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CHAPITRE 2 MODÉLISATION ET CONSTRUCTION D’UN MODÈLE DE VOL

2.2 Modélisation aérodynamique

2.2.1 Tornado

Foram encontrados apenas três trabalhos publicados entre 2010 e 2015 que utilizaram como palavras-chave ou termos indexadores o role-taking. Dentre estes, encontra-se a única publicação brasileira7 registrada nessa revisão. Trata-se do trabalho realizado por Rique, Camino, Formiga, Medeiros e Luna (2010), que objetivou verificar empiricamente as relações entre a consideração empática, a tomada de perspectiva social ou role-taking e o perdão interpessoal. Os autores definem consideração empática como a capacidade de simpatizar com o outro e se motivar para ajudá-lo e a tomada de perspectiva ou role-taking como a redução do egocentrismo que permite a adoção de outras perspectivas além da do próprio indivíduo. Os autores propuseram um modelo para analisar se a empatia, através desses dois componentes, facilita o surgimento da disposição para perdoar. Participaram do estudo 200 pessoas, com idades entre 14 e 46 anos, que responderam à escalas de consideração empática e tomada de perspectiva, uma escala de atitudes para o perdão e uma

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Esta indicação não significa que não existam outras publicações nacionais sobre os temas revisados nos período delimitado na busca, apenas que não foram encontrados trabalhos publicados no Brasil ou em português utilizando os critérios de inclusão considerados. Provavelmente, com a utilização de outros termos indexadores ou de outra faixa etária, outros trabalhos brasileiros seriam encontrados.

medida do grau de mágoa sofrida pelo ofensor. Os participantes deveriam responder aos instrumentos considerando uma ofensa que eles sofreram em algum momento de suas vidas. Os resultados obtidos por análises de modelagem de equações estruturais confirmou o modelo proposto pelos autores, onde a consideração empática se relaciona positivamente com a tomada de perspectiva ou role-taking, e ambos influenciam positivamente o perdão e a diminuição da mágoa pelo ofensor.

Laurent e Myers (2011) investigaram como o role-taking leva a mudanças no autoconceito. Para tanto, realizaram dois estudos. No primeiro, 110 estudantes universitários assistiram a um vídeo onde um pesquisador aparece sendo entrevistado. Em seguida, responderam a uma escala sobre os atributos e crenças sobre o pesquisador. Os participantes foram divididos em duas condições: adotar a perspectiva do pesquisador ou observação efetiva da situação (condição controle). Os resultados obtidos através de modelagem de equações estruturais indicaram que o role-taking apresentou efeitos mais fortes na sobreposição (quando os participantes se reconheciam como semelhantes ao pesquisador) do autoconceito do que na condição de controle, mas não se mostrou um preditor direto de nenhuma das variáveis. Nesse sentido, maior sobreposição foi associada a maior autoconceito dos atributos do pesquisador, maior apoio às crenças relacionadas ao pesquisador e maior avaliação dos atributos positivos. No segundo estudo, os autores utilizaram o mesmo delineamento, modificando o alvo da tomada de perspectiva, que foi apresentado como uma pessoa racista. O estudo contou com a participação de 115 estudantes universitários. Como resultados, o role-taking apresentou efeitos maiores do que a condição controle. Maior sobreposição (identificação com o personagem alvo) foi associada a uma atribuição mais negativa sobre os americanos descendentes de africanos, e maior valorização dos atributos do personagem. Ou seja, após adotar a perspectiva de uma pessoa racista, os participantes defenderam atitudes mais semelhantes ao racismo, e passaram a valorizar mais o personagem,

efeito mediado pela sobreposição de imagem. De acordo com os autores, esses resultados corroboram achados anteriores que mostraram mudanças no autoconceito seguidas da tomada de perspectiva através da sobreposição.

O último trabalho revisado utilizando o termo role-taking foi o de Jenkins, Austin e Boals (2013), no qual foi analisada a relação entre a escrita expressiva sobre eventos estressantes e a maturidade cognitiva através do role-taking. De acordo com os autores, a literatura indica que quando as pessoas são solicitadas a narrar um evento de diferentes perspectivas, elas apresentam mais benefícios psicológicos, especialmente pessoas com ansiedade elevada. Foram realizados dois estudos. O primeiro buscou relacionar o uso de palavras à maturidade da descentração ou do role-taking8. Níveis elevados de descentração implicam interações na história nas quais os participantes descrevem o personagem internalizando suas características, especialmente seus pensamentos, sentimentos, reflexões ou intenções. Participaram do estudo 102 estudantes universitários que indicaram ter vivenciado um rompimento de uma relação amorosa nos 12 meses anteriores a pesquisa. Os participantes responderam a uma escala de intensidade emocional dos eventos, onde deveriam elaborar as causas do rompimento e o contexto em que ele ocorreu, além de uma escala de descentração interpessoal, que permite acessar o nível de maturidade cognitiva. A escala de descentração foi respondida considerando o contexto de relação antes e depois do rompimento. Como resultados, a descentração correlacionou-se positivamente com o uso de expressões cognitivas, especialmente palavras de inferência. Também foi encontrada uma correlação positiva entre a descentração e o uso de palavras sobre emoções positivas. Ou seja, os participantes que apresentaram maiores níveis de descentração ao escreverem sobre o rompimento da relação e suas consequências comparando seus sentimentos ao período

8 O uso dos termos descentração e role-taking como sinônimos foi utilizado pelos autores do estudo revisado, e

anterior ao rompimento, utilizaram menos palavras negativas e citaram mais sentimentos positivos em suas narrativas.

O segundo estudo de Jenkins et al. (2013) teve como objetivo analisar o papel dos processos de descentração como uma forma de ativar o processamento de informações relacionais estressantes. Participaram do estudo 83 pessoas que responderam, além dos instrumentos utilizados no estudo anterior, um questionário de memória autobiográfica, onde tiveram que descrever um momento estressante de suas vidas. Os participantes foram divididos em dois grupos: metade escreveu livremente sobre a situação e metade realizou a tarefa com instruções de escrita expressiva. Os resultados indicaram que, assim como no primeiro estudo, a descentração correlacionou-se positivamente com o uso de palavras cognitivas e com o uso de palavras de emoção positiva. No que se refere à capacidade de analisar o evento em abrangência e fechamento, foi encontrada uma relação onde a descentração atua como uma forma de processamento ativo de informações apenas para pessoas com baixo grau de fechamento na autoavaliação sobre a situação.

3.3.1. Considerações sobre a revisão de “role-taking”.

Como foi apontado na apresentação deste capítulo, a busca utilizando o termo role- taking foi realizada para garantir a acurácia da revisão da literatura, tendo em vista que alguns estudos utilizam este termo no lugar de “tomada de perspectiva social”. Sendo assim, pode-se perceber que os três estudos revisados neste tópico são congruentes com aqueles revisados no tópico anterior, e apontam direções sobre os processos de tomada de perspectiva social. Sendo assim, destacam-se os resultados do estudo de Rique et al. (2010) que analisaram a relação da tomada de perspectiva com a empatia, numa perspectiva teórica semelhante à adotada nesta tese, e que encontraram evidência da relação entre o uso da tomada de perspectiva e de componentes empáticos na avaliação sobre situações de ofensas interpessoais. Na mesma direção, os estudos realizados por Jenkins et al. (2013), que

mostraram que a tomada de perspectiva, ou role-taking, ajuda a diminuir os sentimentos negativos de uma pessoa ao analisar uma situação em que ela tenha sofrido uma mágoa. No caso do estudo de Laurent e Myers (2011), a principal contribuição dos resultados encontrados pelos autores se encontra na identificação da influência da tomada de perspectiva na alteração das crenças das pessoas sobre um determinado tema.

Portanto, os estudos encontrados utilizando o termo indexador role-taking apontam aspectos relevantes para o avanço nos estudos sobre este elemento cognitivo das interações sociais, evidenciando os efeitos da descentração nas relações interpessoais e na interpretação de eventos estressantes ou que envolvem uma mágoa, ajudando na diminuição dos sentimentos negativos e no surgimento de emoções positivas nas pessoas, além de mostrar que a descentração pode levar a uma mudança nas crenças pessoais sobre aspectos sociais. Este resultado se mostra relevante para o objetivo levantado nesta tese, que supõe que a descentração pode levar a uma interpretação diferente das situações sociais, dependendo das informações disponíveis para as pessoas.

Assim como o conhecimento dos estudos abordando os aspectos cognitivos derivados da descentração social, também se faz necessário compreender como a literatura tem explorado o componente afetivo do desenvolvimento das relações interpessoais e das interpretações sociais. Sendo assim, serão apresentados a seguir os estudos atuais que investigaram um ou mais aspectos envolvendo o desenvolvimento da empatia.

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