Section 3 : La performance de l’entreprise
I. Définition et typologie de la performance
2. Les différents types de la performance
Risos, risos, o texto de hoje é um dos meus favoritos, é o que fala sobre o Lift'n'Shape (isso mesmo, com dois apóstrofes PEDANTES). Começa falando que o exorbitante produto diminui o seu manequim NA HORA, que é ideal para uma festa ou no dia-a-dia. Tudo isso porque foi delicadamente pensado e projetado para agir NAQUELES pontos críticos e mais difíceis de modelar, e é um produto leve, suave, confortável e imperceptível (propaganda de absorvente?) e possui um formato exclusivo, que diminui a cintura sem evidenciar pneuzinhos e sem deixar marcas sob as roupas! E depois disso, mostra todos os benefícios do uso do sensual produto: ele reduz a barriguinha, afina a cintura, dá uma levantada no bumbum, modela as coxas e muito mais. Sério, esse produto é do balaco-baco.
Nunca vi tanta safadeza gratuita na minha vida. Primeiramente porque o produto é o famoso “disfarça banha”, mas elas sempre estarão lá, e, uma hora ou outra, a gordinha vai ter que tirar essa porcaria do corpo, logo, ela voltará a ser AQUELA chupetinha de baleia e não terá o seu probleminha de obesidade mórbida resolvido, claro. Além dessa sacanagem, a gente pensa que pára por aí, mas o texto se supera no estilo gueto! Primeiro, o povinho sapeca da POLISHOP coloca modelos magras para usar essa porqueira, depois, a cinta apertou tanto as modelos que elas literalmente prendem a respiração descaradamente para manterem a pose e não estragar o lift'n'shape, seguindo adiante, percebemos que o produto só vai até metade da coxa, ou seja, se uma gordona estiver usando isso, metade da perna vai ficar apertada e a outra inchada, ou seja, ela vai ser vítima de bullying por aparentemente ter elefantíase. No geral, achei o texto interessantíssimo e engraçado, imagens sacanas e reveladoras e organização boa.
Uma das escolhas mais inusitadas encontradas nos diários trata-se da escolha do produtor do enunciado IX de trabalhar com a revista Polishop. A revista é composta por anúncios publicitários de itens que são lançamentos no mercado, geralmente novas e exclusivas invenções que objetivam facilitar as atividades do dia a dia que dizem respeito ao esporte, beleza, saúde, alimentação, entre outros. De início, essa escolha pareceu apenas uma brincadeira que o autor do diário fez para surpreender colegas de classe e professor. Porém, ao longo de seu diário, podemos perceber que o aluno analisa a revista para criticar o consumismo e o pensamento das pessoas que poderão adquirir o produto.
Esta análise faz parte dessa intenção e já é iniciada com os “risos” do diarista, o que nos faz questionar a razão de o autor considerar engraçado um texto cuja intenção principal não é causar o riso, e sim vender um produto. Além disso, o texto escolhido para a análise é considerado um dos “favoritos” do aluno, afirmação que também nos faz questionar sobre o que o texto apresenta para que seja considerado como um dos melhores.
Ao longo da análise, começamos a encontrar pistas que respondem a essas questões. Já no primeiro parágrafo, cuja intenção é apresentar o produto anunciado no texto, o aluno utiliza, em meio a essa apresentação, adjetivos e advérbios que apontam para uma ironia com relação ao produto e à revista: “PEDANTES”, “NA HORA”, “delicadamente”, “sensual”, “balaco-baco”. Nelas, podemos perceber, em sua relação com o todo do enunciado, um acento de valor voltado para a crítica aos próprios anúncios publicitários que são “PEDANTES”, porque atribuem nomes complexos aos produtos; a segunda expressão, por sua vez, ironiza a promessa de instantaneidade da eficácia do produto apresentada nesses anúncios. As demais expressões ironizam as palavras escolhidas pelos publicitários para anunciar o produto, palavras amenas e chamativas que tentam aliviar o violento caráter de urgência e as formas de pedantismos existentes nos anúncios. Por meio da ironia, percebemos também que, ainda neste parágrafo, o estilo utilizado pelo diarista também ganha forma de anúncio, proporcionando uma espécie de propaganda e crítica do produto ao mesmo tempo.
Vemos ainda que as duas primeiras expressões que colocamos em evidência, encontram-se em caixa alta, juntamente com a expressão “NAQUELES”, recurso que permite o destaque e que aponta para uma possível intenção do autor de direcionar a atenção do leitor para elas. Esse destaque utilizado justamente nessas expressões confirmam a crítica a qual apontamos, além de simbolizar certa surpresa e desconfiança de que o produto realmente sirva para o que se propõe. Ainda nesse parágrafo, percebemos mais um destaque que consiste na utilização da cor vermelha em um trecho considerável de uma das frases. A escolha da cor supõe uma relação com o sangue da menstruação, já que a frase refere-se às propagandas de absorvente e, consequentemente, ao período menstrual da mulher.
No segundo parágrafo, a crítica é mais explícita. O diarista desmascara as afirmações de texto analisado, desqualifica o produto, argumentando que, segundo as informações oferecidas pelo anúncio, não há como o produto ser eficaz. Por essa razão, inserimos este enunciado no grupo da Polêmica aberta, categoria Choque dialógico, pois a oposição com relação ao discurso da revista para vender o produto está explícita desde o início da análise.
É interessante constatarmos que esses modeladores são direcionados tanto para mulheres magras, como para mulheres gordas, pois, sua intenção é proporcionar uma modelagem do corpo que, em muitas mulheres, não é natural. Inclusive, na própria descrição do texto da revista, feita pelo aluno, consta sobre o produto: “ele reduz a barriguinha, afina a cintura, dá uma levantada no bumbum, modela as coxas e muito mais”. Porém, o aluno associa imediatamente o produto a mulheres gordas e, além disso, demonstra em sua escrita, uma depreciação a essa característica física, ao utilizar expressões fortes como “gordinha”, “aquela chupetinha de baleia”, “gordona”.
Na lógica do aluno, se o produto é feito para “gordinhas” e elas não poderão utilizá-lo, tendo em vista que o modelador não se ajustará adequadamente ao corpo dessas mulheres. Então, o produto é inútil. O que a revista faz, nesse sentido, é tentar vender o produto, produzindo uma imagem que não condiz com a realidade: mulheres magras utilizando o modelador.
A generalização que escapa do enunciado permite a leitura de que toda mulher considerada gorda intenciona esconder sua gordura, ou seja, que sua gordura é uma parte do corpo que deve ser escondida. Porém, essa tentativa é inútil, porque a “banha”, mesmo escondida, ainda estará lá. Isso significa que, para o diarista, ser gorda representa um problema que só pode ser resolvido com o emagrecimento. Mas também pode significar uma negação das estratégias femininas artificiais, que escondem a realidade do corpo feminino.
Ainda sobre o que pensa acerca das mulheres gordas, o aluno desconsidera que apresentar obesidade mórbida inclui ser gordo, mas ser gordo não necessariamente implica em obesidade mórbida. Para ele, as duas coisas são equivalentes.
O que percebemos é que essas vozes que emergem do enunciado, que ditam como uma mulher deve apresentar-se, parecem desconsiderar o fato
de que existe um grupo de mulheres que, mesmo admitindo serem gordas, estão felizes com o seu corpo e que, por isso, não veem a necessidade de esconder o excesso de gordura. De forma velada, o aluno, em sua análise, afirma que mulheres gordas precisam emagrecer, pois têm vergonha de seu corpo. As duas vozes, uma que nega a utilidade do produto e a outra que dita sobre o corpo feminino, estão entrelaçadas, uma vez que o autor afirma que só quem precisa esconder gorduras deve usar o produto. Mas, se o produto não cabe nessas mulheres, ele não tem utilidade e, portanto, não deve estar à venda.