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A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, Você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, Você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? (José - Carlos Drummond de Andrade)

Esse poema me retornou a memória após uma conversa com a professora de EF Anita da escola no início do ano letivo de 2012 em decorrência do seguinte pedido da mesma: “Queria

que você pensasse algumas estratégias de formação a partir dos seus dados e análises da cultura da nossa escola. Se houver disponibilidade, gostaria que você participasse do grupo de formação continuada da escola”. “E agora, José?”. Nós já havíamos pensado em estratégias de devolutiva dos dados para a comunidade da escola, contudo pensar estratégias de formação soou como um grande desafio, que ao mesmo tempo não poderia ser recusado, uma vez que acreditamos na importância de construir ações significativas de retorno da investigação.

Mais do que trazer novamente as discussões e os argumentos já apresentados no decorrer do texto, intentaremos explicitar como a comunidade da escola recebeu e compreendeu nossas análises e apresentaremos em seguida algumas estratégias de formação pensadas a partir da investigação12.

O “Déficit comunicativo de assentimento mútuo” e, como desdobramento do mesmo, as dificuldades de estabelecimento de reconhecimento entre os pares na comunidade escolar foi um dos temas mais pautados nas discussões. Nos discursos dos professores notamos uma urgência de que possam ser criados momentos, nos quais os mesmos possam traçar metas comuns para suas práticas pedagógicas. A necessidade de romper com uma cultura de

atomismo das práticas pedagógicas e uma espécie de luta por autoconservação baseada

somente nos interesses individuais, parece ser recorrente entre os professores. Outro ponto, seria a necessidade de pensar a autonomia para além da ideia de liberdade de ação, ou seja, a falta de projetos comuns não permite que objetivos possam ser traçados considerando a especificidade de cada disciplina.

Em discussão com os professores, chegamos à conclusão de que há a necessidade urgente de se pensar um “solo comum” para os inúmeros projetos que são desenvolvidos na escola. A articulação entre os mesmos seria um ponto chave para a instauração de processos de reconhecimento das práticas e capacidades dos professores. Tendo em vista essa necessidade, em conjunto, pensamos uma estratégia interessante para a formação continuada, que consistiria, num primeiro momento, promover a apresentação e discussão dos sentidos 12 As discussões que faremos a seguir são desdobramentos de processos de devolutiva dos dados com cada professor que participou da amostra e também são fruto de uma reunião, da qual participaram a professora de EF, as duas pedagogas e a coordenadora do projeto “Tempo Integral” da escola.

elaborados por cada professor e suas histórias de vida, para que, assim, pudéssemos encontrar pontos comuns para a estruturação de projetos. Dessa intenção, elaboramos um desdobramento político, no qual iremos reivindicar a possibilidade da Secretaria de Educação destinar uma carga horária maior para as discussões e os planejamentos coletivos no horário de trabalho.

Outro ponto bastante discutido foi a necessidade de se enfrentar as dificuldades metodológicas que os professores estão encontrando no processo de ensino aprendizagem. Oitenta por cento dos docentes que foram investigados declararam que não estão se autorrealizando com o ensino, pelo fato de não perceberem o aprendizado dos alunos. Uma das causas apontadas tanto pelos professores quanto pelos alunos é a obsolescência e não dinamicidade das práticas pedagógicas tendo em vista a produção do conhecimento na escola. Um dos desdobramentos desse diagnóstico seria a iniciativa de estudar, no grupo de formação continuada, algumas propostas que pensam a “Escola em Movimento”. Os professores destacam a necessidade de produção de novas formas metodológicas que promovam mais dinamicidade e atratividade no ensino. Em virtude dessa discussão, a comunidade da escola decidiu manter o projeto “Redescobrindo o prazer na escola”.

Discutimos também a necessidade de debatermos e compreendermos as propostas pedagógicas dos professores das disciplinas de “segunda classe” da escola (Artes, EF e Língua Inglesa). Para tanto, há a necessidade de ampliar o horizonte de valores da escola para que, assim, possam construir propostas educacionais que incluam tais disciplinas e reconheçam o papel das mesmas no aprendizado dos alunos.

Por fim, outro indicativo para o grupo de formação continuada, para o desenvolvimento de suas ações este ano, seria a constante tematização do trabalho docente pelos professores. Uma das alternativas metodológicas seria a produção de uma oficina de fotos, na qual os professores pudessem, por meio da imagem, elencar práticas, ações, estruturas, entre outras dimensões do seu fazer, que potencializem o seu trabalho e também situações que se mostrem como empecilhos para a atuação docente. O principal objetivo é o de que a formação continuada possa continuar exercendo o seu papel terapêutico na vida dos professores portematizar e construir caminhos para enfrentar e resistir ao sofrimento.

Os desdobramentos da investigação e as estratégias de formação continuada foram mecanismos por nós encontrados para estreitar a relação entre a universidade e a escola e, de certa forma, tentar desconstruir o imaginário de que os pesquisadores “saqueiam o ouro” (os dados), fazem as análises e se vão...

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