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Transcription de l’ADN viral et régulation de l’expression des protéines virales.18

1.2.1. Inovação e mudança educativa

Não podemos falar de mudança educativa sem estabelecermos um elo de ligação com a inovação, isto porque articular pode ser mudar e inovar. São estes conceitos, que de seguida passaremos a esclarecer, de modo a circunscrever o nosso entendimento em termos dos contributos destes conceitos, para a compreensão da articulação vertical. A palavra “mudança” é usada em múltiplos contextos e tanto refere alterações que são meras reproduções, como outras que correspondem a transformações radicais” (Oliveira & Courela, 2013: 99). Para Fullan (2007), a mudança pode ocorrer sobre diversas formas, ou porque nos é imposta (por eventos naturais ou formas deliberadas), ou porque participamos voluntariamente, ou até começamos um processo de mudança, quando encontramos uma insatisfação, inconsistência ou intolerância na situação atual. Reiteramos com este autor o significado de mudança, que envolve um significado partilhado, ou seja, envolve simultaneamente uma mudança social e individual.

Há, pois, diferentes formas de interpretar e implementar a mudança. Glatter (1992) enuncia três fases de uma mudança educativa: i) Iniciação – tem a ver com a introdução de novas ideias e aprovação institucional; ii) Implementação refere-se à operacionalização das alterações efetuadas e iii) Institucionalização quando as alterações induzidas são transformadas em rotinas nas escolas.

A inovação por sua vez é, segundo Glatter (1992), uma mudança que resulta de um plano e envolve um processo, que visa uma melhoria na escola, perspetiva partilhada por Fullan (2007), quando nos refere que a inovação para ser apropriada precisa que o seu significado seja partilhado.

É neste encalço que Cardoso (2002) destaca quatro atributos internos auxiliares na compreensão deste conceito: i) Novidade (traz algo que ainda não foi experimentado, é relativa no sentido que é específica para cada lugar e tempo, não é reproduzível); ii) Mudança (tem intencionalidade, exige um esforço consciente e uma ação persistente); Processo (Inscrição num tempo e espaço próprio; necessita de componentes integrados de pensamento e ação para se constituir e desenvolver; requer esforço conjugado dos intervenientes; deve ser avaliada); iv) Melhoria (pretende melhorar a prática educativa, pautada por valores, tensão dinâmica que tem como objetivo atingir um ideal). Como podemos constatar, ambos os conceitos são considerados mudanças educativas, no entanto é a inovação que pretende atingir uma melhoria educativa. É nesse contexto que entendemos a articulação vertical, associada a uma mudança de mentalidades que Fullan (2007: 25) denominou de “Reculturing”, ou seja, à forma como os professores questionam e alteram crenças e hábitos. À luz da nossa problemática será entendido no sentido dos professores implementarem de modo refletido, partilhado e sustentado a articulação referida. É desse entendimento que de seguida iremos tratar.

1.2.2. Entendimento (s) de mudança na articulação vertical

Para entendermos uma mudança sustentável centramo-nos na seguinte afirmação: “Nenhuma mudança importante será realizada apenas com a modificação de normas” (Perrenoud, 2004: 146). Com efeito, não são os normativos decretados que sugerem a articulação vertical entre ciclos, que fazem com que essa se torne uma realidade. Neste sentido, a mudança deve ser centrada em experiências significativas para os seus agentes, “é menos provável que as pessoas se mudem a si próprias ou aos outros com base em dados e análises do que com experiências convincentes.” (Kotter, 2016: 171). Como já foi referido por Nóvoa (1992), os valores e as crenças dão significado às ações sociais, constituindo quadros de referência para os comportamentos das pessoas, tanto a nível de grupo como a nível individual. Embora não sendo aspetos visíveis, podem constituir “elementos-chave das dinâmicas instituintes e dos processos de institucionalização das mudanças organizacionais” (Nóvoa, 1992: 31).

A própria organização escolar vertical, na forma como se encontra arquitetada, pode ser impeditiva de mudança. A organização escolar, típica dos agrupamentos verticais, constituída por blocos estanques entre os ciclos, com espaços muito estruturados e horários rígidos pode, no entender de Formosinho e Machado (2008), impedir uma mudança na escola ao nível da cooperação e coordenação, devido a uma estruturação demasiado massificada e sectorizada, dificultando no nosso caso, a articulação entre níveis de ensino.

A questão é como mudar estruturas sem primeiro construir novas formas de pensar, aprender e articular. Para que a articulação efetivamente se realize de modo significativo, é necessário que as escolas estejam recetivas a mudar a nível educacional através de processos que promovam a interação entre os professores. Aqui centramo-nos no conceito de mudança associado à colaboração entre professores (Hargreaves & Fullan, 2001; Lima, 2002; Perrenoud, 2004; Fullan, 2007; Oliveira & Courela, 2013).

Lima (2002), apoiando-se em Little (1987), refere o benefício da colegialidade de três formas: primeira, através do benefício da coordenação docente nas salas de aula, segunda, permite uma melhor organização, que possibilita maior facilidade em lidar com inovações pedagógicas e do foro organizacional e, finalmente, por adquirirem maior capacidade de resposta para lidar com os efeitos negativos da mobilidade dos novos professores, integrando-os com maior facilidade.

É fundamental encontrar formas de desenvolver infraestruturas e processos que comprometam e motivem os professores no desenvolvimento do conhecimento, capacidades e compreensões. Apercebemo-nos, igualmente, de que não estamos a falar do significado superficial, mas sim de um significado mais profundo acerca de novas abordagens ao ensino e à aprendizagem (Fullan, 2007). Reiteramos o que este autor afirma: “The key… is how to help people feel and be better” (Fullan, 2007: 43) e ainda “A finalidade da mudança de mentalidade não é articularmos com o nosso ponto de vista, mas nos relacionarmos com o psíquico de outra pessoa” (Fullan 2007: 163). O autor induz-nos a uma mudança de mentalidades na escola, advogando que o professor precisa de parar de

pensar sobre “a minha sala de aula” e começar a pensar sobre “a nossa escola”. Existe uma necessidade premente em comunicar e partilhar de modo refletido.

A mesma linha de pensamento é expressa por Perrenoud (2004:72), quando apela a uma modificação de métodos, passando do “Eu e os meus alunos” para “nós e os nossos alunos”, indicador de mudança em termos de práticas pedagógicas. É, neste sentido, que se enquadra a ênfase numa maior colaboração entre os professores, para que estes, percecionem e sintam a importância da articulação curricular.

O desenvolvimento de uma ativa aprendizagem profissional comunitária, em que os professores observem o ensino uns dos outros, com um propósito formativo, trabalhem em equipa e na base de uma liderança partilhada e se preocupem em realizar contínuas melhorias, torna mais forte a consistência e a qualidade do ensino (Fullan, 2007). A cultura de pilotagem negociada, defendida por Perrenoud (2004) segue esta visão de aprendizagem comunitária:

“[…] se se pretende que a escola se torne numa organização aprendente, será desejável que essa aprendizagem foque também os seus funcionamentos coletivos e institucionais e se alimente de trabalhos sobre a comunicação, a negociação, a decisão e a inovação no mundo do trabalho e das organizações, para lá das referências pedagógicas e didáticas. Uma cultura de pilotagem será construída na encruzilhada da pesquisa e de uma prática reflexiva, que recolha saberes de ação a partir da experiência coletiva e da sua análise”. (Perrenoud, 2004: 52)

Interessa, pois, descobrir a perspetiva que os professores têm da articulação vertical, se se sentem envolvidos ou motivados pela mesma ou se consideram ser um acréscimo às suas responsabilidades diárias.

Em síntese, pretendemos aproximar a articulação vertical da noção de mudança associada à inovação, por aquela, quando experimentada, poder trazer algo de novo exigindo um esforço conjugado de vários intervenientes e ação persistente, visando a melhoria de práticas educativas. Neste sentido a mudança só ocorre quando é partilhada, envolvendo simultaneamente desafios individuais e sociais que traduzam uma melhoria educativa. É este ideal que iremos equacionar com o nosso estudo empírico.

Faremos, de seguida, uma reflexão sobre o conceito de currículo e desenvolvimento curricular e sua ligação à articulação vertical. De seguida, iremos discutir o conceito de articulação curricular e refletir sobre o sentido ampliado de currículo no âmbito da articulação.

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