A produção de vinho em Portugal Continental tem apresentado, ao longo do último centenário uma evolução irregular, apresentando, inicialmente, uma tendência
Alvarinho 28% Outros
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crescente, que embora se inverta entre meados da década de 60 e finais da década de 90, parece ser retomada a partir do início do século XXI, como se pode observar pela análise do Gráfico 2.
Gráfico 2 - Evolução da produção de vinho em Portugal Continental, em milhares de hectolitros, no período 1909-2009
Fonte: IVV (2011).
No Gráfico 3 é comparada a evolução da produção de vinho em Portugal com a evolução do seu consumo. Verifica-se, que no período de 2000-2010, embora o consumo se tenha mantido relativamente estável, não tendo, salvo na campanha de 2002-2003, descido abaixo dos 4400 mil hectolitros, nem subido acima dos 5000 mil hectolitros, a produção, bastante mais irregular, apresentou entre as campanhas de 2001/2002 e 2009/2010 um decréscimo de quase 2000 mil milhões de hectolitros. Esta convergência pode pôr em causa a capacidade exportadora nacional, nomeadamente, o desenvolvimento internacional do setor.
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Gráfico 3 - Evolução da Produção e Consumo de Vinho em Portugal, em milhares de hectolitros, para as campanhas de 2000/2001 a 2009/2010 período 1909-2009
* Valores provisórios
Fonte: IVV (2011).
No que respeita à trocas mundiais de vinho, Em 2011 o mercado mundial de vinho atingiu 1104 biliões de caixas (9 litros), representando um acréscimo de 7,9% face ao ano anterior, confirmando uma tendência crescente verificada desde 2009. Também em 2009, a tendência de queda das exportações dos 5 maiores países exportadores da União Europeia (Itália, Espanha, França, Alemanha e Portugal) foi invertida, apresentando um crescimento de 9% até 2011, ao contrário das exportações dos países do Hemisfério Sul e EUA (ViniPortugal, 2013), como se pode observar no Gráfico 4. 0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 7.000 8.000 9.000 Produção Consumo
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Gráfico 4 – Evolução das exportações mundiais de vinho dos principais países exportadores (Top 10), em volume (mhl)
Fonte: ViniPortugal (2013).
Em 2012, a exportações de vinhos portugueses atingiram um valor de 706 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 50 milhões em relação ao ano anterior, uma tendência crescente que parece manter-se no presente ano (tendo em conta o primeiro semestre do ano) (Marcelino, 2013).
Angola, Estados Unidos da América (EUA), Alemanha, Reino Unido, Canadá, Brasil, China e os países nórdicos são os países que na última década se destacaram na compra de vinhos portugueses (Marcelino, 2013).
Angola é, atualmente, o maior mercado de exportação de vinhos portugueses, com uma quota de 67,5%, apresentando, mesmo assim, potencial de crescimento, como pode ser provado por um investimento de cerda de 400 mil euros cujo objetivo é potenciar um crescimento dos vinhos portugueses (em valor) em 19%, em três anos (Marcelino, 2013).
Em relação aos EUA, apresentam-se em 2012 como os maiores importadores mundiais de vinho, constituindo, ao mesmo tempo, o quarto maior importador de vinho português, com um crescimento de cerca de 8% (em valor) em 2012. “É o alvo
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do maior investimento da promoção internacional de vinho português, no valor de 2 milhões de euros” (Marcelino, 2013).
O mercado alemão tem vindo, também segundo o Marcelino (2013), a crescer a taxas anuais bastante elevadas.
Por sua vez, o Reino Unido constitui o segundo mercado de exportação dos vinhos portugueses em valor, registando, em 2011, um aumento das exportações de 4,7% em volume (ViniPortugal, 2013).
Relativamente ao Canadá, o facto de cerca de 66,4% dos vinhos consumidos pelo país serem importados torna-se num mercado bastante atrativo para as empresas portuguesas, no entanto, te ainda que ser explorado, pois, embora seja um bom mercado em termos de preço médio, Portugal apenas possui uma quota de mercado de 3,43%. A resposta parece estar na exploração da faixa jovem dos consumidores deste país (ViniPortugal, 2013).
Já o mercado brasileiro, continua a ser um dos principais mercados para os vinhos portugueses, apresentando taxas elevadas de crescimento das exportações. As exportações aumentaram de 20 milhões em 2010 para 24 milhões em 2011. Os vinhos portugueses conseguiram um posicionamento alto no mercado brasileiro e Portugal está no grupo dos cinco fornecedores de vinho do Brasil (ViniPortugal, 2013).
O mercado do vinho na China está a crescer e tem excelentes perspetivas para os principais produtores, posicionando-se como o quinto principal mercado dos vinhos nacionais, fora do espaço europeu, não incluindo os vinhos do Porto e Madeira. A China é um dos alvos prioritários da produção nacional, pois representa 13,7 milhões de euros em valor para as exportações nacionais. Em 2011 assistiu-se a um aumento de 91,7% no valor das exportações de vinhos nacionais para este mercado (ViniPortugal, 2013).
Em relação aos países nórdicos, nomeadamente, Suécia, Noruega e Finlândia, Portugal continua empenhado em continuar a crescer nestes mercados, procurando responder à crescente recetividade dos vinhos portugueses (ViniPortugal, 2013).
Finalmente, a Tabela 6 resume a posição relativa de alguns dos principais mercados de exportação dos vinhos de Portugal.
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Tabela 6 - Posição relativa nos principais mercados de exportação dos vinhos de Portugal
Volume
Peso das Exportações de Portugal nas Importações
Globais do País
Peso das Exportações de Portugal nas exportações
da EU para o País USA 0,6% 1,3% Canadá 1,0% 2,1% Japão 0,4% 0,9% China 2,3% 4,7% Brasil 18,4% 38,3% Alemanha 1,3% 1,5% UK 1,6% 3,4% Fonte: ViniPortugal (2013).
Considerando os mercados de destino das exportações portuguesas e o seu peso nas importações globais de cada país, constata-se que é sobretudo no Brasil que Portugal detêm uma posição relevante com uma quota de 18,4% do global e de 38,3%, no que se refere ao peso das exportações comunitárias (ViniPortugal, 2013).
5.5. Conclusão
O vinho verde é produzido na Região dos Vinhos Verdes, demarcada em 1908. A sua riqueza e preponderância são bem evidentes nos 21 mil hectares de plantação, espalhados por 9 sub-regiões e com 36 castas aptas para a sua produção. O vinho Alvarinho é uma casta branca proveniente da sub-região de Melgaço e Monção da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, que se distingue pela sua riqueza aromática, elegância e complexidade no sabor, características que, entre outras, o tornam famoso e o identificam como um produto único no mundo.
O setor do vinho Alvarinho nesta sub-região caracteriza-se pela diferença de dimensão das suas 40 empresas, onde cinco delas controlam 90% do negócio. No contexto atual, no qual se verifica um nível de produção superior ao consumo, as empresas devem olhar o mercado externo como uma alternativa viável. Sintomático deste facto é o crescimento das exportações de vinhos portugueses, que em 2012 atingiram os 706 milhões de euros.
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As especificidades desta casta e o respetivo reconhecimento, quando enquadradas num contexto de crescimento do mercado mundial de vinho e das exportações de vinhos portugueses parecem evidenciar a necessidade de observar qual o papel do Alvarinho na internacionalização dos vinhos portugueses.
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