• Aucun résultat trouvé

Traitement comptable et fiscal

Dans le document PARTIE III : Présentation de TIMAR (Page 25-0)

PARTIE II : LE PROGRAMME DE RACHAT

IX. Traitement comptable et fiscal

Em geral, se faz necessário o esgotamento dos meios ou recursos internos disponíveis para a concretização de direito protegido por tratado internacional, em especial, para esta pesquisa, direito protegido pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos, para após insucesso da tentativa nacional, buscar remédio no plano internacional. E a isto denomina-se o princípio da Subsidiariedade.

Segundo as Palavras de André Carvalho Ramos93, “a subsidiariedade da jurisdição

internacional consiste no reconhecimento do dever primário do Estado em prevenir violações de direitos protegidos, ou, ao menos, reparar os danos causados às vítimas, para, somente após seu fracasso, poder ser invocada a proteção internacional.”. Na mesma linha, o autor relata sobre este princípio em âmbito unicamente de Direito Internacional, ressaltando ser esta uma questão de proteção diplomática(instituto do Direito Internacional), no caso de, por exemplo, “o Estado, cujo nacional sofreu danos por conduta imputada a outro Estado, considera tal dano como dano próprio e pleiteia reparação ao Estado responsável pelo ato lesivo”.94

Todavia, tratando-se de Direitos Humanos no Direito Internacional, a subsidiariedade da jurisdição internacional é uma constante, sendo exigida nos mais variados tratados, tanto no plano universal quanto regional. Como esta pesquisa se destina, em específico, ao tocante nos direitos protegidos pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos, vale evocar novamente o artigo 46.1, que versa exatamente sobre a exigência supracitada95:

93 RAMOS, André Carvalho. Teoria dos direitos humanos na ordem internacional, 6ª edição.. Saraiva, 2/2016. p. 180.

94 Ibidem, Loco Citato.

95 COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Convenção Americana Sobre Direitos

Humanos. Disponível em:<https://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/c.Convencao_Americana.htm>. Acesso em 23 de jun. de 2018, 14:10.

Artigo 46

1. Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão, será necessário:

a. que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os princípios de direito internacional geralmente reconhecidos;

b. que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva;

c. que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução internacional; e

d. que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição.

Porém, são vários os impactos da existência da regra da subsidiariedade da jurisdição internacional dos direitos humanos. O autor André Carvalho Ramos enumera quatro consequências, “em primeiro lugar, fixa a responsabilidade primária dos Estados na proteção dos direitos humanos, não onerando em demasia o sistema internacional dos direitos humanos.”96. Aqui, a afirmação do autor nos remete ao assunto já exaurido nas seções

anteriores sobre o trâmite em âmbito internacional, pois assim não são todos e quaisquer casos que são aceitos pelo Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos, prevenindo um abarrotamento desse sistema.

A segunda consequência, segundo Ramos97 é:

[…] a regra do esgotamento dos recursos internos auxilia no convencimento dos líderes locais para a aceitação da jurisdição internacional de direitos humanos, pois o caráter subsidiário da jurisdição internacional e o seu papel preventivo (evitando a responsabilização internacional do Estado) da regra permitiram a adesão dos Estados aos tratados de direitos humanos, sem que o velho apelo à soberania nacional lograsse êxito.

Nesta parte o autor da ressalva a questão da soberania estatal, matéria que será abordada na próxima seção. Em terceiro lugar, a consequência é de que98:

[…] o esgotamento dos recursos internos pode também ser interpretado, perante o Direito Internacional dos Direitos Humanos, de modo a exigir dos Estados o dever de prover recursos internos aptos a reparar os danos porventura causados aos indivíduos, o que incrementa a proteção de todos os direitos.

Neste ponto, a afirmação do autor sobre o princípio de subsidiariedade possibilita recordar a relação do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos a 96 RAMOS, André Carvalho. Teoria dos direitos humanos na ordem internacional, 6ª edição.. Saraiva,

2/2016. p. 181. 97 Ibidem, Loco Citato. 98 Ibidem, loc. cit.

implementação das normas de proteção aos direitos humanos, no âmbito interno de cada País que tenha aderido à Convenção. Tais questões já se encontram bem elucidadas nas seções anteriores, em especial as que tratam da Comissão e da Corte Interamericana, seções 3.2.1 e 3.2.2.

E então, por fim99:

[…] há uma quarta consequência inesperada: o esgotamento dos recursos internos aguça obviamente o conflito entre o Poder Judiciário nacional e a jurisdição internacional. O Direito Internacional, ao exigir que sejam esgotados os recursos internos, apreciará um ato nacional que foi avalizado pelo Poder Judiciário local. Caso o mecanismo internacional considere que o Estado falhou (violou direitos humanos), surge possível colisão com a interpretação nacional do caso (que havia considerado inexistir violação). Tal conflito entre a visão internacionalista e a visão nacional de direitos humanos exigirá esforço para a implementação doméstica dos comandos da decisão internacional.

Esta última afirmação de Ramos trata da possibilidade de um mecanismo internacional considerar que o Estado falhou e violou, então, direitos humanos. A cerca disso, cabe apenas informar, neste momento, que a seção 4.3 tratará da atuação do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos. E que na última seção deste capítulo se fará a análise, proposta da pesquisa, de casos em que a Comissão Interamericana aceitou a admissibilidade de casos com base no artigo 46.2 da Convenção, este que assim como o 46.1, será evocado novamente:

Artigo 46

2. As disposições das alíneas a e b do inciso 1 deste artigo não se aplicarão quando: a. não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido processo legal para a proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados;

b. não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de esgotá-los; e

c. houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados recursos.

O artigo supracitado refere-se aos casos de exceção em que o princípio dissertado nesta seção seja afastado, base para o qual se analisará os casos em que tais exceções ocorreram com o Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Se endossa, neste ponto, a relevância acadêmica desta pesquisa, demostrando que tal previsão legal se encontra na própria convenção que norteia o Sistema Interamericano que protege os direitos humanos e que tais exceções ocorrem de fato, em especial envolvendo casos com o Brasil.

99 RAMOS, André Carvalho. Teoria dos direitos humanos na ordem internacional, 6ª edição.. Saraiva, 2/2016. p. 181.

4.2 SOBERANIA NACIONAL E A JURISDIÇÃO DO SISTEMA INTERAMERICANO DE

Dans le document PARTIE III : Présentation de TIMAR (Page 25-0)

Documents relatifs