VALORES MEDOS Proteção, Riscos e insegurança INCENTIVOS OBJETIVOS NECESSIDADES MOTIVOS CRENÇAS CURIOSIDADES AUTO-CONFIANÇA AUTO-REGULAÇÃO EXPECTATIVAS AUTO- EFICÁCIA PRESSÃO SOCIAL IMPULSOS INTERESSES Pessoais e Sociais
Acreditamos que este seria o papel fundamental do profissional de EF, pois incrementando as fontes de auto-eficácia, os interesses e incentivos poderiam perdurar por tempos mais longos, sendo o professor o principal foco de controle destas motivações extrínsecas, permitindo um ambiente seguro, agradável, criativo, desafiador e motivante.
3.4. MOTIVAÇÃO PARA REALIZAÇÃO NA ATUAÇÃO EM EF: A AUTO-EFICÁCIA COMO MEDIADORA DO PROCESSO MOTIVACIONAL DO PROFESSOR
A motivação é um fenômeno presente no processo de ensino-aprendizagem que interfere no comportamento de professores e alunos. É um assunto altamente complexo que vem sendo estudado há muito tempo, tornando-se trabalhoso o processo de conceituação e compreensão do mesmo. De acordo com Lima (1992, p.150), "[...] a motivação é um processo rico em detalhes, e por isso mesmo rico em maneiras de ser abordada pelas teorias."
Os estudos sobre a motivação, na maioria das vezes, estão centrados no(a) aluno(a), já que o mesmo é o principal sujeito do processo educativo. No entanto, neste trabalho, o enfoque dado será outro: a motivação do próprio professor de EF, ele próprio incluído neste processo de motivação, necessário a sua qualificação profissional.
A priori, pode parecer fácil estar ou ser motivado... Mas não é assim tão simples como muitos imaginam. A tarefa de um educador em motivar seus alunos é árdua e exige muito trabalho por parte deles. Costumamos dizer que a atividade docente possui muitas oscilações, repercutindo diretamente no aspecto motivacional do agente pedagógico.
Por isso, é necessário desmistificar a idéia de que a motivação do professor é independente da motivação do aluno. Também podemos dizer que o processo inverso é verdadeiro: "Em qualquer situação, a motivação do aluno esbarra na motivação de seus professores" (BORUCHOVITCH e BZUNECK, 2001, p.28).
Assim sendo, para realizar esta apropriação, pontuamos alguns aspectos relevantes para a compreensão do tema proposto, dividindo-o em etapas, para uma melhor explanação. A primeira diz respeito à conceituação da motivação a partir do estudo do motivo de realização e seus três determinantes: nível de aspiração, atribuição causal e norma de referência. Também foi proposto que fosse agrupado um quarto fator a ser observado: a auto-eficácia.
Os mesmos são importantes para a Educação Física (EF), pois delimitam a análise dos comportamentos em situações de rendimento e desempenho.
Procuramos ressaltar suas principais tendências e aplicações na área da Educação Física Escolar, através de um resgate bibliográfico.
Agora, na segunda etapa, trataremos especificamente da motivação do professor de Educação Física levando em consideração duas importantes teorias: a Alemã, representada por Heckhausen (em 1965), e a Americana, representada por Mc Clelland e Atkinson (em 1957).
Ambas as teorias estão embasadas no motivo de realização, importante para a ação docente, uma vez que a aprendizagem e a docência se tratam de um processo em que professor e aluno empenham-se na busca da superação dos desafios e de atingir e manter a qualidade da tarefa, possibilitando assim uma auto-avaliação.
Ao final deste trabalho, lançamos algumas proposições, confrontando os dados obtidos na pesquisa com o referencial bibliográfico; sem, no entanto, termos a pretensão de solucionar todos os problemas da motivação do professor de Educação Física. Todavia podemos apontar algumas possibilidades e abrir espaços de discussão e reflexão, uma vez que consideramos este tema pertinente para nossa atuação profissional.
De acordo com Winterstein (1992), para a Educação Física Escolar, o motivo mais relevante é o motivo de realização que por sua vez, fornece embasamento para o surgimento de duas correntes motivacionais de grande importância nesta área: a teoria da Expectativa do Êxito/ Medo do Fracasso e a teoria Orientação para o Ego/ Orientação para a Tarefa que foram elaboradas visualizando o contexto escolar e também esportivo.
A princípio, estas teorias buscam explicar as ações e os motivos voltados à realização de determinadas tarefas (que em nossa área constituem o conjunto de atividades e práticas físicas). Ora, uma vez que os professores são indivíduos que também possuem motivos que os levam a realizar determinadas ações, dentre elas suas escolhas profissionais ou laborais, podemos nos apropriar do uso do constructo “motivo de realização” para compreender o processo de escolha e motivação nas ações docentes do profissional de EF, considerando-a também uma ação ou atividade.
Assim, dentre as realizações do quadro de motivos, podemos destacar a realização do professor e assim considerar estes conceitos dentro da questão da atuação docente na educação física escolar, que faz parte de todo o processo de motivação do professor; e em particular, do profissional de EF.
A motivação do professor
A motivação é um fenômeno que envolve inúmeros fatores e que está presente em todas as atividades humanas. Analisando a questão da motivação do professor e o constructo da auto-eficácia, existem proximidades entre essas teorias, ambas fazem referência sobre a persistência, o esforço, a satisfação, ao resultado e a escolha da tarefa.
A persistência pode ser maior ou menor dependendo do estado psicológico em que o indivíduo se encontra: pessoas com forte motivação provavelmente serão mais constantes em uma tarefa do que aqueles com fraca motivação.
Completando, não podemos deixar de mencionar alguns fatores externos que interferem na resposta motivacional do professor: os alunos, o sistema de ensino e o ambiente em que o educador está inserido, são fatores importantes para o entendimento do comportamento apresentado pelo profissional, uma vez que fazem parte do processo educacional.
Podemos dizer que estes três fatores interagem com aspectos internos do professor, modificando o interesse do mesmo em realizar uma determinada ação dentro de sua atuação educacional.
Segundo Winterstein (1992), a Teoria da Motivação parte da idéia de que existe um (ou vários) motivo(s) que leva(m) a pessoa a executar e a manter uma ação em direção a um objetivo e finalizá-lo. Ou seja, a motivação é um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta. A partir disto, podemos dizer que mover-se em direção a um objetivo é estar motivado. E sabemos que, quando não estamos interessados por alguma tarefa, não sentimos prazer, nem vontade de realizá-la, o que implica em falta de metas e desinteresse.
Conforme Woolfolk (2000, p. 568), várias explicações podem ser associadas a essas manifestações que direcionam nosso comportamento, tais como: impulsos, necessidades, crenças, valores, medos, objetivos, pressão social, autoconfiança, interesses, curiosidades, incentivos, expectativas e muitos mais, variando de acordo com traços pessoais ou características próprias de cada pessoa.
E todas estas explicações podem ser aqui utilizadas para buscarmos a compreensão dos motivos de realização do profissional de educação física (figura 33).
Quando uma pessoa inicia uma atividade física, muitos fatores comprometem a escolha de determinada prática. Assim também o são a escolha e opção profissional, dentre elas a decisão pela atividade educacional, ou ainda a prática docente nas diversas áreas de conhecimento.
Diferentes pessoas optam por uma mesma tarefa, impulsionadas por diferentes motivos. Por exemplo: um profissional de EF pode ter escolhido a profissão em virtude de ter sempre interesse em práticas esportivas ou ainda por ter tido excelentes modelos de professores; enquanto uma outra pode ter ido buscar por outros interesses, sem ter tido tantas experiências positivas na EF escolar ou em virtude de outros fatores situacionais e pessoais.
Em ambos os casos, um ou mais fatores contribuíram para que essas pessoas realizassem uma determinada ação, que será ou não mantida, dependendo da interferência de novos motivos e da satisfação proporcionada pela atividade.
A figura 33 ilustra as diversas possibilidades para se explicas os motivos do professor na atuação em EFA.
MOTIVAÇÃO DO PROFESSOR