V. Implications and stakes of the Bali Agreement for North Africa
1. Summary of the Bali Agreement obligations and special and differential treatment
1.2 Measures under the special and differential treatment for developing countries
Inicialmente a professora/pesquisadora conversou com a turma sobre os objetivos do atual projeto e estabeleceu parcerias tanto no sentido de engajamento quanto de possibilidades de contestação e enriquecimento das ideias iniciais. Pintrich (2002) sublinha a relação professor-aluno considerando-a como profundamente hábil para entusiasmar os estudantes nos afazeres escolares e sua pretensão de perseverar nelas.
A organização da classe em grupos ocorreu de forma bastante tranquila, sendo que a docente apenas fixou o número de alunos por grupo deixando-os livres para se reunirem conforme suas afinidades, habilidades e conveniências. O número de componentes em cada equipe foi determinado levando em consideração as aulas disponíveis para os seminários sem nenhum comprometimento de outros temas previstos no planejamento escolar a serem ministrados.
O trabalho em grupo, em diversas ocasiões, é visto como uma forma de “desleixo” estudantil. Muitos alunos entendem mais como uma chance de conseguir nota ou responder um problema sem muita diligência, pois existe “o colega que faz”. Assim, a professora/pesquisadora colocou os critérios nos quais a investigação deveria acontecer. No diálogo com os estudantes enfatizou o trabalho em equipe como uma oferta, dando a eles oportunidade de explorar seus potenciais de maneira confortável, por conseguinte deveria acontecer uma divisão de tarefas. Cada um poderia se responsabilizar por algo mais próximo às suas habilidades e, se não fosse o caso, contaria com ajuda dos demais. Apesar de a pesquisa ocorrer em grupo, foi acordado que a nota atribuída à atividade seria individual e dependeria da participação nas monitorias, em cada parte do processo de investigação, na organização e desempenho nos seminários.
A escolha do tema a ser pesquisado foi democrática, os discentes fizeram opção entre dois capítulos do livro adotado: Tecnologia das Comunicações ou Física Nuclear. Definiu- se o tema de pesquisa pelo capítulo de Física Nuclear através de votação aberta e a maioria dos estudantes justificou sua preferência. Neste momento constatou-se o grande interesse da turma por temas de Física Moderna e Contemporânea (FMC) que nem sempre são abordados nas aulas do ensino médio.
A Física Nuclear é um ramo dedicado ao esboço de fenômenos físicos relativos aos núcleos atômicos, como transições de energia, decaimentos radioativos, fissão e fusão nuclear, entre outros. O estudo da Física Nuclear envolve o desenvolvimento de modelos que expliquem o funcionamento dos núcleos atômicos e sua constituição, aplicações da energia nuclear em tratamentos médicos, desenvolvimento de tecnologias para detectar a radiação, novas fontes de energia, etc.
A Física nuclear é um tópico elencado na unidade II de Física Moderna e Contemporânea no livro didático adotado. Entre os objetivos gerais ressaltados pelos autores está a compreensão da estrutura do núcleo atômico e os mecanismos explicativos do fenômeno da radioatividade. De forma específica, espera-se que os alunos identifiquem a ocorrência da radioatividade na natureza, por exemplo, nos alimentos, e a importância de sua aplicação na Medicina, assim como a geração de energia elétrica a partir da energia obtida nos reatores de fissão termonuclear. Além disso, pretende-se levá-los a conhecer os efeitos biológicos e ambientais das emissões radioativas e a raciocinar criticamente no que se refere ao uso da energia nuclear, considerando tanto os benefícios (que incluem aspectos de natureza econômica e social) quanto os riscos envolvidos nesses processos (TORRES et al., 2016).
Os PCN (BRASIL, 2006, p. 61) salientam a importância da temática no cotidiano evidenciando a enorme dependência de tecnologias baseadas na radiação para o avanço da microtecnologia. Relata que a inserção desses assuntos no Ensino Médio contribui para o desenvolvimento de inúmeras competências de ordem prática e ainda para “um novo olhar sobre o impacto da tecnologia nas formas de vida contemporâneas, além de introduzir novos elementos para uma discussão consciente da relação entre ética e ciência”.
A despeito do mito de ser um assunto difícil, este foi o tópico escolhido pelos alunos participantes da pesquisa. Nosso realce na temática deve-se principalmente a esse fato, entretanto a Física Nuclear não será objeto de análise e sim a argumentação que se desenvolveu no ambiente investigativo tendo-a como centro. Percebe-se o enorme interesse em relação à temática, mesmo estando cientes da profundidade, pois se trata de um estudo dependente de
muita dedicação por englobar temas com elevado índice de abstração. Conforme combinado com os alunos no momento da escolha, o capítulo do livro foi dividido em subtópicos e sorteados entre os grupos, que contavam com sete componentes.
Assim, os subtópicos sorteados entre as equipes foram os seguintes: 1) Introdução - Núcleo Atômico
2) Radioatividade – Lei do decaimento radioativo 3) Fissão nuclear e Fusão nuclear – Rejeitos radioativos 4) Acidentes Nucleares e o uso da Radioatividade
5) Um pouco de evolução estelar – forças fundamentais da natureza
6) Partículas fundamentais da matéria-antimatéria – Um pouco de Cosmologia. A chance de escolha tanto do capítulo a ser pesquisado quanto dos grupos de trabalho, desencadeou grande ânimo no desenvolvimento das atividades propostas. Ambas as ocorrências foram inovações para a turma e patrocinaram uma atuação singular dos discentes.
A organização do tempo escolar foi um grande desafio na aplicação da metodologia proposta. Compromissos assumidos pela escola, sem comunicação prévia, referente à participação dos alunos em vários eventos, que coincidiram com nossa pesquisa, restringiram as possibilidades no preparo dos seminários. O fato de serem apenas duas aulas semanais e uma fração destas se destinar ao preparo do Datashow e a disposição da turma conforme planejamento de cada grupo reduziu o tempo efetivo de aula causando bastante estresse tanto nos alunos quanto na professora/pesquisadora. Atrasos em aulas anteriores, que em outros momentos passavam despercebidos, acarretaram muitos prejuízos. A obrigatoriedade de cumprir os prazos estabelecidos quanto ao fechamento do bimestre e entrega de resultados, associado aos fatores mencionados acima amortizaram os recursos que poderiam ter sido utilizados.