A Tabela 7 evidencia os resultados obtidos através dos cálculos do índice de liquidez geral dos exercícios de 2017, 2018, 1º semestre de 2018 e 1º semestre 2019. Para o cálculo foi utilizada a fórmula 3, já apresentada no referencial teórico. Contudo, vale ressaltar que, para o cálculo do índice foi utilizado o valor do realizável a longo prazo, ou seja, os investimentos, imobilizado e intangível não foram incluídos no cálculo.
Tabela 7 - Comparação dos índices de liquidez geral
1º semestre 2019 1º semestre 2018 Exercício 2018 Exercício 2017
0,64 0,62 0,66 0,54
Fonte: Elaborado pela autora
O cálculo do índice em questão mostra que, no exercício de 2017 para cada R$ 1,00 de obrigações de curto e longo prazo, a empresa dispunha de R$ 0,54 de recursos de longo e curto prazo para honrar as suas obrigações. No exercício de 2018, o índice foi de R$ 0,66 de recursos de curto e longo prazo disponíveis para cada R$ 1,00 de obrigações de curto e longo prazo. Comparando o exercício de 2017 com o de 2018, houve um modesto crescimento em sua capacidade de pagamento, pois a entidade apresentou um aumento de 4,15% em seu ativo e uma redução de 6,65% no passivo, porém o resultado é desfavorável para a entidade, tanto em 2017 quanto em 2018, pois os recursos disponíveis se mostraram insuficientes para honrar as suas obrigações.
No primeiro semestre de 2019, esse índice foi de R$ 0,64, evidenciando que para 1,00 de obrigações de curto e longo prazo, a empresa dispunha de R$ 0,64 de recursos de longo e curto prazo para honrar as suas obrigações, porém esse índice é insatisfatório diante das obrigações que a entidade possui. Em um comparativo com o primeiro semestre de 2018, que apresentou um índice de R$ 0,62, houve um crescimento em sua capacidade de pagamento, que pode ser justificado devido à alguns fatores, como o aumento do ativo em 8,02%. Segundo a nota explicativa 3 (f) das demonstrações do 2º trimestre de 2019 da Vale, houve um bloqueio de R$ 12,8 bilhões de ativos da Companhia, cerca de R$ 366 milhões foram bloqueados nas contas bancárias e R$ 12,4 bilhões foram convertidos em depósitos judiciais relacionados ao evento de Brumadinho. Na Figura 5 é apresentado um fragmento do balanço patrimonial, onde estão reconhecidos os depósitos judiciais, conforme mencionado anteriormente.
Figura 5 – Balanço patrimonial do segundo trimestre de 2019
Os depósitos judiciais apresentados na Figura 5, só permanecerão no ativo não circulante até que aconteça a decisão judicial de resgate pelas partes envolvidas, o aumento foi significativo, saltando de cerca de R$ 6,7 bilhões no primeiro semestre de 2018 para R$ 19,2 bilhões em 2019, uma das razões do aumento do ativo total. A Figura 6 apresenta a nota explicativa da conta “Depósitos judiciais”.
Figura 6 - Nota explicativa das demonstrações do segundo trimestre de 2019
Fonte: Vale (2019)
Conforme evidenciado na Figura 6, o valor de R$ 12,4 bilhões foi convertido em depósitos judiciais, relacionados ao evento de Brumadinho.
Na Figura 7 é apresentado um fragmento do balanço patrimonial do exercício de 2018.
Figura 7 - Balanço patrimonial do segundo trimestre de 2018
Fonte: Vale (2019)
Conforme apresentado na Figura 7, o valor reconhecido na conta “Depósitos judiciais” não era tão expressivo, se comparado com o primeiro semestre de 2019.
O passivo total apresentou um aumento de 15,25%, que deve-se à participação da Vale em coligadas e joint ventures, sendo uma delas a Samarco,
responsável pela barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana (MG), que se rompeu em 2015. A Vale faz parte de uma entidade responsável em recuperar e compensar a longo prazo os efeitos dessa tragédia em Mariana, e também será responsável pela descaracterização da barragem de Germano, propriedade da Samarco, bem como as outras de sua propriedade. O processo total de descaracterização das barragens a montante aumentou o valor do passivo total em R$ 7,733 bilhões. No primeiro semestre de 2019 a empresa reconheceu tanto no passivo circulante quanto no não circulante o Programa de refinanciamento (REFIS), no valor total de R$ 16,3 bilhões, obrigação que a entidade não possuía no primeiro semestre de 2018. No primeiro semestre de 2019 foi reconhecido também cerca de R$ 13,5 bilhões de passivos relacionados à Brumadinho. Na Figura 8 é apresentado o passivo total.
Figura 8 - Balanço patrimonial do 2º trimestre de 2019
Fonte: Vale (2019)
A Figura 8 evidencia as contas do passivo total, sendo as contas destacadas relacionadas à Brumadinho e o “Programa de refinanciamento (REFIS)” que não havia sido reconhecido em 2018.
As provisões também tiveram um aumento relevante, embora nas notas explicativas conste alguns valores relacionados à tragédia em Brumadinho, não é possível identificar o valor total exato dessas provisões, conforme a Figura 9. O valor total no primeiro semestre de 2018 era de R$ 29 bilhões, já no segundo semestre de 2019 subiu para R$ 34,6 bilhões. Nas notas explicativas a empresa informa que, alguns projetos e iniciativas com o objetivo de recuperar o meio ambiente e compensar a sociedade, resultaram em uma provisão de R$ 4,4 bilhões. Fazem parte da provisão também duas sanções administrativas, uma delas no valor R$ 250 milhões de multa administrativa imposta pelo Ibama, porém a Vale espera liquidá-la através de projetos ambientais. A outra sanção é da Secretaria do Meio Ambiente de Brumadinho, que impôs multas administrativas no valor total de R$ 109 milhões. A Figura 9 apresenta a nota explicativa da conta “Provisões”.
Figura 9 - Nota explicativa das demonstrações do 2º trimestre de 2019
Fonte: Vale (2019)
Conforme demonstrado na Figura 9, os valores correspondem às provisões reconhecidas no passivo circulante e passivo não circulante.
Diante das análises apresentadas, é possível afirmar que o indicador não teve influência do acidente ocorrido em Brumadinho.