• Aucun résultat trouvé

Typologies de Jeremy Blampain 58 (1997)

8.4 Autres typologies de représentations de la formation d’adultes

8.4.3 Typologies de Jeremy Blampain 58 (1997)

No que diz respeito à análise da categoria salário, as respostas das entrevistadas das IES A e B apontaram uma grande insatisfação. Tal fato se constatou principalmente pelas considerações feitas com relação ao baixo salário mediante à titulação e à carga de trabalho.

As professoras E1, E3, E4 e E5 não se sentem reconhecidas pelo salário que recebem. Quando se verifica a insatisfação na IES A, a entrevistada E1 diz receber como auxiliar de ensino, mesmo sendo doutora. Na IES B, todas as docentes (E4, E5 e E6) disseram trabalhar muito mais do que recebem pelas horas-aula. Essas últimas também não recebem de acordo com a titulação de mestre ou doutora e sim como especialistas.

A avaliação feita pela maioria dos professores em relação à categoria salário pode ser confirmada como geradora de sofrimento, a partir das seguintes verbalizações:

Porque eu recebo como auxiliar de ensino, mesmo sendo doutora (E1).

Porque eu trabalho muito mais que 32 horas e a gente acaba trabalhando, às vezes, 18, 12 horas num dia, eu já cheguei a trabalhar para dar aula de manhã, à tarde vai para casa, fica a tarde inteira trabalhando para a IES B, depois a gente volta para dar aula de novo na IES B, leva prova para corrigir no final de semana da IES B, aí tem as atividades extras-sala, que não são remuneradas, a grande quantidade de alunos por sala... aqui, a gente não tem plano de carreira, então o plano de carreira tem que ser feito por nós mesmos, se você quiser ganhar mais, se você quiser aumentar o teu salário, você vai ter que buscar outras formas de fazer isso. Vou terminar meu mestrado e vou receber como especialista, continuar recebendo a mesma coisa (E4).

(...) eu acho que o grau de esforço, de atualização, o professor tem que ter o grau de responsabilidade que ele tem na questão da construção de um conhecimento, da formação do aluno, eu acho que eu deveria ganhar o dobro... para você receber de acordo com sua titulação, você tem que brigar, já soube de colegas que tiveram que brigar para receber com a titulação, entendeu (E5).

Por várias razões, primeiro porque o meu rendimento não é suficiente para me dar conforto, o conforto que eu imagino. E segundo, porque eu não ganho como mestre, eu ganho como especialista. Na IES B eu acho que não é transparente, então eu não sei se vai acontecer de eu receber como mestre quando eu for doutora. Ou se eu vou passar a receber como doutora. É, eles não são transparentes nem no processo de concorrência para ter, na verdade isso é uma

coisa de direito, mas na IES isso não é apresentando nessa maneira, nem para concorrer e nem para saber se você vai ter a chance. É, nebuloso, não existe clareza em relação a isso. E quando eu já tentei uma vez questionar, e quando você pergunta, eles falam que você tem que pesquisar, você tem que apresentar resultados de pesquisa, sendo que na verdade, assim, você se mata de dar aula, que horas é que você vai se dedicar para escrever papers que são aceitos em revistas acadêmicas ou em eventos internacionais ou nacionais de peso? Que horas? Da meia-noite às cinco? É ridículo, essa maneira de responder, para mim, é desrespeitosa, mas você finge que está tudo bem, você não tem o que fazer, se não está bom, você tem que mudar de lugar, porque a IES está dizendo como ela se estrutura (E5).

Dejours (1994b) afirma que quando a organização do trabalho não se adapta à organização do trabalho vivo, real, os sujeitos-trabalhadores são obrigados a fazer uso de estratégias de defesas coletivas e individuais e de mobilização subjetiva. Convém observar que, por não conseguirem se manter com o salário de professor, muitas das entrevistadas relataram recorrer a outras ocupações. Nota-se ainda que as titulações obtidas pelas docentes para o exercício da profissão não são reconhecidas pelas instituições A e B com o correspondente aumento de salário. Observa-se, porém, a exigência da formação mínima de mestrado para que o professor possa fazer parte do quadro permanente da organização A ou B.

Na IES B, todas as docentes são cobradas constantemente para que iniciem e concluam o mestrado, no entanto nenhuma das professoras entrevistadas concluiu ou faz o mestrado ou doutorado na própria IES. Relatam que, apesar da organização oferecer o curso de mestrado e doutorado, a seleção é muito rígida. Todas as docentes da organização B concluíram seu mestrado e/ou doutorado em outra organização. Na amostra total das professoras entrevistadas, somente uma docente da organização B está em processo de conclusão do mestrado, todas as demais já possuem o mestrado, sendo que E1 e E2 possuem doutorado, E2 e E6 cursam o doutorado. E1 começará o pós-doutorado em 2014.

Ainda em relação a esse quesito, E4 afirma que não está satisfeita com sua remuneração uma vez que todos os dias tem algo da IES para resolver, sempre existem pendências. Essa sensação da falta de tempo é criada pela reestruturação do trabalho moderno, que faz com que muitas vezes os trabalhadores sintam-se culpados por pensarem que não estão se doando o suficiente. Isso acontece porque a carga de trabalho é tão grande que dificilmente se consegue dar conta de todas as tarefas no horário de trabalho previsto.

Sobre a questão da titulação, a entrevistada E6 afirma que

Ah, sim, eu estou fazendo doutorado, mas assim, eu estou conseguindo, mas isso não é com muito esforço, porque eu precisaria de mais tempo dedicado à minha pesquisa e eu não (...) se eu tiver uma redução muito grande das horas/aulas, eu

não consigo me sustentar. Por outro lado, se eu virar bolsista, eu também não consigo me sustentar.

Percebe-se o paradoxo vivido muitas vezes pelo professor. Esse precisa desenvolver seus estudos, é cobrado por titulações, mas, para que isso aconteça, não pode diminuir a carga horária, pois precisa necessariamente de um número maior de horas-aula para poder se manter.

Estudos de Vilela, Garcia e Vieira (2011) mostram que, para auferirem melhores salários, os professores têm se submetido a extensas jornadas que incluem atividades em outras instituições de ensino. Essa é a condição declarada que os possibilita, segundo os autores, de terem uma condição de vida minimamente decente, já que, por vezes, mesmo sendo professores universitários, recebem como professores de ensino médio, não existindo um plano de carreira oficial para a categoria.