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LISTE DES ANNEXES

CHAPITRE 2 REVUE DE LITTÉRATURE

2.1 Traitement des eaux usées

2.1.2 Traitement physico-chimique

Já falamos de como as virtudes da justiça e caridade atuam sobre as motivações humanas (o egoísmo, a maldade e a compaixão), agora veremos no que se refere a essas reações em decorrência do querer. Qual será a motivação principal e necessária onde se encontra o egoísmo nos seres humanos? Por qual motivo somos egoístas? Posso eu deixar de querer? O que há entre o querer e o egoísmo? Para nosso autor, a fonte do egoísmo é a luta da Vontade nos seus variados graus de objetivação para a manutenção da vida, ou de outro modo, o egoísmo surge de um conflito interno da própria Vontade consigo mesma, gerando assim uma luta constante nos seus variados graus de objetivação.

[...] Na natureza inteira, em todos os graus de objetivação da Vontade, existe necessariamente uma luta contínua entre os indivíduos de todas as espécies, e, justamente aí, exprime-se um conflito interno da Vontade de Vida consigo mesma. Nos graus mais elevados de sua objetivação, como qualquer outra coisa, esse fenômeno se expõe em distinção mais acentuada e, por conseguinte, pode ser mais bem decifrado. Tendo em vista esse fim, queremos perquirir em sua fonte o EGOÍSMO, como ponto de partida de toda a luta. (SCHOPENHAUER, 2005, p. 425)

É no querer-viver que se encontra a motivação do egoísmo no mundo. O egoísmo é uma manifestação da própria Vontade, sendo a motivação principal nos seus mais variados graus da objetivação, isto é, do homem ao animal, essa manifestação existe. A perpetuação da Vontade vem da conservação dela mesma em manter suas formas representativas71 no mundo, sendo então a conservação e a manutenção (procriar) que afirmam a Vontade, pois todo corpo quer viver. Para Schopenhauer, nossos desejos (digamos: o amor) sexuais são apenas uma manifestação de um desejo inconsciente de perpetuar a espécie. Com isso, ele inverteria toda uma tradição filosófica apontando a irracionalidade ao invés da racionalidade, pois o impulso sexual é quem conduziria a espécie humana (da mesma forma que os animais), o qual faria com que o amor não mais fosse tratado como forma que procede a razão, mas sim como mero

impulso sexual. Para ele, essa inversão se aplica como a “constante existência do querer-viver no tempo”, algo próprio da natureza. Desse modo, se assegura que:

O egoísmo é uma qualidade tão profundamente enraizada em toda individualidade em geral que, para estimular a atividade de um ser individual, os fins egoísticos são

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As formas representativas trazem uma analogia dos seres, mesmo que estes não sejam idênticos, pois somente a Vontade é idêntica a si mesma.

80 os únicos com os quais se pode contar com segurança. É verdade que a espécie tem sobre o indivíduo um direito prévio, mais imediato e maior que a efêmera individualidade; todavia, pode acontecer que, quando o indivíduo tem de ser ativo e até fazer sacrifícios para a conservação e aprimoramento da espécie, a importância da questão não se torne tão compreensível para seu intelecto adaptado apenas para fins individuais, para que possa atuar adequadamente. Por isso, em tais casos, a natureza só pode alcançar o seu fim se implantar no indivíduo uma certa ilusão, em virtude da qual aparece como um bem para ele mesmo, o que é de fato um bem só para a espécie, de modo que ele serve enquanto pensa servir a si mesmo. (SCHOPENHAUER, 2004, p. 15-16)

A Vontade de Vida deve sempre prevalecer sobre a individual. A essência íntima do

mundo anseia por vida e estar presente em todos os seres da natureza. “É justamente o que é poupada pela morte, ficando incólume” (SCHOPENHAUER, 2004, p. 54). O egoísmo

inerente à humanidade faz com que procuremos apenas nossos próprios interesses, nisso segue o motivo em que aqui falamos, que a Vontade, ou melhor, que a Vontade de vida vê na representação sua essência, ou seja, sua própria imagem refletida de alguma forma e com isso trava uma luta constante: “Eis por que cada um quer tudo para si, quer tudo possuir, ao menos dominar, e assim deseja aniquilar tudo aquilo que lhe opõe resistência. (SCHOPENHAUER,

2005, p. 426)”.

Tanto nos homens, como nos animais, o egoísmo é a motivação fundamental, já que é ímpeto para a sua existência, felicidade e bem-estar, nisso afirmando a Vontade de vida. Dessa forma, somos fenômenos da essência que entra em conflito consigo em sua pluralidade, isto é, no mundo enquanto Representação, gerando, assim, as causas antimorais. Essa busca na satisfação de si mesmo, de não conseguir ver no outro a sua essência íntima, de o indivíduo fazer de si mesmo o centro do universo, de procurar a todo custo sua própria vida esquecendo- se dos demais, procurando sua autoconservação, de modo que faz de tudo para proveito e bem-estar próprios, fazendo da motivação egoísta caráter para si mesmo, impedindo-lhe de exercer a verdadeira moralidade, dá ao egoísmo a imagem de fonte dos males. Esse egoísmo que busca sempre a satisfação da Vontade, a afirmação do próprio corpo, que vê no seu querer individual a causa de tudo, é a luta a ser vencida pela moralidade. A negação da Vontade de Vida é o que veremos adiante como forma de quebrar o egoísmo e encontrar a verdadeira fonte moral.

Como exemplo hipotético da motivação egoísta posso citar o caso de um jovem que querendo conquistar sua futura amada lhe entrega um buquê de flores como um gesto simbólico de seu amor. Uma cena certamente muito bonita, mas aquilo que todos podem olhar com carinho, ternura, paixão, nada mais é que o próprio egoísmo disfarçado, pois sua verdadeira motivação é o egoísmo, este oculto pelo gesto simbólico de ternura, escondendo

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sua verdadeira motivação, que é a realização de sua própria vontade: a de esperar correspondência por sua ação e assim obter resultados futuros, o prazer e a satisfação da conquista. É bem possível que o buquê jamais fosse dado se ele soubesse antecipadamente que poderia ser rejeitado, mas antes ele espera ser correspondido, nisso encontra-se seu egoísmo, a conveniência de seus atos. Aqui podemos não só mostrar a satisfação própria do indivíduo, o seu bem-estar, mas também o querer-viver das formas representativas, a mera ilusão que a Vontade cria em nós com o alvo de perpetuar a espécie.

Por fim, temos que anunciar que as motivações egoístas são diferentes das motivações por maldade, de alguém com caráter perverso e maldoso como veremos a seguir. Schopenhauer nos esclarece que, sendo os motivos de um indivíduo de caráter maléfico ele não terá receio em prejudicar outrem, pois há caracteres que sentem prazer em causar sofrimento e danos aos outros, chegando muitas vezes a negar a si mesmo somente para prejudicar os demais. É importante frisar essa diferença, pois o egoísmo não é uma conduta malvada, e sim uma conduta que se faz com indiferença aos outros, algo que não seria nem bom, nem mau, apenas inerente em cada indivíduo, pertencente a sua natureza, diferentemente do malvado, que sente prazer em cometer a maldade.

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