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Tri des Tuples

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5.5 Interrogation de la base de données

5.5.4 Tri des Tuples

Desvendar os mistérios que envolvem as histórias de Robin Hood assemelha- se a penetrar na enigmática Floresta de Sherwood. Deparamo-nos com um sem- número de trilhas (versões), constantes atualizações das aventuras do arqueiro, conhecidas pela tradição oral e escrita e uma notória imagem ambivalente, oscilante entre “a justiça e a rapina, a retidão e a ilegalidade, a revolta e o serviço, entre a floresta e a corte” (Le Goff 2008: 219). Consta que os primeiros registros sobre Robin Hood datam de meados do século XIV, no célebre poema Piers Plowman, publicado entre 1370 e 1390, de William Langland. Numerosos pesquisadores se dedicaram a comprovar sua existência real. Das primeiras baladas medievais aos sucessos de bilheteria de nossos dias, a imagem do herói é multifacetada e controversa. Muitas são as inconsistências históricas encontradas nas versões de suas aventuras, como os nomes dos reis com quem teve contato, a data de seu falecimento (apresentada como 1247?), como ele veio a se tornar um fora da lei, sua origem nobre e mesmo o valor nobre do banditismo que exerceu.

Baseamo-nos no presente trabalho principalmente na pesquisa desenvolvida pelo professor da Universidade de Cardiff, Stephen Knight (2003), que, em Robin

CAPÍTULO 2: O ARQUÉTIPO HEROICO DE ROBIN HOOD

Hood: a mythic biography, elabora um estudo sequencial das representações

literárias das aventuras do arqueiro, desde as primeiras baladas medievais até as séries e as produções hollywoodianas que chegam aos nossos dias. Mais do que a comprovação (apenas) de sua real existência, que mobiliza tantos estudiosos, em polêmicas tão infindáveis quanto infrutíferas, Knight busca enumerar as características heroicas que o identificam inicialmente e as que foram sendo incorporadas à sua imagem ao longo do tempo, com o intuito de construir a biografia mítica8, não histórica, do fora da lei. Para isso, o pesquisador coteja todas as obras de que se tem notícia sobre Robin Hood, em uma linha cronológica, mas dando !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

8 Stephen Knight desenvolve sua pesquisa com o propósito de construir uma biografia mítica,

enumerando as marcas que constituem o arcabouço arquetípico de Robin Hood. Consideramos apropriados alguns esclarecimentos sobre os termos arquétipo, mito e lenda. Arquétipos, do gr. archétypon, "modelo", "padrão", são entidades hipotéticas de desempenho psicológico, irrepresentáveis em si mesmas, mas perceptíveis em manifestações e padrões de comportamento externos. São conjuntos “de imagens psíquicas do inconsciente colectivo que são património comum de toda a humanidade” (Ceia s.d.). A teoria dos arquétipos, proposta em 1919 pelo psicólogo e psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875 – 1961), tornou-se sua principal contribuição distintiva em relação aos postulados de seu mestre Sigmund Freud (1835 – 1930). O conceito de arquétipo defendido por Jung encontra-se enraizado na tradição das “Ideias Platônicas, presentes nas mentes dos deuses, e que servem como modelos para todas as entidades no reino humano” (Samuels et alii 2003). Segundo Jung, os arquétipos condensam conteúdos imagísticos e simbólicos do funcionamento psíquico do inconsciente coletivo e esboçam os padrões de comportamento que manifestamos em relação ao mundo. O conteúdo arquetípico manifesta-se, primeiro e principalmente, por meio de metáforas: deuses são metáforas e mitos são encenações arquetípicas.

António Cândido Franco (In Ceia: s.d.) esclarece que mito (ou fábula) é, para Aristóteles, o elemento essencial da tragédia grega, ou seja, a ação. E acrescenta:

Ainda no seu tratado sobre a poesia, Aristóteles distingue duas formas de urdir um mito ou trama de factos. A primeira, a mais poética, inventando-o por arte ou imaginação, e a segunda recorrendo à História ou às lendas heroicas tradicionais, que tratavam de acontecimentos especiais no seio de famílias reais gregas (l454 a 9). A tragédia, neste segundo caso, é mais História transformada em poesia que imitação da Natureza. De qualquer modo, a imitação da história pela tragédia, processo comum na criação dos mitos entre os poetas gregos, não é reprodução mecânica nem cópia servil, mas antes reelaboração e aperfeiçoamento, progresso assinalado pelo efeito purgativo dramático, a catarse, que funciona como forma de resolver a dificuldade insolúvel da História. (Franco s.d.)

Assim, os mitos proporcionam soluções simbólicas para situações em que a condição humana, limitada pelo contexto histórico, não consegue compreender. Entretanto, antes da construção do mito, a partir de um fato ou personagem histórico, forma-se a lenda. Embora esses termos estejam estreitamente relacionados, esta pode fornecer o material para a formação daquele. Muito mais aproximada dos fatos reais, a lenda (do lat. legenda, “coisas que devem ser lidas”) enraiza-se em acontecimentos verídicos, transformados e reelaborados pela tradição oral (originalmente as vidas dos santos), e transmitidos de geração em geração, com um forte apelo edificante para a comunidade. A força da veracidade histórica se esvaece e, desse modo, prioriza a verossimilhança, geradora da atitude mental da emulação. Na lenda, o que interessa não é a identificação da verdade histórica, mas os valores simbólicos de que se reveste um fato ou uma personagem para determinada comunidade, que os toma como modelos exemplares de conduta. (Franco s.d.; Góis s.d.; Jolles 1976; Reis e Lopes 2002; Samuels et alii 2003)

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enfoque aos aspectos que se repetem e que, por isso, têm relevante contribuição para sua consagração no imaginário popular.

O primeiro ponto que Knight ressalta é a ambiguidade da sua imagem heroica. Nas baladas medievais, que remetem ao século XIII, consta que ele não era nobre, mas um soldado ou camponês. Seu grupo era composto por poucos homens e sua ação contraventora se destinava à satisfação das próprias necessidades e não ao auxílio aos pobres. As armas empregadas eram espadas e não arcos. Tampouco existiam referências às roupas verdes ou às lutas de Saxões contra Normandos. Embora de grande importância na construção da imagem do herói, as baladas não constituíram as únicas fontes de informação sobre Robin, cujas referências incluem abundantes menções a jogos9, rituais sociais e provérbios. A fama do arqueiro, neste período, era predominantemente negativa e não se encontram registros de sua ação benfeitora junto aos pobres. Também não se encontram referências ao Príncipe João nem ao Rei Ricardo Coração de Leão. A construção de tal perfil negativo provavelmente deve-se ao fato de os registros escritos de crônicas e baladas ficarem a cargo do clero. A feição de resistência às autoridades da Igreja e do xerife posta em prática como princípio das contravenções de Robin e seu bando justifica a constituição de uma imagem antipática e negativa. O perfil do fora da lei era moldado pelas ações cavalheirescas, pela audácia, coragem, pelo uso de disfarces para enganar os inimigos e resgatar prisioneiros e pelos festejos na floresta. O herói é apresentado como uma ameaça quase intangível, dada sua capacidade de fugir da prisão e “desaparecer” na floresta. O imaginário em torno dele parece tão difícil de apreender e explicar com precisão quanto sua habilidade de escape nas aventuras narradas.

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9 Os jogos de Robin Hood, registrados no século XV, estão envolvidos com atividades rurais, pois que

estão essencialmente vinculados à natureza. As florestas próximas às vilas e cidades eram as fontes de suprimento dos habitantes, bem como o espaço de lazer. Assim, os jogos de Robin Hood envolvem a coleta de madeira para fogueiras e construções, de frutas e castanhas para as refeições, de pastagem para a criação e a realização de torneios e disputas entre os participantes e apresentações teatrais, por ocasião das festividades. Consta, nos registros de Exeter de 1426-27, uma menção ao pagamento de uma soma destinada aos jogadores envolvidos nos jogos de Robin Hood (Knight 2003: 08). Da imagem do arqueiro que sobrevém de tais eventos ressalta o poder popular por ele simbolizado contra as autoridades opressoras. A natureza representada pela floresta pode também não denotar meramente uma localização geográfica, mas constituir um símbolo da liberdade não encontrada nos centros urbanos.

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As baladas destacam abundantemente a relação harmônica de Robin Hood e seu bando com a natureza. A vida na floresta oferecia a plena liberdade, o esconderijo perfeito para suas fugas, pelo pleno conhecimento do território, que possibilita o desaparecimento em meio ao ambiente natural, e também a sobrevivência. A vida na natureza denota ainda a criação de um mundo paralelo, independente da centralização do poder da Igreja e do rei, característica das regras sociais vigentes nas cidades. Assim, o “reino” de Robin Hood, nos esconderijos da floresta de Sherwood, tem fortes significações.

Sua liderança é apresentada como consensual, posto que, embora ele apareça como arqueiro imbatível, sua força física é, em muitas das aventuras, vulnerável e falível. Desse modo, por admirar a capacidade de um adversário que o pôde derrotar em uma disputa, Robin Hood o convida a ingressar no grupo. Mesmo tendo vencido o líder, os componentes do bando o respeitam como um símbolo de justiça popular. Sua liderança não é, então, legitimada por nascimento ou direito, como ocorria com os reis, mas validada pelos companheiros como espontânea, consensual e democrática, pois sugere um princípio de igualdade entre os pares. Esse motivo de “encontro com um valente”10 representa um dos aspectos

importantes e permanentes de constituição da imagem do herói, e permanece popular até as versões contemporâneas. Sua autoridade não é centrada apenas nas características pessoais, mas nos valores de justiça que ele representa. Sempre que se afasta da floresta, Robin elege um companheiro que assumirá a chefia em seu lugar e, para empreitadas mais complexas, escolhe camaradas que possam auxiliá- lo, igualmente imbatíveis em coragem e habilidades, com destaque para João Pequeno, como o segundo homem no comando do grupo.

Também marcante na construção da imagem do arqueiro é seu bom humor e sua habilidade de escapar ou despistar, usando truques ou disfarces. Ele desafia os perigos em perseguições que enaltecem sua astúcia. Ele desdenha jocosamente do poder e afronta seus inimigos, ridicularizando-os nas empreitadas de captura, de largas demonstrações de força e poder. Assim é que as situações divertidas de seus

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10 Denominamos de encontro com um valente o que Stephen Knight chama de “Robin meets his match”: relatos de buscas empreendidas pelo herói por uma disputa com um adversário de grande valor. Desses confrontos, muitas vezes, resulta o reconhecimento, por parte do herói, da grandeza de seu rival, seja ele derrotado ou não.

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assaltos e das fugas atualizam a ação irreverente de um “trickster”11, herói astuto e

malandro que engana, prega peças e despista seus inimigos, de forma a burlar as regras e normas de conduta. Robin diverte-se com os embustes que cria, com os disfarces espirituosos que o levam à proximidade perigosa com o Xerife de Nottingham, com as trapaças que são conhecidas apenas pelos comparsas, mas que envergonham e desmoralizam as autoridades que foram vítimas. Esse comportamento contribui para a imagem simpática que tem perante o povo: ele é ousado o suficiente para desafiar o poder e a força das autoridades; torna-se invisível aos olhos da lei, quando deseja. Entretanto, o herói-bandido não oculta a sua ação dos populares, pois o conhecimento de sua identidade garante-lhe a notoriedade desejada, pela qual se firma no imaginário da ambivalência: é simultaneamente ocultamento e revelação.

A partir do século XV, a Gest of Robyn Hode12, um dos registros literários mais antigos do arqueiro, impresso por volta da primeira metade do século XVI, consiste em uma coletânea de contos e fragmentos de baladas sobre suas aventuras, na qual surge, pela primeira vez, a menção ao bandido nobre. Robin Hood defende o ataque a monges e abades, representantes de um clero corrupto e injusto, mas não permite o assalto a camponeses honestos nem a cavaleiros sinceros – outro aspecto fundamental na construção de sua fantasia heroica. A ação contraventora de Robin destina-se aos representantes de uma elite corrupta e injusta, que deveria ter suas posses apreendidas e redistribuídas ao povo. O !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

11 Trickster é um arquétipo mitológico (deus, deusa ou espírito) notório por sua irreverência e astúcia.

Prega peças e cria situações cômicas, das quais tira proveito. Caracteriza-se pela capacidade de improviso, de drible, pela trapaça e pela dualidade. Da ambiguidade resultante de sua ação pode-se inferir a simbologia do duplo composto pelos contrários (o bem e o mal, o direito e o avesso, o correto e o contraventor, a inocência e a malícia, o conhecido e o desconhecido, etc). Para Renato da Silva Queiroz (1991), “em geral, o trickster é o herói embusteiro, ardiloso, cômico, pregador de peças, protagonista de façanhas que se situam, dependendo da narrativa, num passado mítico ou no tempo presente. A trajetória deste personagem é pautada pela sucessão de boas e más ações, ora atuando em benefício dos homens, ora prejudicando-os, despertando-lhes, por consequência, sentimentos de admiração e respeito, por um lado, e de indignação e temor, por outro.” (Queiroz 1991: 93).

12 A Gest of Robyn Hode, inicialmente publicada sob o título de Robin Hood and Other Outlaw Tales,

é uma espécie de biografia do herói, embora nela não constem informações sobre sua origem nem sobre o início de sua atividade como fora da lei, na floresta. Apesar dessas lacunas, esta publicação fornece fundamental conjunto de aventuras, que influenciará fortemente as posteriores recriações. A Gest of Robyn Hode reapresenta as mesmas características do herói popular já mencionadas nas baladas, reiterando alguns temas. Valores como ousadia, esperteza, bom humor, manha, sagacidade se sobrepõem à coragem e à resistência, o que contribui para a afirmação da imagem do herói malandro, que consegue obter êxito pelo drible. Novamente as forças de Robin e seu bando se voltam contra a usura do clero e a opressão abusiva das autoridades, corporificadas na imagem do xerife. (Knight 2003: 22-24; Knight e Ohlgren 1997)

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imaginário do bandido nobre começa a ser moldado a partir do perfil de representante do povo, do qual faz parte, com quem se identifica e a quem protege. O arqueiro muitas vezes aparece como soberbo e altivo, embora a característica predominante seja sua bondade. Outras relevantes contribuições da Gest of Robyn

Hode são o código de comportamento ético imposto aos membros do grupo e a

menção à morte trágica do herói, vitimado pela traição.

A partir do início do século XVI, as versões das aventuras do “Príncipe dos Ladrões” se multiplicam em folhetos e coletâneas. Os primeiros traziam baladas simples, bastante populares, que se destinavam mais ao canto que à leitura e eram impressas em um só lado da folha de papel, normalmente acompanhadas pelo nome de uma toada à qual iriam se ajustar e por imagens campestres. As coletâneas compilavam doze ou mais baladas impressas em um livreto, normalmente com uma breve introdução. A mais antiga coletânea de que se tem notícia data de 1663. Tanto os folhetos quanto as coletâneas foram bastante populares e muito contribuíram para a divulgação da imagem heroica de Robin: homem do povo, livre, corajoso, atrevido e responsável por um poder paralelo ao sistema oficial, coagente e abusivo.

Ainda no século XVI, a tradição das baladas chega até William Shakespeare, que transpõe as aventuras de Robin Hood para As You Like It (1598-1600), obra na qual destaca o perfil de um jovem de origem aristocrática que, por ver-se privado de seus bens e de seu título, refugia-se na floresta. Segundo Knight, Shakespeare inspirou-se no poema medieval intitulado Gamelyn, provavelmente escrito por volta de 1360. O poema traz a produtiva versão da herança e da sucessão usurpadas, que provoca o exílio na floresta, onde se formará o grupo de fora da lei. Tal vertente de representação do herói tornou-se bastante popular, uma vez que sugeria sua existência real, histórica, de linhagem nobre, o que motivou fortemente historiadores e estudiosos nas buscas de provas documentais. Mas independente das comprovações, o que se destaca neste aspecto é a nobreza de ação. Embora a peça não se refira diretamente a Robin Hood, a sugestão do perfil do herói fica evidente. O jovem arqueiro age como perfeito cavaleiro: não permite que se tire a vida de ninguém, a não ser em defesa própria; partilha o fruto dos assaltos com os menos favorecidos; defende os humildes e indefesos. Desenvolve-se o motivo da

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exculpação de suas atividades contraventoras e violentas, postas como necessárias para a redistribuição de renda, tomada das mãos dos proprietários corruptos, do clero avaro e das autoridades injustas e devolvida às mãos do povo, explorado com impostos abusivos e expropriações. Fortalece-se assim a feição ambivalente do herói.

Este código de conduta sugere uma atualização do imaginário cavalheiresco medieval. Ao tomar o estado da cavalaria13, em sua cerimônia de adubamento14, o novo cavaleiro assume, mediante juramento, o compromisso legitimado pela aristocracia de um ideal de vida elevado de não atacar, roubar ou extorquir camponeses honestos e os pobres em geral e proteger os fracos e desarmados, bem como as mulheres. Entretanto, malograda tal tentativa, sobreviveu a imagem desses cavaleiros defensores dos fracos, justiceiros e vingadores do povo. O imaginário da cavalaria envolve o

culto da coragem e do heroísmo, respeito ao código deontológico que poupa, por interesse ou por ideal, o homem desarmado ou caído por terra; respeito à palavra dada; zelo pela reputação, ampliada pela bravura de uns e pela generosidade de outros. (Flori 2006: 196)

Como já o dissemos, Robin Hood, após escolher o novo membro do grupo, em um combate entre iguais, no qual, geralmente é vencido, convida-o a integrar o bando. Com o aceite, realizava grande comemoração em seu esconderijo na floresta de Sherwood e, no batismo, o novo membro recebia um apelido e, geralmente, um

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13 No francês, verifica-se a distinção dos termos chevalerie, ordem de cavalaria, inclusive em sentido

moral elevado e cavalerie, relativo a esquadrão, tropa, regimento. A cavalaria aparece no século XI, com a categoria dos milites (do latim popular caballarii, soldado, guerreiro livre), guerreiros a serviço dos senhores. Com a crescente desconfiança da Igreja diante da ação dos bandidos nos campos, os milites se distinguiram pelo comprometimento ético e cristão de sua luta: vingar os oprimidos, defender viúvas e órfãos, defender as causas da Igreja. O adjetivo chevaleresque (do italiano cavalleresco, séc. XIV, mas só traduzido para o francês no séc. XVII) depois do processo de cristianização da ação guerreira passou a denotar valores morais elevados, configurando um perfil idealizado. As baladas medievais sobre Robin Hood, em sua maioria, não fazem menção ao arqueiro como um cavaleiro montado, mas o perfil heroico da personagem ganha feição cavalheiresca pelos princípios éticos que defende. (Le Goff 2008: 91-107)

14 O ritual do adubamento do cavaleiro, antes uma cerimônia aristocrática, laica e secular, sofreu

influência da Igreja, que tentou institucionalizá-la, atribuindo-lhe um caráter ético e religioso, dos séculos X ao XII, em benefício da “paz de Deus”: uma tentativa de conter a violência, não apenas nos campos, mas em períodos de festividades religiosas. Surgem as ordens de monges-guerreiros: Templários ou Hospitalários. (Flori 2006: 193-195)

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banho de cerveja. Realizava, pois, o ritual de adubamento do novo integrante do grupo.

Sobre as causas do ingresso de Robin Hood no banditismo, no século XVI, surge na Chronicle at Large (1569), de Richard Grafton, a hipótese de que ele seria um nobre decaído pelas dívidas e pelas perseguições das autoridades. A mácula na integridade do herói endividado é de certa forma compreendida e perdoada pelo imaginário popular, pois assim ele se irmana aos pobres e por eles passa a reagir aos abusos das autoridades usurpadoras. Isso acresce características como despreendimento, imprudente generosidade, nobreza de espírito, caridade, resistência aos corruptos e desonestos e, principalmente, reforça a ambivalência de sua imagem de fora da lei. Tais características alimentaram, em larga escala, a fantasia do herói-bandido de forte apelo popular nas peças de teatro que recriaram a imagem do arqueiro, tanto neste período quanto nos séculos seguintes. Pelo menos onze coletâneas e cinco “Vidas de Robin Hood” apareceram nas últimas décadas do século XVIII.

No século XVIII e início do século XIX, o arquétipo heroico de Robin Hood ganha contornos mais definidos. Até então o perfil do arqueiro oscilava segundo os interesses de seus divulgadores, representando valores muitas vezes opostos, quer

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