Rappels bibliographique
III. Toxicité de la plante
A queda na qualidade do oócito é o fator primário que afeta o desempenho reprodutivo de éguas e mulheres mais velhas. As causas e o momento em que este declínio ocorre não estão bem determinados (CARNEVALE, 2008). A diminuição na eficiência reprodutiva em éguas acima de 15 anos está demonstrada na diminuição da taxa de prenhez e na taxa de nascimentos por ano.
Carnevale e Ginther (1995) reportando os resultados da transferência intrafalopiana de gametas (GIFT) com oócitos coletados de folículos pré- ovulatórios de éguas velhas (> 20 anos) e jovens (6 – 10 anos), sendo que somente os oócitos maduros foram transferidos para receptoras jovens, observaram menores taxas de prenhez para o grupo de éguas idosas. Após a transferência, oócitos de éguas idosas resultaram em 31% de prenhez versus 92% das éguas jovens, confirmando assim o declínio da fertilidade com a idade, sendo o oócito um dos fatores primários.
Se uma ligação entre diminuição do tamanho folicular, diminuição da viabilidade oocitária, e em consequência, desempenho reprodutivo mais pobre existe, pode ser esperado que ocorra ovulação de um folículo pré-ovulatório que não chegou ao final da divisão meiótica e/ou maturação antes da ovulação (DAVIS MOREL et al., 2010). Segundo Losinno (2006), as éguas velhas ovulam frequentemente oócitos com alterações na cromatina nuclear, diminuindo assim o índice de fertilidade desta categoria. Esse autor, comparando oócitos de éguas velhas e jovens obtidos após recente ovulação, encontrou 18,5% apresentando distribuição errônea das organelas citoplasmáticas em éguas velhas e 5,6% em éguas jovens. Comparando o estádio de maturação nuclear (metáfase x estádio
não determinado) obteve 71,4% de oócitos de éguas jovens em metáfase (I ou II) e 28,6% em estádio não determinado, e no grupo de éguas velhas, 46,6% em metáfase (I ou II) e 53,4% não determinado. Ainda, os oócitos das éguas mais velhas possuem outras anormalidades morfológicas não vistas em oócitos de éguas jovens, incluindo vesícula grande dentro do ooplasma (ocupando mais de 52% da área total do oócito) ou associada com o núcleo, com formato irregular, áreas do ooplasma sem organelas e seções do oolema com microvilos. (CARNEVALE et al., 1999).
Um aumento significante na fração dos vacúolos no ooplasma foi também observado em oócitos de mulheres de idade avançada (38-45 anos) versus jovens (25-32 anos) após avaliação de biópsias ovarianas (DE BRUIN et al, 2004). A vacuolização aumentada parece ser causada por acúmulo dos danos no oócito (DE BRUIN et al., 2004). As causas dos defeitos morfológicos dentro dos oócitos de fêmeas idosas não são conhecidas. Mutações no DNA mitocondrial e produção de espécies reativas de oxigênio têm sido encontradas como efeito importante nos oócitos de fêmeas idosas com potencial para comprometer a segregação cromossomal (THOUAS et al., 2005)
A patofisiologia mitocondrial é um marcador citoplasmático do complexo processo degenerativo do envelhecimento de muitos tipos celulares, particularmente em células metabolicamente ativas como as do coração e sistema nervoso central (THOUAS et al., 2005). Disfunção metabólica nas mitocôndrias pode resultar em dano oxidativo do citoplasma e estruturas nucleares tanto quanto um aumento na probabilidade de degeneração apoptótica e necrótica. Oócitos humanos e embriões novos de mulheres de idade avançada clinicamente inférteis contêm mitocôndrias com características ultraestruturais similares àquelas de células senis ou células somáticas em degeneração incluindo vacuolização, protuberâncias e deposição mineral (DE BRUIN et al., 2004). Carga mitocondrial reduzida pode resultar em defeitos metabólicos como perda de prótons e elétrons, que aumentam progressivamente com o avanço da idade das células somáticas (DE BRUIN et al., 2004) e pode levar ao aumento do dano peroxidativo. Além disso, níveis de ATP têm sido correlacionados com resultados no desenvolvimento
embrionário pré e pós-implantação, e então desenvolvimento atrasado tem sido especulado por estar envolvido com déficits na energia metabólica.
Similarmente, oócitos humanos com diminuição do conteúdo de ATP provavelmente possuem desenvolvimento comprometido. Rambags et al., (2008), estudando através de PCR o número de cópias de acido desoxirribonucléico (DNA) de oócitos e embriões provenientes de éguas jovens (< 12 anos) e idosas (>15 anos), observaram que os embriões de éguas jovens possuíam mais mitocôndrias do que seus oócitos, já nas éguas idosas a quantidade de mitocôndrias não aumentou nos embriões quando comparado aos seus oócitos, indicando um atraso na replicação mitocondrial.
Vários estudos têm indicado que a perda embrionária é a maior causa da diminuição na taxa de prenhez de éguas subférteis com incidência de 39% versus 17% quando comparado a outras éguas, entre dias 15 e 50 após ovulação (VILLAHOZ et al., 1985). Carnevale et al. (1993b) demonstraram que blastocistos provenientes de éguas idosas apresentavam menos células totais, menores escores de qualidade e tendiam a ter menor diâmetro. Também foi sugerido que os defeitos de desenvolvimento do embrião ou ambiente do oviduto podem explicar a falha no estabelecimento da gestação em éguas idosas e subférteis. Para éguas jovens e velhas, respectivamente, a taxa de concepção por ciclo foi 57 e 31% e a taxa de nascimento por estação foi 82 e 48%. Em experimento controlado (CARNEVALE e GINTHER, 1992), éguas jovens (5 a 7 anos) e velhas ( 15 anos) foram inseminadas usando o mesmo garanhão e manejo de cobertura similar. A taxa de prenhez no dia 12 foi significativamente menor para éguas velhas que para éguas jovens (32% versus 100%), e a perda embrionária foi significativamente maior para éguas velhas do que para jovens (62 e 11%). O estabelecimento da prenhez não foi afetado pela idade da receptora (LEGRO et al., 1995).
Segundo Ball et al. (1989) as taxas de prenhez não foram significantemente diferentes para éguas idosas subférteis e éguas jovens normais dois dias após a ovulação. Entretanto, ao dia 14 após a ovulação, taxas de prenhez foram significativamente menores em éguas subférteis que em éguas normais. A taxa de
perda embrionária entre os dias dois e 14 foi 73% em éguas subférteis e 0% em éguas normais.
Embriões morfologicamente normais de sete ou oito dias foram transferidos para o útero de receptoras normais ou subférteis. No dia 28 após ovulação a taxa de sobrevivência embrionária foi similar entre éguas receptoras normais e subférteis, sendo assim, o ambiente uterino não foi a maior causa de perda embrionária inicial em éguas subférteis. A sobrevivência reduzida (P<0,1) de embriões de qualidade intermediária de éguas subférteis comparados com embriões intermediários de éguas doadoras normais, entretanto, indicaram que fatores outros que aqueles que foram morfologicamente aparentes podem ter responsabilidade pela sobrevivência de embriões de éguas subférteis (BALL et al., 1989).