2.2 S URVEILLANCE DU RISQUE ENDEMIQUE : ETUDES DE SERIES TEMPORELLES
2.2.4 La turbidité et autres proxys d’exposition
2.2.4.2 Turbidité de l’eau
A imigração continua a ser um dos conteúdos políticos mais proeminentes na agenda Europeia, com o brotar dos mais recentes extremismos de direita repletos de posicionamentos anti-imigração e amplamente influenciados pela crise migratória do norte de África e pelo conflito geopolítico do médio Oriente, conotados como marcos contemporâneos da decadência da humanidade e tidos como verdadeiros shifts pragmáticos das directivas internacionais. Enquanto tópico de especial relevância, a imigração tem vindo a ser desconstruída no ESS (2002; ESS 7, 2014) numa perspectiva de captação dos níveis de aceitação/exclusão de diversificadas tipologias de migrantes e de extensão do contacto dos cidadãos com membros dessas mesmas comunidades minoritárias; numa perspectiva cultural, económica e social de enriquecimento ou empobrecimento percepcionados, dicotomizados e avaliativos; numa perspectiva de contributo ou corrosão do tecido comunitário, em índices securitários e de moralidade; numa perspectiva de avaliação direccionada a determinados objectos afectivos i.e., numa perspectiva de atitudes relativas à imigração. Embora a actual moldura de trabalho seja precedente ao conflito armado na Síria, compreendendo, por isso, uma negligência do conceito de refugiado, pressupõe uma desconstrução da problemática migratória altamente completa, incidente sobre 21 países à data de 2014. Por consequência, os itens subjacentes à operacionalização do supracitado constructo serão adaptados a partir das rigorosas traduções realizadas no seio do próprio ESS em Portugal. No que diz respeito ao seu primeiro tópico de incidência – os níveis de suporte à migração – foi consagrada uma medida sumária, de acordo com o questionário aplicado na ronda 7, coincidente com a seguinte premissa “Portugal tornou-
se um lugar pior ou melhor para se viver com a vinda de pessoas de outros países para cá?” –
rotulado como AT_IM_Geral. O seu enquadramento de resposta, escalar, pressupõe uma variação entre 0 e 10 pontos, com a particularidade de 0 ser indicativo de que Portugal se tornou um lugar pior e 10 ser indicativo de que Portugal se tornou um lugar melhor. A evidência sugere que, contrariamente ao que é tido como senso-comum, à data de 2014 (e em comparação com os resultados de 2002), existe um ligeiro acentuar de atitudes positivas, relativas ao efeito imigratório na sociedade Europeia. Em 2002, treze países continham um score inferior ao ponto
77 médio da escala (5) e em 2014 somente dois países apresentaram esta tendência (ESS, 2016). Subsequentemente, e dada a tradição literária que postula níveis preferenciais, diferenciais, entre migrantes, devidos a questões culturais, de formação, educação e religião, é necessário desconstruir esta hierarquização tipológica. À vista disto, o ESS postula os seguintes itens, adoptados no presente estudo: “Em que medida acha que Portugal deve deixar que pessoas da
mesma raça ou grupo étnico, do que a maioria portuguesa, venham e fiquem a viver cá?” –
rotulado como AT_IM_MR - “Em que medida acha que Portugal deve deixar que pessoas de
raça ou grupo étnico diferente do que a maioria portuguesa venham e fiquem a viver cá?”-
rotulado como AT_IM_OR - “Em que medida Portugal deve deixar que pessoas dos países
mais pobres da Europa venham e fiquem a viver cá?”- rotulado como AT_IM_E - e “Em que medida Portugal deve deixar que pessoas dos países mais pobres fora da Europa venham e fiquem a viver cá?”- rotulado como AT_IM_FE - com uma classe de resposta, escalar, variante
entre “deve deixar vir muitas pessoas”, “deve deixar vir algumas pessoas”, “deve deixar vir
poucas pessoas” e “não deve deixar vir ninguém”. A evidência sugere que existe uma clara
hierarquia do tipo de migrante preferencial (ESS, 2016), com uma notável maioria das pessoas a preferir migrantes da mesma etnia ou raça que a maioria da população do seu país; com os judeus a serem melhor acolhidos do que os muçulmanos e, com estes últimos, a ganharem algum nível de preferência face aos Roma (ciganos). Por fim, numa abordagem do tipo custo-
benefício, tendente com a possível competição emergente no mercado de trabalho, com a
pressão colocada nos serviços de um país ou com a perda de costumes e tradicionalismos culturais, derivadas do fenómeno imigratório, o ESS utiliza um conjunto de itens para captar esta problemática; na presente dissertação, dados todos os constrangimentos temporais, foram utilizados dois. São eles: “Continuando a pensar nas pessoas que vêm viver e trabalhar para
Portugal, acha que isso é mau ou bom para a economia portuguesa?” – rotulado como AT_IM_Economia - com uma escala de respostas variável entre 0 e 10, em que 0 é indicativo
da premissa “mau para a economia” e 10 de “bom para a economia”; e “Acha que essas
pessoas empobrecem ou enriquecem os costumes, as tradições e a vida cultural em Portugal?”
– rotulado como AT_IM_Cultura - com as mesmas unidades de resposta, mas com o 0 a denotar- se indicativo da premissa “Empobrecem a vida cultural” e 10 a denotar-se indicativo de “Enriquecem a vida cultural”. Portugal tem vindo a apresentar uma polarização mais negativa do impacto da imigração ao nível da economia, contudo, culturalmente, tal não se verifica. Os itens com uma classe de resposta de 4 pontos – AT_IM_MR, AT_IM_OR, AT_IM_E e
78 rotulada como Imigr_1, onde médias de scores mais elevadas são indicativas de atitudes anti- imigração. Os itens com uma classe de resposta de 11 pontos – AT_IM_Geral,
AT_IM_Economia e AT_IM_Cultura - foram invertidos e tidos como uma segunda medida
compósita, para efeitos de análise estatística, rotulada como Imigr_2, de modo a que médias de
scores mais elevadas fossem, identicamente, indicativas de atitudes anti-imigração.
Consequentemente, foi calculada a fiabilidade da primeira medida compósita (Imigr_1), numa perspectiva de consistência interna = correlação entre itens e esta apresentou um valor bastante elevado (α = ,973). Adicionalmente, foi calculada a fiabilidade da segunda medida compósita (Imigr_2), nos mesmos termos, e esta apresentou-se igualmente robusta (α = ,813).