8. Filling the ball and proof of Theorem 1.2
8.4. Transition probabilities for bridges
pedagógico
Segundo o relatório Becta37 (2008), as aplicações Web 2.0 são indicadas como um poderoso meio de motivação e envolvimento dos alunos na aprendizagem, onde se destacam quatro pontos:
• A Web 2.0 possibilita novas formas de pesquisa e de investigação aos alunos, no sentido de permitir maior autonomia aos mesmos, sem esquecer o papel orientador do professor neste tipo de trabalho;
• A implementação de ferramentas Web 2.0 nos processos de ensino – aprendizagem possibilita novos ambientes e permite outras oportunidades, o que por si pode despertar o interesse de se expressar através de outros meios e com outro tipo de audiência, que não só os colegas da sala;
• A característica social da Web 2.0 permite desenvolver actividades colaborativas com os alunos. Isto é possível graças à facilidade que esta tecnologia fornece no âmbito da comunicação, nomeadamente a discussão ou diálogo entre os vários intervenientes.
37 Becta Report 2008 - Implementing web 2.0 in secondary schools: Impacts, Barriers and issues.
• A possibilidade dos alunos poderem publicar os seus conteúdos na Internet é também visto como um grande trunfo da Web 2.0, pois é-lhes concedido uma maior responsabilização na produção e edição de conteúdos, permitindo também momentos de aprendizagem menos formais ou mesmo fora da sala de aula.
Os dados do relatório acima referido são fruto de experiencias de vários professores que utilizaram ferramentas Web 2.0 no processo de ensino – aprendizagem dos seus alunos. Para melhor se entender de que forma estas ferramentas podem ser abordadas em termos educativos será apresentada, nos parágrafos seguintes, um pequeno resumo das características particulares das aplicações Web 2.0 e as perspectivas pedagógicas das mesmas, com base nas propostas de diversos autores (Anderson, 2007; Hargadon, 2008; O’Hear, 2005, 2006; O’Reilly, 2005; Ullrich et al, 2008).
• A Web como plataforma – Antes da Web 2.0 as aplicações de edição de páginas de Internet tinham de ser pagas e eram exclusivas apenas para alguns (Romaní & Kuklinski, 2007). Porém, o novo conceito de Web 2.0 apresenta-se através de software gratuito, utilizando a Web como plataforma, ou seja, as ferramentas e os seus conteúdos estão na Internet e não no computador. Neste âmbito, O’Hear (2006) assinala que as ferramentas de edição on-line, como por exemplo o blogue, permitem aos alunos registar de forma muito simples os seus pensamentos, possibilitando igualmente, caso deixe adicionar comentários, a interacção com outros intervenientes que podem incluir os professores, colegas de turma ou outros leitores;
• Modelo de programação simples e criatividade individual – Uma das características das aplicações Web 2.0 está em permitir a qualquer utilizador, sem conhecimentos de programação, produzir e publicar conteúdos na Internet. Desta forma, os utilizadores podem participar activamente na produção de conteúdo para a Internet, através da publicação de conteúdos individuais (blogues, podcasts, etc.) ou por meio de contribuições colectivas numa determinada página (por ex. wikis). Em termos pedagógicos, Ullrich et al (2008) salientam a natureza construtivista das aplicações Web 2.0, uma vez que permite uma aprendizagem centrada no aluno, onde os próprios criam conteúdos, partilhando-os e misturando-os com outras fontes de informação na Internet. Por seu lado, Hargadon (2008) salienta que os serviços actuais da Web 2.0 permitem aos alunos criarem portefólios digitais on-line, significando isto que podem ser usados como um “registo vivo da sua aprendizagem:
um lugar para colocar questões, publicar trabalhos em curso ou um meio para fornecer links (ou comentários sobre) sobre recursos da Internet pertinentes” (O’Hear, 2005); • O poder da comunidade à volta de uma temática – Para Alexander (2006), um
dos maiores componentes da Web 2.0 é o “Software Social”. As wikis, blogues, podcasts ou sistemas de organização de conteúdos, tais como o Flickr e o Youtube, são exemplos onde se pode aplicar este tipo de filosofia, pois permitem, com as devidas limitações que podem variar de caso para caso, editar conteúdos colaborativamente, administrar a informação de acordo com as suas preferências ou necessidades e partilhar recursos de uma mesma área. Esta característica pode ser bastante benéfica para a aprendizagem, pois vai ao encontro da teoria de Vygosky (1999), que sugere que a aprendizagem do aluno não é feita isoladamente, mas sim através do que o seu grupo social produz. É de referir ainda que a particularidade social da Web 2.0 é possível graças à “facilidade na publicação e rapidez no armazenamento de textos e ficheiros” (Coutinho & Júnior, 2007) na Internet;
• Arquitectura de participação – Segundo O’Reilly (2005), uma das chaves da Web 2.0 está no facto dos utilizadores poderem contribuir na construção dos serviços que utilizam. Anderson (2007) assinala que isto é possível porque a forma como estes serviços foram desenhados, possibilitam a sua edição por utilizadores em massa, de forma simples. Este mesmo autor continua e diz que, em termos práticos, esta “arquitectura de participação” (O’Reilly, 2005) dos utilizadores só ocorre quando o serviço fica verdadeiramente melhor através da utilização normal do mesmo. Ullrich et al (2008) salientam que grande parte dos serviços Web 2.0 possibilita por um lado a inclusão de pequenas unidades autónomas, tais como imagens, vídeos, sons, que podem ser depois combinados, e por outro a inserção de widgets38, que permitem a
integração de serviços externos à página que estamos a editar. Em termos educativos, segundo o mesmo autor, estas potencialidades podem levar os alunos a criar novos conteúdos através da combinação de outros, como também podem levar à ampliação do ambiente de aprendizagem por meio da funcionalidade de dada pelos widgets; • A gestão de base de dados como competência básica – O’Reilly (2005) assinala
que muitos serviços Web 2.0 especializaram-se no desenvolvimento de base de dados poderosos (Youtube, Flickr, etc,). O mesmo autor refere que o valor do software é
38 Widgets são pequenas aplicações que se podem inserir numa página de Internet, sem implicações de programação,
através de um código fornecido pelo próprio serviço externo ligado à aplicação escolhida. Na maioria das vezes os widgets apresentam-se na forma de janelas informativas, aplicações multimédia, links, bookmarks ou ferramentas de comunicação.
proporcional à escala e dinamismo dos dados que consegue gerir. Neste sentido, Voigt (2007) assinala como um dos princípios da Web 2.0, a reutilização, sempre que se quiser, de dados, tais como imagens (p. ex., Flickr), vídeos (p. ex., Youtube), podcasts (p. ex., PodcastAlley), mapas (p. ex., Google Maps). Para Ullrich et al (2008), esta característica pode ser explorada em termos educativos, numa primeira fase através da recolha de informações, para depois poder construir novos conteúdos através da mistura das diversas informações recolhidas;
• Fim do ciclo das actualizações das versões de software – Com a Web 2.0 os aplicativos não são mais vistos como um produto, mas sim como um serviço (Voigt, 2007). Uma vez que os serviços funcionam directamente na Internet, estes podem receber actualizações constantes e sem grandes implicações para os utilizadores; • Acesso gratuito à informação – Hagadon (2008) refere que a palavra-chave da
Web 2.0 é abertura, onde se destacam como principais exemplos, o acesso a conteúdos de forma gratuita e o software “open source” (código aberto). No campo logístico, a democratização que o “open source” permitiu ao nível de acesso de software, ajuda a que o orçamento da escola não seja uma barreira à utilização de soluções actualizadas e de acordo com as tendências. Em termos educacionais pode ser vantajoso, já que a Web 2.0 dá a oportunidade de aprender sobre qualquer assunto de forma facilitada (idem), como também permite a qualquer um participar e partilhar conhecimento, graças à simplicidade de editar e publicar conteúdos na Internet (Ullrich et al, 2008);
• Acesso independente aos conteúdos em qualquer dispositivo e em qualquer
lugar – Segundo O’Reilly (2005) uma característica de relevo na Web 2.0 está no
facto de que os serviços e os conteúdos não estão limitados apenas à plataforma do computador. Neste sentido, O’Hear (2005) assinala que a massificação do uso de dispositivos móveis (telemóveis, leitores MP3, PDAs, etc.) veio permitir aos professores e os alunos novas oportunidades de publicar e partilhar conteúdos através da Internet. Um dos exemplos, referidos por O’Reilly (2005), desta nova forma de concepção de serviços para dispositivos móveis é o iTunes. O mesmo autor continua e assinala que a combinação do iTunes com o iPod foi uma das primeiras aplicações delineadas para que fosse possível a transferência de conteúdos da Internet para diversos dispositivos móveis. Porém, a grande vantagem não está na possibilidade de transferir conteúdos, mas sim na possibilidade de o próprio utilizador poder participar nos serviços Web 2.0 através dos dispositivos móveis (Ullrich et al, 2008). Em termos pedagógicos, segundo os mesmos autores, este meios móveis podem activar a
participação dos alunos, já que os mesmos podem produzir conteúdos em qualquer lugar, através dos dispositivos móveis, e enviá-los para a Internet mais tarde ou de imediato (p. ex. envio de mensagens por telemóvel para serviços de Micro-blogging, como o Twitter).
Como foi visto até agora, a Web 2.0 apresenta características que podem ser bastante vantajosas diante do processo de ensino – aprendizagem. Ullrich et al (2008) apontam como principais vantagens pedagógicas, a aprendizagem social e a participação activa dos alunos. Downes (2005) salienta que, para além da grande autonomia dos alunos, a aprendizagem activa no contexto da Web 2.0 é acentuada pela criação, comunicação e participação dos mesmos, pondo em pé de igualdade os papéis do professor e aluno no processo de aprendizagem. Dentro da área da Web 2.0, O’Reilly (2005) salienta ainda que é no âmbito dos dispositivos móveis que estarão provavelmente as maiores mudanças e uma das melhores oportunidades para poder participar activamente na Internet. Neste âmbito, Downes (2005) utiliza o termo e-Learning 2.039 para realçar as novas potencialidades das aplicações Web 2.0 no ensino à distância através de dispositivos móveis, o que nos leva a crer que estamos perante uma tecnologia com bastantes potencialidades educativas, já que para O’Hear (2006), as competências necessárias para a sua implementação parecem "relevantes" para o mundo de hoje. Nas próximas páginas tentar-se-á enquadrar as razões que levam a que cada vez mais educadores se interessem pelas tecnologias móveis, como uma ferramenta para auxiliar os processos educativos. Será igualmente descrito de que forma os dispositivos móveis podem ser utilizados em ambientes de aprendizagem, realçando as características e as potencialidades específicas que os mesmos podem ter em diversos cenários pedagógicos. Também não pode ser esquecido que adopção de tecnologias móveis, para além de implicar questões técnicas e pedagógicas, requer também uma nova postura do professor perante ambientes de aprendizagem bastante diferentes dos habitualmente referidos como tradicionais.
39 Este termo está intimamente ligado ao m-Learning, já que a aprendizagem pode ocorrer em qualquer lugar e em qualquer momento, graças aos dispositivos móveis.