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Transformation patterns

Dans le document Reverse engineering (Page 100-105)

O conceito de conectivismo foi muito discutido em 2005 quando Siemens e Downes apresentaram as suas ideias sobre “distributed knowledge” e sobre o estatuto de teoria de aprendizagem válida para a era digital. De acordo com Kop & Hill (2008) este debate levantou diversas questões quanto às teorias de aprendizagens e à adequabilidade destas às necessidades dos estudantes de hoje e do futuro.

“Do they still meet the needs of today’s learners, and anticipate the needs of learners

of the future? Would a new theory that encompasses new developments in digital technology be more appropriate, and would it be suitable for other aspects of

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learning, including in the traditional class room, in distance education and eLearning?”

(Kop & Hill, 2008:1)

Sendo um quadro teórico que pretende compreender a aprendizagem, os seus defensores afirmam que, para que a aprendizagem se processe é necessário que o individuo pertença a uma comunidade, na qual contribui com informação, e que uma comunidade de aprendizagem é apenas um nó numa rede ainda maior. Para que uma comunidade exista, dois ou mais nós devem estar ligados, para que a troca de informação possa ocorrer, e estes nós podem variar de tamanho e força, dependendo da concentração de informação e do número de indivíduos que navegam num determinado nó (Downes, 2008 cf. Kop & Hill, 2008).

De acordo com Downes (2012), o conectivismo é uma teoria que defende que o conhecimento está distribuído por uma rede de ligações, e consequentemente, a aprendizagem consiste na capacidade de construir e percorrer essas redes. Esta teoria da aprendizagem que defende que o conhecimento não segue modelos mentais per se, que não é construído, mas antes que, “cresce como uma planta”. Constitui literalmente uma série de ligações formadas por ações e experiências, que podem ser, em parte, estruturas linguísticas, mas que são na sua maioria as atividades que os indivíduos fazem para aprender e que os fazem crescer e desenvolver, a si próprios e à sociedade em que se inserem. Nas suas palavras:

“Connectivism is not a representational theory. It does not postulate the existence of

physical symbols standing in a representational relationship to bits of knowledge or understandings. Indeed, it denies that there are bits of knowledge or understanding, much less that they can be created, represented or transferred.”

(Downes, 2012:82)

As tecnologias digitais, e as redes sociais online são espaços que também permitem a aprendizagem e a partilha de informação por todo o mundo, pelo que são vistas como possíveis ambientes onde o Conectivismo pode ocorrer. Para os defensores desta teoria a aprendizagem pode ocorrer online entre colegas com a troca de informação entre estudantes, pois cada um destes tem acesso a diferentes tipos de informação, que poderão transformar, partilhar e assim contribuir para a aquisição de conhecimento entre pares.

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“Connectivism presents a model of learning that acknowledges the tectonic shifts in society where learning is no longer an internal, individualistic activity. How people work and function is altered when new tools are utilized. The field of education has been slow to recognize both the impact of new learning tools and the environmental changes in what it means to learn. Connectivism provides insight into learning skills and tasks needed for learners to flourish in a digital era.”

(Siemens, 2005)

A diferença de perspetiva entre Downes (2012) e Siemens (2005) está na abordagem que se pode fazer desta teoria. Siemens defende que se devem escolher as ligações que fazemos nas nossas redes, e criar redes de pessoas selecionadas, por sabermos que poderão contribuir para aumentar o nosso conhecimento: uma rede selecionada. Downes, por sua vez, defende que nos devemos manter abertos às ideias e pensamentos que possam surgir, em qualquer momento e em qualquer espaço, respeitando as ideias e as diferenças de cada um – uma rede aberta a todo o mundo.

Nesta perpetiva, o Conectivismo pode ser visto como uma teoria que postula que é necessário criar uma rede de aprendizagem onde o conhecimento possa circular para produzir aprendizagem, ou que, apenas devemos interagir com todos os membros de uma comunidade e que o conhecimento floresce naturalmente das interações que aí surgirem.

Downes (2012) diz-nos que esta teoria do conhecimento se baseia em duas ideias fundamentais: (i) o cérebro humano é uma rede, formada por entidades individuais, os neurónios, ligados entre si, e que o conhecimento se processa das ligações entre eles; (ii) nas nossas comunidades, sociedades, a cultura é criada através de ligações, o que nos permite criar os nossos conhecimentos como sociedade e como individuo. Este autor defende que frequentemente, não sabemos como aprendemos e porque aprendemos, mas que naturalmente, este acontece, causado pelas ligações que vamos fazendo.

“Think about a neuron, just for a second. Neurons are really stupid. All a neuron can

do is receive an electrochemical potential and then decide whether or not it's going to fire, and, well, that's the life of a neuron. It doesn't know why it's firing, it has no idea about the world, or even the neurons next to it, all it knows is that if it gets enough signals coming in, it's going to fire. And, over time, depending on the signals that come in, it might form connections with other neurons. But it just does that because of physics and chemistry, it doesn't 'want' to form connections, it just does form connections, it's just a matter of biology, that's it.”

46 Uma vez que uma rede pode ser definida como uma ligação entre várias entidades, as redes online têm o poder de ligar pessoas de todas as partes do mundo, em tempo real, com diversos tipos de conhecimento, nas mais diversas áreas, fazendo que nova informação esteja sempre a ficar disponível e a ser adquirida. Pela mesma razão, torna-se relevante verificar a veracidade da informação partilhada. Distinguir entre informação relevante e não relevante, é por isso, de extrema importância. “The ability to recognize

when new information alters the landscape based on decisions made yesterday is also critical.” (Siemens, 2005).

Siemens (2005) refere que são oito os pilares do Conectivismo e que sintetizamos em seguida:

1) A aprendizagem e conhecimento dependem da diversidade de opiniões. 2) A aprendizagem é um processo de ligar nós especializados ou fontes de

informação.

3) A aprendizagem pode residir em dispositivos não humanos.

4) A capacidade de saber mais é mais importante do que o conhecimento do que temos no momento.

5) Cuidar e manter ligações é necessário para facilitar uma aprendizagem contínua. 6) A capacidade de ver ligações entre áreas, ideias e conceitos é um conceito chave. 7) Estar atualizado é o objetivo de todas as atividades de aprendizagem conectivistas.

8) Fazer decisões é por si só um processo de aprendizagem. Escolher o que aprender e qual o significado da nova informação tendo em conta o contexto do momento é muito importante, uma vez que uma resposta certa hoje pode ser errada amanhã, devido a alterações de contexto que podem afetar a tomada de decisão.

Ainda de acordo com Siemens (2008), evidenciam-se três aspetos que estão a mudar o panorama do ensino e da aprendizagem atual: (i) o perfil dos estudantes- que são atualmente, grande parte millennials, cujas necessidades de aprendizagem não correspondem às estratégias pedagógicas do ensino tradicional; (ii) estão disponíveis atualmente novas técnicas de pesquisa e seleção de informação; (ii) as tecnologias digitais têm conduzido a que os estudantes estejam mais ligados entre si, e a redes de conhecimento criadas por eles próprios (Kop & Hill, 2008; Dron e Anderson, 2014).

47 Kop & Hill (2008) com base em (Verhagen, 2006) consideram que o Conectivismo se adapta perfeitamente, ao nível da pedagogia e do currículo, ao contrário do nível teórico, justificando que os estudantes podem estar a sair dos grupos de sala de aula e do tutor para as redes online e grupos dentro destas redes, vendo estes últimos, como mentores. Apesar disso, estes autores ponderam se esta será uma boa escolha do ponto de vista do envolvimento crítico, uma vez que poderão estar a escolher mentores que confirmem, que vão de encontro às suas opiniões, em vez daqueles que os questionem.

Nesta perspetiva, este aspeto poderá ser evitado, se os docentes e tutores atenderem às preferências de plataformas dos estudantes já que, se estes participarem ou criarem redes online utilizando as plataformas da sua preferência, poderão ajudá-los a contornar este problema ao mesmo tempo que poderão continuar a desenvolver o envolvimento e o raciocínio crítico dos estudantes, ainda que a partir de outro ambientes e com outras ferramentas, diferentes das usadas no ensino mais tradicional e focado no docente.

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