CHAPITRE 4 DÉVELOPPEMENT ET VALIDATION DU MODÈLE
4.3 Description du modèle
4.3.2 Type de modèle sélectionné
Serra Negra
do Norte Jucurutu
Tenente Laurentino Cruz
FAV. DES. FAV. DES. FAV. DES.
Existência de associação ou cooperativa ambiental
Ações Públicas de gestão ambiental Gasto público com proteção ao meio ambiente
Destinação adequada do lixo Parcerias com outros municípios Ações regulatórias
Gasto público com proteção ao meio ambiente - Os gastos públicos destinados para a
proteção ambiental são menores em Tenente Laurentino Cruz que em relação aos demais municípios. Sendo que estes gastos só podem ser considerados favoráveis à sustentabilidade em Serra Negra do Norte, considerando que eles são direcionados à manutenção da ESEC Seridó e não ao município como um todo incluindo as demais áreas rurais.
Destinação adequada do lixo - O lixo é um grande causador da degradação ambiental, pois
promove a poluição das águas e dos solos quando inadequadamente destinado. Na zona rural, que é onde se concentram as áreas naturais contempladas nesse estudo, a população descarta ao ar livre a maior parte do lixo que produz, possibilitando o aumento dos níveis de degradação ambiental nos três municípios e, com isso, este indicador é desfavorável para as três áreas.
Parcerias com outros municípios - Se o município estabelece parceria com os municípios
vizinhos torna-se mais fácil a fiscalização de suas zonas rurais e vegetações nativas, pois muitas delas estão presentes em mais de uma cidade, necessitando da atenção de mais de um administrador público. Quando ocorre esta situação, é imprescindível para esta área natural que as diferentes administrações tenham a mesma visão e gestão sobre esses recursos naturais. Nos três municípios essas parcerias não foram encontradas e o indicador de resposta é também desfavorável.
Ações regulatórias - As ações regulatórias têm se restringido à fiscalização ambiental e
aplicação de multas nas comunidades que utilizam os recursos naturais. Porém medidas educativas e de conscientização ambiental são importantes para que a sustentabilidade ambiental seja possível. Em Serra Negra do Norte as comunidades têm-se adaptado às leis que regulam o funcionamento da ESEC e sua zona de amortecimento, fato que torna esse indicador favorável. Para os demais municípios onde não existe legislação ambiental específica, este indicador é desfavorável.
A avaliação realizada quanto às pressões, estado e impactos ocasionados ao meio ambiente e consequente degradação ambiental das áreas de Caatinga estudadas e respectivos municípios, possibilita afirmar que a qualidade ambiental desses municípios é insatisfatória. Além disso, a sociedade não tem cobrado ações direcionadas à conservação dos recursos naturais e à recuperação e manutenção da qualidade ambiental, consequentemente, poucas têm sido as respostas advindas do poder público para mitigar esta situação. Isso está diretamente refletido nas avaliações das dimensões RESPOSTA, onde se observa na tabela 5 que apenas o Município de Serra Negra do Norte apresenta algumas de suas respostas satisfatórias. Este fato é grave, tendo em vista que essas três áreas são estratégicas para a conservação da Caatinga, pois, no caso de Serra Negra do Norte, após 10 anos de estudo sobre a Herpetofauna, todas as espécies encontradas nessa UC são comuns às demais áreas de Caatinga da Região; em contrapartida, durante apenas dois anos de estudo em Tenente Laurentino Cruz foram registrados três novas ocorrências de espécies para o estado do Rio Grande do Norte (GOGLIATH, 2012). Este exemplo torna ainda mais preocupante a degradação ambiental constatada, a qual pode trazer consequências diretas sobre a conservação da biodiversidade das Caatingas.
Assim, enquanto no primeiro momento de criação de UCs prevalece no SNUC a
“defesa” da Unidade de Conservação da ameaça das ações humanas, depende do efetivo
engajamento das comunidades locais e dos diferentes atores sociais no processo de gestão e decisão política, a partir da internalização da natureza como patrimônio coletivo e da integração da área protegida com a dinâmica socioeconômica do entorno (IRVING, 2010). CONSIDERAÇÕES FINAIS
O diagnóstico sobre a degradação ambiental e a sustentabilidade dos três municípios estudados revela que Serra Negra do Norte se encontra em situação mais favorável que os
municípios de Jucurutu e Tenente Laurentino Cruz, e os indicadores nos quais este município se sobressai, são aqueles que destacam a fiscalização e o bem estar da sociedade em decorrência da existência da ESEC Seridó no município (ver tabelas 2, 3, 4, e 5) isto por que a ESEC é mais aceita pelas comunidades que a RPPN Stoessel de Brito, e assim esta Unidade de Conservação vem contribuindo para a sustentabilidade ambiental da Caatinga. Embora em menor escala, a RPPN Stoessel de Brito também contribui para a sustentabilidade de sua região, apesar da menor aceitação pela comunidade local.
Em relação ao objetivo proposto, para elaboração de um diagnóstico dos problemas que ocasionam a degradação ambiental nos Municípios de Serra Negra do Norte, Jucurutu e Tenente Larentino Cruz, utilizando o Sistema de Indicador de Sustentabilidade Pressão- Estado-Impacto-Resposta (PEIR), além de retratar a degradação, mostrou que esse indicador foi eficiente para avaliar a gestão com vistas à conservação.
Em Tenente Laurentino Cruz, a existência de cobertura vegetal nativa de Caatinga colabora para a sustentabilidade ambiental, porém sem uma adequada gestão, este município encontra-se com um nível de degradação ambiental maior que a dos outros municípios, necessitando de atitudes governamentais nos diversos âmbitos, além da designação de uma Unidade de Conservação para a melhoria dos níveis de sustentabilidade do Município, pois esta ação mesmo em casos nos quais as mesmas não são bem geridas proporcionam uma melhoria no estado de conservação ambiental.
Diante dos desafios ambientais enfrentados por essas comunidades da Caatinga, é necessário o emprego de novas formas de avaliação dos impactos ambientais e da gestão pública, utilizando métodos e ferramentas para assessorar na resolução de problemas e na exposição de resultados em que a mensuração periódica de determinantes ambientais das cidades possa auxiliar na preparação de leis, metas e estratégias de ações públicas. Além disso, faz-se necessário o fortalecimento de organizações comunitárias e ambientais e o aperfeiçoamento dos serviços públicos, para que a conservação ambiental mais participativa seja possível para áreas semelhantes de Caatinga.
REFERÊNCIAS
ALVES, Jose Jakson Amancio; ARAÚJO, Maria Aparecida de; NASCIMENTO, Sebastiana Santos do. Degradação da Caatinga: uma investigação ecogeográfica. Caminhos de Geografia Uberlândia v.9, n.26 . p. 143 – 155. 2008.
ALVES, J.J.A. Caatinga do cariri paraibano. GEONOMOS v. 17, n1, p. 19 - 25, 2009.
ARIZA, C. G.; NETO, M.D.A; contribuições da geografia para avaliação de impactos ambientais em áreas urbanas, com o emprego da metodologia pressão – estado-impacto - resposta (P.E.I.R.). Caminhos de Geografia. Uberlândia, v. 11, n. 35, p. 128 – 139. 2010. BRASILEIRO, R S. Alternativas de desenvolvimento sustentável no semiárido nordestino: da degradação à conservação. Scientia Plena, VOL. 5, N. 5, 2009.
BRAGA, T.M.; FREITAS, A.P.G.; DUARTE, G.S.; CAREPA-SOUSA, J. Índices de sustentabilidade municipal:o desafio de mensurar. nova Economi, Belo Horizonte, v.14, n.3, p. 11-33, 2004.
BRASIL. 2013 Ministério do Meio Ambiente. Caatinga. Disponível em:
http://www.mma.gov.br/biomas/caatinga Acesso em 25. julho de 2013.
BROLLO M.J. Metodologia automatizada para seleção de áreas para disposição de resíduos sólidos. Aplicação na Região metropolitana de Campinas (SP). Tese de Doutoramento, Faculdade de Saúde Pública, USP, São Paulo, 212p. 2001.
BROLLO M.J. BARBOSA J.M., ROCHA F.T., MARTINS S.E. Programa comum de pesquisa em caracterização e recuperação de áreas degradadas. In: CINP/SMA, Reunião
Anual sobre Pesquisa Ambiental a Pesquisa Cientíica e Tecnológica e a Gestão Ambiental, 5, São Paulo, Anais, p. 74-82. 2002.
CANDIDO, Humberto G.; BARBOSA Marx P.; SILVA Miguel J. da. Avaliação da degradação ambiental de parte do Seridó paibano. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v.6, n.2, p.368-371, 2002.
CARVALHO, Paulo Gonzaga Mibielli de; BARCELLOS, Frederico Cavadas. Construindo indicadores de sustentabilidade. Indicadores Econômicos. FEE (Online), v. 37, p. 2280-2656, 2009.
CHUNG, Eun-Sung; LEE, Kil. Seong. Prioritization of water management for sustainability using hydrologic simulation model and multicriteria decision making techniques. Journal of Environmental Management 90, 1502–151, 2009.
DIAS, Regina Lúcia Feitosa. Intervenções públicas e degradação ambiental no semiárido cearense (O caso de Irauçuba). Dissertação de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente, PRODEMA. Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, 139 f.:Il. 1998.
EMBRAPA. Avaliação e recuperação de areas degradadas. Disponível em:
http://www.cnpma.embrapa.br/unidade/index.php3?id=229&func=pesq acesso em:
31/08/2013.
FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. Esquema Pressão-Situação- Resposta e Indicadores Ambientais. Disponível em: http://www.fao.org/ag/againfo/
programmes/pt/lead/toolbox/Refer/EnvIndi.htm. Acesso em 10 de maio de 2013.
FEIJÓ, A.; LANGGUTH, A. Mamíferos de Médio e Grande Porte do Nordeste do Brasil: Distribuição e Taxonomia, com Descrição de Novas Espécies. Revista Nordestina de
Biologia, v. 22, n. 1/2, p. 3-225, 2013.
FERNANDES, E. A.; CUNHA, N.R.S.; SILVA, R.G. Degradaçâo ambiental no estado de Minas Gerais. Revista de Economia e Sociologia Rural, v.43, p.179-198, 2005.
FREIRE,E.M. X.; CÂNDIDO, G.A.; AZEVEDO. P.V. (Org.). Múltiplos olhares sobre o semiárido brasileiro: perspectivas interdisciplinares. 01 ed. Natal: EDUFRN, 2011, v. 01, p. 11-35.
GOGLIATH, M.. Composição, diversidade, ecologia e comportamento termorregulatório de espécies de Squamata em área serrana de Caatinga, nordeste do Brasil. (Tese de Doutorado). Programa de pós graduação em psicobiologia. 102p. 2012.
GUIMARÃES, Roberto Pereira; FEICHAS, Susana Arcangela Quacchia. Desafios na Construção de Indicadores de Sustentabilidade. Ambiente & Sociedade, Campinas, v. XII, n. 2, p. 307-323, 2009.
HOEFFEL João Luiz; FADINI, Almerinda Antonia Barbosa; MACHADO, Micheli Kowalczuk; REIS, Jussara Christina. Trajetórias do Jaguary – unidades de conservação, percepção ambiental e turismo: um estudo na APA do Sistema Cantareira, São Paulo. Ambiente & Sociedade, Campinas v. XI, n. 1, p. 131-148, 2008.
HUANG, Hui-Fen.; KUO, Jeff; Lo, Shang-Lien. Review of PSR framework and development of a DPSIR model to assess greenhouse effect in Taiwan. Environ Monit Assess. 177:623– 635. 2011.
IBGE Censo. Censo 2010 do estado do Rio Grande do Norte. Disponível em:
http://www.censo2010.ibge.gov.br/amostra/index.html?cancelload=true Acesso em:
01/08/2013
IBGE Cidades. Rio Grande do Norte. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/
topwindow.htm?1 Acesso em: 01/08/2013
IBGE IDS. ÍNDICE DE DESENVOLVIVIMENTO SUSTENTÁVEL Brasil 2010. Estudos e Pesquisas: Informação Geográfica. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística – IBGE. n. 7. 443 p. 2010.
IBGE IDS. ÍNDICE DE DESENVOLVIVIMENTO SUSTENTÁVEL Brasil 2012. Estudos e Pesquisas: Informação Geográfica. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística – IBGE. n. 9. 350 p. 2012.
IDEMA. 2013. Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte. Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Disponível em: www.idema.rn.gov.br/ - (Acesso em 03 de julho de 2013).
INPE. Grupo de geoprocessamento do CRN: Mapas municipais. Disponível em:
http://www.nctn.crn2.inpe.br/mapas_municipais.php Acesso em: 31/07/2014
IRVING, M.Z. Áreas protegidas e inclusão social: uma equação possível em políticas publicas de proteção da natureza no Brasil? Sinais Sociais, Rio De Janeiro, v.4 n.12 | p. 122- 147, 2010.
KRISTENSEN, P. The DPSIR Framework. In: workshop on a comprehensive/detailed assessment of the vulnerability of water resources to environmental change in africa using river basin approach, 27-29 September 2004, Nairobi, Kenya. Nairobi: UNEP Headquarters, 2004.
LEAL I.R.; TABARELLI, M.; SILVA, J.M.C. Ecologia e conservação da Caatinga: uma introdução ao desafio. Ecologia e conservação da Caatinga. Editores Inara R. Leal, Marcelo Tabarelli, José Maria Cardoso da Silva; prefácio de Marcos Luiz Barroso Barros. – Recife: Ed. Universitária da UFPE, 822. P. 2003.
LEÃO, Tarciso C. C.; ALMEIDA, Walkiria Rejane; DECHOUM, Michele de Sá; ZILLER, Sílvia Renate. Espécies Exóticas Invasoras no Nordeste do Brasil: Contextualização, Manejo e Políticas Públicas. CEPAN, Instituto Hórus, Recife, 100 pp. 2011
MENEGUZZO, I. S. Análise da degradação ambiental na área urbana da bacia do Arroio Gertrudes, Ponta Grossa, PR.: uma contribuição ao planejamento ambiental. Dissertação de Mestrado (área: Ciências do Solo). Curso de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná. 83pp. 2006.
MONTEIRO, M. Desertificação ameaça o nordeste brasileiro. Revista Ecologia e Desenvolvimento, Rio de Janeiro, n. 51, p.15-19, mai. 1995.
NOBRE, A.M.; ROBERTSON-ANDERSSON, D.; NEORI, SANKAR, A. K. Ecological– economic assessment of aquaculture options: Comparison between abalone monoculture and integrated multi-trophic aquaculture of abalone and seaweeds. Aquaculture 306 116–126, 2010.
OECD – Organization for Co-Operation and Development. OECD Environmental Indicators: Development, Measurement and Use: Reference Paper. OECD, 2004.
PRUDÊNCIO, M. A.; CÂNDIDO, D. K. Degradação da vegetação nativa do município de Assú/RN: indicadores e ações mitigadorasSociedade e Território, Natal, v. 21, n. 1, p. 144 - 156, 2009.
SEKOVSKI, I.; NEWTON, A.; DENNISON, W.C. Megacities in the coastal zone: Using a driver-pressure-state-impact-response framework to address complex environmental problems. Estuarine, Coastal and Shelf Science, 96: 48-59, 2012.
SILVA, T.S.; CÂNDIDO, G.A.; FREIRE, E.M.X. conceitos, percepções e estratégias para conservação de uma estação ecológica da Caatinga nordestina por populações do seu entorno. Sociedade & Natureza, Uberlândia, v. 21, n. 2, p. 23-37, 2009.
SILVA, T. S.; LUCENA, M.M.A.; FREIRE, E. M. X. ; CANDIDO, Gesinaldo Ataíde. Conservação da Caatinga: interdisciplinaridade e percepção de comunidades do semiárido. In: Eiza Maria Xavier Freire, Gesinaldo Ataíde Cândido, Pedro Vieira de Azevedo. (Org.). Múltiplos olhares sobre o semiárido brasileiro: perspectivas interdisciplinares. 01 ed. Natal: EDUFRN, 2011, v. 01, p. 11-35.
SILVA, R.G.; RIBEIRO, C.G.. Análise da Degradação Ambiental na Amazônia Ocidental: um Estudo de Caso dos Municípios do Acre. RER, Rio de Janeiro, v. 42, n, 1, p. 91-110, 2004.
VAN BELLEN, H.M. Desenvolvimento Sustentável: Uma Descrição da Principais Ferramentas de Avaliação. Ambiente & Sociedade. v. 7, n. 1 p. 67-88. 2004.
VELLOSO, A.L; SAMPAIO, E.V.S.B.; PAREYN, F.G.C. (Eds.). 2002. Ecorregiões propostas para o Bioma Caatinga. Recife: Associação Plantas do Nordeste, Instituto de Conservação Ambiental, The Nature Conservancy do Brasil.
VIDAL, F.C.B. A problemática do semi-árido nordestino à luz de Celso Furtado: permanência da pobreza estrutural. In: Pobreza e desigualdades sociais. Salvador: SEI, 2003, v. 1, p. 197-217. 2003.
VIEIRA, S.J. Transdisciplinaridade aplicada à Gestão Ambiental de Unidade de Conservação. Estudo de Caso: Manguezal do Itacorubí, Florianópolis/SC. Sul do Brasil. Tese de Doutorado. Programa de pós-graduação em engenharia civil- UFSC, Florianópolis, 292 p. 2007.
WORLD COMISSION ON ENVIRONMENT & DEVELOPMENT – WECD. Our Common Future. Oxford: Oxford University Press, 1987.