Vila do Conde com a sua localização geográfica, beneficiou de condições excepcionais para o seu desenvolvimento.
Tendo por base de pesquisa a leitura sumária de documentos de vários autores e utilizando exclusivamente essa fonte, pretendemos estruturar de forma pouco exaustiva, um pouco sobre alguma história de Vila do Conde.
É referido por (Polónia. 1999) que apesar desta região já possuir habitantes nesta localidade, a primeira ocupação em que se verificou a presença “de uma sociedade
73 organizada” de que se tem conhecimento seria “por volta de 953, junto ao castro de S. João, no sopé do monte e junto à foz do Ave”. A mesma autora salienta também o papel da igreja na sociedade quando refere que “a essa organização social e económica correspondia uma organização religiosa”.
No decorrer séc VIII a.C. segundo (Reis, 2000), surgem os Celtas, que aqui se “fixam, miscigenam e entregam-se à pecuária e agricultura, organizando-se em núcleos na zona alta junto da foz”. Este povo passa a designar-se de Calaicos estruturando-se socialmente na família e clãs. Foi um povo que se distinguiu pela arte de construir as ferramentas agrícolas e bélicas dedicando-se essencialmente à agricultura e pastoreio.
No decorrer do séc. III a.C. aquando da chegada dos Romanos à Ibéria, a "villa" cujo significado seria “propriedade rústica” (Polónia, 1999) encontrar-se-ia com uma organização nuclear, devidamente estruturada em “centros de comunidades locais”, sendo estes constituídos pela habitação do proprietário, a habitação dos trabalhadores, os estábulos e celeiros e terrenos (Reis, 2000).
Admiradores da filosofia de que a terra era a base de uma comunidade organizada e temente aos deuses que presidiam a cada um dos lugares habitados, os romanos estabeleceram regras hierárquicas e fiscais entre si, baseadas no número de hectares de terreno que possuíam (Bettencourt, 2013).
Foi durante este período que a agricultura se potencializou, multiplicando-se os espaços dentro e fora dos castros para a recolha de cereais, assim como outros produtos agrícolas, obtendo-se desta forma novos lugares, como a construção de outros povoados e a fixação individual de agricultores indígenas nesse espaço rural (Bettencourt, 2013).
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É ainda durante este período que se iniciam as grandes construções em pedra, surgindo a divisão social do trabalho em consequência do aumento de crescimento demográfico (Reis, 2000).
São construídas estradas que ligam o rio Leça e o rio Ave, localizadas na base e sob a proteção dos castros. Também surgem as indústrias de minas, salgas de peixe, olaria, entre outras. Nesta altura verifica-se “um grande progresso na pesca e na salinicultura como resultado do comércio marítimo para Roma” (Reis, 2000). (Reis, 2000).
Por volta do ano II a. C. Os Fenícios e os Helénicos surgem na costa marítima, trazendo com eles artefactos para troca com as gentes locais, dando-se inicio ao desenvolvimento do negócio na orla costeira (Reis, 2000).
No decorrer do séc. V com o aparecimento dos povos vindos do norte, nomeadamente os Bárbaros e Suevos, surge um novo mundo. Por um lado os Bárbaros estabelecem-se em grupos, cada um na sua região, mantendo contacto com as gentes galaico-romanas gerando-se relações amigáveis entre eles. Por sua vez, os Suevos povo conflituoso sem regras de convivência e desconhecendo a propriedade territorial, promoveu nesta época uma relação de conflito como o surgimento de roubos, rixas e mortes entre povos. No entanto, conscientes
Fig. 42 - Castros, castros romanizados e romanização do concelho de Vila do Conde
75 Propriedades de Flâmula até 953 Ruínas da vila Galaico-Romana
Castro de S. João
que a destruição do território apenas levava à fome e à peste, os Suevos acomodaram-se aos costumes dos povos que se encontravam nos locais que eles tomavam. Por sua vez, as gentes que se tinham refugiado nos montes devido aos conflitos, regressam ao vale e à foz, reorganizando-se a economia fluvial, agrícola e saleira (Reis, 2000).
Entre o séc. VIII e IX com a chegada de outros povos, nomeadamente os Mouros e Normandos, surgem as invasões e os roubos no litoral provocando o terror nas populações aí existentes levando os habitantes a abandonarem a “villa”, como em outras zonas do litoral, e à concentração da população, levando ao aumento do peso demográfico no campo onde predomina apenas a agricultura de subsistência. É durante este período que surge a idade feudal dando lugar à sociedade de senhores e camponeses (Reis, 2000).
Durante este período, com a recolonização de reis, senhores e nobres promove- se o renascer das “villas”e as atividades de agricultura, onde o camponês trabalha e serve o seu senhor, em bens e serviços (Reis, 2000).
Ainda no decorrer desta época, a “villa” povoada à volta do castro e que tinha por senhora principal Flâmula (figura 43), torna-se propriedade do conde Vimara Peres, sendo desenhado no solo um triângulo estratégico que servirá de base a duas áreas distintas de operações de proteção e prosperidade económica: no interior recursos agrícolas e no litoral a exploração mercantil (Reis, 2000).
Fig. 43 - Limites de Vila do Conde, 953 Fonte: Miranda, 1998
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Segundo o mesmo autor seria na transição dos séc. IX e XII que Vila do Conde assume os contornos de uma sociedade autónoma (Reis, 2000).
Com a sua localização geográfica privilegiada em relação ao curso fluvial, tornou-se numa povoação urbana no séc. XII (Miranda, 1998).
Não dispondo Vila do Conde de uma estrutura que estabelecesse ligações terrestres periódicas com a margem sul do Rio Ave, possuindo também uma limitação de exploração dos recursos fluviais do Ave (Polónia, 1999), e debatendo-se frequentemente com dificuldades de abastecimento agrícola, especialmente em épocas de crise, outros caminhos surgem no horizonte dos Vila-condenses (Miranda, 1998).
No séc. XIV Portugal encontra-se "ameaçado por graves desequilíbrios económicos", e ao mesmo tempo possuído pela “angústia religiosa que se faz sentir por todo o país”. No entanto, Vila do Conde, em consequência da classe burguesa se distinguir como empreendedora, consegue resistir à depressão direcionando a sua atenção para o litoral e investindo no comércio do sal com destino aos portos de Flandres, França e Inglaterra (figura 44) (Reis, 2000).
Fig. 44 - Rotas comerciais de Vila do Conde, séc. XV e XVI Fonte: Reis, 2000
77 Segundo Polónia (1999) “para além das atividades ligadas à exploração de recursos marítimos, e do labor comercial” rapidamente a zona portuária desta localidade se dedicou à “dinâmica das navegações”, sobretudo pondo em pratica outro tipo de atividades como a construção naval. Esta, terá sido responsável pelo desenvolvimento económico e urbano de Vila do Conde, tornando-se, durante as navegações de quatrocentos e quinhentos, num “burgo de grande importância” (Miranda. 1998) que perdurou no decorrer dos anos dourados da expansão marítima decorridos ao longo do séc. XV e XVI.
No século XV, localizava-se junto à margem direita do Ave uma povoação dinâmica, (Miranda, 1998) e uma notável escola de marinha, com homens conhecedores da arte de navegar e entendidos na cosmografia e outras ciências ligadas ao mar, os quais deixaram excelentes tratados náuticos, valiosos roteiros e cartas marítimas.
Muitos dos barcos aqui construídos navegavam até à Índia e ao Brasil, em rotas comerciais e, ao mesmo tempo que crescia a construção naval, aumentavam também as atividades de panos de velame e cordoaria também ligados à construção naval (Miranda, 1998).
Ainda segundo a mesma autora (1998) as melhores naus e caravelas da carreira da Índia foram produzidas em Vila do Conde, e em 1415, aquando da partida para a conquista de Ceuta, saíram da vila do Ave, várias embarcações em direção ao Norte de África.
Durante muitos anos a atividade naval foi uma indústria essencial, sendo a única desta localidade, estendendo-se pelas duas margens do rio (Miranda, 1998).
Reis (2000) refere que ”Ao longo do sec XVI, vão daqui marinheiros, pilotos e capitães correr as sete partidas do mundo”.
No que diz respeito à localização dos estaleiros, Polónia (1999), durante o séc. XVI constatou-se que “o espaço destinado à construção naval se circunscrevia ao leito fluvial que banha o espaço urbano da vila”, daí constatar-se que esta situação limitava as funções de navegação principalmente aos navios de grande porte. Estas limitações obrigaram a que ao longo do tempo fossem desenvolvidas várias intervenções sobre as margens no rio, sendo possível de verificar na figura 45, correspondente a um mapa da zona ribeirinha do séc. XVI que a margem direita do rio já se encontra regularizada, enquanto a margem esquerda se encontra mais naturalizada, mas também refletia ações do homem, que se descreverão mais adiante.
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O assoreamento dos rios ocorre por deposição de sedimentos, sendo este assoreamento responsável por alterações mais ou menos significativas nas linhas de costa e nas bacias hidrográficas. Na situação específica de Vila do Conde, que é porto de mar, a corrente litoral na costa atlântica é influenciada pela nortada, sendo predominantemente orientada para o Sul, provocando assim a deslocação de areias nesse sentido, bem como a ondulação, que é a principal responsável pela evolução das formas do litoral. Associando-se as correntes marítimas e a deslocação de sedimentos, resulta um tendencial assoreamento das reentrâncias do litoral, nomeadamente dos portos instalados na foz dos rios (Polónia,1999).
Vila do Conde encontra-se numa secção de costa baixa e numa plataforma continental, na qual predomina a areia, sendo o leito de rio amplo, mas pouco profundo e com margens com pouco declive, sem traçado de escarpa.
Este conjunto de características, favorece a existência de "marés de vazante" suaves e incapazes de remover com eficácia depósitos que contribuem para a deposição de sedimentos a distâncias de 1 a 3 milhas da foz do rio, ao invés de se depositarem junto da mesma, formando-se nesse local a "barra", que interfere com a acessibilidade ao porto ou local de ancoragem, obrigando por isso as embarcações a manterem-se fora da linha da barra.
Fig. 45 - Zona Ribeirinha
79 Todos os obstáculos que era necessário conhecer e contornar em trajetos bem definidos, foram identificados nas reproduções cartográficas do porto de Vila do Conde datados dos séculos XVI e XVII (Polónia, 1999).
O assoreamento interferia diretamente sobre o lançamento das embarcações à água, no momento da "botação" e saída da barra, quer pela secagem dos poços onde por tradição se largavam, do lado de Azurara e de Vila do Conde, quer pelo bloqueio exercido sobre a barra, que se revelava de profundidade diminuta à saída incólume das naus e galeões (Polónia, 1999).
Para além do cais da barca existente, (sendo esta barca o único meio de travessia do rio Ave entre Azurara e Vila do Conde até 1792), datam de finais do século XVI outros cais principais, o da Lavandeira e o da Alfândega (indicados na figura 46), embora possuíssem uma estrutura de menor envergadura (Polónia, 1999).
Fig. 46 - Planta de localização dos cais, séc. XVI Fonte: Arquivo Municipal de Vila do Conde
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Polónia (1999) Refere-se ainda “à existência de dois paredões ou couraças” um localizado entre a zona da Alfândega e da Lavandeira e outro construído na zona chamada de sobmosteiro, que seria “um prolongamento do primeiro”, sendo apenas de acesso fluvial, e não um ponto de ancoragem ou de desembarque marítimo.
A orientação da malha urbana para o rio era feita por ruas perpendiculares que culminavam na zona ribeirinha, na qual, habitavam grupos profissionais como marinheiros, pescadores ou oficiais mecânicos, sendo a maioria ligados à construção naval.
Era também nesta zona que se localizavam os focos de atividade essenciais da vila, desde o cais de embarque/desembarque da barca de travessia, as duas alfândegas (a régia e, até 1550, a do Mosteiro de Santa Clara), as azenhas que a população utilizava para a moagem do pão (na margem Norte, datadas do séc. XII e pertencentes ao Mosteiro de Santa Clara, hoje inexistentes, e na margem Sul, de construção quinhentista, hoje ainda erguidas), onde se encontravam os estaleiros de construção naval, difundidos ao longo da margem. Ainda na zona ribeirinha encontravam-se as estruturas defensivas da vila, nomeadamente a Ermida de S. Julião, e mais tarde o Forte de S. João Baptista, hoje elemento referencial da costa de Vila do Conde (Polónia, 1999).
O antigo cais da barca sempre se situou a montante de qualquer uma das outras estruturas, desempenhando a função única, de travessia fluvial (Polónia, 1999).
É no tempo que medeia os anos de 1580 a 1640, que se dá o maior número de intervenções nos cais da vila, sendo desse mesmo período o projeto de construção de um cais de abrigo, da autoria de Filipe Tércio, sendo deste modo natural que os habitantes de Vila do Conde aproveitassem as características favoráveis do porto de abrigo de que dispunham para aí implementarem estaleiros (Polónia, 1999).
Nos anos 40 do séc. XVI houve uma deslocação dos locais de construção, induzida pelo processo de assoreamento, que foi já referido, inviabilizados os antigos espaços de “botação”, quer pelo entupimento dos poços, quer pelo aumento do calado das embarcações, ou por ambos os fatores, tendo os construtores deslocado os seus estaleiros para jusante, em busca de maiores profundidades (Polónia, 1999).
No ano de 1541 uma deliberação camarária concede autorização para que se concluam dois navios em construção na Rua de Santa Clara, mas proíbe que isso aconteça daí para a frente, e em 1560 os estaleiros são novamente localizados na zona do terreiro do cais, área que corresponde possivelmente ao espaço fronteiro à alfândega ou, com maior probabilidade, àquele que decorre entre a Lavandeira e o cais da barca (a área do sobmosteiro).
81 Diversas localizações são apresentadas para os estaleiros. Um registo realizado em Vila do Conde num dos tombos do Mosteiro de S. Simão da Junqueira em 1680 refere que "casas & quintais que se fizeram no campo donde antigamente se faziam os navios", os quais confrontavam com a Rua dos Prazeres.
Também do ano de 1578 se encontram documentos em que se declara a construção de uma embarcação"(...) no estaleiro desta villa a Santiaguo (...)"(Polónia, 1999, p.295).
O "entupimento" dos poços, local onde eram lançadas as embarcações, aparelhadas e mastreadas, dificultava a progressão dessas tarefas, enquanto o assoreamento da barra seria responsável, por momentos dramáticos: "(...) des que o ryo areou como esta pasam muito peryguo na sahyda e quebram as quilhas e outras cousas delias e levam muito trabalho a os lançar e nam tornam mays a emtrar (...)"(Polónia. 1999, p.296).
Daí talvez o testemunho de 1548 de que muitas das embarcações construídas seriam levadas por terra para o mar, evitando o percurso fluvial.
Em 1719 existe o registo da uma ocorrência em Azurara no qual se regista que "(...) na ribeyra do coal derão os dias passados os moradores do ditto lugar prencipio a huma estacada que comesava da sua parte e se hia emtranchando pello mesmo rio, fazemdo huma emseada, pêra nelle aportarem e jazerem as suas anxas e embarcasoins (...)"(Polónia, 1999, p.81). Daqui se depreende a existência de espaços onde atracavam embarcações, sendo que em 1804 existe referência a um auto de demarcação da jurisdição de Vila do Conde sobre o rio, pois na margem de Azurara, junto à ponte, estariam a ser construídas duas embarcações sem antecipada autorização do concelho (Polónia, 1999).
Existe também uma referência de importação de matérias primas, relacionadas com a construção naval, para Azurara no ano de 1527.
Assim, face aos dados disponíveis em relação à tentativa de localização dos estaleiros, aponta-se então para duas ideias essenciais:
a) A da progressão para jusante dos espaços de construção, na sequência da alteração das condições de navegabilidade e da tipologia das embarcações;
b) A inexistência de um espaço delimitado e circunscrito.
No que diz respeito a esta última constatação numerosos indícios sugerem duas ocorrências:
i) Em primeiro lugar, seriam desenvolvidas infraestruturas de construção de acordo com o espaço disponível e as necessidades em curso, sendo esses espaços recuperados
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posteriormente, para utilizações públicas, sendo que a utilização desses locais era livre, estando eventualmente condicionada a uma prévia licença camarária (Polónia, 1999).
ii) Em segundo lugar esses dinâmicos locais de trabalho localizados na orla ribeirinha inseriam-se e interferiam diretamente no quotidiano da vila, pois funcionavam como ponto de passagem inevitável para grande parte da população, na sua ligação com o rio, acarretando encargos para o município.
Assim, mantinha-se a responsabilidade da gestão municipal, mas desenvolvia-se a atividade em áreas de uso comum. São várias as deliberações camarárias que surgem na tentativa de regulamentar a utilização dos espaços, desde a proibição de se armarem estruturas de construção em determinados locais, à obrigatoriedade de se recuperar a área utilizada, à aplicação de penas aos transgressores, e preocupação de se evitarem acidentes decorrentes dessa roda-viva desenvolvida em espaços de utilização comum.
Apesar de paralela à atividade de construção, o fabrico de cordame e enxárcias exige, de igual modo, vastos espaços de implantação própria, denominados "Cordoaria" ou "Chão dos Cordoeiros" (Polónia, 1999, pág.269).
No decorrer do séc. XVII, em Vila do Conde, dá-se um impulso relativamente à sua urbanização, refletindo-se este desenvolvimento na construção de edifícios de elevado significado e dispêndio de recursos como sejam a Capela do Socorro, o Hospital da Nossa Senhora da Conceição, o Castelo de S. João Baptista e a Igreja do Carmo (Reis, 2000). A maioria das gentes de Vila do Conde dedica-se ao comércio marítimo ou às indústrias ligadas ao mar, como a construção naval, fabrico de velas e marinhas de sal.
Durante o século XVIII, o estaleiro naval de Vila do Conde possuiu um elevado ritmo de construção naval, devido ao enorme comércio mercantil que se fazia sentir. Igualmente desta época são o Aqueduto e a mole gigante do convento de Santa Clara, sendo desta época também o aterro do sobmosteiro e a construção do cais por enrocamento, assim como a ponte de pedra (Ponte das Neves) que liga as duas margens do rio. Em resultado da construção de estruturas e da atividade económica, ocorre a ampliação da zona urbana (Reis, 2000).
O século XIX foi uma época de evolução em Vila do Conde, dando-se início a uma autarquia contemporânea, ganhando o concelho múltiplas freguesias e consolidando-se como um grande município nomeadamente para Sul, com a construção de duas pontes metálicas de ligação ao Porto, sendo uma rodoviária e outra ferroviária (Reis, 2000).
83 Fig. 47 - Localização dos estaleiros na margem Norte (do outro lado do rio) e Sul (localização do autor da fotografia) do rio Ave
Fonte : Arquivo Municipal de Vila do Conde, data aproximada 1910
Chegados ao séc. XX a atividade naval estendia-se pelas duas margens do rio e ocupava todo o espaço disponível (figura 47) (Miranda, 1998).
A segunda Guerra Mundial provoca uma redução abrupta na construção de embarcações, levando a que o estaleiro de construção de Vila do Conde, na segunda metade do séc. XX, entre num período de declínio (Samuel & Filhos LDA).
Atualmente existem nos estaleiros de Azurara três empresas de construção naval, a empresa Samuel e Filhos LDA., a SICNAVE Industria de Construção e Reparação Naval LDA. e a Barreto & Filhos LDA. (figura 48 e 49).
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Fig.48 - Localização dos estaleiros atuais Fonte: Ana Borges, adaptado do Ortofotomapa
Fig.49 - Fotografia dos estaleiros atuais Fonte: Arquivo Municipal
Uma das obras realizadas pelos estaleiros que persistem na margem Sul do Rio Ave, é uma réplica de uma Nau Quinhentista (figura 50 e 51) que integra o núcleo museológico Alfândega Régia - Museu de Construção Naval, e se encontra no Rio Ave desde 2008, construída segundo responsabilidade do Almirante Rogério d’ Oliveira pelos estaleiros Samuel & Filhos, Lda, de Vila do Conde e que incorpora o saber ancestral dos carpinteiros e calafates dos estaleiros de Vila do Conde (Samuel e Filhos LDA).
85 Fig.50 e 51 - Fotografias da Nau Quinhentista
Fonte: Ana Borges
Fig.52 - Técnicas utilizadas na margem Sul do rio Ave, 1950/60 Fonte: Arquivo Municipal de Vila do Conde
As principais e mais relevantes ações que o rio Ave sofreu nas suas margens localizam-se junto da cidade de Vila do Conde, e realizaram-se durante os séc. XV e XVI, porque coincidiram com a expansão marítima e o período dos Descobrimentos tendo deixado um legado de construção naval até ao séc. XX.
As principais ações que se realizaram nas margens do rio foram de regularização e de aterros. Quanto às contenções das margens, foram geralmente efetuados enrocamentos e