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Traitement d’un exemple et conjectures

Escola

A escola onde foi realizado este estudo pertence ao concelho de Lisboa, situada entre o centro e a zona oriental da cidade e é habitada por uma população envelhecida. Existem na zona alguns prédios de habitação social, recentes, que são habitados por uma população mais jovem, o que contribuiu para o aumento da população escolar.

O jardim-de-infância tem duas turmas com cerca de 38 crianças e a E.B.1 possui cerca de 100 crianças com idades compreendidas entre os 5/6 e os 14 anos, distribuídos por cinco turmas dos quatro anos de escolaridade do 1º Ciclo do Ensino Básico. São alunos com percursos escolares difíceis, com retenções repetidas ou portadores de deficiência e/ou doença crónica. Cerca de 20% da população escolar insere-se num quadro de exclusão social.

Como tal, a maioria, da população escolar é proveniente de famílias de nível socioeconómico e cultural médio e médio/baixo, com poucas expectativas de futuro e com diversas problemáticas sociais, demonstrando grande desinteresse pela aprendizagem, níveis de desempenho muito baixos e consequentemente, uma taxa de insucesso muito elevada.

A escola está instalada num edifício com cerca de vinte anos, de tipologia P3, composto por dois blocos separados e ligados por um espaço polivalente. Cada bloco é composto por seis salas, sendo que, do lado Sul, onde funciona a E.B.1, cinco são de aulas e uma de Coordenação/Docentes e do lado Norte, no piso zero, três são do jardim-de-infância e outras três, no piso um, estão a cargo da Junta de Freguesia, nomeadamente da componente de apoio à família.

O horário lectivo é o normal, havendo actividades de enriquecimento curricular à tarde.

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Professora Participante

Na altura em que tinha de fazer o trabalho de campo e recolher os dados, eu estava numa escola nova e iria ter um 1º ano de escolaridade. Contudo estava e estou convicta de que seria incapaz de separar o meu papel de professora do de investigadora. Como tal, não quis pôr o meu estudo em prática com a minha turma. Deparei-me então com outra dificuldade que consistia na falta de tempo; isto porque não podia faltar às minhas aulas para assistir a outras. Assim, recorri a colegas que já tivessem frequentado o Programa de Formação Contínua em Matemática, que fossem ter o 1º ano e que fossem leccionar de acordo com o novo Programa de Matemática, o qual prevê a utilização consistente e sistemática de materiais de suporte à contagem nas primeiras aprendizagens do número. O facto de escolher uma docente conhecida facilitava-me nas idas à escola, porque assim conseguia conciliar os meus horários com os dela. Isto porque, actualmente, o 1º ciclo do ensino básico tem em quase todas as escolas horário das 9 horas às 17 horas e 30 minutos, sendo que nós, professoras titulares, temos a turma a nosso cargo uma ou duas tardes completas por semana, consoante o agrupamento. É o actual Apoio ao Estudo. Assim entre o horário curricular, no qual consegui sair da minha escola com a colaboração de colegas minhas, e o horário das actividades extras curriculares (Apoio ao Estudo) da colega que escolhi, consegui ir cinco vezes à escola dela.

A Sofia é uma professora com idade superior a trinta anos e com dez anos de actividade docente, sempre com turma. Por pensar que as suas aulas, na área da Matemática, eram limitadas e pouco interessantes para os alunos, integrou por dois anos a formação do Programa de Formação Contínua em Matemática da Escola Superior de Educação de Lisboa, tendo-se inscrito posteriormente no mestrado em Educação Matemática na Educação Pré-Escolar e no 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico, sendo minha colega de turma.

Todas estas acções por parte de Sofia surgiram de forma natural, tendo em conta que esta é uma pessoa bastante interessada e empenhada, que investe bastante no dia-a-dia na sala de aula, de modo a ir cativando os alunos e assim os ir auxiliando a ultrapassar as suas dificuldades na aprendizagem e aumentar o seu prazer pela escola e por tudo o que esta significa.

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Turma

A turma era composta por 22 elementos, dos quais 7 eram raparigas e 15 eram rapazes, todos com 6 anos completos até ao dia 31 de Dezembro de 2009.

A turma caracterizava-se por ser bastante heterogénea, tanto ao nível das competências adquiridas no ensino pré-escolar, como nas suas atitudes do saber ser e saber estar, pois a maioria dos alunos sempre se revelou pouca adicta às regras estipuladas na sala de aula e na escola.

Os alunos eram oriundos de famílias inseridas num meio socioeconómico médio- baixo, dando estas, na sua maioria, pouca importância à vida escolar e académica dos seus educandos. Cerca de metade dos alunos beneficiava do apoio do S.A.S.E. e todos os alunos frequentavam as actividades de enriquecimento curricular. Após este período lectivo, alguns alunos frequentavam actividades desportivas dinamizadas nas instituições da freguesia. Em termos de competências funcionais, académicas e sociais, era preocupante a situação de cerca de metade da turma.

Alunos Seleccionados

Uma vez que os alunos já tinham um trimestre de aulas, foi em conjunto com a professora titular de turma que decidi incidir a pesquisa em apenas seis alunos, de modo a melhor observar a influência da utilização dos materiais estruturados no desenvolvimento do sentido de número.

Optei, em termos da amostra do estudo, por ter pares com alunos que estivessem ao mesmo nível e de três níveis bastantes heterogéneos de aproveitamento, para, posteriormente, entender o papel dos materiais utilizados na aprendizagem de cada um destes pares. A formação dos pares de alunos teve como critérios, a homogeneidade de nível de aprendizagem em Matemática em cada par de alunos, e a heterogeneidade desse mesmo nível entre os pares. Assim, a Sofia indicou três pares de alunos, de acordo com os critérios atrás enunciados e com o seu conhecimento da turma: um par de alunos com desempenho fraco, revelando imaturidade, relativamente à maioria da turma (Santiago e Ivo), um par de alunos com desempenho médio (David e Bela) e um par de alunos com bom desempenho a Matemática (Gil e Márcio).

44 Passo então a caracterizar cada par, de acordo com o que a professora Sofia mencionou. O Santiago e o Ivo foram alunos que no final do 1º período revelaram algumas dificuldades de cálculo de adições e subtracções, assim como na resolução de problemas, por vezes, devido a muita falta de concentração. Precisavam de desenvolver o sentido de número e os seus raciocínios lógico-matemático. O David e a Bela são alunos que adquiriram as competências estipuladas, precisando contudo de desenvolver mais o seu sentido de número para assim melhorarem o raciocínio lógico-matemático e resolução de problemas. Por fim, o Gil e o Márcio são alunos que nesta área demonstraram imenso interesse e empenho e tinham vindo a realizar um trabalho muito bom.

Ética

Por questões éticas, todos os nomes dos intervenientes no estudo são fictícios de modo a respeitar a sua identidade, garantindo o respectivo anonimato. Foi, também, solicitada a autorização, por escrito, dos encarregados de educação de todos os alunos da turma (anexo 1), para que se efectuasse a recolha de dados, tendo os mesmos sido informados dos objectivos do estudo e processos metodológicos. Todos eles assinaram e concordaram. Foi, ainda, pedida autorização aos encarregados de educação dos alunos seleccionados para que os mesmos participassem na sessão dedicada à moldura do 10, no dia 16 de Abril, após o horário curricular, nas actividades extra–curriculares. Essa autorização foi concedida por todos os encarregados de educação.

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CAPÍTULO IV

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