• Aucun résultat trouvé

Généralité sur le Cloud Computing

JOHN MCCARTHY

6. Types de Cloud

A proposta inicial desse trabalho era fazer estudo de caso do Programa Brasil Afroatitude sobre a ótica dos beneficiários, no entanto, no decorrer da pesquisa encontramos outros achados que complementaram o nosso estudo e que julgamos importante compartilhá- los. Assim, nesse capítulo, iremos apresentar primeiro algumas considerações sobre a execução do Afro-UnB e depois daremos uma pincelada nos achados referentes ao Programa Brasil Afroatitude, na visão dos alunos que foram os representantes nacionais do Programa.

Temos a impressão que nesse momento, ainda é importante relembrar o lugar de fala da pesquisadora, que foi uma dessas assistentes técnicas do Afro-UnB durante todo o processo de consolidação do programa dentro da UnB. Nesse sentido, fomos impelidos a trazer a pesquisadora enquanto sujeito do estudo, junto com as demais assistentes técnicas.

3.1 - Perfil das assistentes técnicas do Afro-UnB em 5 anos

Durante os cinco anos de existência do programa, coincidentemente, o cargo de assistente técnico foi ocupado por mulheres: Adelyany Santos (janeiro de 2005 a dezembro de 2005), Cristiana Luiz (dezembro de 2005 a março de 2009), Aline Costa (março de 2009 a janeiro de 2010) e Andressa Marques (janeiro de 2010 até os dias atuais). Indubitavelmente, essa característica contribuiu de forma determinante para condução e formatação do Afro- UnB, uma vez que a responsabilidade do acompanhamento e da assistência aos alunos era atribuição dessas técnicas. Elas são as vozes interlocutoras de mediação entre os alunos e a coordenação.

Nesse item, iremos discutir um pouco sobre as impressões dessas quatro mulheres a respeito do Afro-UnB. Fizemos um roteiro básico com 4 questões para serem respondidas por

119 elas: perfil, dificuldades profissionais, dificuldades institucionais enfrentadas, impressão geral do programa.

3.1.2 - O perfil das assistentes técnicas e as dificuldades enfrentadas

Esse grupo de mulheres possui algumas características em comum, a saber: jovens, na faixa etária entre 20 e 28 anos; formação profissional na área de humanidades, as duas primeiras em Serviço Social, a terceira em Pedagogia e a atual em Letras. Contudo, uma característica em especial nos chamou a atenção: a pouca experiência profissional. Todas elas ao assumirem o cargo eram recém-formadas, sendo a primeira experiência profissional, logo, gozavam de uma imaturidade técnica. Tal fato se deu em função do contrato, já que esse era feito como estágio técnico, que é um programa da UnB destinado para pessoas recém- formadas.

A pouca experiência dessas mulheres era um obstáculo a ser superado, pois um projeto da envergadura do Programa Brasil Afroatitude-UnB, com uma série de nuances e complexidades, que discute a problemática racial e social em um único lugar, poderia, à primeira vista, exigir profissionais com mais experiência. Contudo, essa inexperiência das técnicas foi sendo amadurecida junto com o programa e isso certamente reverberou na formação, condução e consolidação do Afro-UnB.

Quanto ao pertencimento étnico-racial, as três últimas técnicas se identificaram como negras e apontaram o Afro como sendo um lugar de fortalecimento da identidade negra,como ficou explícito na fala de Andressa Marques:

Negra. Minha identidade racial foi construída a partir do olhar aos pares. Começou com as impressões e conversas com o meu pai que sempre fez questão de trazer a afirmação da identidade negra para dentro de casa. Passei pela adolescência sendo a única negra na maioria dos espaços que freqüentei e a Universidade seria mais um lócus com essas características, se eu não ingressasse no Afroatitude.

Minha inserção num espaço com pessoas da mesma trajetória e o arcabouço teórico que conquistei nesse Projeto foram e são essenciais para o processo contínuo que é a construção da minha identidade negra.

120 A assistente social Adelyany Santos teve dificuldade para responder esse quesito, como percebemos no fragmento da pesquisa transcrito a seguir:

Confesso que ainda tenho dificuldades com a definição da minha identidade racial, pois sempre me percebi parda, mas assim que entrei no Afroatitude fui classificada como branca pelo EnegreSer. Venho de família de negros, descendentes de escravos, e me identifico culturalmente com a população negra. Mas ao mesmo tempo nunca sofri discriminações decorrentes da raça. Ou seja, não sei responder a essa pergunta.

Em seu primeiro ano de funcionamento o Programa Brasil Afroatitude-UnB sofreu uma série desconfianças sobre sua concepção, execução e futuros resultados por parte do EnegreSer e de alguns docentes que trabalhavam com a temática na universidade. Uma das críticas mais ferrenhas foi dirigida à coordenação do programa, por entenderem que essa era composta por não-negros.

A pergunta central era: como um programa para negros não é coordenado por negros? A questão da representatividade e legitimidade do programa era sempre evocada. Entretanto, essa dificuldade foi superada posteriormente na medida em que os resultados do programa foram aparecendo. O diálogo com esses grupos também foi facilitado quando o cargo de assistente técnica foi ocupado por uma mulher negra.

Outra dificuldade enfrentada por essas pessoas, principalmente, no início do programa foi a pouca intimidade com a temática racial como afirmou Adelyany Santos: ―imaturidade com a temática, nunca tinha discutido, estudado, me aproximado das questões raciais‖. Tal fato também ocorreu com a sua sucessora na coordenação do Programa Brasil Afroatitude, Cristiana Luiz, que afirmou (2010):

Inicialmente minha única experiência na temática era de ter nascido negra e vivenciado as dificuldades advindas dessa condição, mas não conhecia a parte teórica que é fundamental para a compressão problemática racial.

Isso demandou um esforço da coordenação para equalizar essa situação, assim, a formação dos alunos e da coordenação ocorreu de forma simultânea. Outro dado relevante é que as duas últimas assistentes técnicas do programa são ex-alunas do Afro-UnB, portanto, são lideranças forjadas no seio do próprio grupo.

121 3.1.3 - Dificuldades institucionais enfrentadas e impressão geral do Programa

Corroborando o que já foi apontado pelos alunos no tópico ―Dificuldades do Afroatitude-UnB‖, a sustentabilidade do projeto foi o maior entrave institucional do programa nesses cinco anos de existência. Essa sustentabilidade muitas vezes se traduziu em falta de apoio institucional para o pleno desenvolvimento do programa. A falta de apoio ainda está presente, mesmo com a universidade assumindo o pagamento das bolsas em 2007, afinal, as necessidades institucionais do programa não podem ser resumidas somente ao pagamento das bolsas, como fica nítido na fala de Andressa Marques:

Desde 2007, nosso Projeto está a cargo da Vice-Reitoria, sem nenhum aumento no número de bolsas oferecidas, sem espaço que comporte esse trabalho, sem recursos destinados ao desenvolvimento das tarefas (se quisermos imprimir uma declaração em papel couché, por exemplo, devemos tirar do próprio bolso). Tudo isso demonstra um certo descompromisso, é a fragilidade de um sistema de Ações Afirmativas ―preocupado‖ com os números de quem entra, sem oferecer uma Universidade que realmente dê conta das especificidades desse segmento.

Atualmente, o programa apresenta dificuldades com o espaço físico, que, por sua vez, tem apresentado um sério problema para o fortalecimento da identidade negra, como percebemos, ainda na entrevista de Andressa Marques:

Hoje temos uma carência muito significativa para a construção diária da identidade do grupo: o espaço. Não comportamos mais 50 bolsistas dentro da sala que sempre fizemos nossas reuniões semanais no Centro de Convivência Negra-CCN, com o aumento da assiduidade dos (as) alunos(as) tivemos que migrar para uma sala maior (na Faculdade de Educação) e percebo essa mudança como uma perda, pois há o esvaziamento do espaço do CCN, além do sentimento de não pertencimento a um espaço de fato, o que é danoso aos(as) alunos(as) que pouco se sentem confortáveis em outros espaços da UnB.

Essa situação reflete a dificuldade que a instituição tem em absorver integralmente o Afro-UnB como um programa da universidade, não oferecendo condições de funcionamento adequado e uma estrutura física que comporte as necessidades do programa.

122 Todas as entrevistadas foram unânimes ao ressaltar que o programa é estratégico para o fortalecimento da política de cotas raciais da UnB, já que acolhe e viabiliza a permanência dos alunos cotistas na universidade, como afirma Adelyany Santos:

Considero o programa uma proposta muito ousada e muito importante para a desconstrução de barreiras raciais e culturais na sociedade. Uma ótima oportunidade para esses estudantes terem contato com atividades de pesquisa e extensão desde o inicio da vida acadêmica, além de proporcionar um espaço de socialização dessa comunidade específica, e um espaço de formação e articulação política. Tendo em vista que a permanência na universidade muitas vezes é comprometida por questões financeiras, o projeto também é um importante auxílio nesse sentido.

O Programa Brasil Afroatitude é uma proposta inovadora de política pública, em que o usuário é o principal protagonista, sendo convocado a deixar uma postura passiva e assumir um papel pró-ativo na execução do programa, além de ter um papel de incubadora para o desenvolvimento de possíveis intelectuais negros.