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Twisted Pairs

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7.1 Twisted Pairs

O debate em volta da questão das áreas protegidas como espaços de lazer e turismo, tem vindo a ganhar consistência e importância no meio académico e também no domínio político.

O espírito inicial que moveu a criação das áreas protegidas consistiu numa visão conservacionista e ecológica em relação ao meio ambiente. Face aos riscos e agressões a que o meio ambiente estava sujeito (sobreexploração, degradação e poluição), esta problemática atingiu uma amplitude global e tornou-se o centro das atenções na sociedade moderna, em virtude de ser um problema que tinha sido gerado pela própria sociedade e ao qual urgia dar uma resposta.

De certo modo, as áreas protegidas surgiram como uma espécie de resposta, no sentido em que funcionam como “instrumentos, por excelência, de uma política conservacionista” (Joaquim, 1994:90).

O facto de coincidirem geograficamente com áreas rurais, veio originar um novo contexto para as áreas protegidas, na medida em que o mundo rural tem sofrido profundas transformações nas últimas décadas, o que conduziu a novas formas de apropriação do espaço, designadamente também à actividade turística.

São apontadas três características base em relação às áreas protegidas; a primeira diz respeito ao entendimento das áreas protegidas como instrumento de política ambiental, a segunda como meio de conservação da natureza e a última característica como figura de ordenamento do território (Joaquim, 1994:95). Esta ideia vinca essencialmente uma aptidão tripartida destes espaços, cujo campo de actuação se centra ao nível da

conservação da paisagem, na manutenção de valores e equilíbrio dos sistemas tradicionais (Joaquim, 1994; Burnay, 1997).27

Assim, a finalidade subjacente à criação das áreas protegidas prendeu-se com “a

conservação da natureza e o desenvolvimento sócio-económico das suas populações”,

porém adquiriu uma nova funcionalidade relacionada com o “incremento da actividade

turística, devidamente ordenada e enquadrada no contexto cultural de cada território

(Burnay, 1997:80).

Esta nova funcionalidade deve-se a um conjunto de factores, relacionados com a emergência da noção de desenvolvimento sustentável, com o aparecimento de novas formas de turismo (turismo de natureza, ecoturismo, turismo verde, etc), com um contexto sócio-económico favorável à realização de férias e com o aumento do tempo livre, proporcionando o aparecimento de um nicho de mercado para o desenvolvimento da actividade turística nestas áreas.

Segundo Cavaco as áreas protegidas constituem “espaços visitados, percorridos e

observados” (Cavaco, 1993, citado por Figueiredo, 1999:267), proporcionando de certo

modo uma crescente identificação entre o rural e a natureza.

Em Portugal, é relativamente recente a procura da natureza e das áreas rurais enquanto lugares de lazer. A descoberta do meio rural como reserva cultural, social e ambiental deve-se à valorização atribuída às características inerentes a estes espaços, características estas que se prendem com a tradição, natureza e autenticidade, tudo valores “opostos” ao meio citadino (Figueiredo, 1999).

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De certo modo, a instituição das áreas protegidas veio gerar uma apropriação das áreas rurais como “áreas naturais, como amenidade e como ambiente a preservar” (Figueiredo, 1999:267). De notar que em Portugal, a maioria das áreas protegidas correspondem a áreas rurais ou com forte componente rural, bem como grande parte destas áreas representam áreas rurais profundas, interiores, com uma situação sócio- demográfica débil e uma economia baseada na agricultura de subsistência.

Por outro lado, a maioria das áreas protegidas integram-se em áreas habitadas, cujos usos sociais da natureza beneficiaram a conservação destas áreas, acontecendo como um acto natural, que de certo modo ultrapassa os limites das áreas protegidas reduzidos à protecção da natureza.

27 Esta noção de área protegida aproxima-se muito da visão museificada aplicada no contexto do meio rural, ou seja estes espaços entendidos como lugares-museus.

“As Áreas Protegidas são hoje destino privilegiados de todos os que procuram encontrar

oportunidades de contacto com ambientes diferentes e atractivos do ponto de vista dos valores naturais e culturais” (Burnay, 1997:66). Esta citação corrobora a tendência em

Portugal de uma crescente procura destes espaços para lazer e recreio.

Esta tendência encontra-se estreitamente relacionada com o aumento do tempo de lazer, com uma mudança nos padrões de procura que pautam as escolhas dos turistas, com a emergência da questão ambiental e o retorno ao campo, lugar de memórias e tradições (regresso às origens).

Este fenómeno acentuou-se na década de noventa do século XX, com o registo de um aumento significativo do número de visitantes das áreas protegidas (Fernandes, 2002). Esta procura está associada ao facto destas áreas serem consideradas património natural, detentor de qualidade ambiental, um enorme potencial paisagístico e um património histórico-cultural rico, tornando estas áreas atractivas do ponto de vista turístico (Burnay, 1997; Fernandes, 2002).

Rapidamente, as áreas protegidas se transformaram num destino turístico apelativo para um segmento de turistas que privilegiam o turismo de natureza e o ecoturismo, muito na moda na sociedade urbana moderna (Hall e Page, 1999).

As áreas protegidas portuguesas têm a particularidade de serem espaços abertos de livre acesso, o que resulta numa limitação às entidades responsáveis no controlo e contagem exacta dos visitantes. Os dados disponíveis sobre o número de visitantes tem por base a informação recolhida junto das sedes das entidades responsáveis pelas áreas, no entanto é insuficiente porque só revela parte de uma realidade.

Um outro atractivo que recaí sob as áreas protegidas está relacionado com a prática de desportos de natureza e de aventura, que têm como pano de fundo estes espaços físicos que oferecem condições únicas para a sua prática, como por exemplo o parapente, BTT, TT, canoagem, campismo, rotas ecológicas, trekking, percursos pedestres, escalada, espeleologia, entre outras (Burnay, 1997).

Esta nova tendência deve-se a um maior interesse pelo desporto e actividades de ar livre, o que impulsionou a procura de locais de eleição com condições únicas para a sua prática, e esses locais são geralmente áreas protegidas.

O Programa de Acção do ICN para 1989 indicava o turismo nas áreas protegidas como uma prioridade porque resultava numa actividade fundamental, decorrendo a necessidade de dotar estas áreas de meios e infra-estruturas de apoio a actividades

específicas, tais como núcleos museológicos, centros de interpretação, percursos pedestres, a cavalo e meios de informação e divulgação (Burnay, 1997).

Posteriormente, com a criação do Programa Nacional de Turismo de Natureza (através da Resolução do Conselho de Ministros n.º112/98, de 25 de Agosto), resultante de um protocolo de cooperação entre a Secretaria de Estado do Turismo e a Secretaria de Estado do Ambiente, ficando estabelecido os objectivos que regem este programa, tendo como finalidade o desenvolvimento de actividade turística sustentável na área que integra a Rede Nacional de Áreas Protegidas (Fernandes, 2003).

Apesar das áreas protegidas terem sido criadas para uma outra finalidade, foi-lhe adicionada uma outra competência designadamente como um destino turístico. O turismo nas áreas protegidas deverá ser entendido como uma forma de recreio, que consiga criar actividades compatíveis com as características de cada área e que visem em simultâneo o respeito pelo meio por parte de quem visita.

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