Podemos observar em nossa pesquisa que existem diferenças importantes entre os professores. Os professores da Escola A (Pública) se diferem dos professores da Escola B (Particular). Na Escola A (Pública), eles declararam estar insatisfeitos com o relacionamento entre professores x gestão, com a desvalorização profissional, a falta de colaboração entre os professores e de planejamento integrado, de planejamento de uma série para outra, de acompanhamento e ajuda da equipe pedagógica para os professores prepararem suas aulas, de contribuição e empenho da direção para qualificar o ensino e aprendizagem dos alunos, não participam das decisões relacionadas a seu trabalho, não se sentem motivados pela direção para o trabalho docente, a direção não estimula atividades inovadoras. De acordo com o PPP da Escola A (Pública) (2010, p. 28) são apresentadas metas a serem atingidas no prazo de três anos, a primeira meta “é realizar uma avaliação para detectar o índice de satisfação dos alunos, professores, pais e funcionários com relação à gestão escolar”, segundo relato dos professores, esta avaliação nunca aconteceu. Já os professores da Escola B (Particular) declararam estar satisfeitos em relação a esses aspectos. Em relação ao relacionamento professor x aluno, na Escola A (Pública), os professores afirmam que o relacionamento é
bom, na Escola B (Particular), os professores dividem as opiniões, uns dizem que é bom, outros dizem que é difícil, desrespeitoso.
Em relação à atenção dada aos aspectos relacionados às normas administrativas, os professores da Escola A (Pública) dividem as opiniões, uns elogiam o gestor, outros dizem que ela dá atenção às normas administrativas justamente por serem de caráter ostensivo; os professores da Escola B (Particular) dizem que a gestão precisa melhorar nesse aspecto, em função de ter lousas danificadas, ventiladores quebrados e datashow sem funcionar. Em relação à qualidade de ensino, os professores da Escola A (Pública) avaliam-na como de forma insuficiente ou regular; os professores da Escola B (Particular) avaliam-na como boa. As duas escolas pesquisadas reclamaram dos materiais de apoio pedagógico: os professores da Escola A (Pública), afirmam que a escola dispõe de 2 datashow, 2 multimídia, porém, em quantidade insuficiente para três turnos com 16 salas de aulas, dispõe de uma biblioteca fechada, um laboratório de informática e de Ciências fechados. Os professores da Escola B (Particular) também reclamam da quantidade de datashow e multimídia, mas, segundo o coordenador de disciplina do ensino médio, está sendo providenciado um multimídia para cada sala de aula do ensino médio.
A pesquisa questionou os professores sobre o significado da expressão “fracasso escolar”: segundo os professores da Escola A (Pública), o fracasso escolar é resultado da ausência familiar e da ausência de valores, de um antagonismo entre a modernidade e a escola, falta de metas, de objetivos, é o aluno frequentar o ano letivo e não dizer o que aprendeu, é o professor perceber que o aluno não evoluiu no trabalho desenvolvido, é a falta de compromisso do professor e do aluno com o ensino, é resultado de um sistema falido, é resultado de um sistema que é elaborado para não dar certo; para os professores da Escola B (Particular), é o aluno desistir da escola, é o aluno apático, é o aluno que está alheio a tudo que acontece dentro da escola, é o professor desistir do aluno, é o não aprendizado dos conteúdos trabalhados anualmente e consequentemente o baixo rendimento. As explicações dos professores da Escola A (Pública) para o fracasso escolar são: as políticas educacionais, situação socioeconômica dos discentes, mudança de valores, deficiência de conhecimento provenientes do ensino fundamental, falta de interesse dos alunos pelos estudos, de confiança na escola, acompanhamento familiar, formação continuada para professores e o envolvimento dos alunos com as redes sociais. Para os professores da Escola B (Particular) há deficiência na base, falta de vontade, de motivação, de compromisso com os estudos, falta ritmo e disciplina nos horários de estudo.
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A pesquisa pediu que os professores caracterizassem o “bom aluno” e o “mau aluno”: os professores da Escola A (Pública) disseram que o “bom aluno” busca novos horizontes, procura atingir seus objetivos, está interessado, vem às aulas, traz material, é engajado, compromissado, participa, questiona, gosta de desafios; o “mau aluno” tem sempre justificativa para não estudar, não traz material, dispersa-se facilmente, não se sente motivado a fazer nada. Para os professores da Escola B (Particular), o “bom aluno” é assíduo, participativo, tem motivação para aprender, é compromissado, atento, focado, aplicado, estudioso. O “mau aluno” é desrespeitoso, não participa das aulas, não faz as atividades, não tem motivação para aprender e é indisciplinado.
Em função das características dadas para o “bom” e o “mau” aluno, os professores da Escola A (Púbica) elencaram as maiores dificuldades enfrentadas para combater o fracasso escolar: indisciplina, desinteresse dos alunos, falta de participação da família, deficiência na base, falta de material didático, aluno faltoso, falta de motivação de professores e alunos, falta de foco na qualidade de ensino; na Escola B (Particular), os professores apontam a falta de motivação, fragmentação das disciplinas, parceria família-escola. Mas quando os alunos apresentam desempenho muito abaixo da média com risco de fracassar na escola os professores da Escola A (Pública) afirmam que aplicam trabalhos diferenciados e mais dinâmicos, principalmente na área de tecnologia, motivam os alunos a estudarem, chamam os pais para conversar sobre o baixo rendimento dos alunos e outros.
Na Escola B (Particular), os professores dizem que orientam o aluno a buscar reforço, oferecem ajuda, trabalham os conteúdos em que os alunos apresentam maior dificuldade para que tenham melhor compreensão. Os professores da Escola A (Pública) dizem que os culpados pelo fracasso escolar são todos que estão envolvidos no processo ensino- aprendizagem: a família, o sistema educacional, os alunos, as tecnologias, a pedagogia tradicional, a sociedade e as políticas públicas. Para os professores da Escola B (Particular), é um misto de problemática que envolve todo o contexto escolar: a falta de acompanhamento dos pais e as redes sociais, a própria estrutura educacional totalmente defasada, o próprio aluno.
Em relação ao questionamento “para que serve a escola”, os professores da Escola A (Pública) dividem as opiniões: para uns a escola é importante, é um ambiente bom, sem a escola a pessoa não pode ascender socialmente, culturalmente e economicamente; para outros a escola foi feita para não dar certo, a escola pública é reprodutora do fracasso escolar. Para os professores da Escola B (Particular), a escola é um espaço de transformação social, serve para o aluno ter uma visão do mundo, do meio onde ele vive, crescer como pessoa, crescer no
conhecimento e se preparar para a Universidade, serve também para formar o indivíduo nos aspectos sensorial, moral e intelectual.