A CAT 9 FATE 2 GUARD 3 PILGIMAGES 5 MOON 7 DARK NIGHT 8 REMEMBRANC E 1 SPRING 6 MIRROR- DREAM (Figura 16)
231 Segundo um livro chinês mais antigo, mais curioso e mais misterioso do mundo, Yih King ou I Ching (Livro das Mutações), o
Imperador Yü caminhava ao longo do rio Lo, onde ele viu o quadrado mágico na carapaça de uma tartaruga sagrada. Este quadrado é chamado diagrama do rio Lo ou Lo Shu.
A outra versão da história de "Lo Shu". Nos tempos da China Antiga houve uma grande inundação. A população decidiu oferecer algum sacrifício ao Deus do Rio Lo para acalmar a sua raiva e cada vez uma tartaruga vinha do rio e caminhava em torno do sacrifício. O Deus do Rio não aceitava o sacrifício até que uma criança reparou numa imagem na carapaça de tartaruga, assim alcançaram a quantidade correta do sacrifício para atingir o número quinze. “Lo” é o nome de um rio e "Shu" significa "livro".
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No Sul, Norte, Leste e Oeste são posicionadas as cenas relacionadas com o próprio diário, essas cenas relatam os acontecimentos na vida da Filha de Takasue:
SPRING – a morte da sua ama,
FATE – o destino final, abandonada na solidão após a morte do marido.
PILGRIMAGES – as lamentações do pai por causa da sua nomeação para uma província distante, preocupações da mãe por causa de peregrinação.
DARK NIGHT – o serviço na Corte Imperial como dama de companhia e primeiro encontro com um homem, que lhe tocou no coração.
Nos cantos do quadrado (Sueste, Nordeste, Sudoeste e Noroeste) são posicionadas as cenas relacionadas com o mundo dos sonhos:
GUARD – a lenda sobre o destino, narrada como um conto de fadas.
DREAM WITH A CAT – o sonho da irmã adoecida com a gata, reencarnada na forma de Conselheiro; a morte da gata durante um incêndio e a morte da irmã.
MIRROR-DREAM – o sonho dum monge budista, que relata o destino da Lady Sarashina. REMEMBRANCE – as memorias dum encontro na noite chuvosa onde se imaginava o amor.
Em soma cada um dos lados da ópera corresponde ao número 20 (vinte), sendo que, cada grupo de cinco corresponde às quatro Luas (quatro estações do ano, quatro cantores na ópera).
Os textos das cenas 1, 2, 3 e 4, embora não sigam a sequência cronológica do diário, estão ligados ao tempo da família e da juventude. As cenas 6, 7, 8 e 9 relatam acontecimentos que antecedem e sucedem o casamento. A quinta cena, posicionada no centro, relata a imagem da lua, que está presente em todos os momentos da vida da Lady.
6.3.9 Problemática da Redução da Ópera Lady Sarashina
Como foi referido anteriormente, a redução para piano é utilizada, na maioria dos casos, para os ensaios de produção da ópera. A redução para piano é utilizada pela maioria dos
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intervenientes: os cantores, o coro, o maestro, o pianista – acompanhador (correpetidor), o encenador e mesmo o diretor do palco, os profissionais envolvidos no estudo prévio do material musical e no processo de encenação. Na partitura de redução são mencionados as partes vocais de todos os intervenientes com o acompanhamento do piano, salvaguardando todas as indicações da partitura original. A redução para piano também poderá servir para execução em concerto de uma parte de ópera (por exemplo: ária, dueto, trio, cena na sua integra etc.), ainda utilizada no processo educativo, servir para o conhecimento geral ou apenas para demonstração de obra musical.
O processo de redução da ópera deve ter em consideração os fatores mencionados nas outras especificidades (primeira e segunda), porém, dada a sua especificidade, deve ter sempre em conta os aspetos da futura encenação da mesma. Um dos aspetos fundamentais é a execução do material musical pelos intervenientes envolvidos no palco: os cantores, os narradores, etc. sendo, pois, necessária a realização de processo de memorização do material a utilizar em palco.
A redução é um suporte importante para este processo. As indicações na redução para piano podem traduzir em erro o próprio pianista acompanhador e como consequência, o cantor. O processo de redução, em todas as especificidades, carece um estudo detalhado e conhecimento profundo da partitura.
6.3.10 Problemas e soluções na redução da ópera Lady
Sarashina
O processo de redução da ópera é muito complexo, devido aos diversos aspetos inerentes a todas as reduções, inclui várias problemáticas enunciadas nos capítulos anteriores. Um dos aspetos importantes para a redução da ópera incide sobre a possibilidade de incluir as partes vocais na execução ao piano pelo pianista-acompanhador. Essa questão é aplicada a todas as obras incluídas na terceira especificidade. Ao longo do período dos ensaios da ópera, o pianista- acompanhador ajuda aos cantores no processo da aprendizagem. Por essa razão, existe, frequentemente, a necessidade de tocar as partes vocais no piano, especialmente nos momentos quando o cantor possui dificuldades rítmicas e de afinação. Por vezes, as partes dos cantores são duplicadas na textura de orquestra, mas nem sempre. Na realização de redução tomamos em consideração a problemática enunciada, sempre quando é possível procuramos as soluções na
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textura de orquestra que, de alguma forma, ajudam o pianista – acompanhador na realização desta tarefa. Procuramos, igualmente, solucionar essa problemática no caso da ópera Lady
Sarashina, apresentada na presente investigação como um exemplo da terceira especificidade.
O seguinte exemplo pretende demonstrar a solução encontrada para a problemática acima referida. A partitura do piano é realizada em três pentagramas, onde a segunda inclui os instrumentos que duplicam a parte vocal.
(Exemplo 105, compassos 66-68, 3ª cena)
Procuramos a resolver a questão de texturas complexas, através da utilização de três pentagramas, na parte do piano, e com as respetivas indicações de instrumentação. Esta problemática foi solucionada da mesma forma, na redução para piano de Improvisation III do Pierre Boulez.
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(Exemplo 106, compassos 41-43, 1ª cena, SPRING)
Adaptámos o mesmo procedimento nas seguintes cenas de ópera: na primeira cena (SPRING), na terceira cena (PILGRIMAGES) e no final da quarta cena (DREAM WITH A CAT, secção Requiem).
Solucionamos para o naipe da percussão o método de transcrição direta, ou seja, todos os instrumentos de percussão introduzidos na redução para piano foram adaptadas para escrita com a afinação exata, utilizando para o efeito a notação atual pianisticamente adequada e sempre com as indicações da instrumentação. Apresentamos alguns exemplos para demonstrar as soluções encontradas:
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O Tambor de aço (Steel Drum) na quarta cena (DREAM WITH A CAT):
(Exemplo 108)
Rin e Keisu232 na sexta cena (MIRROR-DREAM):
(Exemplo 109)
A Caixa e os Pratos no início da sétima cena (DARK NIGHT):
(Exemplo 110)
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A Caixa e o Bombo na sétima cena (DARK NIGHT):
(Exemplo 111)
Além dos exemplos acima mencionados, a partitura possui ainda a introdução de meios eletroacústicos, nomeadamente um CD pré-gravado com os efeitos sonoros. Nem todos os efeitos são possíveis de reduzir, mas é importante mencioná-las na redução para piano.
Transcrevemos o efeito sonoro de Bambu com a notação exata para facilitar a execução do mesmo:
(Exemplo 112, Peter Eötvös, ópera Lady Sarashina, 4ª cena)
Os efeitos sonoros Door Open e Fire (cena quatro, DREAM WITH A CAT, Requiem) não são possíveis de reduzir, do ponto de vista da escrita pianística, mas podemos solucionar a execução das mesmas da seguinte forma.
Door open; bater, rapidamente, com a tampa do teclado ao fechar e abrir sem tirar o pedal
direita. Fire; bater uma vez o pedal direito, até ao fundo, de modo a produzir o som através da vibração das cordas do piano e, de seguida, equilibrá-lo através dos movimentos rápidos com a utilização de meio-pedal para cima e para baixo, sem deixar de abafar o som.
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No início da ópera existe uma intervenção da faixa do CD com o som dos sinos, a imitar o movimento do objeto da escrita manual, igualmente repetida no fim do Epilogo. Neste caso, a redução e incorporação da parte do CD para parte do piano não é viável, por razões logísticas e devido à possibilidade de utilização do próprio CD nos ensaios. Optámos por reduzir parte da orquestra e mencionar os pentagramas do CD.
(Exemplo 113, Peter Eötvös, ópera Lady Sarashina, Ouverture)
Apesar dos aspetos acima mencionados e no caso de ausência do CD, solucionámos a execução deste efeito no interior do piano, nomeadamente, através de glissandi com a mão esquerda sobre as cordas do piano, enquanto a mão direita continua a tocar a sua parte no teclado.
Enunciamos alguns problemas específicos encontrados ao longo do processo de redução e, dificilmente, realizados no piano:
1. a distância entre os instrumentos ultrapassa as possibilidades técnicas pianísticas. Na instrumentação, existem alguns acordes e blocos sonoros de grande amplitude, estendidos em todo o teclado. Nestes casos, parte do conteúdo foi retirada ou rescrita com a indicação do arpejo.
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(Exemplo 114, Peter Eötvös, ópera Lady Sarashina, 6ª cena)
2. os efeitos especiais, na parte do naipe de cordas friccionadas, nomeadamente diversos tipos de glissando, por exemplo, de uma nota para a outra. Quando glissando surge em várias vozes, adotámos a seguinte transcrição:
(Exemplo 115, Peter Eötvös, ópera Lady Sarashina, 7ª cena)
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(Exemplo 116, Peter Eötvös, ópera Lady Sarashina, 7ª cena)
4. a transcrição, quase exata de tremolo, existente no naipe de cordas friccionadas para a parte do piano, nem sempre é a solução adequada. A indicação de dinâmica
pianíssimo no tremolo das cordas, será inevitavelmente mais forte na sua
interpretação ao piano, sobretudo, na repetição do mesmo tremolo durante alguns compassos consecutivos. Neste caso, optámos por transformar o respetivo tremolo em acorde, por vezes repetido, quando a duração do mesmo é demasiado longa. A importância é dada ao campo sonoro e não ao meio de execução.
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5. o efeito frulato, nos instrumentos de sopro, possui duas opções essenciais de transcrição para piano: a primeira demonstra a solução para naipe de Flautas Piccolo (exemplo 118) e a segunda é designada para Trompete solo (exemplo 119):
(Exemplo 118, Peter Eötvös, ópera Lady Sarashina, 3ª cena, Flautas Piccolo)
(Exemplo 119, Peter Eötvös, ópera Lady Sarashina, 7ª cena, Trompete)
6. a afinação aproximada, na parte dos Clarinetes na terceira cena, é solucionada da seguinte forma:
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