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Dans le document The Design of Shape from Motion Constraints (Page 115-118)

A organização de uma exposição com os integrantes do projeto teve a finalidade de proporcionar visibilidade às evidências históricas que envolvia a família dos estudantes, uma forma que os remetesse a história de seus antecessores que, talvez, nem eles mesmos conhecessem até então.

Visava entrar em contato com o passado de sua localidade marcado pela imigração polonesa, estabelecendo uma ponte entre dois momentos temporais, embora se soubesse que seriam percebidos de maneiras distintas, dada as vivências de cada geração.

Uma proposta pedagógica pautada num ensino de História que revelasse elementos identitários de um grupo social, ao mesmo tempo que um conjunto de capacidades relacionadas ao desenvolvimento do raciocínio histórico fosse desencadeado a partir do que seria exposto, criando um universo dotado de sentido quase que patrimonial, abrindo caminho para uma forma de comunicação também com a sociedade.

Marlise Maria Giovanaz (2013) enfatiza que exposições podem ser montadas em outros espaços além dos museológicos, como em bibliotecas, instituições comerciais, governamentais e de ensino, com a função de transmitir conhecimentos, como uma espécie

de passaporte para uma viagem no tempo, onde os objetos que a compõem agregam conhecimentos acerca da história de uma sociedade. E ancorada nesta prerrogativa que a atividade foi composta, subsidiada com artefatos trazidos pelos próprios estudantes do 5º Ano (ver figura 18 e 20).

FIGURA 19 – EXPOSIÇÃO IMIGRAÇÂO POLONESA

Fonte: A Autora (2017).

Montada no interior da escola, na sala de aula da turma do 5º Ano, foi aberta para visitação dos demais estudantes e membros de sua família durante uma semana, porém somente num dia específico é que os alunos estiveram à disposição para responder os questionamentos acerca do que estava sendo mostrado, havendo uma intercomunicação entre os objetos e o público, intermediada pelos alunos.

Uma exposição é algo mais abrangente do que apenas mostrar objetos, pois é um local onde esses recebem valores específicos e se evidencia uma intencionalidade construída que os transforma em ‘bens culturais’.

Para tanto, buscou-se conhecer junto aos estudantes e membros de sua família as representações sociais dos objetos ancorados na memória, já que os mesmos tiveram um papel significativo no desenvolvimento dessa localidade, e por seu intermédio é possível conhecer costumes, hábitos, cultura e o cotidiano de gerações.

Estes elementos de representação, em alguns casos individual e outros coletivo, se constituem em ferramentas para a compreensão de construção de mundo, como aponta Giovanaz,

Todas as sociedades elaboram para si sistemas de representação coletiva, formados por imagens ou ideias, que são referências para a vida e para a compreensão de mundo. O imaginário social legitima a ordem vigente, orienta comportamentos, avaliza valores culturais e sociais, estabelece metas e funda mitos. Imaginário social, como um sistema ou conjunto de símbolos de representação coletiva que se ancora em imagens, ideias, discursos, relações, e que têm ressonância e significado dentro do grupo onde se estruturou. (2013, p. 319).

E buscar a compreensão desse mundo não vivido pelos estudantes e que, de certa forma esboçado pelo autor, foi sendo adquirido por meio das interações e experiências sociais, mediada pela exposição, que se tornou um veículo difusor no espaço da escola. E, sob o ponto de vista do ensino de História, conhecer as representações sociais orientariam as interpretações e ações dos alunos, “a fim de torná-las objeto de problematização e reconstrução” (SIMAN, 2005, p.350).

Giovanaz (2013, p.320), indica que a função de uma exposição está em informar, explicar, inventariar dados sobre o passado, elementos projetados na atividade, pois os objetos não foram observados com a função única de ilustrar um conteúdo, mas em construir uma identidade visual e cultural, apresentando-os a partir de suas relações identitárias.

Esses artefatos fazem parte da memória de muitos moradores da Colônia Água Branca, enquanto descendentes de imigrantes poloneses. Assim, com essa atividade a memória vai se revificando auxiliado pelas imagens de cenas vividas de cada época retratada por meio destes objetos.

Guardar objetos é uma maneira de manter o passado próximo ao presente pelo ato de relembrar. É a memória do passado que provoca nestes indivíduos sentimentos de pertencimento a uma sociedade, como salienta, Lidia Eugenia Cavalcante (2007, p.100). Eles vão formando uma rede onde os laços aparecem e as experiências muitas vezes são comuns entre os indivíduos.

Certamente as fotografias, documentos, vestimentas, objetos do cotidiano e cartas presentes na exposição sobre a imigração polonesa em Água Branca geram significados, a memória se constrói socialmente por meio das experiências vividas, individual ou coletivamente nessa comunidade.

Michael de Certeau (2006 apud Cavalcante, 2007, p.100), nos diz que “o memorável é aquilo que se pode sonhar a respeito do lugar”. Os poloneses que imigravam para o Brasil, buscavam melhores condições de vida no novo continente, visto que o seu território de origem experimentava um processo de perda de independência e, dessa forma, espalhava-

se entre as pessoas um sentimento de risco à segurança individual e coletiva, algo que se consolidou com a ocupação realizada pelas potencias europeias no período (Rússia, Áustria e Prússia) (POUBEL, 2017). Assim sonhavam conquistar sua terra, para propiciar à sua família uma vida digna, em um lugar seguro e com possibilidades de progresso.

E Cavalcante complementa que,

Lugares construídos na memória, onde cenas vão sendo tecidas uma a uma, e a cada fio, reconstituído em tramas diversas, permite o uso de metáforas e maneiras de ver o passado, por meio de lembranças vividas ou recolhidas da memória do outro. Muitas vezes são caminhos historicamente distantes, percorridos por nossos antepassados. (2007, p. 100).

Através destes objetos expostos é possível conhecer costumes, hábitos, cultura e cotidiano das gerações que fizeram parte da formação da colônia fazendo uma leitura do passado.

As fotografias foram as recordações trazidas em maior número para a exposição. Através dela pode se observar a estrutura social presente à época, o tipo de vestuário, o corte de cabelo, as peculiaridades dos eventos sociais e religiosos, entre outros aspectos.

Adair Felizardo (2007, p. 212), destaca que a fotografia seria uma forma de perpetuar a memória, de resgatar a lembrança, num processo de rememoração. Quando o indivíduo registra momentos sociais, em família, fotos de viagens, retratos do seu cotidiano de trabalho, está tornando a memória visível, preservando a lembrança dos grandes momentos e das pessoas que são referências da sua história.

Dessa forma, as fotografias trazidas para à exposição evocam e transmitem a recordação dos acontecimentos que merecem ser conservados para ficarem perpetuados nos álbuns de família”. De acordo com Bourdieu,

O álbum de família exprime a verdade da recordação social. Nada se parece menos com a busca artística do tempo perdido do que estas apresentações comentadas das fotografias de família, ritos de integração a que a família sujeita os seus novos membros. As imagens do passado dispostas em ordem cronológica, “ordem das estações” da memória social, evocam e transmitem a recordação dos acontecimentos que merecem ser conservados porque o grupo vê um fator de unificação nos monumentos da sua unidade passada ou, o que é equivalente, porque retém do seu passado as confirmações da sua unidade presente. (1965, p.54).

Do mesmo modo que a fotografia, um objeto antigo usado na agricultura também cumpre o papel de relembrar a memória histórica dos moradores de Água Branca, pois mostra elementos da atividade econômica voltada à agricultura, rememora as dificuldades enfrentadas no processo de cultivo antes da mecanização, bem como outros aspectos

relacionados a essa perspectiva, como por exemplo de um esmeril manual (ver figura 19).

FIGURA 20 – ESMERIL MANUAL

Fonte: A Autora (2017).

Estas percepções conduzem o estudante a entender as especificidades de cada tempo, as transformações e as permanências, ou seja, o entendimento de que as sociedades não são estáticas, que elas se transformam de acordo com as necessidades que surgem e com isto novos comportamentos sociais se apresentam.

Os artefatos históricos expostos estão presentes no meio social destes estudantes e de seus familiares, estando agregado um valor simbólico. Eles se constituem de um significado, além de histórico também afetivo, ultrapassando o próprio valor do objeto, o que explicaria que muitos estarem preservados e guardados pelos familiares, desde a chegada dos primeiros imigrantes poloneses em Água Branca.

Dessa forma, os objetos presentes no meio social desta comunidade aparecem sob a forma de representação social, cuja função foi recriada, agora como forma de preservar a memória coletiva da história da localidade. Essas representações sociais perpassam pelas gerações de descendentes de imigrantes poloneses da localidade, com um valor histórico e afetivo diferenciado, pois estão sujeitas às transformações que ocorrem nas sociedades. Então as representações sociais sobre o passado e sobre a história, manifestadas através de artefatos históricos, se constituem em registros do passado, adquirindo um valor didático/pedagógico, ao transmitirem valores de uma sociedade. Neste sentido assim se coloca Siman,

entre o sujeito e o social, mediado pelas representações sociais. Ou seja, ao mesmo tempo em que este sujeito recria a realidade social e suas representações ele é também modificado em sua própria relação com o mundo. Dessa forma, os objetos presentes no meio social aparecem sob a forma de representação, recriados pelos sujeitos. Além disso, as representações sociais poderiam estar vinculadas tanto à circulação que ocorre entre os grupos sociais existentes, passando de um grupo social a outro, quanto às transformações sucessivas pelas quais essas passam durante os diferentes momentos vividos pelos sujeitos. (2005, p. 353).

A possibilidade pedagógica da exposição subsidia os estudantes observarem as diversas possibilidades de trazer elementos do passado para relacioná-los com o presente, identificando as mudanças e permanências nas organizações sociais e familiares, percebendo a si mesmos como sujeitos da História. Perceberam que artefatos históricos podem estar disponíveis na própria localidade: nos livros, nas músicas, nas fotografias, nos documentos de arquivos familiares.

Foi uma atividade significativa, pois promoveu o compartilhamento de conhecimentos entre os estudantes e seus familiares.

FIGURA 21 – EXPOSIÇÃO IMIGRAÇÃO POLONESA.

Fonte: A autora (2017).

Dans le document The Design of Shape from Motion Constraints (Page 115-118)