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5.2.2.1. Conceitos

Na opinião da VPCE, o conceito de liderança é complexo porque está relacionado com a gestão das pessoas. O PCCE acrescenta que “quanto ao conceito existem diferentes perspetivas”. No que respeita a este fenómeno, Bento (2008) e Castanheira e Costa (2007), salientam que existem diversas interpretações e definições, resultado das diferentes abordagens e das múltiplas perspetivas dos investigadores, ao longo do tempo. Contudo, Fullan (2003), destaca a complexidade deste conceito.

A PCP define liderança como

A capacidade que nós temos de motivar uma equipa, fazer com que eles atinjam determinados objetivos, mas de uma forma em que eles se sintam também realizados e satisfeitos com o trabalho que desempenham. Portanto, no fundo, não sei se se poderá chamar uma arte, mas é a capacidade que cada um tem para liderar equipas e atingir determinados objetivos.

Este conceito enquadra-se na componente da consideração individualizada. Os autores Bass et al. (2003), Avolio et al. (1999), Castanheira e Costa (2007) e Antonakis et al. (2003), declaram que o líder transformacional foca-se em compreender as necessidades, interesses e capacidades de cada seguidor e trabalha continuamente para elevá-los, atuando como um orientador. Assim, o líder ajuda os subordinados a desenvolverem os seus pontos fortes e, por sua vez, estes têm a possibilidade de crescerem profissionalmente e se autorrealizarem. De modo a reforçar estas ideias, abordamos o estilo coaching ou conselheiro de Goleman (2015). Neste estilo, os líderes também ajudam as pessoas a identificar os seus pontos fortes e fracos, relacionando as aspirações pessoais com os objetivos organizacionais. Em suma, estes líderes desenvolvem as pessoas para o futuro, apostam na aprendizagem e no crescimento.

O PCEx corrobora este ponto de vista e acrescenta:

Eu acredito numa liderança onde se consiga rentabilizar as mais-valias que a escola tem, os colegas que nós temos, que são pró-ativos e dinâmicos. É importante valorizá-los e abrir-lhes as portas para aquilo que eles gostam de fazer e às oportunidades que podemos ter, porque, desta forma, está a escola a ganhar.

Estas perspetivas vão ao encontro das ideias de Fullan (2003), quando diz que a liderança assegura que cada membro da escola seja capaz de desenvolver as suas funções de forma satisfatória e, assim, produzir os resultados pretendidos. A fim de reforçar as ideias anteriores, McBeath (2011, cit. por Bolívar, 2012), afirma que as escolas devem ser capazes de detetar as oportunidades que se apresentam para a liderança e que se encontram dispersas pela comunidade escolar.

A liderança, para a representante dos alunos, “é organização, é saber orientar um grupo”. Este aspeto foi, igualmente, enfatizado pelo representante do Club Sport Marítimo, quando cita que a liderança “é organização, principalmente”. Do mesmo modo, a representante da Autarquia defende que “para haver liderança é preciso alguém que saiba orientar os outros, para atender aos objetivos ou à missão que, neste caso, a escola ou a instituição se propôs”. Estas citações são congruentes com o discurso de Bento e Ribeiro (2013), ao referirem que “liderar é a capacidade de influenciar outros de modo a que atinjam os objetivos definidos de uma maneira voluntária e consciente”. Esta noção é considerada por Sergiovanni (2004a), como um processo que leva uma equipa a operar segundo os objetivos do líder ou propósitos partilhados.

O representante dos Encarregados de Educação aponta que a liderança é subjetiva e precisa de um grupo de trabalho para atuar eficazmente, motivo pelo qual “é preciso haver uma entreajuda entre todos os elementos, para que essa liderança seja positiva e se torne eficaz”. Destaca que este conceito está relacionado com o acompanhar, orientar, desenvolver e ajudar. De acordo com Silva (2010), a liderança não pode basear-se apenas na personalidade do líder, embora esta seja um elemento importante. O contexto e os seguidores são elementos cujo estudo é essencial para a compreensão do processo de liderança. Estes foram, também, aspetos evidenciados pelos autores Rego e Cunha (2004), que acreditam que a liderança é um processo de influência bidirecional, pois assume duas direções, ou seja, neste processo não é só o líder que influencia os liderados, estes também influenciam o comportamento do líder. Também Bolívar (2012) partilha a mesma perspetiva, afirmando que a liderança não depende unicamente de uma pessoa, mas da divisão e partilha de poderes, através de uma ação coordenada entre todos os intervenientes.

Tanto a representante da Autarquia como o representante do Club Sport Marítimo referem que a liderança da EBSGZ é eficaz. Fullan (2003) entende por liderança eficaz uma liderança que esteja apta para transformar as escolas em comunidades de aprendizagem, onde a colegialidade e a colaboração entre docentes e comunidade educativa determinem um aperfeiçoamento constante. De acordo com Sergiovanni (2004a), uma liderança eficaz

consegue melhorar as escolas, aumentando a qualidade do ensino, dos serviços prestados à comunidade e promovendo o sucesso escolar dos alunos. A representante da Autarquia confirma, alegando que a escola tenta transmitir sempre uma imagem positiva e dinâmica. Acrescenta que, pelo que vai acompanhando nas reuniões e vê através dos meios de comunicação, pode afirmar que esta “é uma escola que tenta envolver-se em muitos projetos com a comunidade, também para que os alunos tenham oportunidades diferentes”. Do mesmo modo, o representante do Club Sport Marítimo observa que a EBSGZ tem problemas, mas sabe ministrar bem os instrumentos no sentido de canalizar e orientar os alunos, com o propósito de combater todas essas dificuldades.

A VPCE destaca o tema da liderança participativa, considerando que “uma escola pelas características que tem, não pode ser de outra maneira”. Sob o mesmo ponto de vista, a PCP menciona que quando há algum assunto a tratar ou alguma decisão a tomar, “são sempre ouvidos os nossos colegas”. Além disso, confirma que “na nossa escola trabalhamos em parceria, o Conselho Executivo, o Conselho Pedagógico e o Conselho da Comunidade Educativa”. Este tópico foi abordado pelos autores Bush e Glover (2003), designadamente quando argumentam que neste tipo de liderança todos os elementos constituintes da escola participam democraticamente nas tomadas de decisão e no processo de melhoria da escola.

Quanto às lideranças intermédias, a PCP reconhece que todos os profissionais da escola estão a trabalhar para a excelência, e muito se deve às lideranças, não apenas às lideranças de topo, mas também à gestão intermédia. Acrescenta ainda que “nós damos muito valor aos nossos colegas da gestão intermédia, nomeadamente os delegados, diretores de turma, diretores de curso e coordenadores de departamento”. Em conformidade com esta opinião, Costa (2003a) referencia que devemos valorizar não só as lideranças de topo, relativas aos órgãos de direção da escola, como também o papel imprescindível das lideranças intermédias. Deste modo, o Decreto Legislativo Regional n.º 21/2006/M, de 21 de junho, consolida a constituição das estruturas de gestão intermédia nas escolas.

Relativamente a este propósito, a PCP afirma:

Acredito que cada um de nós, enquanto professor, também somos um líder dentro da sala de aula, nós lideramos um grupo de alunos e o nosso estilo de liderança influencia as pessoas que estão à nossa volta, no fundo, a nossa equipa digamos assim, porque nós também formamos uma equipa com os nossos alunos.

Em concordância com esta perspetiva, Sanches (2000, cit. por Bento & Ribeiro, 2013) argumenta que o papel do professor, como agente educativo, terá de responder às novas exigências, impostas pelo contexto social e político, e assumir novos contornos. Por este prisma, Bento e Ribeiro (2013) deduzem “que um dos papéis do professor será, necessariamente, o de líder” (p. 25). Nesta lógica, Goleman et al. (2011) argumenta:

Numa organização, há muitos líderes, não apenas um. A liderança está distribuída. Não está apenas no indivíduo que detém a posição cimeira, mas reparte-se por todas as pessoas de todos os níveis que, de uma forma ou de outra, funcionam como líderes de um grupo de seguidores (p. 14).

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