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Traitement et vérification des données Système de codification

ANNEXES

9. Traitement et vérification des données Système de codification

uma seqüência de horizontes A-Bt-C ou A-E-Bt-C. A gênese destes solos está relacionada à transferência vertical de colóides e sua deposição nos horizontes subsuperficiais (processo de podzolização).

Neste processo é observado geralmente a perda de elementos e argila no horizonte E (eluviação), e acúmulo no B (iluviação). Apresentam tipicamente um perfil com um gradiente textural, onde o horizonte B é sempre mais argiloso do que o A e/ou E. A feição morfológica mais típica da podzolização é a formação do horizonte diagnóstico B textural ou do B plânico. As unidades de mapeamento São Pedro, São Jerônimo e Alto das Canas são representativas de Argissolos. A tabela 8 representa os ganhos e perdas de elementos para estes solos.

Tabela 8- Ganhos e perdas de elementos percentuais calculados através do algoritmo FLUX para os três Argissolos.

Solo Hz DS Si Al Mn Mg Ca Na K P Fe g cm-3 % PVd2 A2 1,16 14,54 -46,67 -7,67 -41,49 -50,00 -7,35 -46,35 -24,36 -55,13 E2 1,34 7,62 -34,79 -29,67 -23,82 -49,42 -5,54 -57,41 -30,18 1,80 Bt 1,25 49,38 11,46 209,08 185,43 724,81 145,33 552,20 13,77 -2,87 Cr 1,31 3,01 -13,54 12,56 161,63 207,65 143,11 -22,61 12,33 -15,44 PVd3 A 1,22 -17,14 164,53 -1,85 0,42 -29,88 -9,43 68,74 -6,41 104,69 Bt 1,25 -0,08 -22,48 -30,66 -11,86 -26,24 -3,76 10,10 -20,10 -20,82 PVd7 A2 1,24 -32,16 -45,82 -53,92 -22,18 -64,43 -73,90 -80,93 -21,79 -50,62 Bt 1,19 -32,77 -54,39 -54,39 2,64 -63,42 -70,92 -80,79 -22,60 -35,41

A unidade de mapeamento São Pedro (PVd2) constitui-se num Argissolo Vermelho distrófico arênico, (STRECK et al., 2002). São solos profundos, avermelhados, com textura superficial arenosa e bem drenados. São formados a partir de arenitos que constituem em rochas sedimentares originadas de depósitos sedimentares grosseiros. A composição mineralógica das rochas sedimentares é bastante variada: minerais resistentes provindos da desintegração mecânica das rochas, e os minerais recém-formados oriundos da decomposição química (MASON, 1971). O quartzo e os feldspatos são minerais predominantes originados da desintegração mecânica das rochas sedimentares. O quartzo é muito resistente ao

ataque químico nas condições de superfície ao passo que os feldspatos são menos resistentes.

A figura 2 representa os ganhos e perdas de elementos de acordo com a profundidade do perfil para a unidade de mapeamento São Pedro.

-700 -500 -300 -100 100 300 500 700 Ganhos e perdas de elementos (%)

2 1.6 1.2 0.8 0.4 P rof un di dade ( m ) Si Al Mn Ca K P Fe

Figura 2- Ganhos e perdas de elementos do PVd2 (UM São Pedro)

Observa-se que a maioria dos elementos apresenta comportamento semelhante quanto aos ganhos e perdas, com exceção do Ca, K e Mn que apresentaram considerável aumento no horizonte Bt. Os ganhos de Ca, Mg e K podem ser explicados por processos de translocação juntamente com as argilas e ainda, pela captura de elementos que estejam sendo lixiviados dos horizontes A e E pela CTC mais alta do Bt. (tabela 9).

Tabela 9- Caracterização química do PVd2 (UM São Pedro)

Hz M.O (%) pH H2O pH KCl Ca+2 Mg+2 K+ H+Al CTC %Al %V cmolc Kg-1 Efetiva pH7 A2 6,6 4,4 3,9 1,6 0,1 1,2 4,1 3,3 5,8 49,5 29 E1 0,6 4,5 4,0 0,9 0,1 0,7 2,6 2 3,6 49,5 28 E2 0,5 4,6 4,0 1,0 0,8 0,8 2,5 2,9 4,3 36 43 Bt 0,6 4,3 - 2,5 0,8 1,8 4,7 6,1 8 46 42 Cr 0,3 4,6 - 1,7 0,6 2,0 3,7 5,0 6,1 52 39,5

Os solos da UM São Pedro apresentam textura arenosa, conforme tabela 9. A textura arenosa deste solo favorece a perda de elementos, como pode ser observado para a maioria dos elementos, com exceção do Si nos horizontes A e E. Os ganhos relativos de silício (tabela 8) devem-se provavelmente porque o Si encontra-se alocado na fração areia na forma de quartzo. No horizonte Bt, estes ganhos relativos são acentuados pelo acúmulo de argilas silicatadas de alumínio, o que explica ser este o único horizonte com ganho relativo de alumínio.

No horizonte E, o menor ganho relativo de silício deve estar relacionado à densidade deste horizonte, que é levada em consideração nos cálculos, e que se apresenta muito semelhante à do saprolito, o que minimiza a contabilidade do ganho relativo. Ainda neste horizonte observou-se a presença muito freqüente de concreções ferruginosas, confirmada pelo ganho relativo de Fe, o que também colabora para o menor ganho relativo de Si.

Tabela 10- Distribuição granulométrica dos três Argissolos.

Solo Hz Prof Areia Silte Argila

cm g kg-1 A2 0-65 634,7 332,4 32,9 E2 80-95 565,8 461,4 21,1 Bt 115-160 376,1 315,5 308,3 PVd2 Cr 180-230 397,1 324,6 278,4 A 26-72 246,0 47,6 488,1 Bt 148-210 211,1 45,9 510,2 PVd3 Cr 210+ 242,2 12,3 542,5 A2 32-60 521,8 42,0 436,2 PVd7 Bt 130-150 332,0 12,6 655,4

A unidade de mapeamento Alto das Canas (PVd3) constitui-se num Argissolo Vermelho distrófico latossólico (STRECK, et al, 2002). Apresenta um B textural com algumas feições de B latossólico, sendo, portanto considerado intermediário para a classe dos Latossolos. A figura 3 representa os ganhos e perdas de elementos para este solo, de acordo com a profundidade do perfil.

-200 -100 0 100 200

Ganhos e perdas de elementos (%)

1.6 1.2 0.8 0.4 P rof und ida de ( m ) Si Al Mn Ca K P Fe

Figura 3- Ganhos e perdas de elementos do PVd3 (UM Alto das Canas)

Observa-se através da figura 3 ganhos relativos pronunciados de Al e Fe nos horizontes superficiais, diminuindo à medida que o perfil se aprofunda. Os demais elementos mantêm comportamento semelhante de acordo com a profundidade do perfil. O Al é considerado um elemento pouco solúvel segundo a série de Polinov, mas sob determinadas condições ambientes pode tornar-se bastante móvel, o que explicaria suas perdas de acordo com o aumento da profundidade do perfil.

Observa-se através dos valores expressos na tabela 8 que os processos de podzolização não são muito evidenciados neste perfil. Apenas o Ca, Na e o Si apresentaram valores menos negativos no Bt demonstrando um pequeno enriquecimento nesse horizonte. Isso pode ser explicado pelo caráter latossólico do solo que pode influenciar nos processos de transferência de elementos ao longo do perfil. Este caráter indica que este solo se encontra próximo ao limite entre os Argissolos e os Latossolos, como pode ser notado pelo pequeno incremento de argila entre o A e o Bt (tabela 10) e pelo predomínio de perdas tanto no horizonte A quanto no Bt (tabela 8).

Assim como no perfil coletado na UM São Pedro, a maior concentração de Si no horizonte Bt está relacionada à mobilização da fração argila pelo processo de

podzolização. Na fração areia deste solo, observou-se, além da presença dominante do quartzo, pequena quantidade de mica e óxidos metálicos (Mn e Fe) no horizonte C. Estes minerais desaparecem dos difratogramas nos horizontes B e A, indicando que foram intemperizados (anexos 5, 6 e 7). Os padrões se repetem na fração silte. Na fração argila, há a presença de um mineral 2:1 HE com alto grau de intercalação nos horizontes A e B. Este mineral desaparece no horizonte C, dando lugar à mica. Esta seqüência sugere que parte da mica existente no HZ C é intemperizada, e o grande ganho relativo de potássio no horizonte A levanta suspeita de que esta seja uma mica potássica (anexos 11 ao 18) .

Durante o processo de intemperização da mica, é formado um mineral 2:1 que parece ser prontamente intercalado por polímeros de alumínio, já que este apresentou pouca expansão quando saturado com K, Mg e Mg + glicerol. Uma pequena quantidade de mica pode ainda ser detectada pela difratometria de raios X no horizonte A. O mineral predominante na fração argila deste solo é caulinita, que pela agudez e largura dos reflexos, deve ser de alto grau de organização, considerando o ambiente solo. Estas características se acentuam no horizonte C.

Além destes minerais, foi ainda detectada hematita em pequena quantidade, em todos os horizontes, o que está em harmonia com a coloração avermelhada das amostras. Os reflexos de hematita tendem a se destacar mais em direção aos horizontes mais superficiais, o que esta de acordo com o aumento de Fe no Hz A (tabela 8).

A unidade de mapeamento São Jerônimo (PVd7) constitui-se num Argissolo

Vermelho distrófico típico (STRECK et al, 2002) desenvolvido sob substrato geológico de granito. Constitui-se numa rocha ígnea plutônica composta essencialmente de feldspato, quartzo e pequenas quantidades de micas e anfibólios.

A figura 4 representa os ganhos e perdas dos elementos de acordo com a profundidade do perfil.

-100 -60 -20 20 60 100

Ganhos e perdas de elementos (%)

2 1.6 1.2 0.8 0.4 P ro fun d idad e ( m ) Si Al Mn Ca K P Fe

Figura 4- Ganhos e perdas de elementos do PVd7 (UM São Jerônimo).

Observa-se que todos os elementos sofreram perdas, e esse padrão se manteve com o aumento da profundidade. Apenas o Ca apresentou um pequeno aumento de acordo com a profundidade do perfil. O padrão de perdas e ganhos relativos do solo São Jerônimo é parecido com o do Alto das Canas, porém a distribuição granulométrica mostra maior translocação de argila (tabela 10). Uma diferença essencial entre a gênese destes dois solos é que o Alto das Canas possui material argiloso já no material de origem, enquanto no São Jerônimo, toda argila se originou no ciclo atual de pedogênese.

As perdas relativas de silício foram praticamente iguais nos dois horizontes. A transformação de minerais primários pouco resistentes ao intemperismo, como feldspatos e micas trioctaedrais, ainda está em curso neste solo. Aparentemente, a lixiviação de Si e sua conseqüente perda parcial por lixiviação ainda dominam a contabilidade química do horizonte Bt, não sendo superadas pelo aporte de Si

resultante da translocação de argila do A para o Bt. Comentário semelhante parece caber para os demais elementos, exceto o Mg.

O Al apresentou perdas relativas bastante significativas, maiores que as de silício. O material de origem é rico em silicatos de alumínio primários, como feldspatos e micas. Hipotetiza-se que a decomposição destes minerais no clima atual é mais rápida que a formação de minerais secundários, principalmente caulinita, que neste solo apresenta alto grau desordenamento, ainda que não tanto quanto a caulinita do Alto das Canas. Não se detectou formação de gibsita, mas apenas um mineral 2:1 com alto grau de intercalação. Assim, as perdas relativas menores de silício parecem estar relacionadas a sua manutenção no sistema pela permanência do quartzo na fração areia. Como não há um mineral primário estável que contenha Al em quantidade significativa, sua perda relativa é maior.

Feldspatos Ca-Na foram identificados na fração areia do horizonte C do São Jerônimo, desaparecendo nos horizontes superiores. Como o balanço químico é feito em comparação com o horizonte C, as perdas destes elementos foram praticamente iguais no horizonte A e B. A identificação de feldspato potássico não pode ser feita com segurança, porque seus reflexos principais ficam encobertos pelos do quartzo, porém o aparecimento de assimetrias nos reflexos do quartzo levam a supor sua presença no horizonte C, o que se confirmado, poderia explicar as perdas relativas de K pelo mesmo mecanismo do Ca e Na.

Pequena quantidade de mica foi detectada pelo DRX na fração areia do horizonte C e na fração argila (ilita) de todos os horizontes (anexo 19). A mica da fração argila provavelmente é uma mica potássica dioctaedral, provavelmente muscovita, para resistir às condições de intemperismo existentes. Por outro lado, é possível que a mica na fração areia do horizonte C possa ser, pelo menos em parte, uma mica magnesiana triocotaedral, provavelmente biotita, o que explicaria a fonte de Mg no horizonte Bt, já que o Mg foi o único elemento que apresentou ganho relativo no horizonte Bt.

O K, Na e o Ca foram os elementos que sofreram as maiores perdas evidenciando a maior solubilidade, em concordância com a série de Polinov (1930). Os processos de enriquecimento no horizonte Bt foram expressos por valores menos negativos quando comparados ao horizonte A2.

O Si e o Fe considerados elementos menos solúveis apresentaram perdas menores do que os outros elementos. Em contrapartida o Al, também considerado

bastante insolúvel apresentou perdas consideráveis em todas as profundidades do perfil, demonstrando que a solubilidade do elemento não é constante em todas as condições pedogenéticas atuantes.

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