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Traitement en cas de dyspnée (11, 15)

Dans le document TABLE DES MATIÈRES. Introduction 5 (Page 97-110)

DIAGNOSTIC DIFFÉRENTIEL ET TRAITEMENT

B. Traitement en cas de dyspnée (11, 15)

Para apontar os reflexos das políticas industriais sobre o desenvolvimento da região Noroeste do Rio Grande do Sul, torna-se necessário, primeiramente, abordar a respeito das questões referentes ao desenvolvimento econômico, focando as contribuições da indústria para o desenvolvimento em geral e, posteriormente, regional. Ademais, as repercussões da atividade agrícola sobre o desenvolvimento também são dignas de serem destacadas, considerando que o setor industrial leiteiro é vinculado a atividade da agricultura, conforme demonstrado na sua cadeia produtiva. Por sua vez, em se tratando de cadeias produtivas, os efeitos de encadeamento que uma atividade exerce sobre a outra, proporcionando o desenvolvimento de uma região, merecem destaque.

A medida que crescimento econômico corresponde a alterações positivas em variáveis quantitativas, entende-se por desenvolvimento não apenas as mudanças quantitativas, mas também as mudanças qualitativas nas estruturas produtivas. Essas estruturas podem ser tanto econômicas, como sociais e institucionais (FONSECA, 2006).

O desenvolvimento, é portanto, um fenôomeno de natureza istritamente social, pois é marcado pela relação quanto a suas formas de percepção e de aferimento. Com base nisso, pode-se dizer que o desenvolvimento só passa a existir no momento que passa a ser percebido como uma situação que causa uma alteração na sociedade (CONTERATO; FILLIPI, 2009).

44 Em se tratando de crescimento econômico, o mesmo é mensurado através da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de uma economia, por exemplo. Já alterações nas variáveis qualitativas – desenvolvimento – podem ser avaliadas através de indicadores de desenvolvimento sócio econômico, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Gini, entre outros indicadores que contemplam mudanças no bem-estar da população (SOUZA, 2005).

Visto isso, pode-se inferir que a mensuração do desenvolvimento econômico de um país, estado ou região é uma tarefa bastante complexa, pois envolve parâmetros dos mais diversos e de difícil mensuração. O desenvolvimento pode ser visto de vários ângulos: econômico, social, ambiental, político, cultural. Apesar disso, o relátorio de Brundland chegou a uma conceituação bastante difundida e utilizada para quando se fala do termo em estudo. Segundo o relatório, esse define o conceito de desenvolvimento sustentável como sendo aquele que “[...] satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE O MEIO AMBIENTE, 1991, p. 46).

Para Fonseca (2006), o desenvolvimento econômico de um país ou região depende de níveis elevados de investimento; das inovações técnicas; de melhoras nos níveis de educação da população; da atividade empresarial; e de uma administração pública eficiente, capaz de eliminar os gargalos da economia e estimular a realização de investimentos por parte da iniciativa privada. Ademais, o governo deve promover uma estrutura tributária e infra- estrutura de transportes, portos e aeroportos favoráveis a realização de investimentos, sejam esses internos ou externos, públicos ou privados, e, consequentemente, do desenvolvimento.

Além desses aspectos cogentes, destaca-se a necessidade de ação coordenada entre governos federal, estadual e regional e um planejamento econômico, tendo em vista que o desenvolvimento é um fenômeno de longo prazo e que tem como característica fundamental a sustentabilidade da melhora adquirida ao longo do tempo. Para Fonseca (2006, p. 26), “[...] a ausência de objetivos bem definidos de longo prazo e o foco excessivo em problemas de curto prazo, evidenciados pela inexistência de planejamento, contribuem para o resultado observado [...] – ausência de crescimento e de desenvolvimento [...]”.

De maneira similar, Feijó (2007) destaca que para uma país ou região crescer e se desenvolver é necessário cinco aspectos: poupar e investir; conter o crescimento populacional; resguardar a saúde e a educação; gerar e assimilar novas tecnologias; e promover um ambiente de negócios dinâmico. Esses fatores são essenciais para gerar e aumentar a riqueza de uma economia, representando crescimento econômico. Porém, não são suficientes para o desenvolvimento. Atrelado a isso, políticas públicas, planejamento de longo prazo e ações privadas são indispensáveis para que os benefícios gerados sejam distribuídos a todos.

Conforme verificado na cadeia produtiva do leite, a existência de linkages, ou seja, a interligação dos processos produtivos e os efeitos de encadeamento gerados por uma atividade sobre a outra, demonstra o poder que um setor chave da economia tem sobre os demais, promovendo desenvolvimento. Conforme Souza (2005), o aumento da oferta de uma atividade em questão, no caso o leite processado, desencadeia uma série de investimentos adicionais no resto da cadeia produtiva e na economia como um todo. Esses investimentos são necessários para que os elos da cadeia produtiva, a jusante ou a montante, acompanhem o crescimento da atividade propulsora, permitindo o crescimento e o desenvolvimento.

“Cada investimento concebe-se como induzindo uma série de investimentos subsequentes [...]” (SOUZA, 2005, p. 242). Esses efeitos de encadeamento podem ocorrer de forma direta ou indireta. Quanto mais setores intermediários e distantes da atividade propulsora da cadeia produtiva, mais indireto e mais fracos serão os efeitos percebidos. Ademais, há setores que produzem maiores efeitos de encadeamento do que outros.

Para saber qual atividade gera mais efeitos encadeadores, maximizando os efeitos de encadeamento, deve-se identificar os setores chaves. Esses são capazes de impulsionar um maior crescimento e desenvolvimento do conjunto da economia. Para Souza (2005), com base numa análise criteriosa e cálculos estatísticos a partir da Matriz de Insumo Produto e de seus coeficientes técnicos adquiridos com a Matriz de Leontief, surgem três critérios de escolha de uma atividade chave, ou seja, aquela que gera mais efeitos de encadeamento. Assim, tem-se:

46 a) atividades com os mais altos coeficientes de compras (efeito para trás, vertical); b) atividades com os mais elevados coeficientes de vendas (efeito para frente,

horizontal);

c) atividades que apresentam, simultaneamente, os dois (elevados coeficientes de compras e vendas).

Os investimentos são imprescindíveis para dinamizar o crescimento e desenvolvimento da economia. Ao se falar em investimentos no setor industrial, em especial do setor de leite, os recursos provém, em grande parte, do setor agrícola. Daí a necessidade de destacar a influência de estímulos autônomos provenientes da agricultura sobre a indústria e a economia de forma geral, tendo a agricultura papel fundamental sobre o desenvolvimento.

Souza (2005) realça a existência de uma correlação positiva entre crescimento agrícola e crescimento dos demais setores, sendo os encadeamentos gerados pela agricultura derivados de suas cinco funções básicas, a saber:

a) liberação de mão de obra;

b) fornecedora de alimentos e matérias primas;

c) geração de divisas através das exportações, as quais servem de recursos para financiar o desenvolvimento;

d) transferência de poupança para indústria e infra-estrutura urbana; e) mercado consumidor dos bens industriais.

A transferência de recursos da atividade agrícola para a expansão industrial e implementação de infra-estrutura pode se dar de forma espontânea e ou compulsória. A maneira espontânea é através da aplicação de lucros e renda diretamente na economia industrial. Já a transferência compulsória corresponde ao excedente da atividade agrícola extraído compulsoriamente através de mecanismos de preços (relação de troca desfavorável para a agricultura, beneficiando o segmento industrial); confisco cambial de exportações; tributação; imposto sobre a terra; poupança forçada criada pela inflação (SOUZA, 2005).

Porém, destaca-se que a transferência compulsória de recursos da agricultura para a indústria através da tributação ou outra forma compulsória acarreta prejuízo ao setor agrícola, refletindo no setor industrial. Assim agindo, o produtor rural tem seu poder de compra reduzido, o que prejudica-o a realizar investimentos em suas atividades, adquirir bens de consumo, entre outros, inviabilizando-o de realizar outras funções, tais como mercado consumidor dos produtos industriais.

Portanto, de acordo com Souza (2005, p. 222), “[...] uma das maneiras mais racionais de transferir recursos da agricultura para a indústria é por meio da maior demanda de produtos industriais e da expansão da produtividade agrícola, como resultado de uso crescente de máquinas e insumos modernos e adoção de inovações tecnológicas”. Ou seja, deve-se priorizar a transferência espontânea em detrimento da compulsória de forma a não gerar prejuízos em ambas as atividades devido os efeitos de encadeamento e as interligações que possuem.

A necessidade de investimentos é inquestionável, mas a sua alocação gera debates. Para Lewis (apud SOUZA, 2005), os investimentos também devem contemplar áreas como educação, saúde, melhorias institucionais, capacitação tecnológica, além dos realizados nas atividades agrícolas e industriais. O investimento em capital humano também é considerado produtivo por elevar a produtividade dos fatores, sendo um elemento fundamental para o desenvolvimento.

Com base no exposto acima, percebe-se a interdependência entre os setores - agrícola e industrial -, demonstrando que a industrialização não se efetua de modo independente da agricultura. A atividade industrial demanda, por exemplo, mão de obra, matérias primas e alimentos do setor agrícola, além da necessidade de recursos provenientes dessa atividade para serem direcionados àquela. Essa interdependência é ainda melhor visualizada quando trata-se de agroindústrias.

A agroindústria corresponde ao beneficiamento e transformação de produtos agrícolas, sendo fundamental para crescimento econômico tanto rural como urbano. Dentre as vantagens trazidas com essa atividade destaca-se o aumento do valor adicionado regional; a ampliação

48 ligadas tecnologicamente; a geração de efeitos de encadeamento para frente e para trás; o aumento do grau de industrialização; o aumento do emprego tanto na agricultura como nas fases intermediárias de beneficiamento, transporte e industrialização; a ajuda na conservação de produtos perecíveis; o aumento das exportações; a criação de demanda estável para produtos agrícolas, aumentando a renda dos agricultores; o incentivo ao investimento em tecnologia; entre outros (SOUZA, 2005).

É através da agroindústria que os governos locais enxergaram uma estratégia de industrialização e desenvolvimento regional, pois com essa atividade, além das vantagens já mencionadas, há a absorção de um maior volume de mão de obra local, mantendo-os no interior do país e reassentando colonos. Para Leite (apud SOUZA, 2005), a localização da indústria no campo, nos bolsões de mão de obra ou de matérias primas, reduz o êxodo migratório campo-cidade. Por isso, segundo esse autor, o desenvolvimento deve ser integrado entre todos os setores - agricultura, indústria e serviços - nas próprias zonas rurais.

Visto isso, verifica-se que tanto o setor agrícola como o industrial contribuem decididamente para o desenvolvimento de um país e região. Além disso, é importante frisar que existem fatores de crescimento econômico que geram condições iniciais e necessárias ao desenvolvimento, sendo esses fatores tanto de oferta como de demanda e institucional (SOUZA, 2005).

Dentre os fatores do lado da oferta tem-se a capacitação do capital, a mão de obra qualificada, a geração de conhecimento e de inovações. Tais variáveis, quando aprimoradas, aumentam a produtividade, gerando maior crescimento.

Já entre os fatores de demanda, destaca-se a importância de uma mercado amplo, tanto interno como externo. Porém, as exportações também são estritamente necessárias, não apenas para realizar a demanda efetiva, por que proporcionam o financiamento das importações e de outras atividades que promovem efeitos de multiplicação sobre emprego e renda.

Quanto aos fatores institucionais, é necessário que os ambientes sócio-econômicos sejam favoráveis ao crescimento e ao desenvolvimento. Instituições precárias inibem os investimentos e incentivam a fuga de capitais, além de aumentar o risco de negócio. Como exemplo de instituições tem-se as instituições bancárias, as agências de fomento e as instituições de pesquisa e extensão, todas elas viabilizando a realização de investimentos e contribuindo para o desenvolvimento.

O Estado, como instituição, também desempenha um papel fundamental. O mesmo deve dispor dos seus recursos e tempo para atuar em áreas estratégicas; fornecer bens públicos; contribuir para a oferta de saúde, educação e transporte; programar investimentos em áreas prioritárias, como a infra-estrutura; induzir a iniciativa privada a desenvolver novas tecnologias; entre outros (SOUZA, 2005). Dessa forma, além de fatores que geram crescimento econômico, há outros que levam ao desenvolvimento, proporcionando crescimento com melhoria na qualidade de vida, preservação ambiental, estabilidade econômica e política.

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