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B - Tri multi-clés

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A peletização consiste em submeter o alimento moído ao calor e umidade sob condições de pressão. Os peletes são resfriados rapidamente e secos sob condições de ar forçado. A umidade ideal para a boa peletização varia com a composição da ração. Entretanto, teores de 15 a 18% são desejáveis. Geralmente ingredientes contendo maiores teores de fibra requerem maior nível de umidade, enquanto que aqueles com baixo nível de fibra requerem menos umidade. A peletização pode ser feita a temperaturas de até 88oC sem maiores efeitos sobre a destruição vitamínica ou prejuízo ao desempenho das aves (LEESON e SUMMERS, 1997).

O fornecimento de dietas peletizadas tem se tornado prática comum, embora eficiência do seu valor nutricional, relativamente a consistência farelada tem sido

inconsistente (CALET, 1965). Assim, questões relativas a custo-benefício da

peletização tem sido levantadas (REECE et al., 1985). Alguns autores (BAYLEY et al., 1968) não conseguiram detectar respostas benéficas da peletização sobre o ganho de peso e eficiência alimentar em frangos , enquanto outros sim, trabalhando com frangos (HUSSAR e ROBBLEE, 1962), perus (BLAKELY et al., 1963) e codornas (ANGULO et al., 1993). PLAVNIK et al. (1997) salientam que a variação nas observações pode ter sido devido a: 1) qualidade dos peletes usados nos diferentes experimentos; 2) espécie e idade das aves; 3) comparação do efeito da peletização dos alimentos com diferentes conteúdos energéticos devido a diferenças na adição de gorduras ou conteúdo de fibra.

PLAVNIK et al. (1997) forneceram dietas fareladas ou peletizadas, com níveis crescentes de energia para frangos de corte e perus. O incremento energético foi

obtido a partir da suplementação lipídica ou de carboidratos. Quando a energia

foi aumentada na forma de suplementação por carboidratos, o ganho de peso e a eficiência alimentar foram semelhantes para as dietas fareladas e peletizadas. Entretanto, a elevação foi maior para a as aves que receberam dietas peletizadas. Quando a energia foi adicionada na forma de gordura, também houve uma resposta positiva quanto ao ganho de peso, mas a inclinação da resposta foi inferior nas aves que receberam dietas peletizadas. Isto provavelmente ocorreu devido ao declínio na qualidade dos peletes ao aumentar a gordura na dieta. A trituração dos peletes propiciou pior resposta no ganho de peso e eficiência alimentar, comparativamente a dietas peletizadas. Tanto em frangos como em perus o fornecimento de dietas peletizadas resultou em aumento na gordura abdominal. Resultados semelhantes foram obtidos anteriormente por KLEIN et al. (1995) que estudaram o efeito da forma física da dieta (peletizada ou farelada) sobre as respostas do metabolismo energético de frangos de corte de 21 a 42 dias de idade. Os autores utilizaram a técnica de abate comparativo e verificaram que a peletização favoreceu o consumo, a retenção e a eficiência de retenção de energia metabolizável aparente. Este aumento da retenção de energia causado pela peletização não afetou a quantidade de proteína retida/dia, mas afetou a retenção de gordura. Assim, em animais recebendo dieta peletizada, o percentual de energia bruta retida como gordura aumentou. Estas observações

sustentam os resultados da literatura que demonstram que aves alimentadas com dietas peletizadas tendem a ter maior deposição de gordura e, por conseqüência, menor deposição de proteína. Também KLEIN (1996), avaliando o efeito da qualidade do pelete no desempenho de frangos de corte, mostrou que independente da integridade da estrutura física do pelete, o desempenho dos frangos sempre será

melhor do que o daqueles alimentados com dieta farelada. Entretanto, entre os

tratamentos que as dietas sofreram peletização, os melhores resultados foram para frangos que receberam peletes íntegros. Isto permite concluir que peletizar uma dieta é um procedimento muito recomendado. Entretanto, podendo produzir peletes de boa qualidade, os resultados de desempenho ficarão ainda melhores.

Diversos mecanismos tem sido propostos para explicar os efeitos da peletização sobre o desempenho. A redução no volume da dieta e o tamanho das partículas são argumentos utilizados para explicar o consumo alimentar e energético para

promover o crescimento. A eliminação do efeito sobre o crescimento quando os

peletes foram triturados (ARSCOTT et al., 1957) pode ser utilizado para apoiar esta

hipótese. O efeito promotor do crescimento pode ser suficiente para explicar a

melhora na eficiência alimentar ao peletizar as dietas. Entretanto, diversos aspectos tem sido considerados neste respeito 1) menor gasto energético durante o consumo alimentar (JENSEN e FALEN, 1973); 2) inativação de fatores tóxicos termo-lábeis nos alimentos (ALFRED et al., 1957); e 3) melhora na digestão e utilização dos ingredientes da dieta, especialmente aqueles ricos em fibra (OLSEN e SLINGER, 1968) e alterações químicas nos carboidratos (SAUNDERS et al., 1969), resultando em aumento nos teores de energia metabolizável (SUMMERS et al., 1968) e aumento na biodisponibilidade de aminoácidos (MORAN e SUMMERS, 1970). Por outro lado,

SAUNDERS et al. (1969) observaram que a digestão do amido não foi afetada

pela peletização, possivelmente devido ao excesso de enzimas digestivas presentes no intestino e pela taxa de passagem da digesta pelo intestino. Assim, a melhora na energia metabolizável pela peletização não foi confirmada (FRANCESCH et al., 1994). Por outro lado, MORAN (1987) comentou que a vantagem da peletização está no aumento da digestibilidade dos nutrientes pelo processo mecânico e pela ação da temperatura. A digestibilidade dos carboidratos aumenta porque a amilose e a amilopectina estão organizadas em grânulos e o tratamento térmico desagrega estes grânulos, facilitando a ação enzimática. A peletização também solubiliza parcialmente as proteínas, pela alteração de suas estruturas e libera vários nutrientes com a

ruptura da parede celular. Este autor, entretanto, chamou a atenção de que o

excesso de temperatura durante a peletização, ao contrário, pode comprometer a disponibilidade de lisina (reação de Maillard). Segundo o autor, outra vantagem da peletização é que as aves gostam de ingerir partículas um pouco menores que a cavidade bucal. além disso, as aves produzem uma saliva muito viscosa que tem a finalidade de lubrificar o alimento para ser ingerido. Quando o pelete é integro, a quantidade de saliva é suficiente para fazer este trabalho. Em dietas fareladas ou com peletes pouco resistentes, as aves necessitam de mais saliva, o que elas não tem condições de produzir. Neste caso, quando a dieta tem ingrediente que favorece a reação com a saliva, formando uma pasta (trigo, centeio e cevada), fornecer ao animal dieta peletizada ou com a moagem grosseira deste ingrediente favorece o consumo. Quando isso não é possível, a pasta adere ao canto da boca, onde estão os dutos salivares, prejudicando a secreção de saliva e dificultando, por

conseqüência, o consumo de ração. Muitas vezes, isto favorece a multiplicação microbiana. McNAUGHT (1984) também sugeriu que a peletização destrói inibidores do crescimento e microorganismos e reduz a segregação e as perdas da ração. NIR et al. (1995) demonstraram que a peletização altera o tamanho e a resistência das partículas. Isto afeta os impulsos sensoriais relacionados com o comportamento da ingestão dos alimentos.

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