• Aucun résultat trouvé

DIFFÉRENTS TYPES DE CROISSANCE

Dans le document Bulletin de la Régionale Lorraine APMEP (Page 29-32)

Apresentamos, a partir desse momento, o mapa da construção dos dados para a investigação do percurso-formativo dos professores das IES no Brasil e na França. Para isso descrevemos todo o processo que envolve a caracterização dos participantes, as modalidades de contato com os sujeitos para o agendamento das entrevistas, a criação do roteiro de entrevista, a entrevista propriamente dita e a transcrição das entrevistas. São, portanto, as etapas que antecedem o tratamento, a análise e a compreensão-discussão dos dados construídos, aspectos esses abordados posteriormente. Iniciamos a próxima seção com a descrição do perfil dos entrevistados, em outras palavras, a caracterização dos participantes desse estudo.

3.2.1.1. Caracterização dos participantes

Antes de caracterizar os participantes dessa pesquisa, julgamos necessário entender o que seja efetivamente uma amostra. Inspirado pela compreensão de Pires (1997), podemos dizer que o termo amostra expressa de um lado, de forma mais ampla, o resultado de uma abordagem que visa estabelecer uma parte do todo, e de outro lado, de modo mais restrito, designa o resultado de uma operação independente, cujo propósito é estabelecer o corpus empírico de uma pesquisa19. Na visão de Richardson et al. (1999), objetivamente, a amostra é uma parte do universo ou população estudada. Desse modo, no presente estudo, consideramos como amostra os participantes incluídos na investigação do percurso-formativo de professores sobre o prisma transpessoal. Isso porque a amostra é a base estrutural fornecedora dos dados empíricos da pesquisa, constituída nesse caso pelos sujeitos-participantes do estudo.

As amostras estão relacionadas aos tipos de dados construídos e podem ser categorizadas de diversas formas. Comungamos com a classificação de Pires (1997), quando defende que os dados quantitativos, representados predominantemente pelos números, são obtidos por meio de amostragens probabilísticas ou não probabilísticas. O primeiro tipo de amostragem (probabilísticas) é estabelecido pelos critérios que determinam a escolha dos participantes. Esses critérios podem ser acidental, intencional, por cotas, escolha racional ou bola de neve. Já o segundo tipo (não probabilísticas) diz respeito à condição de que todos os participantes possuem a mesma probabilidade de serem selecionados. Esse tipo de amostra é

19 Le mot « échantillon » peut prendre une double signification. Au sens strict ou opérationnel, il désigne exclusivement le résultat d'une démarche visant à prélever une partie d'un tout bien déterminé; au sens large, il désigne le résultat de n'importe quelle opération visant à constituer le corpus empirique d'une recherche.

subdividido em função de suas especificidades, denominados como: aleatória simples, sistemática, estratificada, em grappes e aréolaire. Para Creswel (2010), na coleta de dados quantitativos, é frequentemente utilizada a amostragem aleatória, uma vez que cada participante tem a mesma probabilidade de ser escolhido e o resultado amostral pode ser generalizado para o universo pesquisado.

Já os dados qualitativos são caracterizados primordialmente pelos textos e pelas imagens. Eles são construídos a partir de amostragens de um caso único e de múltiplos casos (multi-caso). O primeiro grupo de amostragem (caso único) é composto por amostras de autor, de meio institucional ou geográfico, eventual (événementiel). Por sua vez, o segundo (múltiplos casos) é um tipo de agrupamento que pode ter amostras por contraste, homogeneização, contraste-aprofundado, contraste-saturação, enquete do caso negativo (PIRES, 1997). No pensamento de Creswell (2010), para a construção de dados de natureza qualitativa, são empregadas frequentemente amostras intencionais, uma vez que os participantes são escolhidos pela ligação ao fenômeno estudado. Para Deslandes (2012), as pesquisas qualitativas não devem se apoiar sobre uma concepção de amostragem e sim em um processo de inclusão progressiva de sujeitos até a saturação das respostas por eles apresentadas. Ela afirma que “Isto se deve ao fato que o ‘universo’ em questão não são os sujeitos em si, mas as suas representações, conhecimentos, práticas, comportamentos e atitudes” (DESLANDES, 2012, p. 48).

Tomando como referência a classificação de Pires (1997), definimos nossa amostra como múltiplos casos, uma vez que trabalhamos com dois grupos de professores, um brasileiro e outro francês, que foram convidados a participar voluntariamente, liberando a autorização prévia da utilização dos relatos para essa pesquisa. Escolhemos, por um critério de diversificação-saturação, cinco professores de IES para compor cada grupo, perfazendo assim um total de dez participantes nessa investigação. Esse número assegurou o conjunto de dados necessários para as devidas análises e interpretações, tratando-se, portanto, de uma amostragem tipo contraste-saturação, reforçando também o critério de saturação indicado por Deslandes (2012). Podemos ainda destacar que essa amostra selecionada atende ao propósito intencional apontado por Creswell (2010), uma vez que os professores escolhidos têm larga experiência com o fenômeno investigado, ou seja, eles têm algum tipo de experiência formativa relativa à psicologia transpessoal e/ou à espiritualidade.

Em linhas gerais, podemos afirmar que os participantes desta pesquisa foram selecionados intencionalmente até atingir o critério de saturação das respostas apresentadas. Do grupo brasileiro, temos três professores (gênero masculino) e duas professoras (gênero feminino). Todos são casados, pertencem à faixa etária, aproximadamente, de 40 a 65 anos,

oriundos das regiões nordeste (1), sudeste (3) e sul (1) do Brasil. Eles têm formação de base em filosofia (1), medicina (2) e psicologia (2), e doutorado nas áreas de educação (2), filosofia (1), saúde (1) e sociologia (1). O grupo francês é composto por quatro professores (gênero masculino) e uma professora (gênero feminino). Desses participantes, dois são casados, um solteiro e dois separados; pertencem à faixa etária, aproximadamente, de 37 a 85 anos, oriundos de Paris, na França. Eles têm formação de base em ciências da informação (1), educação (1), filosofia (2) e psicologia (1), com doutorado nas áreas de antropologia (1), educação (2), filosofia (3), psicologia (1), teologia (1). Há participantes franceses com mais de um doutorado.

3.2.1.2. Acesso ao campo da pesquisa

Esta seção tem como objetivo descrever as modalidades de contatos realizados com os participantes para o agendamento das entrevistas, isto é, a autorização para acessar o campo e realizar a pesquisa. Como obter acesso ao campo é algo tão relevante durante o processo de pesquisa que Bogdan e Biklen (1994) dedicam um capítulo específico para tratar desse assunto no livro “investigação qualitativa em educação”. Tais autores sugerem uma abordagem objetiva, e que o pesquisador exponha seus objetivos, solicitando de forma clara e ética a participação dos sujeitos para a construção dos dados. Destacam ainda o desafio, por vezes, que é obter esse acesso e por isso mesmo oferecem três conselhos para os pesquisadores: a persistência, a flexibilidade e a criatividade. Essas recomendações foram essenciais para a negociação com alguns dos sujeitos-participantes desse trabalho e o consequente agendamento das entrevistas.

Utilizamos como principal meio para acessar os sujeitos-participantes dessa investigação o correio eletrônico - email. Em relação ao grupo brasileiro, com exceção de um participante, os demais foram abordados, via email, para verificar a possibilidade de concederem uma entrevista para construção de dados dessa tese. A exceção foi o último sujeito, que decidimos incluir em função do critério de diversificação-saturação da amostra. Ele foi contatado durante um congresso internacional de psicologia transpessoal, quando solicitamos sua cooperação para o estudo, com a entrevista, e o mesmo gentilmente aceitou participar. Já em relação ao grupo francês, a maioria dos participantes (três) foram interpelados por meio eletrônico, email. Os outros dois foram abordados durante eventos (colóquio e seminário) que discutiam temáticas correlacionadas ao presente trabalho.

É importante destacar que o acesso a todos esses renomados professores-pesquisadores foi fácil e a negociação para o agendamento de data, horário, local, tempo de duração e meio

de registro foi tranquila, superando as expectativas. Tivemos uma dificuldade com um dos professores franceses que após concordar com a entrevista, voltou atrás, recusando-se a participar.

Pela nossa percepção, o motivo da recusa era o fato de solicitarmos o registro da entrevista em vídeo, assegurando uma possível análise das imagens também. No entanto, face a essa dificuldade percebida, readequamos o processo da entrevista e contatamos novamente o professor, destacando a importância da participação dele para o trabalho e solicitando a permissão apenas para o registro em áudio, devido às nossas limitações linguísticas. Para a construção desse email-defesa, contamos com a ajuda de uma professora da Aliança Francesa para estruturar no modelo de comunicação formal francesa todo o sentimento e sofrimento que vivenciávamos naquele momento. Após promovermos essa alteração no processo da construção dos dados e em função da justificativa apresentada, demostrando a relevância de seu depoimento, conseguimos que o professor revisse seu posicionamento e voltasse a participar da entrevista.

Outra situação que é importante mencionar diz respeito a outro participante francês que, pelo tempo disponível, preferiu realizar a entrevista por email. São experiências como essas duas que evidenciam a necessidade de seguirmos os conselhos de Bogdan e Biklen (1994) – ser paciente, flexível e criativo durante a investigação.

Uma vez definido o perfil dos entrevistados, contatado-os e agendadas as entrevistas, precisávamos estabelecer um roteiro mínimo para a condução desses encontros. Esse roteiro de entrevista será, portanto, o tema da próxima seção.

3.2.1.3 Roteiro de entrevista

Destacamos de início que nosso intuito, enquanto uma pesquisa de inspiração fenomenológica, era ter apenas uma pergunta de “disparo”, norteadora, que possibilitasse ao sujeito falar livremente de e sobre seu percurso-formativo existencial. Estávamos a essa época diretamente envolvidos com as entrevistas de natureza fenomenológica compreensiva que demandam uma atitude fenomenológica essencial para assegurar a construção dos dados, que viabilizem posteriormente a análise e a discussão assertivas dos achados. Nesse sentido “[...] é a Entrevista Fenomenológica Compreensiva composta de uma questão norteadora para investigação individual das vivências de um fenômeno situado. Busca-se desvelar os significados e os sentidos atribuídos pelos colaboradores que serão entrevistados” (BORGES; PIRES, 2010, p. 3).

Do nosso ponto de vista, assumir essa concepção de entrevista era um risco muito alto já que existiam algumas variáveis que impactavam nessa tomada de decisão como o domínio linguístico e cultural francês e a forte influência do paradigma pós-positivista seja pela herança formativa (engenheiro, mestrado em administração), seja pela influência que esse paradigma ainda exerce na academia francesa. Desse modo, adequamos o escopo inicial da entrevista.

Passamos então a rever o processo de condução da entrevista, revisitando o conceito desse instrumento de pesquisa. A entrevista, para Minayo (2000, p. 99), “visa a apreender o ponto de vista dos atores sociais previstos nos objetivos da pesquisa [...] Instrumento para orientar uma conversa com finalidade”. Nesse aspecto, precisamos estabelecer e assegurar os meios para instrumentalizar cada entrevista já que é uma conversa entre duas ou mais pessoas com um propósito específico em mente. Percebemos, assim, que a entrevista é um encontro que reúne pessoas em torno de um objeto de pesquisa, e por isso essa conversa, enquanto instrumento de pesquisa, carece de uma preparação e de um esquema norteador, configurado pelo roteiro de pesquisa.

Essa foi uma das grandes contribuições dos orientadores dessa investigação, quando problematizaram e ajudaram a reestruturação do processo-condução das entrevistas no Brasil e na França. Elaboramos o roteiro de entrevista (anexos C e D) a seis mãos, organizando o encontro em três momentos. O primeiro momento, o ponto de partida, devia ser iniciado com o agradecimento ao participante pela concessão da entrevista; em seguida, o pesquisador explicava o objetivo do trabalho e solicitava formalmente o consentimento para gravação em áudio e vídeo (apenas os participantes brasileiros). Nesse instante era apresentado e assinado o termo de consentimento livre (anexos A e B) para então começar a entrevista. O segundo momento consistia no desenvolvimento da entrevista propriamente dito. Começava com uma questão norteadora, voltada para o percurso de vida do participante, e em seguida outras questões foram acrescentadas mediante as categorias sob estudo. A última etapa consistia numa questão-resumo do encontro, da entrevista, da experiência vivida. Essa etapa, à guisa de uma “conclusão”, visava levar o participante a se dar conta de si, ali, naquele espaço-tempo, mesmo remetendo-se a um passado que não passou e a um futuro vir-a-ser, ao menos, no discurso apresentado.

De uma certa forma, com o formato e a condução desse roteiro, buscamos dar conta de uma entrevista de inspiração fenomenológica pautada pela atitude fenomenológica (SEVERINO, 2013)20. Nossa ideia inicial foi adaptada, metodologicamente, mas nossa

20 A atitude fenomenológica faz com que o método investigativo sob sua inspiração aplique algumas regras negativas e outras positivas. Negativamente, trata-se de excluir ou suspender, a colocar entre parênteses, toda

intenção e inspiração fenomenológica continuou presente já que está enraizada nos pressupostos ontológico e epistemológico dessa investigação. E essa atitude pode ser melhor observada na próxima seção que tratará sobre “a entrevista”.

3.2.1.4 A entrevista

Os encontros realizados com os professores participantes desta investigação, quando da condução das entrevistas, foram desenvolvidos em três etapas, seguindo o roteiro previamente elaborado. Na primeira etapa, a introdutória, fizemos uma breve exposição sobre a pesquisa, indicando a temática, os objetivos e os orientadores do estudo, em seguida agradecemos a disponibilidade do participante e estabelecemos os acordos éticos, assegurando o anonimato do entrevistado. Na segunda fase, o desenvolvimento, conduzimos a entrevista semiestruturada, ou seja, lançamos algumas questões para reflexão e discussão do sujeito, visando criar uma conversa inspirada no método fenomenológico. Por fim, o último momento, à guisa de conclusão, fechamos essa atividade, solicitando ao participante para resumir aquela experiência, entrevista, apresentando as suas considerações finais.

O nome “entrevista”, segundo Richardson et al. (1999), carrega em si dois termos: entre e vista. A palavra “entre” exprime a ideia de relação, intervalo, reciprocidade, separação que envolve pessoas, animais, objetos ou coisas. Já o vernáculo “vista” designa o ato ou efeito de ver. Assim concluem que “o termo entrevista refere-se ao ato de perceber realizado entre duas pessoas” (RICHARDSON et al., 1999, p. 208). Revisitando o processo de construção dessa definição, propomos outra interpretação para o nome entrevista. Entendemos que esse termo explicita uma relação que envolve duas pessoas no ato ou efeito de ver (perceber) um fenômeno e todas as partes integradas e interessadas nesse fenômeno, isto é, o ato ou efeito de ver o outro (objeto) e a si (sujeito).

O termo entrevista tem dois sentidos, segundo Minayo (2012). De um lado, a perspectiva mais abrangente de comunicação verbal. Do outro lado, o entendimento mais específico de levantamento de informações relacionado a uma categoria de estudo. Em ambos os casos, a entrevista é uma comunicação verbal que se constitui de forma bilateral (RICHARDSON et al., 1999). Isto implica dizer que podemos estabelecer diversos tipos de entrevista, de acordo com os objetivos a alcançar e as fases de um projeto-atividade.

influência subjetiva, psicológica, toda teoria prévia sobre o objeto bem como toda afirmação da tradição, inclusive aquela da própria ciência; positivamente, trata-se de ver todo o dado e de descrever o objeto, analisando-o em toda sua complexidade (SEVERINO, 2013, p. 114-115).

Aqui, concentramo-nos nas entrevistas realizadas em pesquisas, predominantemente qualitativas, embora o presente estudo tenha um caráter multimétodo. Damos uma ênfase nesse caso à natureza qualitativa graças ao motivo-fim que essa atividade conduz. Consideramos a entrevista como um instrumento de pesquisa que possibilita a investigação de um fenômeno, empregando algum tipo de estruturação-organização. Ou, como afirma Minayo (2012, p. 64), “As entrevistas podem ser consideradas conversas com finalidade e se caracterizam pela sua forma de organização”. Por meio desse instrumento podemos abordar as categorias estudadas, problematizar as perspectivas defendidas pelos entrevistados, aprofundar as questões levantadas durante estudos preliminares ou, simplesmente, ouvir atentamente (com todos os sentidos abertos), o participante discorrer sobre seu percurso existencial e suas experiências (conquistas e insucessos).

Partimos do princípio que as entrevistas de natureza qualitativa demandam um nível de estruturação, variando daquelas que são muito abertas (não estruturadas) até aquelas totalmente dirigidas pelo pesquisador (estruturadas). As entrevistas semiestruturadas encontram-se nesse intervalo entre os extremos apontados pelas outras duas modalidades de entrevistas citadas, cujos dados obtidos facilitam a comparação do posicionamento entre vários sujeitos, mesmo que não se possa explorar o modo como os próprios entrevistados estruturam o tema abordado (BOGDAN; BIKLEN, 1994).

Quando optamos pela entrevista semiestruturada, nossa intenção foi apreender a compreensão acerca do percurso-formativo dos professores de IESs do Brasil e da França que participaram dessa pesquisa. Essa entrevista foi realizada em cada país, conforme o agendamento prévio e a disponibilidade dos participantes. Um grupo formado pelos professores brasileiros foi entrevistado, cada professor individualmente, entre os dias 05 a 07 de setembro/2015, numa das salas do Resort Stella Maris, local do evento do IX Congresso Internacional de Transpessoal. A última entrevista com um professor brasileiro foi realizada no auditório do Centro de Educação Física da UFRN, sede do evento no dia 15 de outubro de 2016. Já o grupo constituído pelos professores franceses foi entrevistado no período de 30 de outubro/2015 a 23 de setembro/2016. Normalmente os locais foram ambientes de trabalho e/ou de estudo dos sujeitos. Vale a pena ressaltar que um dos participantes esqueceu o dia agendado para a entrevista e quando chegamos para realizá-la, precisamos contatar outras pessoas para localizá-lo. Isso não impediu a condução da entrevista, na data programada, pelo contrário, essa entrevista foi outro “encontro transformador”, vivenciado durante a realização desse trabalho.

Cada entrevista foi conduzida mediante o roteiro descrito anteriormente. Destacamos que as nove questões elaboradas para o desenvolvimento da entrevista foram analisadas

conforme metodologia elaborada por Bicudo (2000, 2011). Ressaltamos, contudo, que em função das condições ambientais e do tempo disponível, algumas dessas perguntas foram remetidas aos participantes em ordens diferentes, ou ainda, descartadas, conforme o desenvolvimento da conversa. Mais uma vez, empregamos os conselhos de Bogdan e Biklen (1994), do ser flexível e criativo para assegurar e adequar o campo de pesquisa, especificamente nesse caso, a entrevista.

No que se refere à não utilização (descarte) de questão do roteiro, temos duas situações que evidenciam essa alteração na condução das entrevistas. A primeira situação de ajuste do processo aconteceu logo após realizarmos as entrevistas do grupo de professores brasileiros, no período de 05 a 07 de setembro/2015. Eliminamos a questão nove (9- Você pode assistir esses vídeos e fazer seus comentários sobre as imagens, sons e palavras que serão apresentadas?), que abordava, de forma mais ampla, o “lugar” da psicologia transpessoal durante a formação dos psicólogos.

Dois motivos justificaram a anulação dessa questão: (1) o elevado tempo dedicado para elaboração de uma resposta a essa pergunta e (2) tal tema era abordado indiretamente por outras questões do roteiro, conforme poderá ser observado nas análises das entrevistas. Explicando melhor o primeiro motivo, percebemos que foi muito alto o tempo desprendido pelos participantes para assistirem ao depoimento de dois mestrandos de psicologia (base cognitiva- comportamental), uma psicanalista, um psicólogo transpessoal e um psicólogo sem abordagem definida, sobre o que tais psicólogos entendiam acerca da psicologia transpessoal. Isso porque tais depoimentos foram registrados em vídeos com tempo de exibição, variando cada vídeo de 17 segundos a 4 minutos. Chegamos então à conclusão de que o tempo disponibilizado para avaliação dos vídeos e apresentação da resposta não compensava a manutenção da questão uma vez que outras perguntas também abordavam, ainda que indiretamente, essa temática. Outro aspecto que corroborou essa decisão foi o fato de que, na França, a psicologia transpessoal é ainda considerada uma terapia alternativa, muito distante do meio acadêmico. Desse modo, mesmo obtendo um depoimento de uma psicóloga francesa, preferimos suprimir essa questão do roteiro e abordar a temática a partir de outras perguntas.

A segunda situação que demandou um ajuste no processo de condução das entrevistas está relacionada à diferença entre o termo transpessoalidade e psicologia transpessoal. Identificamos a necessidade de incluir, para o público francês, uma questão que buscasse entender como os entrevistados franceses se posicionavam frente à diferença entre tais termos proposta por alguns estudiosos. Essa indagação não foi feita aos professores brasileiros porque no Brasil, semelhante aos Estados Unidos, é praticamente consensual entre os profissionais e

pesquisadores dessa área da psicologia que a concepção da transpessoal(idade) como uma perspectiva mais ampla, integradora das dimensões do ser humano, cultural, espiritual, fisiológica, que transita em todos os campos-saberes científicos, retrata melhor o que de fato caracteriza e abrange esse constructo na atualidade.

Buscamos com isso facilitar o processo de entrevista, promovendo um ambiente propício às elaborações, reflexões e respostas, a fim de evitar o cansaço, o desinteresse, a frustração dos participantes. Desse modo, mantivemos com cada participante uma espécie de diálogo descontraído e aberto. Tomamos como base para isso o entendimento de Bogdan e Biklen (1994, p. 136) quando afirmam que “As boas entrevistas caracterizam-se pelo facto de os sujeitos estarem à vontade e falarem livremente sobre seus pontos de vista”.

Com a realização dessa atividade – entrevista – tivemos a intenção de responder a questão: Até que ponto as formações e as experiências transpessoais, no percurso existencial de professores universitários brasileiros e franceses, podem contribuir para a concepção e o desenvolvimento de um processo de formação humana multidimensional? E com isso, buscávamos encontrar pistas para analisar a compreensão de educadores brasileiros e

Dans le document Bulletin de la Régionale Lorraine APMEP (Page 29-32)

Documents relatifs