3 RÉSULTATS ET DISCUSSION
3.3 Triage des requêtes et mécanismes de préautorisation ou de prénotification
O espaço geográfico produz-se a partir da ação humana na sua interação com a natureza com a finalidade de criar as condições necessárias para a sua existência. Inicialmente os grupos humanos procuravam isoladamente satisfazer as necessidades vitais de modo a garantir a sua sobrevivência.
Nessas sociedades primitivas a vida humana interligava-se diretamente ao ciclo da natureza de maneiras que “cada constelação de recursos correspondia um modo particular de produção e de organização social” (SANTOS, 1994: 18).
À medida que os distintos grupos humanos foram interagindo com a natureza e fazendo descobertas que levaram ao aperfeiçoamento de técnicas, melhoravam-se também as condições de proteção contra as adversidades do meio natural. Assim, ocuparam-se áreas da superfície da terra onde se implantaram progressivamente diversos objetos artificiais que passaram a coexistir com as formas naturais.
Esse processo culminou com a demarcação de territórios, a formação de agrupamentos humanos contínuos no tempo-espaço, a diversificação do trabalho e a estratificação social. Dessa evolução
constituíram-se diversas formações sociais que compõe o mundo contemporâneo. Com essas organizações socioterritoriais surgiram necessidades que passaram a colocar-se como um desafio para um coletivo cada vez maior.
O Homem, através da sua ação e motivado pelas necessidades cotidianas, passou a reproduzir o “tempo e o espaço” (Idem, 2009: 130) modificando a natureza com a finalidade de prover-se de meios necessários para a sua existência dos quais se destacam: alimentar-se, vestir-se, obrigar-se e transportar. Ao interferir nesse meio natural, no qual cada vez mais sobressaem os objetos artificiais, o homem contemporâneo não age de mineira isolada, pois “somente existe porque ele é membro de um grupo que em si mesmo é um tecido de técnicas” (PIERRE GOUROU, 1973 apud SANTOS, 2009: 33).
Com o tempo, ocorreram mudanças que tornaram complexas as relações tanto em cada uma das formações socioespaciais quanto entre os distintos grupos humanos. Algumas dessas sociedades ao beneficiarem-se de invenções técnicas, foram estabelecendo contatos com povos de outros lugares, próximos e distantes.
O desenvolvimento das técnicas de navegação e o conhecimento dos ciclos da natureza (as estações do ano, as monções, a direção dos ventos, etc.) possibilitaram a realização das primeiras viagens marítimas intercontinentais feitas pelos povos asiáticos que por volta do século IX migravam para a costa oriental africana onde se realizavam trocas comerciais com as formações sociais litorâneas nativas, incluindo com as que nessa época habitavam as regiões costeiras do centro e norte de Moçambique. O aprimoramento dessas técnicas possibilitou, a partir do século XV, o inicio de contatos entre grupos humanos da África, América, Ásia, Austrália e Europa.
Em meado do século XVIII iniciou o momento de aceleração na evolução humana marcado pela mecanização do processo produtivo o que modificou a dinâmica interna das sociedades, sua relação com outras formações sociais e com a natureza. Inaugurava-se o modo de produção capitalista monopolista fato que decorreu associado ao intenso aproveitamento dos recursos naturais e a criação de objetos técnicos tais como estradas ferro, locomotivas, navios a vapor, o motor a diesel, o automóvel, mais tarde as modernas tecnologias de comunicação tais como o telefone, a televisão, o rádio, o computador e o avião. Esses objetos passaram a permear as relações humanas e com a sua implantação sobre a superfície da terra demarcaram-se territórios.
Essas transformações registradas inicialmente na Europa ocidental configuraram novas relações políticas, econômicas, sociais e
culturais entre grupos humanos de diferentes lugares tornados “ponto de encontro de interesses longínquos e próximos, mundiais e locais” (SANTOS, 1994: 18-19).
Com a universalização das relações socioeconômicas, aprofundadas no momento atual da evolução humana (o período técnico cientifico e informacional), cada lugar e nas suas devidas proporções passou a revelar o mundo. Os lugares tornaram-se receptáculos de capitais, tecnologias e trabalho tão diversificados quanto às numerosas interações que passaram a ser estabelecidas.
As sociedades contemporâneas tornaram-se dependentes das suas próprias criações o que torna praticamente impossível pensar na existência da humanidade sem as formas espaciais que ela própria reproduz e onde passam a realizar-se múltiplas atividades socioeconômicas. Constata-se que a produção e a modelagem de formas espaciais destinadas a habitação também se circunscreve no processo de evolução diferencial registrado pelos grupos humanos. Mas, algumas dessas práticas culturais de produção habitacional foram difundidas e inseridas noutras formações sociais. Os objetos destinados à habitação transformaram-se numa necessidade imprescindível para a vida humana em todas as sociedades.
Desse modo, a produção do espaço geográfico deve-se entre outros fatores a existência continua do homem numa determinada área da superfície da terra onde cria e transformam-se territórios por meio do trabalho implantando infraestruturas diversificadas, desencadeiam-se processos produtivos, inovam-se técnicas e inventam-se novas tecnologias.
O espaço geográfico sinônimo de “espaço humano”, “espaço habitado” ou “território usado” (SANTOS: 1996: 15-16) tem a sua existência concreta dada pela interação entre a sociedade e a materialidade que ela própria produz e transforma continuamente. Assim, o espaço compreende um “conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações” (Idem, 2009: 63) e transforma-se continuamente através da ação do homem (ANDRADE; FERNANDES, 1985: 156). Essa dinâmica espacial manifesta-se com a “supressão ou exclusão” de objetos geográficos e essas “substituições de formas espaciais correspondem às inovações” (SANTOS, 1994: 67).
O espaço e as suas dimensões constituem uma produção humana e têm existência concreta diante das múltiplas relações sociais que se desenvolvem sobre a materialidade existente. Portanto, a sociedade não existe independente das formas espaciais que ela própria reproduz, delas depende e transforma-as continuamente adaptando-as de acordo com as
novas exigências, interesses e necessidades. Assim, consideram-se os conceitos de espaço e sociedade como categorias indissociáveis e interdependentes, ou seja, uma implica a outra.
Nessa perspectiva, o espaço geográfico nas suas múltiplas dimensões constitui o “locus da reprodução das relações sociais de produção, um produto da sociedade” (CORREA, 2001: 26) que se organiza para criar e recriar formas espaciais específicas dotadas de diversas funções de onde resultam interações múltiplas que especificam os processos e a estrutura, ou seja, manifesta as distintas formas de organização da sociedade.
A dinâmica socioespacial remete para as noções de forma, função, processo e estrutura que especificam a organização e o movimento de uma determinada formação social. A forma representa o aspecto visível dos objetos técnicos e naturais que configuram o território. A função refere-se à atividade que o objeto passa a desempenhar. A estrutura configura-se a partir das interações que se estabelecem através das formas-conteúdo que fazem parte de uma totalidade dinâmica que evolui e transforma-se continuamente por meio de processos (SANTOS: 1985: 49-50).
A sociedade cria e reproduz objetos geográficos dotados de múltiplas funções tendo em vista a satisfação das suas necessidades vitais, perpetuando um modo produção de onde resultam também estruturas socioespaciais especificas.
Realidade objetiva, o espaço existe apenas na sua dupla dimensão sociedade-materialidade ou formas-conteúdo que se transformam ao ritmo dessa totalidade dinâmica o que se manifesta através da preservação de objetos preexistentes e com a implantação de novas formas com as quais se realizam novas e velhas funções ou atividades humanas.
Embora em determinadas paisagens tenda a prevalecer os objetos artificiais destacando a intervenção humana sobre a natureza, os processos socioespaciais são também influenciados pelos eventos naturais. A natureza age e condiciona sobremaneira a realização das atividades socioeconômicas em determinadas localizações da superfície da terra.