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2.2.3.1Considerações botânicas

A S. polygamus é uma árvore conhecida como: ―assobiadeira‖, ―aroeira‖, ―aroeira- assobiadeira‖, ―árvore-de-assobio‖, ―assobieira‖, ―assobio‖, ―catinga-de-porco‖, ―coquinho‖, ―incenso‖, ―molhe‖, ―molho‖, ―pau-de-espinho‖, Figura 13. A espécie possui galhas lenhosas, encontradas geralmente nos ramos, que são ocas e popularmente utilizadas como apito. Devido a essas características muitos nomes populares são atribuídos à espécie.12

Figura 13. Árvore, folhas e cacho com os frutos verdes da S. polygamus.

A S. polygamus é uma planta nativa, não endêmica do Brasil, distribui-se geograficamente no Sudeste (Minas Gerais, São Paulo), Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul).147 Trata-se de uma espécie seletiva higrófita, esciófita, indiferente às

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SILVA-LUZ, C.L.; PIRANI, J.R. Anacardiaceae. Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010.

condições do solo. Ocorre geralmente em capões e sub-bosques da Mata Atlântica e Pampa.148 A floração ocorre de julho a setembro, frutificando de outubro a maio.149

Os frutos podem ser utilizados como condimento, sendo que in natura o sabor é suavemente picante, da mesma forma que o observado para a S. molle e S. terebinthifolius. Com os frutos também podem ser feitas bebidas vinosas e aguardente. Podem ser utilizados para adensamento em reflorestamentos mistos.149

Em alguns países, como o Chile, serve como combustível sendo plantada como cerca.150

Do ponto de vista etnobotânico, todas as partes da planta possuem aplicações na medicina popular, sendo a infusão das folhas utilizada para a limpeza de feridas. A decocção da casca produz uma essência balsâmica utilizada para tratar artrite e dores nos pés. O látex, que é secretado da casca, é usado como um gesso para fraturas, dores nos tendões e músculos, luxações e irritação da pele. A resina é recomendada para bronquite crônica.151 Além das propriedades citadas, a parte aérea também é utilizada no tratamento da infertilidade.152

Isso contrapõe o legado do senso comum de que ―aroeiras‖ são causadoras de dermatites quando em contato. Embora existam vários relatos que descrevem a utilização da espécie na medicina popular, existem algumas que apresentam propriedades tóxicas.67

2.2.3.2 Composição química e propriedades biológicas

Para esta espécie poucos registros fitoquímicos e de atividade biológica foram relatados, apenas três menções foram encontradas sobrea composição química do óleo essencial desta planta.

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SOBRAL, Marcos; JARENKOW, João André (Orgs.). Flora arbórea e arborescente do Rio Grande do Sul,

Brasil. São Carlos, SP:Novo Ambiente, 2006. p. 349. 149

LOPES, S. B.; GONÇALVES, L. Elementos para aplicação prática das árvores nativas do Sul do Brasil

na conservação da biodiversidade. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Rio Grande do Sul, 2006. p.

18.

150

BURCKHARDT, D.; BASSET, Y. The jumping plantlice (Hemiptera, Psylloidea) associated with Schinus (Anacardiaceae): systematics, biogeography and host plant relationships. Journal of Natural History.,2000, v. 34. p. 57-155.

151

MUÑOZ, M.; BARRERA, E.;MEZA, I. El uso medicinal y alimenticio de plantas nativas y naturalizadas

de Chile. Edición ocasional, n. 33. Santiago, Chile: Museo Nacional de Historia Natural, 1981. p.17. 152

MONTES, M.; WILKOMIRSKY,T. Medicina tradicional chilena. Santiago, Chile: Editorial de La Universidad de Concepción, 1987. p. 50.

Em 1984, Mandich et al. descreveram a presença dos flavonóides em Schinus

polygamus, dentre os quais: kaempferol (91), quercetina (90) e quercetina-3-O galactoside

(114), Figura 14.153 114 O O O O OH HO OH OH OH CH2CH OH OH 3

Figura 14. Estruturas representativas dos flavonóides isolados de S. molle.

Em 2004, González et al. investigaram pela primeira vez a composição química do óleo essencial de S. polygamus e avaliaram seu potencial antimicrobiano. Os óleos essenciais

foram constituídos predominantemente por monoterpenos (58,3 %), sendo o α-felandreno (12,9%) e limoneno (22,6%) os principais componentes. Os sesquiterpenos α-cadinol (7,1%) e cubenol (5,6%) representaram 20,4% dos sesquiterpenos oxigenados dentre os 30 compostos identificados do total (96,3%) do óleo essencial. O óleo mostrou atividade antimicrobiana frente ao Bacillus cereus.154

Erazo et al. realizaram estudos farmacológicos com os extratos hexânicos e metanólico obtidos das partes aéreas de S. polygamus.37 Além disso, o óleo essencial das folhas e dos frutos da planta foi analisado e comparado com o óleo volátil obtido da espécie cultivada na Argentina. Os óleos diferiram na composição e na atividade antibacteriana, sendo que a espécie chilena exibiu amplo espectro de atividade contra Gram (+) e bactérias Gram (-), e o composto mais abundante encontrado nas folhas e frutos foram o β-pineno. Entretanto, a espécie argentina mostrou alta atividade frente Bacillus cereus, os principais componentes evidenciados foram α-felandreno e limoneno. As diferenças, quanto à composição química dos óleos estudados na Argentina e no Chile, foram justificadas

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MANDICH, L., BITTNER, M., SILVA, M., BARROS, C. Phytochemical screening of medical plants. Studies of flavonoids. Revista Latinoamericana de Química, 1984, v. 15. p. 80-82.

154

GONZÁLEZ, S.; GUERRA, P.; BOTTARO, H.; MOLARES, S.; DEMO, M.S.; OLIVA, M.M.; ZUNINO, M.P.; ZYGADLO, J.A. Aromatic plants from Patagonia Part I. Antimicrobial activity and chemical composition of Schinus polygamus (Cav.) Cabrera essential oil. Flavour and Fragrance Journal, 2004, v. 19. p. 36-39.

considerando-se as alterações que possam ter ocorridas no metabolismo em função da localização geográfica no que tange ao genótipo, à composição do solo e ao clima onde a espécie é cultivada.155,156 Os extratos provenientes das partes aéreas da planta apresentaram atividades farmacológicas. Dos extratos mais ativos foram isolados diferentes metabólitos dos quais: β-sitosterol, ácido chiquímico, juntamente com a quercetina (90) o que levou os autores a compreender o efeito antipirético, anti-inflamatório, analgésico e a atividade antimicrobiana observado nos extratos analisados.

Damasceno et al. avaliaram a eficiência da Headspace-Microextração em fase sólida (HS-SPME), juntamente com CG-EM, técnicas capazes de detectar alterações no perfil de óleo essencial de S. polygamus e Baccharis spicata cultivadas no RS-Brasil. Os resultados da análise dos óleos essenciais extraídos das folhas sadias e das galhas de S. polygamus pela utilização de diferentes técnicas, demonstraram apresentar grande quantidade de n-heptano (>38,2%) e n-nonano (>24,4%). Estes compostos não foram identificados no óleo obtido por hidrodestilação de folhas da mesma amostra. O constituinte majoritário nas galhas foi o α- pineno (17,6%). Também foi detectada a presença de mono e sesquiterpenos não evidenciados nas folhas sadias. Observaram-se diferenças qualitativas entre o óleo das folhas sadias e o perfil dos constituintes dos compostos voláteis do Headspace. A utilização do HS- SPME permitiu obter compostos próximos aos da planta in vivo.157

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