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Nesta seção, serão abordadas questões fundamentais à compreensão do conceito de autoeficácia e da forma como será investigada neste estudo: uma variável que modera a relação entre engajamento no trabalho e suporte social no trabalho e o desempenho no trabalho de tutores. Para tanto, discorre-se inicialmente sobre a autoeficácia, em termos gerais; em seguida, apresenta-se a autoeficácia com foco no âmbito do trabalho; depois,

aborda-se a questão específica da autoeficácia docente. Por fim, são apresentadas informações sobre as medidas de autoeficácia, nacionais e internacionais, referentes a este estudo.

2.2.1 Autoeficácia

Foi realizado um levantamento sobre as publicações nacionais e internacionais, entre 2005 e 2014, restritas a periódicos revisados por pares. Uma busca realizada através do sistema SBU (Sistema de Bibliotecas da Unicamp), que dá acesso a diversas bases de dados (nacionais e internacionais) com o termo “self-efficacy”, resultou em 445.012 artigos científicos, e no Portal CAPES resultou em 4.284. Considerando apenas a base de dados PsycInfo, foram encontrados 842 artigos (incluindo publicações no idioma inglês), e na base de dados SciELO, com o termo “autoeficácia”, foram localizados como resultado apenas 14 artigos científicos escritos no idioma português ou espanhol, conforme Tabela 5.

Tabela 5 – Publicações sobre autoeficácia na área da Psicologia

Termos pesquisados: self-efficacy e autoeficácia Período: 2005 a 2014 - 10 anos Ano Publicação PsycInfo SciELO

2005 47 1 2006 63 1 2007 74 2 2008 77 2 2009 65 4 2010 71 4 2011 91 n/i* 2012 93 n/i* 2013 122 n/i* 2014 139 n/i* Total 842 14

Fonte: Elaborada pela autora, com base no levantamento bibliográfico.

Os resultados gerais revelam um amplo interesse pelo tema em diversos campos do conhecimento, tais como saúde, educação e trabalho, e também em assuntos como esportes e justiça criminal. Mostram ainda que a produção latino-americana (considerando o idioma) ainda é bastante modesta se comparada à internacional publicada em idioma inglês.

Uma análise mais aprofundada das publicações revela que o tema é tratado com mais frequência no campo de conhecimento da psicologia da saúde, seguido da psicologia clínica e da psicologia aplicada, em veículos com alto impacto no meio científico (Tabela 6).

Tabela 6 – Publicações sobre autoeficácia na base PsycInfo

BASE: PSYCINFO, PSYCBOOKS, PSYCARTICLES

PUBLICAÇÃO Nº de artigos Fator de Impacto

Health Psychology 114 3.954 Journal of Consulting and Clinical

Psychology 67 5.228

Psychology of Addictive Behaviors 62 2.772 Journal of Applied Psychology 58 4.367 Journal of Counseling Psychology 48 2.955 Rehabilitation Psychology 45 1.827 Journal of Educational Psychology 32 2.909 International Journal of Stress

Management 20 1.278

Experimental and Clinical

Psychopharmacology 17 2.626 Psychiatric Rehabilitation Journal 17 0.718 Journal of Family Psychology 16 1.577*

Total 496

. Fonte: Elaborada pela autora, com base no levantamento bibliográfico

A teoria da autoeficácia proposta por Bandura, em 1977, tem a sua importância reconhecida internacionalmente como “uma das poucas grandes teorias que continuam a prosperar no início do século 21” (ZIMMERMAN; SCHUNK, 2003 apud JUDGE et al., 2007). Mesmo seus críticos reconhecem que:

Albert Bandura foi creditado como o quarto psicólogo mais influente na história da psicologia (Haggbloom, Warnick, e Warnick, 2002) e está entre os cinco maiores psicólogos no número de citações em textos de psicologia (Knapp, 1985). Teoria Social-Cognitiva ou sua variável central, a autoeficácia, tem sido estudado em mais de 10.000 investigações nos últimos 25 anos (JUDGE et al., 2007, p. 107).

O conceito de autoeficácia foi introduzido por Bandura e definido como a crença do indivíduo de que é capaz de executar os cursos de ação necessários para alcançar determinados resultados. Diz respeito a um processo cognitivo fundamental da Teoria da Aprendizagem Social e foi desenvolvido a partir de pesquisas, com foco no tratamento psicológico, visando promover mudanças de comportamento (BANDURA, 1977).

A partir da continuidade de seus estudos, Bandura muda o “rótulo” da teoria para teoria social cognitiva, visando diferenciá-la de outras teorias sobre aprendizagem e evidenciar a importância da cognição no funcionamento humano. Em sua concepção, o funcionamento humano é determinado por fatores pessoais (cognições, afetos e eventos biológicos), influências comportamentais e fatores ambientais que se influenciam reciprocamente – a chamada Tríade do Determinismo Recíproco (PAJARES; OLAZ, 2008).

De acordo com Pajares e Olaz (2008), a teoria social cognitiva considera que os indivíduos são dotados de capacidades humanas (simbolização, antecipação, autorreflexão e autorregulação) que possibilitam os meios cognitivos pelos quais tomam decisões, fazem escolhas e definem seus destinos. Sob essa mesma visão, a crença de autoeficácia é um pensamento fundamental que sustenta a motivação, o bem-estar e a realização pessoal. Contudo, segundo Bandura (2008, p. 32), é importante destacar que:

A autoeficácia, como julgamento da capacidade pessoal, não significa autoestima, que é um julgamento do amor-próprio, e nem locus de controle, que é a crença se os resultados são causados pelo comportamento ou por forças externas.

No desenvolvimento da teoria da cognição social, Bandura trata detalhadamente de diversos componentes do sistema de autorregulação do comportamento (autoobservação, julgamento e autorreação), e considera que “entre os diferentes aspectos de autoconhecimento, talvez, nenhum seja mais influente na vida cotidiana das pessoas do que as concepções de sua eficácia pessoal” (BANDURA, 1986, p. 390).

Em um de seus estudos seminais sobre o tema, Bandura (1977) propõe que a crença de autoeficácia é formada a partir de informações que o indivíduo recebe, emitidas por quatro fontes: experiências diretas (ou de domínio) vivenciadas pelo indivíduo e a percepção de seus resultados; experiência vicária, observação das ações de outras pessoas e suas consequências; persuasão social, convencimento do indivíduo por opinião emitida por outras pessoas de que pode realizar com sucesso ou fracasso uma tarefa; estados somáticos e emocionais, como ansiedade e humor.

De acordo com Bandura (1977, p. 196), a experiência direta exerce uma forte influência, pois se relaciona com a experiência de domínio, em que o sucesso em determinada ação reforça essa expectativa de obtenção de sucesso em outra situação similar, e, “depois que fortes expectativas de eficácia são desenvolvidas por meio de sucesso repetido, o impacto negativo de eventuais falhas é susceptível de ser reduzido”. Com relação à experiência vicária, Bandura ressalta que “observar outras pessoas executando atividades desafiadoras sem consequências adversas pode gerar expectativas em observadores de que eles também poderão realizá-las, se intensificarem e persistirem em seus esforços”, sendo assim uma importante fonte de expectativa de eficácia. A persuasão verbal pode contribuir para elevação da expectativa de eficácia de forma direta e simples; através dela, as pessoas podem se considerar capazes de enfrentar situações desafiadoras e obter sucesso. Porém, o autor entende que é uma fonte mais frágil do que a experiência direta, pois não é uma base

experiencial. O estado fisiológico como fonte de informação significa que uma reação fisiológica de excitação emocional (por exemplo: de ansiedade, medo) pode influenciar negativamente a percepção de eficácia.

O efeito dessas informações pode potencializar ou diminuir a crença de autoeficácia do indivíduo e ser influenciado por fatores característicos do processo cognitivo, tais como: a seleção, integração, interpretação e recordação das informações recebidas (PAJARES; OLAZ, 2008). Portanto, não é possível prever exatamente o efeito que um resultado gerado pela ação do indivíduo vai causar, pois depende de como esses fatores são combinados no processamento cognitivo.

Nesse sentido, Bandura (1986) oferece alguns esclarecimentos afirmando que o processo de geração da autoeficácia não é um processo simples ou linear, vai além da simples constatação de que alguém possui ou não uma habilidade ou um conjunto delas. Envolve habilidades cognitivas, sociais e comportamentais que precisam ser organizadas em cursos de ação integrados que sirvam a inúmeros propósitos. Ressalta que a obtenção de bons resultados ocorre, muitas vezes, depois de gerar e testar formas alternativas de comportamento e estratégias, que exige esforço perseverante. Existe, portanto, uma diferença entre possuir habilidades e ser capaz de fazer uso delas em diferentes circunstâncias, o que explica o fato de pessoas diferentes com as mesmas habilidades, ou as mesmas pessoas em diferentes ocasiões, terem desempenho ruim, adequado ou extraordinário. Da mesma forma, faz distinção entre a percepção de autoeficácia e o processo de expectativa de resultado. Assim, Bandura (1986, p. 391) exemplifica:

A percepção de autoeficácia é o julgamento de alguém sobre sua capacidade de realizar um determinado nível de desempenho, enquanto que a expectativa de resultado é um julgamento da provável consequência que esse comportamento irá produzir. Por exemplo, a acreditar que se pode saltar a altura de seis pés é um julgamento de eficácia; a antecipação do reconhecimento social, aplausos, troféus e autossatisfação por tal desempenho constituem as expectativas de resultado.

Bandura (1982) reforça a centralidade do mecanismo da autoeficácia (SEM), que influencia ações, pensamentos e excitação emocional, demonstrando experimentalmente que, quanto maior o nível de indução da autoeficácia, maior é o desempenho e menor a excitação emocional (reações fisiológicas com efeitos negativos). Corroborando essa visão, Pepe et al. (2010, p. 201) consideram que:

Crenças de autoeficácia são estruturas de conhecimento que refletem o grau de controle que as pessoas exercem sobre os eventos que afetam suas vidas. Eles atestam a propensão das pessoas a refletir sobre si mesmas e regular sua conduta de

acordo com seus objetivos e padrões pessoais. Percepções a respeito da capacidade de dominar as tarefas e situações estão na raiz do comportamento eficaz e uma adaptação bem sucedida.

Sherer et al. (1982) entendem que a teoria da autoeficácia coloca as expectativas de domínio pessoal como as principais determinantes da mudança de comportamento, sugerindo também que as diferenças individuais em experiências passadas e a atribuição de sucesso a habilidades ou oportunidades resultam em diferentes níveis de expectativas de eficácia geral. No estudo, por meio do qual construíram e validaram uma escala de autoeficácia geral, os autores sugerem que essa percepção tem uma relação preditiva com outras medidas de personalidade (por exemplo: locus de controle, controle pessoal, desejabilidade social, força do ego, competência interpessoal e autoestima).

No entanto, como já foi salientado anteriormente, é importante lembrar que a existência de uma relação preditiva entre medidas de personalidade não significa que esses sejam componentes de autoeficácia.

Retomando as bases teóricas, dentro das quais o conceito de autoeficácia se desenvolveu – a Teoria Social Cognitiva –, Bandura (1999, p. 21) ressalta que:

a agência humana pode ser exercida através de ação pessoal direta; ou a agência delegada, contando com os esforços de intermediários; e pela agência coletiva operando através de crenças compartilhadas de eficácia. [...] A agência pessoal opera dentro de uma ampla rede de influências socioestruturais, sendo que, nessas operações, as pessoas são produtores, bem como produtos de sistemas sociais.

A partir dessa abordagem, pode-se estender o conceito de autoeficácia (individual) e compreender o conceito de percepção da eficácia coletiva como a crença compartilhada de um grupo em seu poder coletivo para organizar e executar os cursos de ação necessários para produzir determinados níveis de realizações (BANDURA, 2000).

As crenças de autoeficácia podem influenciar o funcionamento humano de variadas formas. Nesse sentido, Pajares e Olaz (2008) entendem que os pesquisadores estabeleceram que as crenças de autoeficácia, as mudanças de comportamento e resultados estão altamente correlacionados e que a autoeficácia é um excelente preditor do comportamento.

Segundo Onça (2011), a identificação das fontes de percepção de autoeficácia por Bandura (1977) possibilitou que a autoeficácia seja desenvolvida através de intervenções. De acordo com a autora, estudos nesse sentido têm contribuído na resolução de problemas na área da educação, saúde e trabalho. Esse é o foco de atenção da próxima seção.

2.2.2 Autoeficácia no trabalho

Considerando o foco da pesquisa com ênfase no campo de conhecimento da psicologia e relacionando autoeficácia e trabalho em termos gerais, os resultados do levantamento da produção científica foram modestos. Realizou-se uma busca nas bases de dados PsycInfo e SciELO, que revelou como resultado apenas oito artigos tratando de “self-efficacy on the job” and “self-efficacy at work”. No entanto, esses resultados são alterados quando a pesquisa identifica a autoeficácia em contextos específicos, como, por exemplo, a autoeficácia de professores, este tema da próxima seção, que trouxe 46 artigos científicos.

Esse resultado pode indicar que os estudos científicos vêm seguindo uma tendência ao aprofundamento, necessário para a compreensão da autoeficácia, como um construto que permeia a vida laboral. Está envolvo, portanto, em diferentes contextos, de forma dinâmica, em interação com os elementos organizacionais (como infraestrutura, políticas e práticas de gestão e liderança), as características dos diferentes segmentos produtivos e os diversos grupos ocupacionais.

Sendo colocada como a base do funcionamento humano, a percepção de autoeficácia ocupa um importante papel na estrutura causal da teoria social cognitiva, pois afeta a adaptação e a mudança, não apenas diretamente, mas impacta em outros determinantes. Segundo Bandura, a autorregulação da motivação é afetada pela autoeficácia, por exemplo, na escolha dos indivíduos sobre os desafios que querem enfrentar, o nível de esforço que irão empreender nesse sentido, por quanto tempo vão persistir nesse esforço frente a dificuldades e obstáculos, bem como na avaliação dos resultados. Também coloca a autoeficácia como importante influência nas escolhas sobre o tipo de atividades e ambientes em que as pessoas escolhem se envolver, afetando, desta forma, as possibilidades de desenvolvimento pessoal. Dessa forma, autoeficácia também se torna um importante fator na vida ocupacional (BANDURA, 1986, 1997, 2001, 2008).

Estudos focados sobre a autoeficácia no trabalho trazem à discussão seu papel no funcionamento humano em situações comuns ao ambiente organizacional (trabalho em grupo, liderança, relacionamento interpessoal, conflito) e, mais frequentemente, no estado motivacional e desempenho geral e na tarefa. Enfatizam que uma percepção de autoeficácia forte nos indivíduos os conduz a planejar metas mais ambiciosas e a comprometer-se para alcançar essas metas. Assim, sujeitos com maior autoconfiança se avaliarão mais positivamente em relação à sua atividade laboral e se perceberão mais eficazes em suas funções. Estes empreendem esforços e desenvolvem estratégias para obter bom desempenho,

ao passo que aqueles indivíduos com baixa percepção de autoeficácia tendem a sentir-se ameaçados e enfraquecidos diante de dificuldades, afastar-se dos desafios e, ao perceber resultados pouco satisfatórios, tendem a abandonar os esforços (CHERNISS, 1993; TURNAGE, 1990; MUMMENDEY, 1990 citados por apud BARREIRA; NAKAMURA, 2006; BANDURA, 1989).

A relação entre autoeficácia e diversos aspectos relacionados ao ambiente organizacional tem sido investigada, como exemplo a adaptabilidade à tecnologia avançada, enfrentamento dos eventos ligados à carreira, desempenho gerencial e desenvolvimento de habilidades, dentre outros. Stajkovic e Luthans (1998) realizaram uma meta-análise envolvendo 114 estudos, publicados nos últimos 20 anos sobre a relação entre autoeficácia e desempenho e identificaram, em primeira análise, a relação entre autoeficácia e desempenho. Avançando na análise, identificaram que o nível de autoeficácia variava de acordo com o nível de complexidade da tarefa, que aparecia como variável mediadora, de modo que, quanto maior a complexidade da tarefa, mais fraca era relação entre autoeficácia e desempenho. A partir da comparação de resultados entre pesquisas realizadas em diferentes contextos de trabalho (real e simulado), o estudo revelou ainda que a relação entre autoeficácia e desempenho é impactada por fatores do contexto de trabalho. Esse impacto varia em função de diversos elementos que estão presentes no ambiente real de trabalho (e ausentes em um ambiente simulado), como: restrições ao desempenho, ambiguidade das tarefas, informações deficientes sobre o desempenho individual, julgamento errôneo da eficácia e disparidade temporal entre a percepção de autoeficácia e a ação. Por fim, os autores realizaram uma análise multinível, considerando a relação entre autoeficácia e desempenho moderada tanto pelos diferentes níveis de tarefas (baixo, médio e alto) quanto por fatores do contexto de trabalho (real x simulado). Concluíram que, em ambiente controlado, a relação entre autoeficácia e desempenho é mais forte – em cada um dos níveis de complexidade das tarefas –, do que quando comparada ao ambiente real de trabalho.

A partir dos resultados deste estudo, Stajkovic e Luthans (1998, p. 255) tecem algumas sugestões importantes e específicas direcionadas aos gestores, como: descrição detalhada das tarefas que os empregados vão desempenhar; orientação sobre quais meios devem ser utilizados na realização das tarefas e como utilizá-los com bons resultados; proporcionar ambientes livres de fatores que possam impedir ou dificultar o desempenho, como, por exemplo, distrações físicas (ruído); fornecer programas a fim de aumentar a autoeficácia dos empregados (não necessariamente para treinar novas habilidades, mas para aumentar a crença e como utilizar as habilidades que já têm); fornecer treinamentos em desenvolvimento de

comportamentos efetivos e estratégias cognitivas para lidar com a complexidade das tarefas. Esses treinamentos devem ter aplicabilidade rápida no exercício efetivo das tarefas. Além disso, é preciso oferecer padrões claros e objetivos segundo os quais os empregados devem ajustar o nível de suas realizações. Por fim, as consequências do desempenho pessoal dos empregados devem ser contingenciais para incentivar uma avaliação criteriosa de sua autoeficácia (feedback).

Parker (1998) desenvolveu um estudo no qual relaciona o aumento da autoeficácia ao desenho do trabalho nos moldes preconizados pela moderna gestão organizacional, como enriquecimento do trabalho, ampliação do cargo e participação em grupos de melhoria. A autora utilizou para esse estudo o conceito de Role Breadth Self-efficacy – RBSE2, que se refere à “percepção dos empregados de sua capacidade de realização de um conjunto mais amplo e mais proativo de tarefas de trabalho que se estendem para além dos requisitos técnicos estabelecidos”. Adicionalmente, o estudo corroborou com a consistência da escala recém-criada (RBSE) e mostrou que o aumento do enriquecimento do trabalho e o aumento da qualidade da comunicação previu o aumento da autoeficácia.

Em um estudo realizado a partir de nove meta-análises, Bandura e Locke (2003) abordam a verificação das propriedades funcionais das crenças de autoeficácia e documentam como elas atuam em conjunto com sistemas de fixação de metas dentro da teoria social cognitiva da autorregulação. A partir da comparação das diversas estratégias metodológicas e analíticas consideradas no estudo (distintas da teoria social cognitiva, como a teoria da expectativa- valor e a teoria do controle), os autores afirmam que a percepção da autoeficácia e objetivos pessoais aumentam a motivação e a realização do desempenho.

Ao realizar um estudo sobre a relação entre Capital Psicológico (PsyCap), desempenho e satisfação, Luthans, Yossef, Avolio e Norman (2007), discutem os componentes do constructo, quais sejam: otimismo, resiliência, esperança e autoeficácia. Nesse momento, reafirmam que a autoeficácia representa uma convicção positiva (não habilidade ou expectativa de resultados) e reforçam a existência de relação positiva entre autoeficácia e desempenho relacionado ao trabalho, como o fizeram Stajkovic e Luthans (1998) e Bandura e Locke (2003).

Outros estudos empíricos dão conta de comprovar a teoria e a força da autoeficácia como preditora do comportamento. Não obstante, há estudos em que a autoeficácia aparece com menor ênfase. Judge et al. (2007) realizaram uma meta-análise, em que buscaram relacionar a autoeficácia como contribuição única para o desempenho. Porém, relacionando-a

às características de personalidade (Big Five), identificaram autoeficácia mais forte como variável moderadora e não necessariamente como preditora única. Os autores identificaram que a autoeficácia obteve grau elevado de predição quando relacionada a tarefas de baixa complexidade, bem como ao desempenho de tarefas. No entanto, seu impacto é relativamente pequeno com relação ao desempenho no trabalho, de maneira geral. Concluem que, globalmente, os resultados sugerem que a validade preditiva de autoeficácia é atenuada na presença de diferenças individuais, embora essa atenuação dependa do contexto.

2.2.3 Autoeficácia docente

Um levantamento da produção científica sobre o tema específico “teacher self- efficacy” foi realizado na base de dados SBU (Unicamp) e CAPES. Não foi identificado qualquer artigo, o que revela uma lacuna a ser preenchida no campo da pesquisa científica, a partir do que este trabalho pretende colaborar.

De acordo com Iaochite et al. (2011, p. 827, citando TSCHANNEN-MORAN; WOOLFOLK HOY, 2002), crenças de autoeficácia docente são entendidas como o “julgamento de suas capacidades em alcançar os resultados desejados de engajamento e aprendizagem do aluno, até mesmo entre aqueles alunos que possam ser difíceis ou desmotivados”. Os mesmos autores destacam a consideração de Bandura (1997) de que a crença de autoeficácia dos professores pode influenciar suas atividades ligadas ao processo educacional, de forma geral e específica. Considera que aqueles que confiam em sua capacidade instrucional tendem a se esforçar mais no sentido de promover aprendizagem significativa e desenvolver o interesse intrínseco dos alunos pelo processo.

Por outro lado, aqueles que se sentem inseguros quanto à sua capacidade procuram evitar as dificuldades e se envolver menos com as atividades acadêmicas e assuntos

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