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Traitements non spécifiques

Dans le document LES NOUVEAUX MEDICAMENTS DANS L’HEMOPHILIE (Page 187-192)

Prise en charge thérapeutique

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VIII. Traitements non spécifiques

A atuação de Freire-Allemão como médico não teve grande destaque na medicina brasileira. A tese sobre o bócio não fazia mais parte da agenda científica privilegiada então, sendo substituída pelos estudos da flora brasileira. Um fato de sua biografia, porém, o colocou em destaque na Côrte imperial em 1840.

O golpe da maioridade, em 23 de julho de 1840, adiantou em três anos a chegada de Pedro de Alcântara ao trono como imperador coroado do Império brasileiro, pondo fim ao turbulento Período Regencial e inaugurando o Segundo Império. A coroação, com pompa e circunstância conforme a ocasião necessitava, ocorreria cerca de um ano depois. Segundo Schwarcz (2003), a efetiva subida ao trono de Pedro de Alcântara como

imperador aliviaria o temor de desmembramento territorial, solidificando de vez a centralização do comando do país. Ainda segundo a autora citada (ibid., p. 74), quando do golpe em 1840, canções distintas cantavam em verso e prosa a ascensão de mais um Orléans e Bragança: a primeira da esfera oficial que proclamava: “Suba ao trono o jovem Pedro,/Exulte toda a Nação;/ Os heróis, os pais da Pátria/ Aprovaram com união”. Outra canção nasceu entre os “menos otimistas” que se importavam, e muito, com a idade púbere do imperador: “Quem põe governança/ Não mão da criança,/Põe geringonça/ No papo da onça.”

Único filho legítimo de d. Pedro I a assumir o trono, era de suma importância que a saúde do imperador não comprometesse o andamento da recondução de um monarca no comando do império. Meses antes do golpe da maioridade, porém, Pedro de Alcântara ficou doente. Na falta do médico da Câmara Imperial destacado para a função de restabelecer a saúde do imperador, chamaram Freire-Allemão para cumprir tal tarefa. Para ser admitido na Câmara Imperial era necessária uma nomeação, e esta não significava necessariamente que fosse exercer o labor de cuidar de Pedro de Alcântara, podendo ser uma titulação meramente honorífica (VASCONCELOS, 1964). Meramente honorífica ou não, a titulação significava um ganho salarial pago pelas exp ensas públicas.

Em documentos guardados por Freire-Allemão, e referentes à sua nomeação, encontra-se o ato de nomeação, feito pelo marquês de Itanhaém, em 28 de março de 1840:

“Attendendo ao importante serviço prestado á Pessoa de Sua Magestade Imperial, pelo Doutor Francisco Freire Allemão, Professor da Escola de Medicina desta Corte pôr occasião do ataque de que foi acommetido o mesmo Augusto Senhor, no dia 23 do corrente; e, sendo de estilo eu uma vez prestado um serviço a Pessoa Imperial, por qualquer médico, fique este considerado de Câmara, em conformidade da Carta de Lei de 12 de Agosto de 1831 que me authoriza a nomear os empregados da Caza Imperial, nomeio o Doutor Francisco Freire Allemão, Médico do Imperador”. 24

Outro documento, que ratificava a nomeação, é do próprio Pedro de Alcântara, datado de 23 de julho do mesmo ano:

“Eu, o Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Imperio do Brasil Faço saber ao Doutor Francisco de Assis Mascarenhas, Márquez de São João de Paloma, Conselheiro d’Estado, Senador do Imperio e Meu Mordomo Mor: Que sendo nomeado na Minha Menoridade o Doutor

24 C.f. Ato do marquês de Itanhaém, nomeando Francisco Freire-Allemão médico do Imperador. Palácio da

Francisco Freire Allemão Medico da Minha Imperial Pessoa, pro Portaria do Meu Tutor que então era o Marquez de Intanhém, data de vinte de oito de março do corrente anno em attenção ao importante serviço prestado pelo dito Doutor Francisco Freire Allemão na occazião em que Sofri a enfermindade de que Fui Acomettido em vinte e tres do referido mes de Março: Hey por bem, me Traz Fazer-lhe Mercê de o Nomear da Minha Imperial Camara com o ordenado annual de oito centos mil réis, pago pela Thesouraria da Minha Imperial Caza. Rio de Janeiro, em vinte e tres de Julho de mil oito centos e quarenta, Decimo nono da Independencia, e do Imperio”.25

Como vimos no item 1.3 (p. 15) e de acordo com as investigações de Coelho (op. cit.), ser médico naquela época por si só não garantia clientela ou prestígio na Corte. Uma série de requisitos, que estava além dos estudos efetuados nas escolas de medicina, delimitavam o espaço dos médicos no Brasil oitocentista. Freire-Allemão possuía alguns dos requisitos exigidos para ter maior visibilidade entre seus pares: voltou da França fluente em francês, língua que ao menos compreendia e escrevia antes de defender sua tese sobre o bócio na Universidade de Paris - e também trouxera consigo as teorias médicas em voga na Europa - principalmente os compêndios de Achilles Richard para suas aulas de botânica médica.

O requisito de uma origem familiar tradicional, que era um verdadeiro holofote para o direcionamento da carreira, não poderia ser considerado no caso de Freire-Allemão, pois a família Freire-Allemão deixara de ser “distinta” há algumas gerações. A ausência de um sobrenome influente, porém, não o prejudicou. Primeiro graças a sua passagem pela França e segundo, por ter conseguido atender a outro requisito identificado por Coelho (2000) como importante: deter “apropriadas referências sociais (de outros clientes notáveis)” (ibid, p.89). Este último requisito foi alcançado ao ter tratado de um dos membros da monarquia brasileira. Assim, isto diminuía a importância do fato de não ser proveniente de uma família conhecida.

As portas abertas da Câmara Imperial, em decorrência da necessidade de substituição do médico responsável pela saúde do quase imperador facilitaram, a abertura de outras portas, desta vez por ocasião de uma viagem oficial à Itália.

Schwarcz (2003), ao analisar a representação da persona de Pedro de Alcântara, agora d. Pedro II na corte brasileira, teceu esclarecedoras considerações a respeito do momento em que o Imperador chegava a idade de se casar, pois “d. Pedro se aproximava de seus dezoito anos, e encontrar um bom partido era tarefa difícil, uma vez que se tratava

25 C.f. Ato do Imperador, confirmando a nomeação de Francisco Freire-Allemão médico da Imperial

do rei de um império distante e exótico” (op. cit., p.91). O casamento foi feito por procuração pelos corpos diplomáticos dos dois reinos, e Freire-Allemão tomou parte da viagem, empreendida na fragata Constituição, como médico da Câmara Imperial encarregado do bem-estar da futura imperatriz Teresa Cristina26.

Nos anos seguintes, Freire-Allemão estreitou seus laços com a família imperial muito por conta da predileção do Imperador por assuntos científicos, e tal predileção foi transferida às filhas Isabel Cristina e Leopoldina Teresa. Os dois varões da família imperial - d. Afonso, o primeiro filho do casal e d. Pedro Afonso - morreram ainda bebês. Sendo assim, a mais velha dentre as filhas, Isabel, passou a usar o título de “Princesa Imperial” em alusão ao juramento prestado à Constituição quando completou 14 anos (LYRA? apud FILGUEIRAS). A educação prestada à Princesa Imperial deveria ser a melhor possível que havia naqueles tempos de restrições ao acesso de mulheres às mais diversas áreas do saber.

O próprio avô da princesa Isabel, d. Pedro I, sancionou uma lei em 1827 que ordenava a criação de escolas de primeiras letras no Império em áreas mais povoadas. No entanto, no que dizia respeito à educação de meninas, a lei não facultava acesso aos estudos de geometria, permitindo somente lições das quatro operações aritmé ticas e de prendas domésticas (LIMA? apud FILGUEIRAS), quando as famílias assim o permitissem (SHARPE-VALADARES? apud FILGUEIRAS).

A educação formal da princesa Isabel perdurou disciplinados 4 anos, até seu casamento com o conde D’Eu. Para as filhas das famílias que formavam a população do Império, a educação era a que as famílias pudessem (no caso das famílias menos abastadas) ou quisessem proporcionar (no caso das famílias abastadas), o que diferia em relação à situação de Isabel e de sua irmã Leopoldina.

Nesse contexto, Freire-Allemão juntou-se à “equipe docente” que passou a ministrar lições particulares às princesas, com especial rigor dirigido à Isabel. Para o imperador:

26 Teresa Cristina era princesa das Duas Sicílias, descendente das casas de Bourbon e Habsburgo. ? LYRA, Heitor. História de d. Pedro II. São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1977.

? LIMA, Lauro de O. Estórias da Educação no Brasil: de Pombal a Passarinho. Rio de Janeiro: Ed. Brasília,

2ª ed. s.d.

? SHARPE-VALADARES, Peggy. (posfácio). In: FLORESTA, Nísia. Opúsculo Humanitário. São Paulo:

“O caráter de qualquer das Princesas deve ser formado tal como convém a Senhoras que poderão ter que dirigir o governo constitucional de um Império como o Brasil. A instrução não deve diferir da que se dá aos homens, combinada com a do outro sexo: mas de modo que não sofra a primeira”. (LACOMBE? apud FILGUEIRAS).

Oficialmente, Freire-Allemão era professor de retórica, mas oficiosamente, e em função dos laços de amizade (por assim dizer) estreitados com a imperatriz desde a viagem de Nápoles à corte brasileira, acabou por oferecer lições de botânica às princesas. Algumas vezes foi acompanhado pelo Imperador em suas incursões, conforme registrado pelo próprio Freire-Allemão registrou: “no dia 9 de junho de 1853, pelas 5 horas da tarde, S.M., o Imperador quis ver um famoso jiquitibá (sic) que está nas matas de Andraí [sic]” FREIRE-ALLEMÃO ?apud DAMASCENO; CUNHA, op. cit., p. 19). Outros homens de ciência do século XIX também participaram da educação das princesas juntamente com Freire-Allemão, como Guilherme Schüch de Capanema, ensinando Mineralogia e Geologia, e Alexandre Antônio Vandelli, como professor de ciências, embora tenha falecido antes da concessão do título de princesa imperial concedido a Isabel (FILGUEIRAS, op. cit.). Estes dois últimos nomes foram, na mesma época, pares de Freire-Allemão em sociedades científicas, o que veremos no próximo capítulo.

? LACOMBE, Luiz L. Isabel, a Princesa Redentora. Petrópolis: Instituto de História de Petrópolis, 1989. ? FREIRE-A LLEMÃO, Francisco. Estudos botânicos, XII, p. 138. Rio de Janeiro. Divisão de

CAPÍTULO 2 : ENTRE SEUS PARES NAS SOCIEDADES CIENTÍFICAS

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