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Transformation

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Chapitre 6 : Eléments de génétique bactérienne

3. Les transferts génétiques

3.2 Transformation

Fonte: elaborado com base em informações de Ted Silberberg, “Cultural Tourism and Business Opportunities for

Museums and Heritage Sites", em Tourism Management, 16 (5), 1995.

Para as destinações interessadas em atrair turistas culturais, o segredo para a oferta de um atrativo turístico interessante seria transformar os “recursos inclinados a atrair turistas” em “recursos aptos a atrair turistas”, conquistando as características solicitadas e transformando-os em atrativos turísticos.

40 Um contínuo é uma escala social que prevê a possibilidade de ordenação de itens e, a partir de pontos extremos, de identificação de pontos intermediários. Antonio Carlos Gil, Como elaborar projetos de pes­

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O S U JE IT O DO T U R IS M O C U L T U R A L : O T U R IS T A C U L T U R A L

Como em qualquer outra tipologia turística existente na atualidade, o su­ jeito do turismo cultural é um turista, que neste caso carregará em sua de­ nominação o adjetivo cultural, de modo a diferenciar sua caracterização das existentes para turistas que se mobilizam por outras motivações.

Turista é toda “pessoa que se desloca para fora de seu lugar de residência permanente por mais de 24 horas, efetuando pernoite, sem a intenção de fixar residência ou exercer atividade remunerada,41 realizando gastos de qualquer espécie com renda auferida fora do local visitado”.42 Para o efeito deste estudo será também considerado turista o indivíduo que se desloca, por menos de 24 horas (e, portanto, sem a necessidade de realização de pernoite em equi­ pamentos de hospedagem), por sua cidade de origem ou por outras cidades próximas, pelos mesmos motivos citados anteriormente.

Estes indivíduos realizam um tipo de atividade de lazer denominado por Boullón43 de excursão recreativa, com o intuito de diferenciá-lo das excursões turísticas (que se qualificam pelo uso do tempo livre por períodos superiores a 24 horas, implicando, portanto, na realização de pernoites).44 Ainda nesta linha conceituai, Gastai45 defende que o espaço físico ocupado contemporane­ amente por diversas cidades torna os deslocamentos em seu interior tão com-

41 A inexistência de atividade remunerada durante a viagem como uma das características básicas para a determinação de quem é (ou não) um turista é discutível. A própria O M T aceita a existência do turismo de negócios. No Brasil, grande parte das receitas geradas pelo setor de turismo origina-se deste segmen­ to, sendo o estado de São Paulo o principal destino brasileiro e latino-americano para a realização de negócios.

42 Américo Pellegrini Filho, Turismo cultural em Tiradentes, cit., pp. 281 -282.

43 Roberto Boullón, Las actividades turísticas y recreacionales: el hom bre com o protagonista, Coleção Trillas Turismo (3* ed. México: Trillas, 1990).

44 As excursões recreativas caracterizam-se muito mais pela práxis turística que pela recreacional: o pro­ duto final é formado, como o produto turístico, pela somatória de atrativos, facilidades e infraestrutura. Existem também, como no lazer turístico, atividades motrizes e atividades complementares, que se agre­ gam formando o produto final disponibilizado.

45 Susana Gastai, “O produto cidade: caminhos de cultura, caminhos de turismo”, em Antonio Carlos Cas- trogiovanni (org.), Turismo urbano, Coleção Turismo Contexto (São Paulo: Contexto, 2000), p. 36.

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plexos como os realizados entre regiões. Assim, seria lícito denominá-los de deslocamentos turísticos.46

Acrescente-se que a garantia da satisfação dos residentes em visitas a sítios patrimoniais e de sua intenção de retornar são um importante caminho para mensurar o sucesso de uma atração para seu público. Por isso, Moscardo47 acrescenta que a conquista da assiduidade das visitas de residentes às atrações patrimoniais é fundamental, já que estes indivíduos têm acesso mais fácil à atração, são críticos mais severos de sua apresentação e da assistência prestada ao visitante e atuam como “guias” de amigos e parentes que visitam a região.

Genericamente, o turista cultural é aquele que consome o produto turís­ tico cultural. Suas características têm sido traçadas de forma ampla, levando à suposição da existência de um perfil bastante padronizado para este tipo de turista: quando comparado com o público em geral, ele revela possuir maior poder aquisitivo, gasto médio per capita em viagens mais alto, maior tempo de permanência em uma única localidade receptora (geralmente com permanên­ cia superior a uma semana em cada lugar), níveis cultural e de escolaridade mais altos, predominância de mulheres, faixas de idade mais elevadas (com forte presença de maiores de 65 anos). Baudrihaye48 e Moletta e Goidanich49 sugerem a inclusão de outra importante característica no perfil-padrão deste público: seriam turistas mais exigentes, para quem os aspectos econômicos da viagem são secundários, mas não a relação qualidade-preço. O turista cultural seria um viajante especialmente sensível à qualidade do produto consumido, à exatidão da informação recebida, ao respeito à paisagem e ao entorno e à contaminação visual e acústica do local visitado.

46 Esta prática foi adotada precursoramente pela Porto Alegre Turismo, órgão oficial de turismo da capital gaúcha, que considera como turistas mesmo os moradores locais, desde que, em seus deslocamentos pela cidade, obtenham como fruto deste lazer a quebra de “suas rotinas espaciais e temporais”. Ibidem. 47 G. Moscardo, “Communicating with Two Million Tourists: a Formative Evaluation o f an Interpretive

Brochure”, em Journal o f Interpretation Research, 4 ( 1 ) , Areata, 1999, pp. 21-37. 48 Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye, “El turismo cultural: luces y sombras”, cit., p. 44. 49 Vânia Florentino Moletta & Karin Leyser Goidanich, Turismo cultural, cit.

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Consideremos, então, ser este o perfil do turista cultural típico. Um perfil, aliás, que por suas características, principalmente as econômicas, é procurado por todos os segmentos da atividade turística, tornando-se, por isso, uma das justificativas para a implantação do turismo cultural em diversas localidades.

Um perfil bastante distinto, entretanto, é defendido por Richards,50 baseado na estrutura conceituai oferecida pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu.51 Ri­ chards defende que o turista cultural típico pertence, na verdade, a uma nova classe média emergente na década de 1990, proveniente principalmente da área de serviços. Este perfil foi comprovado em pesquisa elaborada para o Pro­ jeto de Turismo Cultural Europeu (European Cultural Tourism Project),52 que, se por um lado reforçou a percepção de que os turistas culturais são indivíduos com níveis altos de escolaridade (80% dos entrevistados tinham nível superior e, destes, um quarto já havia obtido ou viria a obter títulos de pós-graduação), por outro detectou que os turistas, para quem os atrativos culturais eram fa­ tores importantes, ou muito importantes, na decisão por um destino turístico, respondiam por apenas 9% do total de entrevistados. Este pequeno grupo foi denominado de “turistas culturais específicos”. Os 91% restantes, os “turistas culturais generalistas”,53 consumiam atrativos culturais como parte de uma ex­ periência turística mais ampla. O acesso à cultura e o seu consumo turístico

50 Greg Richards, “Production and Consumption o f European Cultural Tourism”, em Annals o f Tourism

Research, 23 (2), Oxford, 1996, p. 266.

51 Muito de toda a análise do consumo pós-moderno está baseado neste trabalho de Bourdieu, Distinction:

Social Critique o f the Judgment o f Taste, de 1984. Nele, o autor defende que as classes sociais lutam para se distinguir umas das outras por meio da educação, da ocupação funcional e do consumo de mercadorias, incluindo-se aqui também o consumo turístico. A combinação dos capitais social, educacional e cultural acumulados por grupos sociais dá origem a hábitos distintos por classe, ou ao que também denomina de “cultura de classe”.

52 O projeto foi definido pela Associação Europeia para Educação em Turismo e Lazer (European Asso­ ciation for Tourism and Leisure Education - Atlas) com o objetivo maior de definir as características da oferta e da demanda por turismo cultural europeu. Os dados referentes à demanda foram coletados em 1992 em 26 atrativos culturais de nove países da Comunidade Europeia, com um total de 6.400 entrevistas. Richards atuou como seu coordenador - Greg Richards, “Production and Consumption o f European Cultural Tourism”, cit.

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mostraram-se ainda controlados em larga escala pela disponibilidade de capi­ tal cultural ou pela competência para o consumo de bens culturais.

Acrescente-se, ainda, que o “turista cultural específico” apresenta níveis al­ tos de consumo turístico, particularmente de viagens de menor duração (mais de 40% deste grupo havia participado de pelo menos uma viagem de até três dias nos últimos doze meses)54 e é mais jovem que o padrão admitido para o turista cultural.

O perfil profissional destes viajantes mostrou que são, em sua maioria, profissionais autônomos ligados, de diferentes modos, à área cultural. Aqui se detectou uma ligação clara entre a área profissional na indústria cultural em que estes indivíduos trabalham e seu consumo turístico. Os profissionais que atuam em atividades ligadas ao patrimônio cultural, por exemplo, provavel­ mente visitarão museus e sítios patrimoniais quando em férias; profissionais ligados às artes cênicas e visuais tenderão a visitar atrações artísticas referentes a este segmento cultural.

Os “turistas culturais específicos” vivem em áreas centrais das principais cidades, próximos de ampla gama de facilidades culturais. Eles reforçam a afir­ mação de MacCannell,55 segundo a qual uma das principais características da pós-modernidade é a continuidade temporal e espacial entre o lazer e o traba­ lho. O que separaria então o “turista cultural específico” do “generalista” não seriam tanto os padrões de consumo cultural, mas o nível de envolvimento na produção cultural. Assim, a participação em atividades turísticas culturais não é simplesmente uma busca por novas experiências, mas, sim, uma busca pela distinção de classes baseada em um estilo de vida completo, no qual as fronteiras entre o trabalho e o lazer, entre a produção e o consumo, estariam se tomando cada vez mais nebulosas.

54 Ressalta-se que, para alguns autores, como W. Fache - ver “Short Break Holidays”, em V. Seaton et a l (orgs.), Tourism: the State o f the Art (Londres: Wiley, 1994) - e C. Gratton - ver C. Gratton, Consumer

Behavior in Tourism: a Psycho-economic A pproach, comunicação apresentada na Conferência Tourism Research into the 1990s, Durham, 1990 - , a realização com alta frequência de viagens de curta duração é uma das características marcantes do turista cultural.

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Visitar sítios patrimoniais seria, então, uma forma de os indivíduos ad­ quirirem ou reforçarem o capital cultural simbólico necessário para estarem vinculados a uma determinada classe cultural, demonstrando e afirmando seu status e posição na sociedade. É preciso lembrar, entretanto, que apesar do per­ fil-padrão do turista cultural indicar indivíduos que têm amplo acesso ao capi­ tal cultural necessário para a perfeita interação com os bens visitados, grande parte do público em visita a atrativos culturais necessita de uma mediação que permita seu acesso intelectual ao patrimônio. Este público, denominado por Martins de “público deficiente cultural”,56 não domina os códigos da cultura, não possuindo o capital cultural necessário para sua decodificação e ficando o acesso a ela prejudicado, ou mesmo inviabilizado, por questões educacionais.

Também defendendo que não é somente o público detentor do perfil clássi­ co de turista cultural quem consome este tipo de produto turístico, Silberberg acredita que o grau de motivação que leva um turista a consumir um produto turístico cultural também varia de acordo com cada visitante, o que leva à exis­ tência de diferentes níveis de motivação para o consumo do turismo cultural - que não são levados em consideração na maior parte das pesquisas e estudos que vêm sendo realizados na área.

O mercado de turismo cultural seria formado, então, por cinco tipos distin­ tos de turistas e visitantes:

1. altam ente motivados por cultura: este segmento é composto por pessoas que possuem o perfil de turista cultural descrito anteriormente e ge­ ralmente é tratado como o único público para este tipo de atividade turística. Envolve pessoas que viajam para um determinado destino especificamente pelas oportunidades culturais oferecidas (museus, tea­ tros, centros históricos, festas tradicionais, etc.), abrigando em torno de 5% do mercado residente e 15% do mercado de turistas (Tabela 1). Essa diferença porcentual é explicada por Silberberg pelo fato de as pessoas com maior poder aquisitivo e níveis cultural e de escolaridade mais altos 56 Maria Helena Pires Martins, “Público especial”, em Teixeira Coelho, Dicionário crítico d e política cultural:

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geralmente viajarem mais e tenderem a estar mais interessadas por cul­ tura. Este perfil é também condizente com a proposta de Richards para o “turista cultural específico”;

2. parcialmente motivados por cultura: este segmento envolve pessoas que optam por um destino não só pelas oportunidades culturais oferecidas, mas também por outras motivações (como, por exemplo, visitar paren­ tes ou amigos). Os parcialmente motivados por cultura responderiam por 15% do mercado residente e 30% do mercado turístico;

3. adjuntamente motivados por cultura: para estas pessoas, a motivação principal para a escolha de uma destinação pode ser não cultural (como, por exemplo, a participação em um congresso), ainda que estes visitan­ tes planejem a inclusão de visitas a atrativos culturais em suas estadas. Este segmento representaria 20% tanto dos residentes quanto do mer­ cado de turismo;

4. casualmente motivados por cultura (ou “turistas culturais acidentais”): este segmento abrangeria 20% dos mercados de residentes e turistas e envolve pessoas que viajam sem a intenção inicial de visitar um atrativo cultu­ ral, mas que, casualmente, acabam realizando tal visita (como, por exem­ plo, quando os parentes ou amigos visitados os levam até estes locais, ou quando as atrações culturais ficam próximas ao local de hospedagem); 5. nunca motivados por cultura: este segmento engloba os turistas (15%) e

residentes (40%) que não frequentam ou visitam atrativos culturais sob nenhuma circunstância.

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