III. Le diabète de type 2
4. Les traitements du diabète de type 2
de pioneiros não estava organizado mesmo. Mas, através de orientação jurídica, M. soube que era necessário fundar uma associação. Aos poucos, foram formando a Associação de Moradores do Jardim Felicidade. Diz ele:
M .: “Não, não estavam organizados. Simplesmente tinha uma pessoa só que
estava encaminhada mas, a pessoa também não conseguiu respaldo positivo. Até foi minha esposa primeiro [quem] foi solicitada a acompanhar a associação. Mas como a pessoa que estava envolvida, ela mexia com outros tipos de coisas né? Aí expulsaram a pessoa. Aí foi quando eu assumi e registrei a associação”.
.“Nós só tivemos apoio na parte da documentação, da formação da
associação, que teve um advogado (Lauro Marcondes/Marilda Mazzini) que nos orientou muito, nos ajudou muito, e onde fez a associação decolar.”
Figura 3 – Imagem das primeiras assembléias da associação (1993, acervo pessoal de entrevistado)
Logo depois da “invasão”, que, conforme M., “não é a palavra certa, mas foi invasão”, eles já realizaram uma divisão dentro da área ocupada. Na parte onde ele morava, que ficou denominada Jardim Felicidade - a divisa é onde é, hoje, a rua Nossa Sra. Aparecida6 – a característica era majoritariamente a ocupação aleatória. Na outra parte, a área estava sob o domínio de grileiros e loteadores e foi chamada de Portal II. Essa divisão já sinaliza uma fratura e segregação dentro de um mesmo território segregado.
Sabedores, ambos os grupos - ocupantes iniciais e grileiros -, da necessidade legal de se ter uma associação para o caso de responsabilização legal pela ocupação, era preciso ser rápido no registro da associação e não deixar “vazar” o nome do bairro para que o outro não registrasse primeiro e ficasse como interlocutor oficial daquela área junto ao poder público.
É assim que temos, desde o início, duas associações para o mesmo loteamento: a do Jardim Felicidade e a da Jova Rural II7. Segundo M.,
primeiro presidente da Associação do Jardim Felicidade, era outro nome que ele ia dar ao bairro, mas o pessoal do Jova Rural II descobriu e ele resolveu mudar para o que acabou registrando.
“(....)Conversei com meu advogado, ele me explicou como é que poderia fazer, então peguei e cheguei lá na hora e coloquei o nome para registrar.”
M. disse que gostava muito de novela e naquela época, estava “no ar” a
novela “Felicidade”, da Rede Globo, que o inspirou na hora de fazer o registro da associação de bairro.
“Coloquei Jardim Felicidade, porque eles queriam tomar essa área nossa de qualquer maneira, entendeu? O R. era forte lá do outro lado, como ele vendeu o loteamento para as pessoas lá, ele tinha mais sorte, ele tinha dinheiro, mas aqui não tinha dinheiro. Nós começamos gritando, entendeu?” (...) Mas, olha, a decisão do “batismo” eu não pude conversar muito, como eu te falei. Porque se eu comentasse, ele corria lá e registrava junto comigo o mesmo nome. (...) Registrei, conversei com o advogado, ele instruiu como é que a gente podia fazer. Cheguei lá e registrei como Jardim Felicidade. Quando o pessoal fosse mudar para cá, já vim com o CGC da Secretaria da Fazenda com o nome Jardim Felicidade. Aí eles não podiam mexer mais aqui. Eu demarquei a nossa área, metade da rua Nossa Sra. Aparecida pra cá, foi onde eu abri.” As Ruas? (...) Abrindo com trator e já colocava o nome na rua, bastava ser uma pessoa que o pessoal gostava, e que perguntasse: qual é o nome que vão por aqui? Aí a gente falava... Como é seu nome? Fulano de tal. Então vamos colocar aqui e assim foi indo.”
JR, contemporâneo de M.,tem outra versão sobre o nome do bairro: “eu conheci o M. que “pus” de Presidente e eu fiquei como coordenador de terra. O bairro chamou-se Jardim Felicidade, “porque estávamos todos felizes, cada um pegou seu pedacinho de terra e tá feliz! (....) Desde o momento da
associação, em plenário. Nós fizemos plenário, reunião. Perguntamos: qual é o nome que a gente deve por no bairro? Uns deram essa sugestão, outros, outra sugestão, tal, tal. Então, falou: Você está feliz em estar aqui? Tá!! Então, põe Jardim Felicidade!”
Figura 4 – construção da associação dos moradores do Jardim Felicidade (1993)
A primeira gestão da associação, cujo presidente foi aclamado, foi de 1993 a 1995. Na primeira eleição por meio de voto, foi eleita F., que já fazia parte da primeira diretoria.
F: Eu fazia um trabalho.... mais um trabalho social do que mesmo uma presidente. Fui buscar um objetivo para as crianças e para as pessoas menos favorecidas. Eu não gosto de falar [que são] carentes. Às vezes chegava dois carros de alimentos para mim distribuir. Eu escolhia pessoas mais carentes para distribuir as cestas, brinquedos.(...) Então é assim: o pessoal te procura, faz doações e você faz os encaminhamentos.
Assim, de residência, nós fizemos o levantamento e tinha 3500 residências. A gente visitamos todas, os barracos, tudo. Na faixa de 3500. (...) De dois em dois meses a gente fazia reunião com Advogado junto. (...) Apoio jurídico de Lauro e Marilda. (...) Apoio Social da Igreja, do Colégio São Paulo da Cruz que enviava as coisas lá pra gente. E, do Deputado Celino. (...) Prefeitura, eu sempre procurava a Regional para dar algum apoio. Mas, eu nunca recebi
apoio da Regional quando eu tive por lá. Era mais no particular do que na Regional. No [Jd.] Felicidade eu não tive nenhum apoio. Agora um pessoal que sempre foi muito bacana comigo foi o pessoal da Eletropaulo. Muito Atenciosos. A Sabesp também deu um bom trabalho mas, o resultado eu resolvi a situação com eles. Hoje, a pessoa que queria me maltratar, se tornou amigo, dizia que era meu amigo. Dificuldades sempre tem mas, para mim não foi difícil porque eu tive muita garra. Eu acho que a gente sendo criticado dá mais força. Às vezes, pessoas que não tinham nada a ver com o bairro, as do bairro vizinho, que representava o bairro vizinho, ficava falando que eu não fazia nada. Mas, também não via nada que as outras pessoas fizeram.
Era tudo muito precário no início. Um terreno vazio a ser “desbravado”. Não h
O processo de autoconstrução da casa exigia, em contrapartida, a partir da ex
“A autoconstrução não se limita à construção da casa. Em nossas pesquisas
ar aos sábados e domingos, em bairros que não contam com calçamentos, moradores se organizarem para melhorar as ruas, caminhos de acesso, pontos, limpeza de córregos, etc.
avia água, luz, ruas, nada. Mas o acampamento em barracos de lona improvisados não durou muito tempo. Alguns construíram barracos de madeira, mas a maioria logo começou a construir as casas de alvenaria. Em alguns casos, era a primeira vez que lidavam com “autoconstrução”. M. disse,
brincando , que o “projeto” de sua casa foi seu e completou: “foi a primeira que eu fiz e estou contente com ela, não caiu ainda... (!)”
periência urbana vivenciada do bairro periférico anterior, que alguma infraestrutura fosse providenciada. No início, ainda não era possível reivindicá- la ao poder público para não chamar a atenção sobre o processo de ocupação. De certa forma, pode-se dizer que, numa ocupação nessas circunstâncias, a construção inicial do bairro foi sendo feita pelos próprios moradores. Ermínia Maricato já coloca bem essa questão, em sua análise sobre a periferia dos anos 70:
empíricas verificamos que ela abrange a construção de igrejas, escolas primárias, creches, sedes de sociedades amigos de bairro, centros comunitários. (....)
A autoconstrução se estende portanto para a produção do espaço urbano e não se restringe aos meios de consumo individual. Nos domingos e feriados, nas horas de descanso, os trabalhadores constroem artesanalmente uma parte
de trabalho ação, infra-estrutura e equipamentos urbanos) determina que o espaço
autoco de forma precária, pelos
ãos, de elementos que caracterizam “a cidade”. Francisco de
baixar seja o custo de reprodução da força de trabalho, no caso da residência, seja o custo da da cidade. O assentamento residencial da população migrante em meio urbano, fundamental para a manutenção da oferta larga e barata de mão-de- obra, se faz às custas de seu próprio esforço, sem que o orçamento “público” se desvie de outras finalidades, na aplicação.” (Maricato, 1979:79)
(....)
Os parcos recursos aplicados no assentamento residencial popular ou no crescimento urbano que diz respeito à reprodução da força
(habit
da periferia das grandes cidades, local de residência da classe trabalhadora, seja produzido através de prática de subsistência, entre as quais se conta a autoconstrução da casa, que se estende freqüentemente para obras de infra- estrutura e equipamentos coletivos”. (idem,. 92)
Na produção da periferia estão contidos dois processos simultâneos: a nstrução da casa e a construção inicial,
próprios cidad
Oliveira, nessa mesma época, reforça esse duplo processo, colocando-o como suporte da reprodução da mercadoria força de trabalho.
“Trata-se, também nesse caso, de como se dá a produção de uma riqueza social que não é medida em que contribua para re
urbanização, no caso de pequenas obras públicas feitas por moradores em seus bairros, em suas ruas.” (Oliveira, 1979:15)
Figura 5 – abertura da rua da fonte, 1994, com recursos dos moradores
Assim, de pegar água na bica e ficar à luz de velas, passaram a fazer ligações clandestinas de água e luz e, com recursos próprios, começaram a abrir ruas. Uma tentativa de organização popular pós-ocupação foi capitaneada pela associação, que através de assembléias e reuniões, começou a discutir as providências iniciais: arruamento, cadastro das famílias, demarcação de lotes, busca de benefícios e até a intenção de reservar alguns locais para futuros equipamentos públicos. Com o trabalho da associação foram sendo dados os nomes das ruas, que homenageiam moradores, suas origens ou sentimentos
M.., “Tudo sozinhos. Nós fizemos esse bairro a peso e pulso dos moradores. A
gente se organizava, contratava uma máquina para vim fazer as aberturas de ruas, até pagava dinheiro muito alto naquela época, pagava 60 reais a hora do trator daquele para trabalhar.”
B. : “Não, nós já começamos a tirar aqueles matagal que aqui era fera. Era
que nem o pinheiral, era mata mesmo! Aí nós começamos a tirar os mais baixinho, os grande nós deixamo pros homens depois montamos o barraquinho. Aí, já viemos de mudança e tudo.
No mesmo dia! Já tinha nego querendo tomar o meu terreno. (...) Tinha que ficar cuidando....Toda vez que vinha tinha uns aí, sempre limpando, falando que era dele. Mas eu ganhei porque o pessoal que me conhece falou: ‘Não, ela
é sozinha, tem o marido (mas ele não tinha vindo), tem um filho dela aí. Ela veve mais sozinha com o filho’ . Aí foi que eu ganhei. Os caras largaram né, mas tinha bastante gente que queria tomar mesmo.(...)
Tinha um que gostava de me meter a faca, pedir um dinheirinho. Invasão eu vou pagar? Nunca paguei não! Eu entrei e estou até hoje.
Era mata virgem, né. E eu me perdia pra chegar até em casa. Era mata mesmo, que nem aí no cemitério (dos Pinheiros)”
Aí começamos a fazer uma trilha, né pra poder sair lá pra avenida e logo em seguida já começou a chegar o pessoal também aí já os homens juntaram e foram inventando de abrir a tal da rua. Tio Tonho deu um pedaço daqui pra nós fazer a rua e nós também, e foi fazendo essa trilha aí que deu a rua. (....) Nós mesmo. Pegando a enxada e derrubando os matos.
S/C.: “Não tinha nada. Quando nós viemos bater essa laje aqui, o caminhão
veio trazer pedra pra mim, eu precisei descarregar metade naquele pedaço, lá na rua dos Pinheiros, pra poder fazer um lugar, que era sapé, né? O caminhão patinava no sapezal e ia descendo pro lado do barranco. Aí o motorista falou:eu vou embora, vou de volta. Porque tava combinado tudo isso no sábado. No domingo de manhã a gente ia bater essa laje. Ai eu falei: sabe de uma coisa, vai dando uma ré a gente vai jogando a pedra embaixo do pneu prá chegar aqui em frente porque não tinha... O material descarregado lá, meus filhos e ela carregaram o material todinho lá da rua dos Pinheiros prá cá.(…) As ruas…..Entrou o pessoal, fez uma associação. Nessa época já tinha. Tinha uma pessoa que se dizia presidente. Depois mataram ela também, sabe. Depois, quando ela morreu, entrou uma outra pessoa, o M.(...)
Ele tentou organizar as coisas da melhor forma. Veio a terraplanagem, nós pagamos para abrir as ruas. Particularmente! Eu tenho até recibo aí, até hoje. Eu falei, vou guardar, que se um dia precisar, eu tenho recibo das ruas que foi aberta, todas. Aí deixaram uma área para fazer futuramente uma escola. Aí de repente, eles mesmo, o pessoal de associação, catava aquilo e vendia. Tiravam uma pessoa de um local....Aqui vamos tirar gente daqui porque aqui vai ser uma creche futuramente. Aí, era bom vender, dava dinheiro aquele local, manda a pessoa lá pra baixo e vamos aqui vender, entendeu? Aqui na frente da minha casa não foi pra ser essa rua Era para ser uma igreja aqui. De repente, eles abriram a rua, puseram a igreja pra lá. Era tudo questão financeira. (....) Tinha a guerra do poder, sabe. A gente muito humilde, todo mundo aqui muito na deles, o que fazia tava bom. A gente não podia abrir a
boca, não podia falar nada porque aí tinha pessoas atrás disso, que dava medo de você falar.”
Figura 6 – Assembléia, 1995.
Figura 7 – imagem da construção da Igreja católica “Comunidade São José”
F: “O nome já tinha sido escolhido. Algumas [ruas], é porque é da cidade de algum morador da rua. Por exemplo: a Rua Piquete, é da cidade da mãe da G.. A rua Sena é porque na época o Sena faleceu, né. Pantanal, bem provável que foi por causa daquela novela. E foi por aí que foram escolhendo os nomes das ruas”.
JR : “O nome das ruas? Fomos nós que pusemos. Fui eu e o M. Nós que pusemos nome nessas ruas todas, demos nome para todo mundo aqui. Nós
perguntava como é que você se chamava. Nós dávamos o nome ainda em vida, que eu acho que a gente tem que valorizar a pessoa ainda em vida e não depois que morre, entende. Essas ruas, Rua da Esperança, da fonte, Ozilia Galeno, Piquete. Foi tudo o nome das pessoas que quiseram por o nome das ruas aqui.”
M/E.: “Tinha já alguns nomes nas ruas, mas não tinha nº nas casas, então nós
começamos com uma dificuldade de colocar os números nas casas, colocar plaquinha identificando o nome das ruas, e tinha muitos terrenos vazios, não dava pra ampliar os números, foi um sufoco, há uns sete anos atrás, e foi assim...O presidente anterior que era o M., já tinha dado os nomes, e até os números, mas só que depois o pessoal foi construindo e foi ficando aquela bagunça; aí nós fomos colocando os números que ficaram organizados e que são esses até hoje.”
Figura 9 – Associação de Moradores Jd.Felicidade, 1996
Algumas lideranças despontam com a associação e começam a empreender uma intensa mobilização, num primeiro momento, para conseguir, através de “gatos” e “gambiarras” (ligações clandestinas), o abastecimento de luz e água até o momento em que as recorrentes falhas nesses tipos de operação fizeram com que o “sistema” começasse a entrar em colapso e provocaram desentendimentos entre os moradores.
B.: “Tinha uma bica, a gente tinha que ir lá, enfrentar a fila. Enfrentar os vagabundo, que bem [que] tinha. Que eles não deixavam a gente pegar água de jeito nenhum. Era uma briga direto. A gente colocava o pau e enchia e lá vem nós no meio dessa barreirada danada com os balde na cabeça durante um bom tempo.”
N: “Tivemos que pagar um rapaz para fazer uma ligação clandestina pra gente.
A água, nós não tínhamos pra beber, não tinha nada pra fazer nada. O que a gente fazia: pegava água de chuva para lavar, essas coisas. Chegou um tempo que tivemos que pagar para colocar água pra gente. O cara colocava quando ele queria. Pagava até caro, pagava R$ 30,00 naquele tempo para o cara colocar. Chegou uma hora que juntamos alguns moradores, alguns vizinhos e compramos novamente um bico. Compramos água da Sabesp, alguém furou, nós compramos esse bico, foi aí que as coisas foram melhorando um pouco, porque nós tínhamos água todos os dias. Mas também tinha aquele negócio, eu chegava do serviço, às vezes até nós passávamos a noite toda lá para
pegar água, para bombear água. Quando você ligava a bomba, corria para cá, cadê a água? Alguém cortava sua mangueira, desviava a sua mangueira ou desligava a bomba. Aí você volta para lá, fazia um monte de viagem. Se cansava, se cansava.”
A luz era também tudo clandestino. (...) Eu gastei particular. No começo eu comprei 600 metros de fio , ligamos aí, mas as pessoas foram safadas, ligava lá dentro, roubava fio. A gente corria atrás, chegou um tempo que eu falei: eu não quero mais saber. No final eu arrumei um rapaz que era eletricista, você cuida da rede que eu não tenho como ficar correndo, porque eu trabalho e foi o que aconteceu. Mas não foi fácil, porque a energia, a gente comprava e eles pediam muita coisa. E ficava no escuro, mas com o tempo as coisas foram melhorando. Fui me sentindo mais forte no bairro e aí começou a associação, inclusive eu fiz parte da associação. De forma então, que corri atrás da água, principalmente da água, fizemos movimentos com as pessoas, compramos mangueira, compramos bomba. Nós pleiteávamos água para o povo, só que teve um erro, não da nossa parte, mas da Sabesp. Quando eles colocaram a caixa, não tinha água. Eu trabalhei no barro, cavoquei buraco, fiz ligação para o bairro inteiro. Algumas pessoas reconheceram o nosso trabalho, mas uns já foram com maldade com a gente. Nós tentamos regularizar água, mas as pessoas viram maldade, falaram que nós estávamos roubando eles. Nós cobrávamos a taxa de R$25,00, nós estávamos tentando trazer a água de alguma maneira. Nós fizemos tudo certinho, compramos a broca com o dinheiro do povo, compramos as mangueiras, fizemos tudo, só faltou a água! (por erro da Sabesp).
S. : “Pra construir, não tinha água. Eu fazia que nem você vê no Norte/Nordeste. Coloca um pau assim, duas latas na ponta e meus filhos tudo pequenininho, a gente ia lá embaixo na bica, que dá o que... uns dois km. A gente passava um dia inteirinho pra encher o tambor de água de 200 l, perdia metade no caminho....(....) Com o tempo as pessoas foram furando poço e ela foi para outros lugares, né?
A gente passava um dia inteirinho para conseguir um tambor de água pra ele...porque quem construiu aqui foi ele. Ele, eu e meus dois filhos. Meu filho mais velho que mora ali na frente,ele sofreu um acidente no andaime aqui. Então foi muita luta....
As pessoas tinham barraquinho. (...) Eu mesmo roubaram 2 mil tijolo meu que tinha posto aí para levantar as paredes. Quando eu cheguei no sábado não tinha mais nada, entendeu?
Não podia deixar nada, roubavam tudo que a gente tinha. Tinha assim, até uma máfia, que tava envolvida até gente grande de um depósito que o homem vendia material, mas ele tinha uma turma que ia roubar pra ele vender lá. Foi muito sufoco...”
M. “Imagina, era um barranco, era tudo mato, aí eu comecei a construir um comodozinho aqui, bati a laje com os colegas de trabalho, só com meus colegas, trabalhava durante a semana, durante o final de semana vinha pra cá...
Era um barranco aqui, mais ou menos quatro ou 5 metros de altura aqui, quando eu construí no fundo, não tinha água, não tinha luz, tinha uma mina aqui, tinha uma reservinha aqui inclusive, nós precisamos invadir... lá debaixo muito tempo ficou preservada, não tinha água, não tinha luz, não tinha nada. Essa mina no início era água boa, água potável, depois o pessoal foi fazendo fossa, foi contaminando...”
F: “Ah, não! O pessoal deu um jeito de furar a rede e por mangueira. Fizeram
as gambiarra. Daí buscava a água longe, aquela dificuldade toda. Tinha gente que não dormia. Era todo dia catando um pouquinho de água. Foi uma luta bem travada mesmo. E a luta continua.” (...)
Chegou um momento, porém, em que se tornou fundamental a presença do poder público para resolver os problemas técnica e socialmente. A associação de moradores procura a SABESP para iniciar as negociações para a instalação da rede de água.
F.: Puseram uma rede emergencial da Sabesp. A sabesp propôs uma rede