Part I A brief review of concentration-discharge (C-Q) relationships
6 Study site – The Oracle-Orgeval observatory
6.3 Chemical measurements of Oracle-Orgeval observatory
6.3.3 Typology of high-frequency measurements of ions concentrations during flow events
Para analisar essa questão, deve-se considerar como ponto de partida, que o marxismo defende uma concepção antropológica de história. Nesse sentido, ao levantar as questões relacionadas aos seres humanos, vistos como seres sociais e históricos, Marx contrapõe opressão e alienação à libertação e consciência. Com isso, a partir de uma visão dialética estabelecida nessa antinomia, ele afirma que
Um ser só se considera autônomo, quando é o senhor de si mesmo, e só é senhor de si, quando deve a si mesmo seu modo de existência. Um homem que vive graças a outro, se considera a si mesmo um ser dependente. Vivo, no entanto, totalmente por graça de outro, quando lhe devo não só a manutenção de minha vida, como também o fato de que além disso criou minha vida, é a fonte de minha vida; e minha vida tem necessariamente o fundamento fora de si mesma, quando não é minha própria criação. (MARX, 1974, p. 20,21)
Marx considera que o ser humano se constitui pelo trabalho, pois é a partir dele que se transforma a natureza, que se recria o mundo e a si próprio. Só que, ao mesmo tempo, o trabalho representa a essência do ser social e a miséria do próprio ser humano. O trabalho, por ser uma atividade alienada, que divide as pessoas em proprietárias e trabalhadoras, portanto, em opressores e oprimidos, implica na exploração do ser humano pelo ser humano.
3 A respeito da contribuição de Paulo Freire para a o pensamento da Teologia da Libertação, ver as referências
bibliográficas em: TORRES, Carlos Alberto. Leitura crítica de Paulo Freire. São Paulo, Edições Loyola, 1981, p. 39
(OLIVEIRA, 1985, p. 125). Portanto, afirma Marx, que é através da ação transformadora do mundo que os seres humanos humanizam o próprio mundo e se humanizam. Várias afirmações que validam essa mesma concepção podem ser verificadas na pedagogia freireana.
Para Marx, o termo alienação tem um significado fundamental. É a alienação enquanto realidade histórica que contribui para a escravização do ser humano, na medida em que esse se torna alheio de si mesmo e de seu produto. Ele, contudo, credita à alienação econômica a base principal de todas as outras formas de alienação. Desse modo, para ele, são as condições de produção, as riquezas da natureza, as máquinas e técnicas de trabalho, as organizações e divisões do trabalho social –, ou seja, a infra-estrutura – que, preponderantemente, determinam o ser social, quer dizer, as instituições e as ideologias – que representam a superestrutura.
Para o pensamento marxista, todavia, o ser humano é o construtor de sua própria libertação. E a luta de classe é a possibilidade que têm os seres humanos de superarem a sua condição de opressão e domínio. É eliminando as estruturas que geram a dominação que se pode chegar a uma condição de dignidade humana. Para que isso ocorra, é necessário considerar a relação dialética da história e a práxis humana como motores que alimentam a revolução libertadora para a transformação da história. Esse processo de transformação realiza- se somente na sociedade, de forma concreta, considerando a humanização como um fato histórico e não um ideal abstrato de humanidade (NOGARE, 1994, p. 105). Marx alerta que “deve-se evitar antes de tudo fixar a ‘sociedade’ como outra abstração frente ao indivíduo. O indivíduo é o ser social. A exteriorização de sua vida (...) é pois, uma exteriorização e confirmação da vida social (1974, p. 16).
O humanismo marxista é caracterizado, principalmente, pela sua constante preocupação com a libertação dos seres humanos e com a eliminação das formas de alienação que coisificam e transformam homens e mulheres em seres inautênticos. Tais preocupações são também bases fundantes na concepção político-filosófica da pedagogia de Freire. Daí a afirmação de que o humanismo freireano tem uma forte contribuição do pensamento marxista. Dessa forma, Freire recorre muitas vezes a Marx para argumentar aspectos e concepções de seu pensamento. Em conversa com o professor Admardo de Oliveira, Freire diz o seguinte:
Quando me refiro também à transformação radical da sociedade eu não estou me referindo a uma transformação que tornasse a sociedade num paraíso uma vez que a sociedade continuará sendo história. Desta forma, eu não me refiro a um eldorado de se criar um mundo sem contradições. Mas eu me refiro no sentido de que ela é uma transformação radical enquanto os seus objetivos significam a transformação, por exemplo, das relações sociais de produção. Uma vez mais você chega aí a Marx. Mas não uma transformação que nos leve necessariamente a um capitalismo de Estado. E há hoje toda uma preocupação (inclusive entre marxistas) por um tipo de socialismo mais humanizante, ou menos desumanizante. O importante é tocar no núcleo central de estrutura, que é o modo de produção. (OLIVEIRA, 1985, p. 94)
A filosofia da práxis é fundante para a concepção que engendra a atividade revolucionária marxista. Ela se constitui como um elemento ético na luta pela transformação, pois o sentido da luta é a confirmação da autenticidade da pessoa. Freire incorpora a práxis de maneira decisiva para a ação libertadora de sua pedagogia. Afirma que, “sem ela, é impossível a superação da contradição opressor-oprimidos” (1987a, p. 38). Ao reconhecer a importância dessa questão, ele chama a atenção para a relação objetividade-subjetividade. Afirma que o processo de transformação da realidade, da história, tem a ver com essa relação dialética, e que a dicotomia defendida pelas visões mecanicistas, que reconhecem apenas a objetividade e, dessa forma, vêem o mundo sem seres humanos, é tão maléfica e equivocada quanto à visão ingênua, que reconhece apenas a subjetividade, como se tivessem apenas seres humanos sem mundo. Freire diz que “Em Marx, como em nenhum outro pensador crítico, realista, jamais se
encontrará essa dicotomia. O que Marx criticou e, cientificamente destruiu, não foi a subjetividade, mas o subjetivismo, o psicologismo” (1987a, p. 37). De fato, pode-se ler nos Manuscritos Econômico-Filosóficos a seguinte afirmação de Marx: “O caráter social é, pois, o caráter geral de todo o movimento; assim como é a própria sociedade que produz o homem enquanto homem, assim também ela é produzida por ele” (1974, p. 15).