Chegamos às reflexões finais, não no sentido do caráter conclusivo do estudo, mas como uma possibilidade de encaminhamentos sobre as interpretações dadas, as questões não respondidas e as possíveis contribuições acadêmicas e sociais desse trabalho. Assim, nossa tarefa encerra-se por arrematar os elementos que ora constituíram a nossa pesquisa.
Em face do nosso objeto de estudo: as representações sociais sobre alfabetização de professores da EJA, a TRS possibilitou apreendermos o conteúdo da representação não somente por meio daquilo que as participantes do estudo expressaram com palavras, mas também por meio de todas as formas de linguagens as quais recorriam para expressar suas representações.
Constatamos distintas representações entre os grupos e dentro deles mesmos. Essas diferenças no ato representacional, estão ligadas a todos os fatores que constituem a elaboração das representações sociais e que se distinguem de grupo para grupo. Compreender a natureza da teoria a qual nos propomos a estudar foi essencial para analisarmos as diferentes representações acerca do nosso objeto de estudo.
A natureza da Teoria da Representação Social nos levou a compreender que toda elaboração representacional é realizada por sujeitos que não são só produtos de determinações sociais, nem produtores independentes. São elaboradores de conhecimento a partir de seus referentes, os quais se encontram na interface psíquica e social, isto é, tem caráter social e individual simultaneamente.
Dessa forma, compreendemos nesse estudo que as representações as quais nossas participantes apresentaram, não são estáticas, nem tampouco encerram-se suas significações com a conclusão dessa pesquisa. Aqui apreendemos representações que foram construídas com base nos referentes de nossos sujeitos em um dado momento social e histórico. Tais representações estão inseridas em contexto movediço e dinâmico, o qual forjará suas ressignificações conforme a familiarização com o objeto em questão: a alfabetização de jovens e adultos.
Como apresentado no curso do trabalho, as participantes da pesquisa apresentaram diferentes significações acerca da alfabetização de jovens e adultos. Na escola 1, as participantes tenderam a uma unificação da representação sobre o objeto. Já as participantes da escola 2 distinguiram-se entre si em suas significações. Essas nuances são características da representação social, uma vez que toda elaboração é permeada pelas marcas subjetivas dos indivíduos. Embora o grupo tenha os mesmos referentes para a construção da representação,
podem significar de maneiras distintas, pois processam e materializam os objetos de conhecimento distintamente.
Analisamos os referentes para a elaboração da representação para os dois grupos e verificamos que quando mudavam alguns referentes também mudavam as significações atribuídas ao fenômeno da alfabetização. Portanto, as docentes com formação inicial nos cursos de pedagogia, em instituições públicas de ensino, bem como com maior tempo de atuação na Educação de Jovens e Adultos, representaram mais fortemente a alfabetização no universo reificado, ou seja, aproximavam-se mais do que é proposto nas discussões acadêmicas sobre alfabetização de jovens e adultos.
Em relação as participantes da escola 2, houve maior discrepância nas representações. Quando verificados os referentes das docentes da segunda escola, vimos que as formações iniciais, as instituições nas quais se formaram e o tempo de atuação na educação de adultos, contribuíram significativamente para tais diferenças e consequentemente para a não unificação desse grupo. A representação apresentada pelas docentes da escola 2 mostra-se hibrida por apresentar elementos do universo reificado e ao mesmo tempo elementos do universo consensual, como vimos nas observações feitas de uma das docentes da segunda instituição da pesquisa. Caracterizamos assim, a representação como hibrida, por essa trazer marcas do discurso que circula socialmente sobre o fenômeno da alfabetização, e em contrapartida, a discussão sobre alfabetização inscrita no universo acadêmico.
Para a composição da representação também contribui o contexto social e histórico que envolve o fenômeno da alfabetização de adultos. Como toda representação social tem uma historicidade, conforme afirmou o próprio Moscovici, o fenômeno que estudamos também pode ser explicado a partir da sua história. História essa atravessada pela secundarização do direito à educação aos jovens e adultos, bem como pela não politica de formação de educadores da EJA. Uma história marcada pelo reconhecimento tardio de um direito e, ainda, pela não cultura do direito à educação de adultos. Todas essas implicações delineiam o entendimento atual da alfabetização para o público da modalidade EJA.
Contudo, todos estes elementos constitutivos das representações sociais nos levam a crer que seu caráter não estático pode ser transformável, partindo da compreensão de que toda representação é construída e partilhada socialmente, caberá às instituições formadoras de docentes que atuarão na educação de jovens e adultos, repensar seus currículos para atender as demandas formativas dos educadores que terão repercussões nas vidas dos jovens e adultos.
Assim, consideramos como implicação social da pesquisa os apontamentos que fazemos para que as instituições formadoras repensem o modelo que tem ofertado, principalmente no que diz respeito a formação de professores que atuarão na modalidade EJA. É preciso encarar como prioridade a formação desses docentes e dar a devida atenção para a dimensão da alfabetização de jovens e adultos, haja vista as demandas específicas dessa modalidade, conforme já discutido no trabalho.
Em relação a formação inicial, os cursos de pedagogia necessitam estar atentos para o currículo adotado; se levam em consideração as discussões sobre a EJA e quais dimensões incluem; se abordam a dimensão da alfabetização para jovens e adultos e idosos e em quais perspectivas. Se estas perspectivas incluem os estudos acerca dos processos de aprendizagem do público da EJA, bem como se estão dando a importância devida a essa modalidade, colocando-a não só como componente curricular obrigatório, mas também como exigência do curso o cumprimento desse componente no estágio supervisionado.
No que diz respeito a formação continuada, como é caso das participantes desse estudo, cabe aos órgãos de ensino básico da rede pública, buscar parcerias com as universidades no intuito de promover essa formação. Tal formação pode ser pensada no sentido teórico e prático, aliando a atualização/reconfiguração das representações sobre alfabetização com as práticas efetivadas pelos docentes em turmas de alfabetização.
A continuação da formação de professores alfabetizadores da EJA precisa levar em conta os conhecimentos que estes possuem acerca dessa prática e levá-los a refletir sobre ela, com o objetivo de potencializá-la.
Considerando a realidade atual da conjuntura da alfabetização na EJA, que tem sido quase que exclusivamente promovida pelas redes municipais de ensino básico, sugerimos à Secretaria de Educação do Natal que organize propostas de formação continuada para aqueles que atuam na alfabetização de adultos, uma vez que a presente pesquisa constatou essa necessidade de formação, para assim promover e assegurar efetivamente a aprendizagem dos estudantes dessa rede de ensino.
Como implicação teórica, destacamos a contribuição da Teoria das Representações Sociais por nos permitir desvelar o processo de elaboração das significações construídas em torno dos objetos e por ser social é igualmente passível de mudança, o que nos leva a repensar os currículos que tem sido ministrados nas instituições formadoras, sendo essas capazes de
reconfigurar as representações em tela, haja vista a relevância social que elas possuem no seio social, no que se refere a constituição dos perfis docentes.
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Apêndice A – Questões Norteadoras da Entrevista com as Docentes
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO – PPGED
QUESTÕES PARA ENTREVISTA COM OS PROFESSORES
1 Para você o que é alfabetização? 2 Para você o que é letramento?
3 Você articula alfabetização e letramento? De que forma?
4 Quais as dificuldades que você encontra para alfabetizar na EJA?
5 Quais conhecimentos/competências você considera que um professor da EJA deve ter para alfabetizar jovens e adultos?
Apêndice B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO – PPGED
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DA PESQUISA: ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE
PROFESSORES DA EJA
Este é um convite para você participar da pesquisa intitulada: Alfabetização de Jovens e
Adultos: representações sociais de professores da EJA que tem como pesquisadora responsável
a mestranda Jéssica Lira da Silva, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, orientada pela professora Drª. Erika dos Reis Gusmão Andrade. Esta pesquisa pretende conhecer/analisar as representações dos professores da EJA acerca da alfabetização.
A finalidade deste estudo é aprofundar conhecimento na área de formação de professores que atuam na modalidade de ensino da Educação de Jovens e Adultos, em turmas de alfabetização, bem como contribuir para o campo de estudos acadêmicos e de relevância social a partir dos resultados apresentados.
Caso você decida participar, serão aplicados os seguintes instrumentos de construção de dados: a) entrevista semi-estruturada b) questionário c) observação não participativa. O questionário objetiva levantar o perfil dos docentes que atuam na EJA, contendo perguntas de resposta pessoal. O tempo estimado para sua aplicação é de 20 minutos. A entrevista será registrada por gravação de voz, após sua autorização. As informações prestadas serão transcritas e você terá acesso às mesmas. As observações em sala de aula, do tipo não participativa, serão realizadas em dias e horários combinados previamente entre pesquisadora e pesquisado.
Durante a aplicação dos instrumentos da pesquisa: questionário, entrevista semi- estruturada e observação, a previsão de riscos é mínima. Caso o participante sinta-se afetado haverá ressarcimento das informações prestadas e a possibilidade de não autorização de utilizar
os dados coletados. Ao participar desta pesquisa você contribuirá para o avanço das ciências humanas possibilitando às instituições acadêmicas reavaliar o currículo da formação de professores, bem como contribuirá para a reflexão acerca das representações que guiam as práticas de alfabetizar dos professores que atuam na modalidade EJA.
Em caso de algum problema que você possa ter relacionado com a pesquisa, você terá direito a assistência gratuita que será prestada da maneira que lhe for conveniente, sob a responsabilidade da pesquisadora (Jéssica Lira da Silva).
Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para: Jéssica Lira da Silva, telefone: XXXXXXXXXXX, e-mail: XXXXXXXXXXXXXXXXX.
Você tem o direito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem nenhum prejuízo para você.
Os dados que você irá nos fornecer serão confidenciais e serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, não havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar.
Esses dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e por um período de 5 anos.
______________________________ (rubrica doParticipante) ________________________(rubrica do Pesquisador)
Se você tiver algum gasto pela sua participação nessa pesquisa, ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você.
Se você sofrer algum dano comprovadamente decorrente desta pesquisa, você será indenizado.
Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá ligar para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, telefone 3215-3135.
Observação: Este documento foi impresso em duas vias. Uma ficará com você e a outra com a pesquisadora responsável (Jéssica Lira da Silva).
Impressão datiloscópica do
participante Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela
trará para mim e ter ficado ciente de todos os meus direitos, concordo em participar da pesquisa ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: REPRESENTAÇÕES
SOCIAIS DE PROFESSORES DA EJA
e autorizo a divulgação das informações por mim fornecidas em congressos e/ou publicações científicas desde que nenhum dado possa me identificar.
Natal, __________________________________________________
Assinatura do participante da pesquisa
Declaração do pesquisador responsável
Como pesquisador responsável pelo estudo intitulado ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE PROFESSORES DA EJA
declaro que assumo a inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade sobre a identidade do mesmo.
Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido estarei infringindo as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano.
Natal, ______________________________________
Assinatura do pesquisador responsável
Apêndice C – Questionário Aplicado às Participantes do Estudo
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO – PPGED
Prezado (a) Professor (a),
Para sistematização da pesquisa de mestrado, intitulada: Alfabetização de Jovens e Adultos: representações sociais de professores da EJA, precisamos de sua colaboração, respondendo o presente questionário.
Sua participação será de grande importância, pois nos dará os subsídios necessários para