O sudeste do Pará participou, durante décadas, do chamado período desenvolvimentista, devido ao projeto governamental de ocupação da Amazônia. Aconteceram, nessa época, abertura de estradas, construção de hidrelétricas, aeroportos e a elaboração de grandes projetos mineradores. Essas transformações deram um aspecto diferenciado às cidades e às formas culturais do contexto amazônico, perceptíveis nas manifestações culturais do sudeste paraense. A respeito das praticas culturais, Silva (2006) relata que
As práticas culturasi em Marabá, especialmente até a década de 1970, são resultados dos encontros entre populações do Maranhão, do norte do estado de Goiás (Tocantins) e do baixo Tocantins. Desta forma, encontramos referencias a folguedos, danças e uma literatura oral que evidenciam esses encontros (SILVA, 2006, p. 131).
O município de Marabá tem suas manifestações culturais com características híbridas e sincréticas. Esse espaço plural e múltiplo tem procurado integrar a suas políticas culturais a valorização da cultura local e sua divulgação.
No que se refere á religiosidade, a população é marjoritariamente católica e possui diversas manifestações, dentre as quais se destaca a festa do santo padroeiro São Félix de Valois, que acontece em novembro. Dos festejos constam procissão, novenário e arraial, com barracas de jogos e venda de comidas típicas. Deve-se atentar também para a festa do Divino Espírito Santo, herdada da cultura do Centro-oeste brasileiro e do norte de Minas Gerais, uma
das manifestações culturais mais antigas e tradicionais da região norte e da Amazônia.
Segundo Silva (2006) as festas populares em torno do Divino Espirito são de origem portuguesa e vieram para o Brasil no século XVI. O festejo é frequentado por pessoas vindas de várias regiões do país, como também de pessoas que residem no município. Consiste de uma procissão de barcos pelos rios Tocantins e Itacaiúnas, fazendo os festejos parte de uma tradição cultural difundida no sudeste do Pará.
A Associação Espírita Umbandista fundada em 1980 realiza no mês de Junho a festa de Iemanjá e Oxum na orla, ponto turístico da cidade. É relevante ressaltar que os rios são sempre referência para os movimentos culturais, sejam de caráter econômico, social ou religioso.
Na busca pela valorização da cultura local, há ainda o trabalho da Casa da Cultura, que tem como principal objetivo divulgar e incentivar a cultura e a arte regionais. Através de ações periódicas, a Casa durante muitos anos promoveu concursos de poesia, apresentações de danças típicas do Pará, chegando a realizar o Festival da Canção, que contava com a participação de artistas de todo o país.
Destacam-se também os grupos referência de danças folclóricas como Yaguara, Maya bá, que realizam trabalhos alternativos valorizando a cultura local - danças regionais, como o carimbó, chulá, lundu, o siriá, o brega, tecnobrega, e os nacionais como sertanejo, o Hip Hop rock, entre outras. As manifestações culturais de Marabá têm caráter reivindicatório, voltado à questão da luta pela terra, a defesa da ecologia e as garantias pessoais dos marabaenses. A exemplo, temos o boi-bumbá e a Cordões de pássaros, um dos patrimônios culturais da região, trazido pelos maranhenses, amazonenses e, tocantinenses, que durante muito tempo foram símbolo do clamor dos marabaenses em prol da preservação ambiental. Suas apresentações acontecem durante a quadra junina e em ocasiões especiais, como datas festivas e feiras. Essas manifestações culturais se assemelham, pois se considera que eram folguedos; na verdade, brincadeiras, de negros escravos e caboclos (SILVA, 2006).
O turismo também é fonte de renda para a cidade, com destaque para as praias do Geladinho, Espírito Santo e a pesca desportiva na praia do Tucunaré, que surgem com a baixa dos rios Tocantins e Itacaiúnas, nos meses de junho e julho, período considerado no município como veraneio.
Há ainda o Parque Zoobotânico, museu considerado referência no estado, que abrange os setores de antropologia, de botânica, de arqueologia e o Setor da Geologia. O parque possui a maior reserva urbana nativa da Amazônia, protegida por lei municipal. Apesar de conter grande diversidade de flora e fauna, o Parque Zoobotânico é ainda pouco conhecido e visitado pelos moradores do municipio.
Dentro desse contexto, foi formado um espaço de referência, no qual, segundo Bhabha; Hall (2009) diversos grupos se fixaram à busca de melhores condições de vida. Na contemporaneidade, é marcado por ambivalência e antagonismos resultantes de negociações culturais que permitiram ao indígena, ao negro e ao branco uma fusão que os transformou em mestiços, caboclos e mamelucos, conferindo ao Brasil uma diversidade étnica. Essas negociações, é importante ressaltar, vêm-se dando desde o período pré-colonial e vão muito além dos limites territoriais da região norte.
A bagagem cultural que os imigrantes trouxeram foi fundamental para a constituição de uma identidade para o município. Os protagonistas da história local deixam nas cores, na tradição e nos costumes suas marcas, que vieram a constituir-se em um processo de colonização advindo de programas e projetos políticos. Nesse contexto, muitas foram as lutas por espaços, pelo reconhecimento de culturas diferentes, lutas que se manifestaram em toda ordem conflitos com vistas a tornar possível a conviência entre cruzamentos culturais, nos quais o rural e o urbano se hibridizam.
Em suma, o que se processa nessa dinâmica é o jogo de culturas híbridas, que ora se cruzam ora se deslocam, devido às mudanças e a circulação de produtos simbólicos. Nesse processo, as transformações culturais se processam num continumm fazer cultural híbrido, cheio de entrelaçamentos do local com o global.