Ao utilizar a técnica do DSC de Lefèvre e Lefèvre (2005a, 2005b), foi possível constatar semelhança e complementaridade de temas expressos pelos bibliotecários que atuam no Grupo de Bibliotecários da Área Escolar de Santa Catarina (GBAE/SC) relacionados à pesquisa escolar na Educação Básica. No entanto, foi percebido que, no coletivo estudado, há um grupo mais otimista diante das dificuldades experimentadas e outro nem tanto. Para melhor identificar esses posicionamentos, o DSC geral, a seguir, mostra, separadamente, estes dois eixos norteadores.
Eixo 1
A pesquisa escolar é uma ferramenta do aluno para suprir interesse ou necessidade de informação. É a base para procurar literatura ou, ainda, uma atividade complementar, de busca de informação, para melhor entender um tema solicitado pelo professor referente ao que está sendo trabalhado em sala de aula. Essa busca de informação pode acontecer na biblioteca ou fora dela e o resultado pode ser apresentado de várias maneiras. É também um momento de aprendizado da escrita sobre temas do conhecimento escolar. Com ela há uma multiplicação de conhecimentos sobre determinado conteúdo que servirá de base de preparação do aluno para os próximos níveis de educação escolar e para a aquisição de autonomia intelectual. É a base para o futuro. Na escola, a pesquisa começa quando o aluno chega à biblioteca. Ela acontece de forma tradicional; o professor indica o conteúdo e os alunos vão procurá-lo na biblioteca. A biblioteca separa diferentes fontes, não apenas o livro didático, os alunos recebem orientação quanto ao uso das informações em suporte impresso e na internet, são
incentivados a usar informações em fontes impressas e realizam a pesquisa. A biblioteca atende, disponibiliza o que pode, orienta os alunos no acesso aos conteúdos e procura cativar os que a procuram. Os alunos aprendem a usar a informação existente no acervo. São sempre os mesmos alunos que a procuram para pesquisar. Geralmente acontece quando não encontram material em outro espaço. E utilizam a biblioteca de diferentes maneiras. Uns têm mais autonomia, outros solicitam mais orientação. O público é diferente. Há diferentes interesses. Enquanto uns se dedicam, fazem os trabalhos, outros não se interessam, ou se interessam menos. Há diferentes comportamentos. O aluno dedica pouco tempo à pesquisa. Ela é realizada em pouco tempo. Geralmente é feita em cima da hora e é baseada em cópia; existe muita cópia de livro e da internet. Às vezes o bibliotecário tem pouco tempo para localizar as informações e acaba por disponibilizar o que consegue levantar. Então, a pesquisa não se torna completa, apesar de o aluno poder retornar à biblioteca e melhorá-la. Na biblioteca, os alunos são orientados, mas as dificuldades de leitura e de busca de informação se refletem em suas pesquisas. Eles chegam com o tema, muitas dúvidas e fazem uma cópia. O quadro é de afobação. Perdidos e com pressa fica difícil realizarem boas pesquisas. Falta conscientização. Depende da orientação que recebem. A presença ou a não-presença do professor determinam o comportamento dos alunos. A realização da pesquisa, muitas vezes, é pretexto para estarem batendo papo até na internet. Há conversas paralelas e em tom alto. Recebem orientação, mas querem receber tudo pronto; livro aberto na página.
Eixo2
Não há uma necessidade de trabalhar com pesquisa escolar porque a escola fornece informações suficientes. Então, a escola trabalha pouco. No cotidiano escolar são raras as pesquisas realizadas e nem sempre acontece na biblioteca. Apenas alguns professores as solicitam e poucos se mostram interessados em formar pessoas questionadoras, em fazer com que os alunos realizem pesquisas. Os professores a frequentam pouco e as pesquisas começam na biblioteca com a sua participação. Eles solicitam o material, o material é separado, às vezes para ser utilizado em sala de aula. A interação acontece com dez por cento dos professores da escola quando o material é solicitado. A biblioteca o seleciona, separa, e o professor faz a seleção do que quer. A
participação da biblioteca é reativa. A prioridade da biblioteca deve ser a de orientar o aluno para a pesquisa, mas a participação está relacionada à pressa e ao imediatismo apresentados pelos alunos. Não há um planejamento que inclua a biblioteca nas pesquisas que acontecem na escola. Há professores parceiros, outros nem tanto, e isso se relaciona à maneira como a biblioteca é vista. Há escolas onde a biblioteca é melhor aceita. A interação é bem forte. O bibliotecário procura o professor e o professor procura o bibliotecário. Todos os professores frequentam a biblioteca, apresentam sugestões. Há parceria e ela traz o aluno para a biblioteca. Noutras, é pouca. Não há um trabalho conjunto. Pode-se dizer que há pouco comprometimento do professor, pois, mesmo sendo usuário da biblioteca, ele não se lembra dela quando solicita pesquisa aos alunos. Então, a participação do bibliotecário é de, eventualmente, indicar livros. É reativa, devagar, pois está condicionada à procura da biblioteca pelo professor. Com isso o bibliotecário é pouco valorizado. Portanto, é preciso que a biblioteca se apresente, desperte a curiosidade de alunos e de professores. Isso é fundamental para disseminar informações e formar leitores. A partir da orientação é possível formar o pesquisador. Esse trabalho deve acontecer a partir do início do Ensino Fundamental, antes que as pesquisas se intensifiquem. Outro aspecto é que a biblioteca deve ultrapassar a necessidade curricular do aluno. Deve atendê-lo nas suas necessidades mais amplas; de ser humano. Preparar o aluno para o mercado de trabalho e para o uso da informação no ambiente profissional. Trabalhar a pesquisa no ensino básico, a partir das séries iniciais do ensino fundamental; porque isso é necessário. Vários fatores dificultam o trabalho de orientação oferecido pela biblioteca e isso interfere na realização de uma “boa pesquisa”. É preciso uma maior interação entre professores e bibliotecários, pois isso traz ganhos para ambos, principalmente, para os alunos.