2 ème Partie
TRANSFORMATIONS DU PLAN
Os resultados da investigação realizada na USALBI permitem afirmar, em termos gerais, que os objetivos deste estudo de caso foram concretizados, podendo-se verificar que os idosos que frequentam a USALBI sentem que as APPs lhe conferem uma maior inclusão digital e que promovem condições de melhoria nas valências de carácter cognitivo.
Inicia-se a apresentação das conclusões com os dados obtidos referentes à análise de conteúdos das entrevistas realizadas ao especialista em Gerontologia Social e ao especialista em TIC, as quais permitem dar uma visão mais teórica e conceptual relativamente à importância das TIC para os idosos e para o caso particular das APPs relacionadas com o treino cognitivo. Houve uma preocupação em cruzar opiniões de dois especialistas, um deles na área das TIC e o outro na área do envelhecimento com o intuito de tentar averiguar quais as opiniões comuns e quais os aspetos mais particulares referentes a cada área dos entrevistados uma vez que esta investigação faz o ´cruzamento´ entre as TIC e o processo de envelhecimento. Tal como é referenciado na bibliografia consultada (ver capítulos I e II) as opiniões são convergentes ao assumirem que as tecnologias são fundamentais no sentido de serem incluídas pelos idosos no seu processo de envelhecimento. No que concerne às APPs associadas ao
treino cognitivo, de acordo com as suas diferentes valências neste domínio, os entrevistados apresentaram também uma convergência nas suas opiniões ao afirmarem que estas são/podem ser uma verdadeira mais valia de forma, a prevenirem doenças degenerativas ao nível cognitivo e que o treino, associado as diferentes atividades propostas, proporciona aos idosos momentos de treino que são considerados muito úteis para a sua sanidade mental. No que diz respeito à formação das TIC com os idosos e, em particular, com as APPs, o especialista em TIC adverte para que essa formação envolva diretamente os idosos antes da sua posta em prática. Quer isto dizer que a seleção dos conteúdos/APPs deverá ser feita em conjunto, envolvendo o formador e os idosos/formandos para ir ao encontro das suas reais necessidades. Nesta investigação este cuidado foi tido em consideração. Pois, as APPs que foram alvo de investigação foram uma consequência da seleção e da escolha dos idosos envolvidos na amostra.
Seguidamente, apresentam-se as principais conclusões retiradas das utilizações práticas. Ou seja, correspondem a dados que foram recolhidos através de uma utilização prática das APPs pelos idosos com as respetivas notas de campo e das opiniões dos mesmos através do inquérito por questionário e das observações realizadas aos alunos/formandos. Nesta fase da investigação, relativa às observações recolhidas, tal como a literatura evidencia, estes idosos manifestaram algumas lacunas no que diz respeito às suas competências digitais. No caso concreto, as dificuldades foram um pouco acrescidas pela razão de estarem a utilizar um equipamento novo e a explorarem ferramentas digitais (APPs) que também eram uma novidade. Por essa razão, foi preciso criar um espaço formativo e de exploração nestas duas dimensões e ultrapassar barreiras ao nível da utilização que foram sentidas ao nível do varrimento de ecrã e da coordenação óculo-manual. Após esta fase ´introdutória´, foi-se verificando uma maior à vontade e uma maior destreza na utilização do tablet e na exploração das APPs. Apesar da grande maioria começar a ter uma utilização considerada adequada, houve ´aqui e acolá´ alguns idosos que iam manifestando dificuldades pontuais. Atendendo às pontuações obtidas, houve um aumento crescente das mesmas o que indicia melhores níveis de performance. Fazendo uma inferência desta observação é-se levado a concluir que a utilização destas APPs estava a melhorar o desempenho do seu treino cognitivo nas diferentes valências dos jogos/atividades associadas às capacidades: da ´memória´, do ´raciocínio´, da ´linguagem´, da ´agilidade mental´, da ´perceção´, do ´foco´ e da ´emoção´. Neste contexto, a investigadora observou que entre os idosos começou a surgir um determinado ´ambiente competitivo´ porque alguns dos idosos tentaram perceber quem tinha tido maior pontuação e esta situação desencadeou neles uma motivação para irem superando as suas pontuações. Mais se acrescenta, que esta competição foi vivida de forma saudável e a mesma gerou alguns momentos de descontração entre os intervenientes. Um outro aspeto que é importante assinalar, decorrente das observações, corresponde ao facto de se ter instalado uma vontade em continuarem a utilizar estas APPs e de se sentir que estavam motivados a pesquisar outras no mesmo âmbito. Por esta ordem de razões, pode-se afirmar que a
utilização destas APPs foi gratificante para os seus utilizadores e que estes sentiam que as mesmas tinham um efeito prático. Relativamente à opinião dos idosos, através dos inquéritos por questionários sente-se que há uma predisposição para que os mesmos passem a utilizar as tecnologias porque sentem que estas lhe podem trazer vantagens para as suas rotinas e para o seu processo de envelhecimento ativo. A utilização e o desempenho que os mesmos referem, numa perspetiva de autoavaliação, vem demostrar que há um sentimento generalizado das potencialidades que as APPs apresentam no que respeita ao treino cognitivo. Apesar dos mesmos terem sentido algumas dificuldades, da observação feita pela investigadora nas sessões práticas e pelos resultados obtidos nos inquéritos por questionário, há uma coerência relativamente às maiores dificuldades sentidas, as quais estão associadas aos aspetos que envolvem a manipulação óculo-manual e ao varrimento do ecrã. Neste aspeto, é possível associarem-se estas dificuldades às limitações apresentadas ao nível da acuidade visual dos idosos. A confirmação do efeito positivo das APPs para os idosos é visível pelas atribuições muito positivas (níveis 4 e 5) que conferiram às diferentes valências do foro cognitivo que foram ´testadas´ nas diferentes sessões práticas.
Com o objetivo de triangular os dados obtidos é possível afirmar-se que as opiniões apresentadas pelos especialistas, na qualidade de espectativas teóricas, vieram a confirmar-se na prática dado que os dados recolhidos ao nível das notas de campo e a partir das repostas dadas nos questionários, as APPs utilizadas confeririam aos idosos um sentimento de que houve uma melhoria global no âmbito das valências associadas ao domínio cognitivo, acrescentando ainda, a sua vontade em continuar a usá-las.
Tendo nesta investigação sido usadas duas APPs Peak e Neuronation e as mesmas terem tido uma avaliação particular, houve a preocupação de as tentar comparar no que era possível. Pois, estas APPs apenas coincidiram em duas valências (memória e raciocínio), de acordo com as informações recolhidas dos autores das APPs. Neste caso, os dados recolhidos na observação e os dados recolhidos pelos inquéritos por questionário não conseguiram demonstrar de forma clara e objetiva qual delas seria a mais indicada. Neste sentido, atendendo a algumas diferenças na sua apresentação gráfica e no tipo de jogos/atividades, será cada utilizador a fazer a sua escolha pessoal. Reafirma-se que os dados recolhidos não permitem à investigadora extrair conclusões no sentido de aconselhar a utilização de uma ou de outra APP para determinada finalidade. Quer isto dizer que é importante que os idosos utilizem o maior número possível de APPs que existem para o treino cognitivo a fim de poderem conseguir aferir se há alguma que possa estar mais especializada numa ou noutra valência.