtidos por Sant’Anna (2007) em uma campanha de coleta em setembro de 2002. A única espécie de molusco comestível ocorrendo nessa época em Saubara foi Anomalocardia brasiliana (papa fumo), que é a espécie mais frequente na BTS. Cerca de 21 indivíduos foram coletados e constituíram uma amostra composta, da qual alíquotas foram analisadas. (SANT’ANNA, 2007), portanto não há disponibilidade de dados de HPAs de espécimes individuais.

4.3.10 Baiacu

Baiacu é uma vila antiga, fundada em 1560, situada no meio da contra costa da Ilha de Itaparica, na margem insular do canal de Itaparica, a SW da BTS. A ilha de Itaparica é dividida em dois municípios, o pequeno município de Itaparica, com sede na cidade de Itaparica, ao norte da ilha e o restante da ilha, o município de Vera Cruz. Baiacu pertence ao Município de Vera Cruz (vide figura 2). A figura 26 apresenta uma foto aérea da ilha de Itaparica e da localização de Baiacu. Ao norte da ilha, compreendendo parte dos dois municípios da ilha de Itaparica, existe o campo de petróleo de Itaparica, com 22,15 km2, com produção de óleo e gás iniciada em 1942, atingindo o seu

67 retornando a produção apenas de óleo, embora muito baixa, em 2006 (ANP, 2016)

Figura 26: Localização da vila de Baiacu, na Ilha de Itaparica

Fonte: Google Earth

Em Baiacu os únicos dados que existem de HPAs são em moluscos comestíveis.

Os dados de moluscos comestíveis foram obtidos por Oliveira (2003). As espécies de moluscos comestíveis ocorrendo na época de amostragem e sendo mariscada em Baiacu foram Brachidonte exustus (sururu de pedra) e Anomalocardia brasiliana (papa-fumo). Cerca de 20 indivíduos foram coletados e constituíram uma amostra composta, da qual alíquotas foram analisadas. Dessa forma o desvio padrão dos indivíduos não é conhecida.

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