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Effectif de Tumeur Glomiques

1.3 U Les lipomes

Na Alemanha, Friedrich Ratzel (1844-1904) é considerado o grande responsável pela evolução da ciência geográfica após as mortes de Humboldt e Ritter (Bernardes, 1982; Andrade, 1987; Claval, 2006). Outros autores, como Auguste Meitzen (1822-1910), Oscar Peschel (1826-1875), Ferdinand von Richtofen (1833-1905), Eduard Hahn (1856-1928) e Otto Schlüter (1872-1959) também tiveram papéis importantes para o crescimento e a organização da disciplina. Entretanto, foi entorno de Ratzel que a escola alemã de Geografia se formou, influenciada em grande medida pelas ciências biológicas e pelo evolucionismo positivista (Barros, 2007b). Segundo Gomes, P. (2007), a comunidade científica como um todo estava ansiosa por causa dos grandes resultados obtidos pela aplicação da Teoria da Evolução nas ciências naturais. Naturalmente, os jovens geógrafos e os cientistas sociais esperavam encontrar sucesso semelhante em suas áreas, isto é, formular uma teoria positiva para o estudo dos homens. De acordo com Tatham (1959:223), “Ratzel via o homem como o produto final da evolução, uma evolução cuja principal consequência era a seleção natural dos tipos na conformidade da capacidade de ajustaram-se ao meio físico”. Desse modo, as relações que os grupos humanos mantêm com os ambientes que habitam passaram a ter grande destaque na Geografia alemã.

Contudo, apesar da influência teórica marcante das ciências biológicas, a escola alemã de Geografia poderia ser melhor caracterizada pela diversidade das suas pesquisas (Andrade, 1987; Campos, 2001). É possível citar, por exemplo, os vários estudos sobre as

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“O ponto do desmonte é o holismo de Humboldt, numa estratégia que dissocia e separa as esferas em mundos paralelos e próprios, isolando-as entre si. Ao mesmo tempo, proclama-se a origem da geografia em Ritter e faz-se um silêncio que leva Humboldt em pouco tempo ao esquecimento” (Moreira, 2008a:24).

paisagens – lembrando que o termo landschaft possui mais significados em alemão do que seus equivalentes em outras línguas (Claval, 2006); os esforços para se compreender a razão das localidades agrícolas, industriais e urbanas, com destaque para Walter Christaller (1893-1969) e sua “teoria dos lugares centrais” (Bernardes, 1982); algumas excepcionais reflexões metodológicas, como aquelas feitas por Alfred Hettner55 (1859-1941); além, obviamente, do interesse pelas questões políticas do espaço, sistematizadas, redefinidas e reestruturadas após os estudos do próprio Ratzel (Vesentini, 2008). A novidade e o teor destes estudos, talvez, tenham feito com que Ratzel personificasse a escola alemã de Geografia, o que levou seu nome para o centro das disputas acadêmicas do começo do século XX, mas também ofuscou parte considerável das pesquisas que eram feitas em seu país.

Ratzel procurou estabelecer as leis gerais que determinam a influência do meio sobre os homens, concentrando seus esforços nas relações que se desenvolvem entre as sociedades e o espaço que habitam (Bernardes, 1982; Campos, 2001). Conforme Tatham (1959:222)

[Ratzel] possuía em alto grau o senso das realidades terrestres. Distinguia os fatos humanos sobre a terra, não mais como filósofo, historiador ou simples etnógrafo, ou economista, porém como geógrafo. Reconhecia suas inúmeras, complexas, variadas relações com os fatos de ordem física, altitude, topografia, clima, vegetação. Observava os homens povoando o globo, trabalhando na sua superfície, procurando o sustento, e fazendo história na terra; observava-os com olhos de verdadeiro naturalista.

No primeiro volume da sua obra-prima, Antropogeografia, Ratzel se preocupa com as maneiras com as quais o ambiente moldaria as formas e os comportamentos dos grupos humanos. Desse modo, estabelece uma distinção fundamental entre os povos: os Naturvölker (ou povos de natureza), que permanecem sendo aquilo que sempre foram pois se adaptaram ao ambiente onde vivem; e os Kulturvölker (ou povos de cultura), cujas técnicas materiais e formas de organização social permitem-lhes viver isolados do meio

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Ao discutir o sistema das ciências e o lugar da Geografia, Hettner (2000) afirma que “uma ciência corológica deste tipo é necessária por razões muito parecidas às que justificam a ciência cronológica da história. Se não houvesse relações entre os distintos pontos da superfície terrestre e se os diferentes fenômenos situados em um mesmo lugar fossem independentes entre si, não seria necessária nenhuma concepção corológica. Porém a existência destas relações, que as ciências sistemáticas e históricas aludem ou apenas podem tratar, torna necessária uma ciência corológica especial da terra. Essa ciência é a geografia”.

natural. Nesse sentido, seria preciso investigar a organização dos “povos de cultura”, o que faria da Geografia Política, a porção da Geografia responsável por este tipo de investigação, a “parte mais original da geografia humana das sociedades evoluídas” (Claval, 2006:75). Em resumo, Ratzel inaugura a Geografia Humana, considerando-a a história natural das relações entre as sociedades e o meio ambiente, e, no mesmo instante, dá partida a uma longa discussão sobre os limites da influência do ambiente sobre os homens.

As ideias de Ratzel tiveram forte repercussão na Alemanha, mas também geraram muita discussão em outros países, como a França, a Inglaterra e os Estados Unidos (Claval, 2006). Na realidade, Ratzel não foi o primeiro a se apropriar da expressão “geografia política”, mas foi o primeiro, sob a influência de Nicolau Maquiavel (1469- 1527), a sistematizar uma análise política em sua dimensão espacial (Vesentini, 2008). Pode-se afirmar, portanto, que a geografia ratzeliana representa o primeiro esforço genuinamente moderno de uma ciência que buscava ansiosamente estabelecer relações de causa e efeito entre os homens e os ambientes que habitam em nome do progresso do conhecimento. Nesse sentido, é bom lembrar o que a cientificidade significava nas últimas décadas do século XIX (vide Capítulo 1), bem como imaginar os sentimentos que essa condição poderia causar nos diversos grupos intelectuais da época56.

Sendo assim, as contribuições de Ratzel foram recebidas internacionalmente com certa “frieza”, sobretudo pelos vizinhos franceses. Introduzido geralmente através da cortina do “determinismo geográfico”, costurada pelo historiador Lucien Febvre (1878- 1956), ou então como o intelectual que legitimou a expansão do Estado alemão até a Segunda Guerra Mundial, Ratzel foi criticado mas, sobretudo, reduzido.

Ratzel, dominado pelo seu aproach [parti pris] de antropogeógrafo e por suas preocupações de origem mais política do que científica, que em certos momentos fazem a sua mais recente e menos fecunda obra,

Politische Geographie, parecer uma espécie de manual do imperialismo

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Ao escrever sobre a relação da Geografia com as outras ciências, o geólogo Wilson (1902:50) afirmou: “This spirit of the times is expressing itself in discussions by our educators concerning the place of geography among other sciences. That the reaction on geography of the study of other branches of science has led to discussion of this subject is good cause for congratulation. Some regard geography as scarcely a composite science, but only a mosaic of others, having little right to a place among such specialized sciences as geology, astronomy, botany, ethnology, etc., from each of which it borrows something. Others conceive it to be one of the general or administrative sciences, correlating the truths of the more detailed sciences and knitting their results into a harmonious whole”.

alemão (Febvre apud Vesentini, 2008:4).

Na verdade, o “darwinismo social” e o “determinismo estreito” dos quais Ratzel era acusado resultam, em grande medida, de leituras radicais que alguns autores fizeram das suas obras. Os norte-americanos Ellen Semple (1863-1932) e William Davis (1850-1934), por exemplo, são dois notórios positivistas que se apoiaram em Ratzel para desenvolverem suas próprias maneiras de pensar a relação homem-meio (Bernardes, 1982; Campos, 2001; Moraes, 2007). Mesmo assim, Ratzel continuou sendo apontado como o grande criador e mantenedor do “determinismo geográfico” – até mesmo depois de morrer em 1904 (Vesentini, 2008)! Em razão dos exageros de interpretação e crítica, Gomes, P. (2007) considera o “determinismo ratzeliano” um mito da história do pensamento geográfico.

Em resumo: a escola alemã de Geografia acabou sendo reduzida a um grupo nebuloso de geógrafos, simbolizados pela caricatura de Ratzel e que trabalhava apenas de acordo com o pensamento determinista mais simplório (Vesentini, 2008). Até hoje quase não se fala da diversidade das pesquisas germânicas (Tatham, 1959) ou da importância do próprio Ratzel para a formação de outros campos e áreas do conhecimento (Moraes, 2007). É claro que a Primeira e a Segunda Guerra Mundial foram cruciais para o descrédito do pensamento alemão ao longo do século XX57. No entanto, as ocorrências geopolíticas ligadas aos Estados nacionais nem sempre refletem com fidelidade o que acontece na escala mais detalhada do cotidiano científico. Ou seja, mesmo que a Geografia (ou outra disciplina) alemã (ou outra nação) tenha sido mobilizada por certas ideologias em determinados momentos da história, isso não quer dizer que todas as pesquisas e todos os pesquisadores estavam envolvidos da mesma ou de alguma forma com estes movimentos.

É importante mencionar, a maioria dos geógrafos alemães não era nazista. Diversos foram expurgados de seus cargos por razões raciais. Alguns acabaram até por ingressar no partido por serem forçados a escolher entre o ingresso ou a demissão de seus cargos. Outros deixaram o país devido a

raça ou por desejo próprio; a maioria, entretanto, permaneceu e teve que

suportar o regime. Alfred Hettner, que havia se demitido da função de redator da Geographische Zeitschrift, foi acusado de professar o positivismo liberal; Albrecht Penck e Alfred Philippson – que foi 57

“Após a Primeira Guerra, a representação alemã junto à Union Géographique, promotora dos congressos internacionais de Geografia, foi excluída (e isso perdurou até o final da Segunda Guerra). Isso provocou um certo isolamento da geografia alemã em relação à de outros países, uma ausência de intercâmbio com a geografia internacional” (Campos, 2001:47).

encarcerado no campo de concentração de Therresienstadt –, que possuíam antecedentes não arianos, foram tachados de incapazes de compreender a nova era (Campos, 2001:50) (grifos do autor).

Portanto, pode-se afirmar, com firmeza, que a escola alemã de Geografia ainda guarda uma enorme quantidade de trabalhos e autores pouco ou nada conhecidos fora das suas fronteiras – sobretudo para quem sempre se orientou pela escola francesa de Geografia!

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